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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O SIGNIFICADO DO AMOR

O AMOR

A palavra amor (do Latim amor) presta-se a múltiplos significados na Língua Portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação.

Estudos têm demonstrado que o escaneamento dos cérebros dos indivíduos apaixonados exibe uma semelhança com as pessoas portadoras de uma doença mental. O amor cria uma atividade na mesma área do cérebro que a fome, a sede, e drogas pesadas, criando atividade Polimerase. Novos amores, portanto, poderiam ser mais emocionais do que físicos. Ao longo do tempo, essa reação ao amor muda, e diferentes áreas do cérebro são ativadas, principalmente naqueles amores que envolvem compromissos de longo prazo. O Dr.Andrew Newberg, um neurocientista, sugere que esta reação de modificação do amor é tão semelhante ao do vício as drogas, porque sem amor, a humanidade morreria.

Fala-se do amor das mais diversas formas: amor físico, amor platônico, amor materno, amor a Deus, amor a vida. É o tipo de amor que tem relação com o caráter da própria pessoa e a motiva a amar (no sentido de querer bem e agir em prol). Assim, a temática do amor está presente em quase todos os filósofos gregos. O Amor é entendido como um princípio que governa a união dos elementos naturais e como princípio de relação entre os seres humanos. No campo da filosofia, por exemplo, depois de Platão só os platônicos e os neoplatônicos consideraram o amor um conceito fundamental.

Em Plutarco o amor é a aspiração daquilo que carece de forma (ou só a tem minimamente) às formas puras e, em última instância, à Forma Pura do Bem. Em "As Enéadas",Plotino trata do amor da alma à inteligência; e na sua Epistola ad Marcelam, Porfírio menciona os quatro princípios de Deus: a fé, a verdade, o amor e a esperança. No pensamento neoplatônico, o conceito de amor tem um significado fundamentalmente metafísico ou metafísico-religioso.

Outro ponto fundamental sobre o Amor é que, para ele ocorrer, não importa os níveis - social, afetivo, paternal ou maternal, fraternal – ele deve ser permitido. O que significa ser amor permitido? Bem, de fato quase nunca se pensa sobre isso, porque passa tão despercebido que atribui-se a um comportamento natural do ser humano ou de outros seres vivos. Mas não, a permissão aqui referida tem por base um sentimento de reciprocidade capaz de dar início e alargar as relações de afetividade entre duas ou mais pessoas que estão em contato e que por ventura vêm a nutrir um sentimento de afeição ou amor entre si.

A permissão ocorre em um nível de aceitação natural, mental ou físico, no qual o ser dá abertura ao outro, sem que sejam necessárias quaisquer obrigações ou atitudes demeritórias ou confusas de nenhuma das partes. A liberdade de amar, quando o sentimento preenche de alguma forma a alma e o corpo e não somente por alguns minutos, dias ou meses, mas por muitos anos, quiçá, eternamente, enquanto dure e mais nas lembranças e memórias.

Saindo da filosofia e caindo no mundo real, é fato que muitas vezes nos enganamos ao pensar num sentimento eterno. Há pessoas incapazes de amar, porque não amam nem a si. São criaturas estranhas, misteriosas, que deveriam ser estudadas pela ciência. Isso porque possuem atitudes que nos inquietam, surpreendem, causam perplexidade, melancolia, estresse.

Entende-se, ainda, que no mundo há gente de todo tipo, os mais estranhos, que não podemos evitar, de um dia qualquer, cruzar com elas. São criaturas que habitualmente machucam, arranham, ferem, rasgam, dilaceram, porque não possuem, dentro de si, aquele sentimento mais nobre dos seres humanos: AMOR.

Assim, quando um dia, um de nós, cruzar com um caminhante dessa geografia, é prudente apegar-se na fé em Deus, seguir em frente, desviar-se, acalmar o coração, permitir que o tempo cure as feridas. Não se deve chorar nem sofrer a desesperança pela perda de um AMOR. A porta por onde ele saiu, não a feche, pois como entrar luz num lugar fechado?  Deixe-a aberta e, a qualquer momento, pode ser iluminada com a entrada de um novo alguém!

Mas não era só isso. Tinha de ter mais.... Eu queria falar do amor de quem ama; da maior riqueza desta vida, um bem espiritual cujo valor está acima de todos os bens que se possa ter, em bem que, quando verdadeiro, jamais acaba. O amor cultiva o amor, o amor faz o amor aumentar, atravessa crises, sobe acima das mais altas montanhas, desce às maiores profundezas da alma, percorre de novo as trilhas já percorridas com a graça do perdão e avança por novos caminhos com a luz da esperança.

Finalizando, por este momento, diz-se com Willian Shakespeare que lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor ainda.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A GLOBALIZAÇÃO E O CAMINHO DA EDUCAÇÃO

digital

No século XVIII, o célebre cientista e pensador francês, conhecido pelo nome de Antoine Laurent de Lavosier, disse “no Universo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Com estas palavras ele tornou conhecido o princípio da conservação da matéria e, mais do que isso, evidenciou que o movimento de transformação é o agente responsável pelo milagre evolutivo.

Hoje, em pleno século XXI, pode-se constatar que o signo da transformação extrapolou as fronteiras da química, ampliou-se e envolveu todos os aspectos da vida moderna: do individual ao coletivo, do social ao político, do nacional ao supranacional. Os paradigmas sobre os quais se estruturou a sociedade industrial são insuficientes e inadequados para que a nova sociedade global floresça. Assim, o fenômeno da globalização econômica é um processo que ocorre em ondas, com avanços e retrocessos, separados por intervalos que podem durar séculos.

Essas ondas da chamada globalização podem ser agrupadas da seguinte forma:

1 - a primeira onda: ocorreu por ocasião da ascensão do Império Romano. Enquanto os gregos se dedicavam à filosofia, em suas cidades-estados e ilhas, os romanos articulavam seu sistema legal, difundiam o uso da moeda e protegiam o comércio contra as investidas dos piratas. A educação romana se inspirou nos ideais práticos e sociais e pode ser dividida em três fases: pré-helenista, helenista-republicana, helenista-imperial. Com a queda do Império Romano houve uma feudalização política e comercial, pondo fim ao primeiro movimento de globalização.

2 - A segunda onda: veio nos séculos XIV e XV, ocasião em que o mundo ocidental ingressou nos descobrimentos marítimos. Nesse tempo a educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. O comércio internacional, com a abertura comercial para o Oriente, foi freqüentemente interrompido por guerras religiosas e dinásticas das monarquias européias. Foi nesse período que se falou, pela primeira vez, em globalização da economia. Isso coube ao Arcebispo de Florença, S. Antonino (1439), que na sua Suma Teológica, em que tratava de ética e economia, propôs uma economia moderna, concebida globalmente e cujo objetivo mais importante era promover a justiça social.

3 - A terceira onda: veio no século XIX, no final das guerras napoleônicas, quando nasce o ensino público. Nesse tempo, o liberalismo sobrepujou o mercantilismo e começou a ganhar espaço a democracia política. Mas essa nova onda globalizante sofreu abrupta interrupção com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

4 - A quarta onda: ocorreu logo após a Segunda Guerra Mundial e se acelerou com o colapso do socialismo (1989-1991). Essa retomada da tendência à globalização é caracterizada pelo aparecimento de organizações internacionais (ONU, Gatt - substituído pela OMC, Bird etc), pela formação de blocos regionais, como o Mercado Comum Europeu (atual UE-União Européia), pela expansão das empresas multinacionais, pelo crescimento do comércio internacional e pela interligação dos mercados financeiros, possível graças à revolução da telemática. A educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar essa nova estruturação do mundo.

5 – A quinta onda: a atual, a mais rápida de todas, pois trouxe a revolução nas comunicações e maior avanço dos meios de transportes, em geral. Também é mais abrangente, envolve comércio, produção e capitais, serviços, arte, educação etc. Não sem razão, essa quinta onde de globlização tem causado mais apreensão do que entusiasmo. Os meios de transporte e de comunicação, cada vez mais velozes, estão modificando a "cara" do planeta. A Educação deve acompanhar as mudanças no mundo e tornar-se o motor da nova história.

Assim, com a chegada dessa atual globalização -- que para muitos se confunde com uma nova era, a do conhecimento -- a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar a nova estruturação do mundo. Dela depende a continuidade do atual processo de desenvolvimento econômico e social, também conhecido como era pós-industrial, onde se nota, claramente, um declínio do emprego industrial e a multiplicação das ocupações em serviços diferenciados, tais como comunicação, saúde, turismo, lazer e informação.

Em face desses cenários, tudo conduz ao pensamento de que neste século XXI a principal atividade "industrial" será o turismo. As pessoas passam a viajar mais. A arte, também, nesse processo de mudanças, passará a ter um papel mais importante do que teve até então, considerando que o tipo de profissional exigido no século XXI será um ser humano "global". Esse ser "global" terá por obrigação estudar durante toda a vida para se manter atualizado e ser, ao mesmo tempo, membro da sociedade do conhecimento.

Na era da informação, o conhecimento é um diferencial na crescente sociedade instruída, precisando, cada vez mais, de educação e aprendizado continuado. Hoje, todo cidadão precisa ter acesso à educação corrente e atual para participar, completamente, da era da informação e perceber seu potencial para eliminar limitações e criar oportunidades para viver, plenamente, dias melhores. É nesse sentido que deve caminhar a educação desse século XXI.

DICAS DE GRAMÁTICA

LIMPO OU LIMPADO, Professora?

- A regra gramatical é clara. Usa-se limpo com os verbos ser e estar: estava limpo o terreno; será limpo o quintal da casa. Usa-se limpado com os verbos ter e haver: havia limpado o pasto, terei limpado o forno?

QUANDO ALGUM É NENHUM

- A posição de uma palavra na frase pode mudar totalmente seu sentido. Quando algum vem antes do substantivo — eu tenho algum dinheiro — é porque eu tenho um pouco de dinheiro. Já a frase “Não tenho dinheiro algum” significa o contrário, que estou sem nenhum dinheiro.

sábado, 7 de agosto de 2010

IDIOMA: FERRAMENTA ESSENCIAL NO MUNDO DO TRABALHO

Em tempos de acelerada globalização, e de inglês como a língua franca para o acesso a prestígio e empregabilidade no mundo corporativo, é importante repensar o papel real que o bom domínio de Língua Portuguesa pode representar em tal cenário. Se saber inglês virou rotina e uma obrigação profissional, é necessário enfatizar que empresas de excelência, bem como caçadores de talentos desejam encontrar profissionais que saibam manejar bem o idioma pátrio. Ninguém deseja empregar uma pessoa que se expressa mal em seu idioma nativo. Por isso, utilizar bem a língua portuguesa é um diferencial competitivo para os profissionais das mais diversas áreas do conhecimento.

Parodiando o historiador inglês Theodore Zeldin, que escreveu, em seu livro Conversação, que à medida que se galga mais altos patamares no atual universo de trabalho mais se passa o tempo "conversando", pode-se afirmar, sem temor de exagero que, do mesmo modo, quanto mais se ascende na escala profissional, mais se necessita do bom uso da língua materna, mais se passa o tempo lendo e escrevendo. A comunicação escrita, malgrado a oralidade de nossa cultura e o uso de meios como o telefone e os audiovisuais, termina por se impor ao trabalho cotidiano. Não é preciso apenas ler, mas igualmente escrever bastante, mesmo que para tanto ninguém cobre um estilo fluente e impecável.

O mundo corporativo e globalizado exige cada vez mais aprendizado intelectual, envolvendo participações e apresentações em cursos, congressos e seminários, além de publicações de toda ordem, não é difícil imaginar que o papel desempenhado pela língua tende a crescer e a se valorizar. O idioma é uma ferramenta de trabalho essencial. O erro de Português, além de vexatório, compromete a imagem de qualidade que qualquer profissional precisa transmitir.

Falar, escrever, comunicar-se bem será, cada vez mais, uma exigência cotidiana. Para quem quer começar, a saída está ao alcance da mão. Ler bastante é a regra principal. Além disso, há vários livros no mercado que ajudam na tarefa de manter o português sempre atual. A Internet também pode ser um bom ponto de partida. Há várias páginas na rede que relacionam os erros mais comuns, dão dicas de redação comercial e facilitam a vida de quem deseja ter mais intimidade com a língua portuguesa.

É preciso que os profissionais se desvencilhem de hábitos equivocados e de uma cultura que sempre consagrou a língua como algo para intelectuais, juristas e literatos. É necessário repensar a língua como o primeiro e grande instrumento de comunicação de que dispõe o ser humano. Pois a experiência mostra que, se se pensar assim, os ganhos podem ser imensos, evitando-se prejuízos, mal-entendidos e aborrecimentos. Nunca é tarde para alguém aprimorar-se no idioma nativo, tanto na feição escrita quanto oral. Cada pessoa pode desenvolver e lapidar o que "naturalmente" já traz colado à percepção do mundo: o idioma nativo.

DICAS DE GRAMÁTICA

O CASO DO MIM E DO EU, DO TU E DO TE, COMO USAR?

- É comum as pessoas dizerem: Este livro é para mim ler. Qual o equívoco? O certo é para eu ler. Simplesmente não observamos que o mim torna-se o sujeito de ler. Pelas leis da gramática, mim e te não funcionam como sujeitos da ação. Logo: Para eu fazer, para eu ler, para eu escrever. Mim e te não praticam ação. Logo, mim não passa no vestibular; mim não namora, mim não vai a jogo de futebol. Eu, sim, passo no vestibular. Estudo para eu passar no vestibular.

EM PRINCÍPIO E A PRINCÍPIO, QUANDO USÁ-LOS?

- a princípio: à primeira vista, logo a princípio, inicialmente, primeiramente, de início, de entrada, no começo, de começo [ou na gíria: "de cara"].

· Pensamos, a princípio, que se tratava de um animal pré-histórico, mas depois constatamos que era simplesmente uma espécie rara de predador.

· A princípio, eu não sabia de nada, mas um dia ela me contou tudo.

- em princípio: em tese, em teoria, teoricamente, em termos, de modo geral; conforme Aurélio: "Antes de qualquer consideração; antes de tudo; antes de mais nada". O próprio dicionário deixa o significado mais claro no verbete ‘tese’: "Em tese. De acordo com o que se supõe; em princípio; em teoria".

· Vais assistir ao filme Bossa Nova conosco? – Em princípio, vou; mas dependo da confirmação de outro compromisso.

Em princípio, não estamos interessados em comprar nada.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

OS TIPOS DE INTELIGÊNCIA HUMANA

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Fala-se muito sobre a inteligência humana. Dizem haver pessoas mais inteligentes que outras. Há afirmações de que as mulheres são mais inteligentes que os homens, porque possuem maior sensibilidade, guardam, por maior tempo, informações na memória. Mas o que impressiona, na humanidade, é o fato de entre tantos seres vivos somente o ser humano possuir inteligência. Como esse caso se deu? Porque o homo erectus possui a inteligência ausente nos outros animais?
Segundo a ciência, a resposta se deve ao fato de o surgimento da inteligência na raça humana ser um evento fortuito, raríssimo, e cuja possibilidade de vir a ocorrer, novamente, num ambiente natural, diga-se, em outro planeta, é um número astronomicamente ínfimo. É um fenômeno raro de se repetir.
Na Universidade Harvard, há os estudos do famoso biólogo Ernst Mayr, que falam sobre a possibilidade de a natureza produzir seres inteligentes pelos processos evolutivos conhecidos. E, ali, ele afirma que os seres humanos são mesmo produtos sobrenaturais. De 30 milhões de espécies vivas, atualmente, e cerca de 50 bilhões de outras espécies vivas ou que já viveram e sumiram, somente o Homo sapiens desenvolveu inteligência superior. A média de sobrevivência de uma dada espécie, na Terra, anda por volta de 100.000 anos.
Com base nesses estudos de Harvard é possível dizer que a espécie humana atual, o Homo erectus, existe há 500.000 anos, aproximadamente. Mas foi há apenas 6.000 ou 8.000 anos a.C. que alguns homens abandonaram a vida selvagem, de caverna, e migraram à árdua agricultura, fato que tornou possível o aparecimento das primeiras aldeias sedentárias no Oriente Médio. Assim, os primórdios da civilização humana e urbana remontam aos mais primitivos sítios neolíticos, em Jericó, há 6000 a.C. e em Jarmo, no Iraque, há 4500 a.C.
Ainda, tomando por fonte os estudos da Universidade de Harvard, particularmente aqueles do psicólogo e neurocientista Daniel Goleman, há três tipos de inteligência:
1) A inteligência intelectual - É a inteligência analítica pela qual se elaboram conceitos e se faz ciência. Com ela organiza-se o mundo e soluciona-se problemas objetivos. Nessa classificação reside o famoso QI (Quociente de inteligência) ao qual se deu tanta importância em todo o século XX.
2) A inteligência emocional – É a inteligência que foi popularizada pelo psicólogo e neurocientista de Harvard, Daniel Goleman, com seu conhecido livro “A Inteligência emocional” (QE=Quociente emocional). Empiricamente ele mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Os humanos são, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão e só em seguida, de razão. Quando se faz a combinação QI com QE é possível mobilizar a nós e aos outros.
3) A inteligência espiritual - A prova empírica desse tipo de inteligências nasceu de pesquisas recentes, feitas nos últimos dez anos, por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia -- que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro. Na convicção desses cientistas existe, nas pessoas, cientificamente verificável, outro tipo de inteligência pela qual não só são captados fatos, idéias e emoções, mas, também, percebidos nos contextos maiores de vida, totalidades significativas que dão sentido de pertencer ao Todo Universal. Essa inteligência torna o ser humano sensível a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. Por isso ganhou o nome de inteligência espiritual. Também, por essa razão, neurobiólogos, como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar, batizaram essa região da inteligência dos lobos temporais de "o ponto Deus", que aciona a necessidade humana de buscar um sentido para a vida.
Então, entende-se a inteligência como o conhecimento chamado de raciocínio, que possui o ser humano, e utilizado por ele, através do que se conhece por memória. O raciocínio é a velocidade com que o ser humano recebe o conhecimento, enquanto a memória é o tempo que o conhecimento pode ser guardado na mente humana.
Por tudo que se leu sobre o assunto, os seres humanos podem possuir mais ou menos energia em suas células. Um homem pode possuir mais que outro, ou uma mulher mais que outra. Mas, habitualmente, as mulheres possuem mais energia que os homens. E como a mulher possui mais energia em seu cérebro, a velocidade do conhecimento para sua mente será mais lenta, mas, em compensação, a mulher, por esse mesmo motivo, demorará mais tempo que o homem para perdê-lo, ou seja, as mulheres possuem uma memória bem maior que a dos homens.
Assim, se se levar em conta que a inteligência é o conjunto formado pela memória mais raciocínio, os dois empatam. Porém a mulher, apesar de precisar de mais tempo para raciocinar, terá a memória a seu favor, e sempre terá opiniões mais sensatas que as dos homens, além de um temperamento bem mais calmo para chegar a conclusões satisfatórias e sensatas.
Agora, a questão crucial do ser humano atual, segundo estudos científicos, reside no fato de ele possuir a inteligência intelectual sem o desenvolvimento da inteligência sentimental. Daí nasce o conflito entre a razão e a emoção. E desse conflito surgem tantos episódios desabonadores da raça humana, como a brutalidade, a violência, a imbecilidade, a animalidade, o descontrole diante de fatos e situações da vida, como mostram jornais, telejornais, revistas, reportagens, todos os dias.
Concluindo, é nesse desequilíbrio do sentimento e da razão que repousa, atualmente, a dolorosa realidade do mundo. O grande erro das pessoas foi entronizar apenas a inteligência, olvidando os valores legítimos do coração nos caminhos da vida. Em decorrência disso o mundo vivencia cenas e situações que envergonham a humanidade.Então, é bom agir aliando a razão com a emoção, na busca de uma melhor qualidade de vida no Planeta Terra. O ser humano precisa viver, sempre, no mundo da felicidade!
DICAS DE GRAMÁTICA

ALUGAM-SE CASAS ou ALUGA-SE CASAS?

- Alugam-se casas. O verbo concorda, sempre, com o sujeito. Igualmente diz-se: Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados./Publicam-se livros.
COMPROU UM GRAMA DE OURO ou COMPROU UMA GRAMA DE OURO?
- Comprou um grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, a grama = capim etc.

terça-feira, 6 de julho de 2010

POR QUE UMA LÍNGUA MUDA COM O TEMPO?

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As pessoas ficam, sempre, a se perguntar por que uma língua não permanece estável no curso da vida? Uma língua muda porque é falada segundo os costumes, a cultura, as tradições, modernização tecnológica e o modo de viver da população. Depois, há para considerar o fator tempo que altera todas as coisas. Assim, não existe razão para que a língua escape a essa lei universal. A língua, igualmente as pessoas, quer palpitar, crescer, tornar-se flexível e colorida, enfim, viver.

A mudança que se observa numa dada língua, no decorrer do tempo, tem paralelo na mudança dos conceitos de vida, na mudança das artes, da filosofia, da ciência e até da própria natureza. Essa evolução temporal, mudança diacrônica ou história, é um dos aspectos mais evidentes da variação ou mudança que se processa em toda e qualquer língua. Antigamente, no Brasil, se falava cutex ao invés de esmalte, petisqueira no lugar de armário, penteadeira ao invés de cômoda, rouge no lugar de blanche, ceroula ao invés de cueca. São exemplos que ilustram a mudança diacrônica ou histórica.

Considera-se, também, que a língua varia no espaço, razão porque a língua portuguesa apresenta variedades nacionais e internacionais. É a mesma língua, mas com traços peculiares das regiões, dos países como Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Brasil. Nesse campo, ilustram-se diferenças lexicais entre Português do Brasil e o Português de Portugal:

Banheiro

Quarto de banho

Açougue / Açogueiro

Talho / Talhante

Fila

Bicha

Ônibus

Autocarro

Trem

Combóio

Toca-fitas

Leitor de cassetes

Tela (de TV)

Écran

Um "acontecimento" no Brasil...

....é um "facto" em Portugal

Terno

Fato

Menino / garoto

puto

Meias masculinas

Peúgas

Cueca

Boxer

Multa

Coima

"meia"

6 (seis)

Galera

Turma

Embarcação

Galera

Usuário

Utilizador

Xerox

Fotocópia

Assim, as variedades nacionais de um idioma não apresentam uma uniformidade interna, são constituídas por variantes geográficas que os dialectólogos denominam dialetos. Também há as variações decorrentes dos diferentes grupos sociais a que pertencem os falantes, tal como variações de faixa-etária, sócio-culturais e sócio-profissionais. São exemplos de variações por faixa-etária: idoso>coroa>velho; homem>rapaz>tiozinho; baile>festa> balada. São exemplos de variações sócio-culturais: festa>arrasta-pé>piseiro; briga>confusão>furdunço>baixaria>barraco;namorar>ficar; moça> mina> filé. Exemplo de variação sócio-profissional no meio jurídico: Accipiens>credor de boa fé de prestação que não lhe é devida; actio in personam>ação pessoal ou sobre pessoa; ad hoc> Substituição temporária para o caso específico; ad judicia> para o foro em geral, para fins judiciais; ad referendum> na dependência de aprovação de autoridade competente; Caput> Cabeça; Corpus delicti> Corpo de delito.

Dos poucos exemplos que ilustram as mudanças e variações lingüísticas, observa-se ser impossível dar conta de todos os fenômenos de mudança e variação dentro de uma língua. É como diz o linguista Edward Sapir: “não podemos antecipar a deriva (*mudança – grifo nosso) e manter, ao mesmo tempo, nosso espírito de casta”, ou seja, sustentar, em meio à pluralidade social, uma modalidade castiça da língua. Ou dizendo, em outras palavras, manter o purismo lingüístico.

A língua falada e língua escrita também se contrapõem. Diz-se “Me empresta a caneta? Mas, dependendo das circunstâncias, ainda se escreve ”Empresta-me a caneta?”; “Eu lhe conheço” ao invés de “Eu o conheço”; Tem aula hoje? Ao invés de “Há aula hoje?”; “Vou sair” no lugar de “sairei”.

O estudo da língua como um diassistema, abordando todas as variedades, não é apenas importante, mas também indispensável para o conhecimento do idioma. Descrever uma língua, sincronicamente, é apresentá-la diastrática e diatopicamente e proceder à análise de seus fatos. No que diz respeito à Língua Portuguesa do Brasil, essa tarefa pertence àquelas pessoas que elaboram os Atlas Linguísticos até, então, publicados no país e daqueles em andamento, como é a confecção, sob nossa responsabilidade, do Atlas Etnolinguístico do Acre.

DICAS DE GRAMÁTICA

EXISTE MUITAS ESPERANÇAS ou EXISTEM MUITAS ESPERANÇAS NA ELEIÇÃO DE TIÃO VIANNA?

- Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias. Assim, segundo a norma gramatical: Existem muitas esperanças na eleição de Tião Vianna.

VAMOS ASSISTIR O JOGO ou VAMOS ASSISTIR AO JOGO?

- O verbo assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes. Assim, é correto dizer: Vamos assistir ao jogo!

sábado, 19 de junho de 2010

AS RAÇAS FORMADORAS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

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Viajando pelo mundo, em contato com tantas gentes, fica fácil notar como a humanidade é composta de muitas populações (raças) que habitam regiões diferentes e se distinguem pela freqüência com que nelas ocorrem certos traços hereditários. Em cada nação as pessoas possuem aspectos físicos característicos e definidores daqueles que nascem ali. E, embora se observe nos tipos humanos feições físicas similares, não se pode dizer que exista um grupo racialmente puro. Isso porque as populações contemporâneas são o resultado de um prolongado processo de miscigenação, cuja intensidade variou ao longo do tempo.

No Brasil, entre o século XVI ao XVIII, em aproximadamente 15 gerações, consolidou-se a estrutura genética da população brasileira, com o entrecruzamento de africanos, europeus e índios. Ainda, no período colonial, franceses, holandeses e ingleses tentaram se estabelecer em território brasileiro e deixaram alguma contribuição étnica, embora restrita. Assim, de uma mistura de raças, em clima tropical, têm-se os povos do Brasil, uma gente bem diferente daquelas outras do resto do mundo. As três raças básicas formadoras da população brasileira são o negro, o europeu e o índio, em graus muito variáveis de mestiçagem e pureza. A miscigenação no Brasil deu origem a três tipos fundamentais de mestiço: Caboclo = branco + índio; Mulato = negro + branco; Cafuzo = índio + negro.

Indagam-se, agora, quem eram os povos que formaram a população brasileira? Eles eram assim:

a) Brancos – são povos europeus, na maior parte portugueses, que trouxeram um complicado caldeamento de lusitanos, romanos, árabes e negros, que habitaram Portugal. Os demais grupos, vindos em grande número para o Brasil, em diversas épocas -- italianos, espanhóis, alemães, eslavos, sírios -- também tiveram mestiçagem semelhante. A partir de então, a migração tornou-se mais constante. O movimento de portugueses para o Brasil foi relativamente pequeno no século XVI, mas cresceu durante os cem anos seguintes e atingiu cifras expressivas no século XVIII. Embora o Brasil fosse, no período, um domínio de Portugal, esse processo tinha, na realidade, sentido de imigração. Assim, o Brasil é o país de maior população branca do mundo tropical.

b) Negros – povos africanos trazidos para o Brasil como escravos, do século XVI até metade do século XIX (1850). Vieram destinados à lavoura canavieira, à mineração e à lavoura cafeeira. Pertenciam a dois grandes grupos: os sudaneses e os bantos. Os primeiros, geralmente altos e de cultura mais elaborada, foram, sobretudo, para a Bahia. Os bantos, originários de Angola e Moçambique, predominaram na zona da mata nordestina, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Por fim, os africanos espalharam-se por todo o território brasileiro, em engenhos de açúcar, fazendas de criação, arraiais de mineração, sítios extrativos, plantações de algodão, fazendas de café e áreas urbanas. Sua presença projetou-se em toda a formação humana e cultural do Brasil, com técnicas de trabalho, música e danças, práticas religiosas, alimentação e vestimentas.

c) Índios - os indígenas brasileiros pertencem aos grupos chamados paleoameríndios, que provavelmente migraram em primeiro lugar para o Novo Mundo. Estavam no estádio cultural neolítico (pedra polida). Agrupam-se em quatro troncos lingüísticos principais: 1 - tupi; 2 - jê ou tapuia; 3 - caraíba ou karib; 4 - aruaque ou nu-aruaque. Há, além disso, pequenos grupos lingüísticos, dispersos entre esses maiores, como os pano, tucano, bororo e nhambiquara. Atualmente os índios acham-se reduzidos a uma população de algumas dezenas de milhares, instalados, sobretudo, nas reservas indígenas da Amazônia, Centro-Oeste e Nordeste.

Os principais grupos de imigrantes no Brasil são portugueses, italianos, espanhóis, alemães e japoneses, que representam mais de oitenta por cento do total. Até o fim do século XX, os portugueses aparecem como grupo dominante, com mais de trinta por cento, o que é natural, dada sua afinidade com a população brasileira. São os italianos, em seguida, o grupo que tem maior participação no processo migratório, com quase trinta por cento do total, concentrados, sobretudo, no estado de São Paulo, onde se encontra a maior colônia italiana do país. Seguem-se os espanhóis, com mais de dez por cento, os alemães, com mais de cinco, e os japoneses, com quase cinco por cento do total de imigrantes. Toda essa gente também participa do processo de mistura racial no Brasil.

Assim, nós brasileiros, segundo o mestre Darcy Ribeiro, “somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo”. Do branco, negro e do índio juntaram-se os mestiços na composição étnica da população brasileira, representados pelos caboclos (descendentes de brancos e ameríndios), mulatos (de brancos e negros) e cafuzos (de negros e ameríndios). E essa mistura de raças resultou, como se vê, a composição do povo brasileiro. E este povo está assim distribuído: predomina no litoral o tipo mulato e, no interior, o branco e vários mestiços. A população é mais índia no Norte, menos branca no Nordeste, mais índia e mais branca no Centro-Oeste e menos negra no Sul. No Sudeste, historicamente a área de maior desenvolvimento, há um pouco de todas as raças. Assim é o país, um mosaico de cor e raça, enchendo os olhos e encantando todos que aqui chegam.

DICAS DE GRAMÁTICA

HÁ ALGUMA DIFERENÇA DE SENTIDO ENTRE AS EXPRESSÕES TUDO BOM? E TUDO BEM?

Vejamos alguns significados do termo bem:
1) Com conforto físico; com comodidade; em boas condições de saúde: Sentiu-se bem depois do jantar; Estou bem aqui nesta poltrona.
2) Em boas condições psicológicas; em paz; à vontade: Sinto-me bem hoje.
3) Em bons termos, em harmonia: Ela não está bem com o marido.
4) Com saúde ou boa disposição: Dois dias depois da cirurgia, já estava bem.
Agora, vejamos significados de bom:
1) Que corresponde plenamente ao que é exigido, desejado ou esperado quanto à sua natureza, adequação, função, eficácia, funcionamento etc. (falando de ser ou coisa): O dia de hoje está bom; Tudo deste curso está bom.
2) Livre de algum mal físico, mental etc.: Enfim fiquei bom da gripe!
3) O que se deseja; o que faz bem; o que é perfeito ou superior: Tudo de bom para vocês! Não ocorreu nada de bom conosco naquele dia.
- Finalmente, analisando os significados de ambas as palavras, chega-se à conclusão de que tanto podemos usar uma quanto outra. Assim:
Tudo bem = Tudo em paz; tudo em bons termos, em harmonia.
Tudo bom = Tudo correspondendo ao que é esperado, livre de algum mal físico ou mental; tudo perfeito.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O SER HUMANO É AQUILO QUE FALA

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É fato que civilização tem dado extraordinária importância à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos no seu aspecto de representação formal. Esquecemo-nos, maior parte das vezes, que a linguagem é muito mais, é tradução do pensamento, da vida, das classes sociais, no meio físico, de homens e mulheres. Então, é fundamental não perder de vista que ao lado da forma escrita de uma língua, lhe há o lado mais básico, vivo, real, que é a manifestação oral, porque o ser humano é apenas metade de si mesmo; a outra metade é a sua expressão oral.

A língua, na concepção da ciência Sociolingüística, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, mutante, instável e sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. É uma atividade social, um trabalho coletivo, produzido por todos os seus falantes, cada vez que eles se interagem por meio da fala ou da escrita.

Por isso, nenhuma língua permanece uniforme em todo o seu domínio, ainda num só local apresenta um sem-número de diferenciações de maior ou menor amplitude. Existem tantas variedades lingüísticas quantos grupos sociais que compõem uma comunidade de fala. Essa variação pode acontecer de formas diferentes, até mesmo dentro de um único grupo social, como se tem verificado, aqui no Acre, ao longo dos anos. Há palavras e expressões próprias da cada lugar. As regiões do Acre, Juruá e Purus possuem traços peculiares.

Dessa forma, a variedade de uma língua que um indivíduo usa é determinada por quem ele é. Todo falante aprendeu, tanto a sua língua materna como uma particular variedade da língua de sua comunidade lingüística e essa variedade pode ser diferente em algum ou em todos os níveis de outras variedades da mesma língua, aprendidas por outro falante dessa mesma língua. Tal variedade, identificada segundo essa dimensão, chama-se dialeto.

Os estudos da Dialectologia Brasileira estão a apontar muitas variedades lingüísticas dentro do grande território nacional. Do norte ao sul se fazem presentes o falar amazônico, o nordestino, o baiano, o mineiro, o fluminense, o sulista entre outros que se subdividem, formando uma vasta diversidade.

E dentro dessa imensa diversidade, há duas línguas no Brasil: pois há duas línguas no país: uma que se escreve (e que recebe o nome de “português”); e outra que se fala (e que é tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua materna dos brasileiros; a outra (“o português”) tem de ser aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a dominá-la adequadamente, isso porque a educação escolar não é uma prioridade nacional e há, em pleno século XXI, milhões de analfabetos.

Por todas as nuances ou matizes que possui uma língua, não há como reproduzi-la, fielmente, na riqueza de sua oralidade. O que acontece é que existem graus de diferença nesta distância entre as duas formas da língua: a escrita e a falada.. As diferenças entre essas formas se acentuam dentro de um continuum tipológico,que vai do nível mais informal ao mais formal, passando por graus intermediários. A informalidade consiste em apenas uma das possibilidades de realização, não só da língua falada, como também da língua escrita.

Assim sendo, a linguagem é um fator de discriminação social, pois as diversidades lingüísticas provocam preconceitos dos falantes de uma variante mais elitizada aos falantes de uma variante menos favorecida, ocasionando dificuldades para estes últimos. E, numa sociedade dividida em classes, pode-se identificar a existência de duas variedades lingüísticas, dois “códigos”, determinados pela forma social: o “código elaborado” e o “código restrito”. Estes diferentes códigos resultam da diferença entre os processos de socialização que ocorrem entre as classes sociais.

E, dessa forma, como a língua espelha a cultura e expõe as formas de pensamento, o código lingüístico não apenas reflete a estrutura de relações sociais, mas também a regula. Assim, o ser humano aprende a ver o mundo pelos discursos que assimila e, na maior parte das vezes, reproduz esses discursos em sua fala, segundo a sua realidade social e cultural. E, desse modo, se a consciência é constituída a partir dos discursos assimilados por cada membro de um grupo social e se o ser humano é limitado por relações sociais, resulta não haver uma individualidade de espírito nem uma individualidade discursiva absoluta. Tudo reflete a pessoa integrada ao mundo físico-social em que vive.

Diz-se, finalmente, que o falante não é livre para dizer aquilo que quer, mas é levado, sem que tenha consciência disso, a ocupar seu lugar na escala social, expressando tudo aquilo que é, a partir do lugar que ocupa na escala social. Assim, a sua fala revela, além do seu pensamento, o seu nível cultural, a sua posição social, a sua capacidade de adaptação a certas situações, sua timidez, enfim, a sua forma de ser e ver o mundo.

DICAS DE GRAMÁTICA

QUANDO ALGUM É NENHUM?

- A posição de uma palavra na frase pode mudar totalmente seu sentido. Quando algum vem antes do substantivo — eu tenho algum dinheiro — é porque eu tenho um pouco de dinheiro. Já na frase: não tenho dinheiro algum, significa o contrário, que estou sem nenhum dinheiro.

UMA REGRA SEM EXCEÇÃO, EXISTE?

- Sim,uma regra sem exceção: todas as oxítonas terminadas em a são acentuadas nessa letra. Não falha uma: Pará, Paraná, chá, vatapá, gambá, pá, Iemanjá, saravá, fubá, babá, olá, xará, cará, dará, fará etc.

sábado, 5 de junho de 2010

POR QUE DEFENDER O USO DO GENTÍLICO ACREANO?

Este artigo objetiva trazer ao foco da discussão a defesa do gentílico acreano, cuja chama parece, hoje, apagada. Ninguém fala sobre o assunto, é um silêncio que dói na alma e lega à orfandade uma história de lutas, a adjetivação de um povo que elegeu o Acre para integrá-lo à pátria brasileira. Não somos um povo perdido, sem chão, mas uma heróica gente que escolheu sua pátria, assim como seu gentílico. Então, sejamos altaneiros em defesa do nome que designa às pessoas nascidas sob o brilho do sol, da lua e das estrelas que ornamentam o céu do Acre.

Compreendo que o gentílico acreano é forma consagrada pelo uso regional desde o século XIX. Por isso, retirá-lo do VOLP, por força do Acordo Ortográfico, será contristar a comunidade regional na sua alma, além de apagar lindas páginas da epopéia acreana, ferindo tradições e costumes profundamente enraizados, desde a conquista deste solo. E a língua é a mais extraordinária engrenagem por onde circula a cultura de um povo.

Considero, também, que um gentílico não se muda por força de Acordo, Decreto, Lei. Um gentílico pertence à população do lugar, é nome sagrado que se guarda como um tesouro raro, que dá voz ao adjetivar um povo. E nesse particular, consagrou-se no meio lingüístico, em todos os tempos, as sábias palavras do grande gramático Fernão de Oliveira (1536) que “os homens fazem a língua, e não a língua os homens”.

Ademais, há consenso, entre os estudiosos, que os adjetivos gentílicos não seguem um padrão para as suas terminações. Essa ausência de padrão pode ser vista em nomes relativos às cidades. A maior parte deriva diretamente do nome do local, em sua forma corrente, ou então da etimologia toponímica. São exemplos que demonstram essa ausência de padrão: Lisboa: lisboeta, lisbonense, lisboês, lisbonês, lisbonino, olisiponense; Nova Iorque: nova-iorquino; Buenos Aires: bonaerense, buenairense ou portenho; Londres: londrino; Paris: parisiense.

Os exemplos denotam que não há na língua gentílico para todos os topônimos, mas há sempre a possibilidade de criá-los, com fácil aceitação geral. Ainda, é fato consagrado que quando um gentílico ganha força do uso ele se torna Lei. Um gentílico não se muda, ele está preso à vida, à alma do lugar, enraizado nas tradições, costumes. E a linguagem é o veículo tradutor de todo o arcabouço cultural de um povo, uma comunidade.

Para categorizar norma e uso, importante recorrer a autores consagrados, que ditaram rumos seguros para o trilhar de um idioma. O primeiro deles é Charles Bally, ao afirmar que uma palavra torna-se usual em duas oportunidades principais: 1) quando designa algo indissociavelmente ligado à vida de um grupo lingüístico; 2) quando dá a qualquer membro do grupo lingüístico a impressão de que isso não se diz assim, isso deve ser dito assim, isso aqui sempre foi e será dito assim. E mesmo que tais assertivas contradigam a expectativa de constante evolução da linguagem, elas se constituem em realidade absoluta, sem a qual seria impossível descrever um estado de língua.

O segundo teórico é o romeno Eugenio Coseriu, cuja preocupação não se resume em perguntar por que as línguas mudam, mas sim porque as mudanças ocorrem tal como ocorrem. E no espaço geográfico do Acre se impõe, por força do Acordo Ortográfico dos países losófonos, a inovação acriano. Soa como uma imposição que a comunidade não aprecia escrever ou ouvir. Pois, em linguagem, o falante é soberano na liberdade expressiva de dizer do mundo, ainda mais daquele no qual está integrado. Acreano é uma variação regional, eleita pela população há 129 anos.

O terceiro deles é o gramático e filólogo Evanildo Cavalcanti Bechara — a pessoa da Academia Brasileira de Letras que vai apreciar a matéria da mudança do gentílico — homem extremamente sensível às questões de linguagem e, em especial, acolhedor das tradições. Em sua gramática (2001), quando se dedica a conceituar língua, trata de duas possibilidades: a língua histórica e a língua funcional. Assim, a língua seria um produto histórico e, ao mesmo tempo, uma unidade idealizada, devido à impossibilidade de alcançar, na realidade, uma língua que se quer homogênea, unitária.

O gramático também considera que a língua nunca é um sistema único, mas um conjunto de sistemas, que encerra em si várias tradições. Veja-se ser reconhecedor das tradições e, por conseguinte, um seguidor delas. E continua ele: “Uma mesma língua apresenta diferenças internas: no espaço geográfico, no nível sócio cultural e no estilo ou aspecto expressivo”.

Compreende-se, então, ser fundamental, no caso acreano, olhar dois lados: o histórico e o lingüístico. O histórico assegura a manutenção de acreano, pela consagração do uso da forma ao longo de 129 anos. Do lado lingüístico deve-se considerar que o próprio Acordo está repleto de concessões ou exceções que permitem dupla grafia, palavras com acento agudo ou circunflexo, palavras com consoantes mudas, entre as muitas quebras de unidade entre o cânone europeu e o brasileiro.

Feitas essas remissivas, julgo ser um grande desserviço à pátria brasileira, bem como nova injustiça contra o povo acreano, decorrido mais de um século de uso, considerar-se errado um gentílico conquistado, constituído como signo de origem e de destino de um povo que lutou para determinar seu futuro e eleger sua pátria. O Brasil deve sentir orgulho dos acreanos que construíram o Acre e o legaram à Pátria Amada.

A população acreana não almeja, hoje, ferir tratados, acordos, decretos. Deseja tão somente o respeito da nação por sua história e tradição, bem como o reconhecimento dos intelectuais, pelo viés histórico, na convalidação dos tratados internacionais e nacionais, do nome que vem impregnado de lutas, sangue, glórias. Acreano é o gentílico construído pela tradição do povo Amazônico do Acre. E, nesse sentido, nenhum Acordo é mais imperioso que os costumes, a história, a tradição do lugar.

DICAS DE GRAMÁTICA ANTÁRTIDA ou ANTÁRTICA?

- No Brasil, a hesitação vai pouco a pouco se resolvendo em favor da forma internacional Antártica. Embora nossa legislação vacile entre as duas possibilidades Antártida e Antártica.

DESTRO/DESTREZA
- O que é ter destreza, mostrar destreza? É ter habilidade, agilidade, aptidão. Mas o primeiro sentido que aparece nos dicionários para “destreza” é “qualidade de destro”. E o que é “destro” (que se lê “dêstro”, com o “e” fechado, segundo os dicionários)? É “direito”, ou “que fica do lado direito”. Como a maioria das pessoas tem mais agilidade com a mão direita (destra) do que com a esquerda, a habilidade acabou sendo chamada de “destreza”.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NO MUNDO SOCIAL E CULTURAL

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A vida das pessoas está intimamente associada ao processo de comunicação e aprimoramento da capacidade comunicativa que acompanha a própria evolução humana. À medida que amplia seu relacionamento com o mundo, o ser humano aperfeiçoa e multiplica a sua capacidade de comunicação, envolvendo palavras, sons e imagens. Textos verbais e não-verbais interagem e contribuem para a representação oral e escrita das sociedades.

A língua é um código desenvolvido para a transmissão de pensamentos, idéias e interação entre os indivíduos. Dessa forma, a língua pertence a todos os membros de uma comunidade e a nenhum deles isoladamente. Assim, como a língua é um código aceito, convencionalmente, por toda uma comunidade, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la. Em razão dos costumes, das gerações, de processos políticos, dos avanços sociais e tecnológicos, uma língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham fonemas, outras deixam de ser utilizadas, novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, sem contar os “empréstimos” de outras línguas com as quais uma dada comunidade mantém contato.

Então, a língua constitui, pois, um código mutável que integra as relações humanas e que, ao mesmo tempo em que sofre modificações, participa das mudanças nas sociedades. Esse patrimônio social é responsável pela possibilidade de se preservar o conhecimento e de transmiti-lo a outras gerações no correr do tempo. É por meio da linguagem que as sociedades perpetuam suas histórias escritas. Sem a linguagem o mundo seria um imenso vazio.

Observa-se, também, uma estreita relação entre linguagem e cultura. Uma é expressão da outra. Essas duas entidades possuem uma relação tão ampla e complexa, que abrange desde a consideração de que as estruturas lingüísticas possam se edificar, a partir de uma situação cultural, até a afirmação, em sentido contrário, de que os costumes lingüísticos, de determinados grupos, tenham moldado, fundamentalmente, a cultura desses povos. Ou seja, a linguagem modifica a cultura e esta modifica aquela.

No entanto, sendo o ser humano portador da linguagem, ele não é dela possuidor, apenas usuário. E, no uso, modifica a língua, mas não a detém para si como algo seu. Isso acontece porque a língua é um sistema social e não um sistema individual. Ela preexiste às pessoas. Não se pode, em qualquer sentido simples, ser autor. Falar uma língua não significa apenas expressar os pensamentos mais interiores e originais, significa, também, ativar a imensa gama de significados que já estão embutidos no sistema cultural de dada comunidade, sociedade.

Essa relação intrínseca entre língua, cultura, sociedade, constitui arranjo fundamental nas atividades cotidianas de nossas vidas. Dessa forma, as mudanças ocorrem, tanto na cultura quanto na língua, seja por eliminação, acréscimo ou modificação de elementos. Não é uma coisa voluntária, acontece sem que se perceba, de forma ininterrupta. Assim, as pessoas reestruturam aspectos lingüísticos e valores morais, por exemplo, muitas vezes, sem perceber. Mas, para tristeza de muitos, ninguém, isoladamente, modifica uma língua. Ela pertence ao conjunto de falantes e responde por seus comportamentos sociais, culturais, morais, éticos.

Compreende-se, então, que a linguagem é constituída de três formas: a) representação, “espelho” do mundo e do pensamento; b)instrumento “ferramenta” de comunicação; c) forma “lugar” de ação ou interação entre falantes. Ou seja, a principal concepção do ser humano (ser falante) representa para si o mundo através da linguagem e, assim sendo, a função da língua é representar/refletir seu pensamento e seu conhecimento de mundo.

Finalmente, naquilo que diz respeito à sua essência, línguas são fenômenos inerentes ao ser humano e semelhantes a ele próprio: sistemáticos, porém complexos, arbitrários, irregulares, mostrando um acentuado grau de tolerância a variações, repletos de ambigüidades, em constante evolução aleatória e incontrolável. Por isso a linguagem é espelho fidedigno das pessoas. É como diz Fernão de Oliveira (1536), “cada um fala como quem é”.

DICAS DE GRAMÁTICA

ENTREGA EM DOMICÍLIO OU ENTREGA A DOMICÍLIO?

- A expressão em domicílio é a certa quando se usa o substantivo entrega ou o verbo entregar. Entrega de pizzas em domicílio, uma vez que quem entrega, entrega algo em algum lugar. Assim, ao ler Letras & Letras, em casa, o leitor recebe Dicas de Gramática em domicílio, pois quem recebe algo, recebe algo em algum lugar, em casa, na empresa etc.

É CERTO FALAR OU ESCREVER RECEBA DE GRÁTIS ESSE BRINDE?

- Não. O certo é utilizar as expressões de graça, grátis, ou gratuitamente. Receba de graça. Receba grátis. Receba gratuitamente. Tudo isso é possível, mas de grátis... nem pagando!

terça-feira, 11 de maio de 2010

O PAPEL DA LINGUAGEM NO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA HUMANA

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É importante, nas relações humanas e sociais, refletir sobre o fundamental papel da linguagem para o desenvolvimento da inteligência. Pertence a linguagem a um sistema simbólico dos grupos humanos e certamente representa um salto qualitativo na evolução da espécie. Ela fornece os conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas.

A linguagem é a maior criação da inteligência humana, pois é uma forma de acessar o mundo e o pensamento, tornando possível compreender e apreender as características dos fatos e objetos da realidade. Nós, seres humanos, somos, ao mesmo tempo, falantes e linguagem, considerando a linguagem uma criação humana, uma instituição sócio-cultural, que nos faz seres sociais e culturais. E, tendo a linguagem uma função social, ela é, antes de tudo, comunicação, expressão e compreensão. Essa função comunicativa está estreitamente combinada com o pensamento. A comunicação é uma espécie de função básica, porque permite a interação social e, ao mesmo tempo, organiza o pensamento, aguça a inteligência, aprimora a forma e o modo de viver no mundo.

Para Vygotsky [psicólogo e educador russo], a aquisição da linguagem passa por três fases: a) A linguagem social, que tem a função de denominar e comunicar, e seria a primeira linguagem que surge; b) A linguagem egocêntrica, ou seja, a progressão da fala social para a fala interna, ou seja, o processamento de perguntas e respostas dentro de nós mesmos – o que estaria bem próximo ao pensamento, representa a transição da função comunicativa para a função intelectual; c) A linguagem interior, intimamente ligada ao pensamento, ao intelecto das pessoas. É nessa fase que a linguagem aprimora, aperfeiçoa a inteligência humana.

Muitos estudiosos se debruçam, até hoje, para melhor compreender o fenômeno da linguagem. Mas a abordagem histórica desse estudo teve início no século XVIII e o grande impulso ocorreu no Século XIX, constituindo-se, ao longo dos anos, objeto de estudo de várias ciências, como por exemplo, a Psicologia, a Filosofia, a Lingüística, entre outras. Porém, a importância da linguagem aparece com maior ênfase no século XX, tanto que alguns autores consideram como sendo impossível pensar sobre algo sem pensar na linguagem, uma vez que desde então se evidencia a clara convicção de que a palavra linguagem é o espaço da expressividade do mundo. E no caso da Filosofia Contemporânea, volta-se, principalmente para a significação ou para o sentido das expressões lingüísticas, não priorizando, apenas, as questões relacionadas à consciência ou à razão ou, ainda, à essência das coisas.

A inteligência, para Piaget [psicólogo e filósofo suíço, conhecido pelo seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Afirmou que existe um processo de construção do conhecimento, e lançou a grande questão: "Como podemos conhecer?".], é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas. Esta adaptação refere-se ao mundo exterior, como toda adaptação biológica. Desta forma, os indivíduos se desenvolvem, intelectualmente, a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. O que vale também dizer que a inteligência humana pode ser exercitada, buscando um aperfeiçoamento de potencialidades e a linguagem é o meio e o fim desse aperfeiçoamento, uma vez que a linguagem propicia o exercício contínuo e ininterrupto da mente humana.

Para Piaget, o comportamento dos seres vivos não é inato, nem resultado de condicionamentos. Para ele o comportamento é construído numa interação entre o meio e o indivíduo, tudo permeado pela linguagem. Esta teoria epistemológica (epistemo = conhecimento, e logia = estudo) é caracterizada como interacionista. A inteligência do indivíduo, como adaptação a situações novas, portanto, está relacionada com a complexidade desta interação das pessoas com o meio. Em outras palavras, quanto mais complexa for esta interação, mais “inteligente” será a pessoa que utiliza a linguagem.

Conclui-se o artigo dizendo que a linguagem, de acordo com o neurobiólogo americano William Calvin, é "a característica definidora da inteligência humana". Assim, com o devido respeito à capacidade de comunicação dos golfinhos, chimpanzés, aves e abelhas, o Homo Sapiens é a única espécie existente com o poder da fala. Essa é a capacidade que nos separa dos outros animais, que nos torna humanos. O desenvolvimento da inteligência humana está intimamente ligado ao desenvolvimento da linguagem. Tudo que ela vivencia deve ser reproduzido nas formas de expressão verbal e não verbal. É importante que ela “interprete” o mundo que a cerca e que comunique esta “leitura” do mundo para as pessoas, no amplo sentido de existência, de viver em comunidade.

DICAS DE GRAMÁTICA

UM CHEQUE TEM FUNDO OU TEM FUNDOS? UM CHEQUE ESTÁ SEM FUNDO OU SEM FUNDOS?

- O correto é fundos, no plural, pois é no plural que fundo tem o sentido de provisão de dinheiro disponível para saque bancário. Então, diga: O cheque está sem fundos!

TIPO ASSIM é uma pobreza vocabular?

- Sim, sem dúvida alguma. Evite essa expressão, não envergonhe a língua pátria! Esmere-se para falar bem. No lugar de "tipo assim", expressão comum no linguajar cotidiano, experimente novas opções: "por exemplo", "neste caso" ou "na verdade", e tantas outras. A pobreza de vocabulário se corrige com boas leituras e com muita, muita autocrítica.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O AMOR NA VISÃO DAS CIÊNCIAS

Muita gente se indaga sobre o amor e se pergunta qual é a sua linguagem. Eu diria que a linguagem do amor é a mais simples e, ao mesmo tempo, a mais complexa que pode existir, isso porque é a linguagem do coração! E o coração de uma pessoa é o que ela tem de mais precioso e, ao mesmo tempo, mais distante. O coração é um tesouro que Deus nos deu com uma única condição: desbravá-lo para conhecê-lo e compreendê-lo.

O amor é um sentimento sublime, força unificadora e harmonizadora, assim compreendido desde a Grécia Antiga. Para Platão, o amor é falta, necessidade, desejo de conquistar e preservar o que se conquistou. O amor dirige-se para a beleza, aparência do bem. Aristóteles, por sua vez, considera o amor sexual, uma afeição que conduz à amizade, sentimento superior. Segundo ele, ninguém seria atingido pelo amor se não fosse ferido pelo prazer da beleza. O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição. Para Sócrates o amor é o impulso apaixonado de uma alma para a Sabedoria e esta é ao mesmo tempo conhecimento e virtude. Pitágoras diz que se deve purificar o coração antes de permitir que o amor se assente nele, já que o mel mais doce azeda num copo sujo.

Percebe-se, então, que desde a antiguidade o sentimento do coração tem sido uma mescla do dizível e indizível. A linguagem do amor possui muita força e existe em sua forma mais pura e verdadeiramente impura nos corações dos seres humanos. E, assim, segundo as interpretações de grandes humanistas, filósofos, pensadores, algumas exageradas, outras bem comedidas, o amor pode curar, pode transformar e criar um ambiente harmônico para quem vive esse sublime sentimento. Logo, o Amor é um sentimento de reação as coisas que nos cercam. Para alguns estudiosos, reagimos com mais intensidade trazendo lembranças do fundo da memória para reforçar o nosso estado de espírito.

Como acreditamos que, em tese, tudo o que o ser humano fez e pensou é motivo histórico, o amor, sem dúvida, é um tema propício para a História, pois se refere ao que é exclusivamente humano. Além disso, através dele, é possível fazer um estudo comparativo e temático de tempos distintos, pois ao contrário dos nossos famigerados tempos pós-modernos, que propagaram a Revolução em detrimento do amor, a Idade Média cultivou e enalteceu esse sentimento, criando uma nova e revolucionária forma de relacionamento homem/mulher que continuou durante séculos. E em boa parte, até os dias atuais, apesar dos brutos - ou até pelos brutos, pois, como sabemos, os brutos também amam.

Viajando pelas trilhas da história, chegamos ao século XII e encontramos os povos chamados feudais. Eles deram origem a uma maneira sensível de expressão que foi denominada amor cortês. Assim, é preciso definir esse conceito para aprofundar a importância dessa transformação nos costumes do Ocidente Medieval. Dali, viajamos do amor cortês ao romântico e avistamos sempre que o amor não é filosofia. É Química agindo. É Física Aplicada. Matemática dos seres, linguagem de beijos, Geografia de corpos, História de vidas. O Amor não é Filosofia, é vida conjugada, experiência dividida, prazer multiplicado. Amar nem sempre é riso, mas, também, nem sempre é dor.

Também, é bom notar que Vida é o amor existencial. Razão é o amor que pondera. Estudo é o amor que analisa.Ciência é o amor que investiga.Filosofia é o amor que pensa.Religião é o amor que busca a Deus. Verdade é o amor que eterniza. Ideal é o amor que se eleva. Fé é o amor que transcende. Esperança é o amor que sonha. Caridade é o amor que auxilia. Fraternidade é o amor que se expande.

Com certeza, a literatura diz muito sobre as atitudes e as aspirações humanas, do mesmo modo as imagens. Assim, o cultivo do amor, por parte dos seres humanos, deve trazer, sempre, o abrandamento do impulso sexual violento, assumindo um caráter educativo, melhorando a condição feminina. Enfim, o Amor é o divino no humano. O infinito no efêmero. Amor é a iniciação à eternidade. Ilumine-se: exercite o amor todos os dias.

DICAS DE GRAMÁTICA

ENTREGA EM DOMICÍLIO OU ENTREGA A DOMICÍLIO?

- A expressão em domicílio é a certa quando se usa o substantivo entrega ou o verbo entregar. Entrega de pizzas em domicílio, uma vez que quem entrega, entrega algo em algum lugar. Essas dicas, o leitor as recebe em domicílio, pois quem recebe algo, recebe algo em algum lugar, em casa, na empresa etc.

STRESS OU ESTRESSE, PROFESSORA?

- Antigamente falava-se em estafa. Hoje temos a palavra inglesa stress que, porém, já está abrasileirada (ou aportuguesada, se preferirem). Quem quiser ficar estressado agora, sinta-se à vontade. Então, a forma portuguesa é estresse!

IR AO ENCONTRO OU IR DE ENCONTRO?

- Às vezes falamos o contrário do que pensamos. É comum ouvir pessoas usarem a expressão de encontro ao no lugar da ao encontro de. Quando afirmo que sua idéia vem de encontro à minha, quero dizer que nossas idéias se opõem. Quando afirmo que sua idéia vem ao encontro da minha, quero dizer que nossas idéias coincidem. Nada de confusões. Ir ao encontro de é unir-se. Ir de encontro a é entrar em conflito.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

EVITE GAFES AO FALAR OU ESCREVER

 

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No dia-a-dia de nossas atividades estudantis, profissionais ou de lazer, nos discursos, na correspondência, ou mesmo no bate-papo entre amigos, qual de nós não cometeu algumas impropriedades de linguagem? O tempo passa e, se não exercitarmos o que estudamos e aprendemos, certamente alguma coisa vai escapar. E vai daí que... Pensando nisso tudo, apresentamos uma série de formas próprias e impróprias de nos expressar, evitando, assim, 'gafes' desnecessárias. Na coluna da esquerda, apresentamos as formas impróprias, ou seja, incorretas; à direita, estão as formas próprias, ou corretas.


IMPRÓPRIAS               E              PRÓPRIAS
A defesa entrou com recurso/ A defesa interpôs recurso.
Aposentados recebem vencimentos/ Aposentados recebem proventos.
As injeções já foram aplicadas/ As injeções já foram feitas.
As sentenças são anunciadas/ As sentenças são prolatadas ou proferidas.
Caiu dentro da piscina/ Caiu na piscina.

Chefes dos Executivos recebem vencimentos e ajuda de custo/ Chefes dos Executivos recebem subsídios e ajuda de representação.
Despachos de juízes são assinados/ Despachos de juízes são exarados.
Despesa é limitada/ Despesa é fixada.
Ele está atendendo a telefonema dela/ Ele está atendendo ao telefonema dela.
Empregados regidos pela CLT recebem ordenados/ Empregados regidos pela CLT recebem salários.
Escreventes da Justiça são funcionários/ Escreventes da Justiça são serventuários.
Estive na divisa do Brasil com a Bolívia/ Estive na fronteira do Brasil com a Bolívia.
Exonerações são decretadas/ Exonerações são concedidas.
Falou no telefone/ Falou ao telefone.
'Habeas corpus' são requeridos/ 'Habeas corpus' são impetrados.
Impetra-se mandato de segurança/ Impetra-se mandado de segurança.
Juiz dá parecer ou opinião/ Juiz vota, dá sentença ou julga.
Juiz expede mandato de busca e apreensão/ Juiz expede mandado de busca e apreensão.
Ministério é 'staff' governamental /Ministério é Secretaria de Estado
O carro chocou-se contra o poste/ O carro chocou-se com o poste.
O custo do processo é muito elevado As custas do processo são elevadas.
O guarda extraiu a multa/ O guarda aplicou a multa.
O legista fez a autópsia no cadáver/ O legista fez a necropsia no cadáver.
O Presidente pôs veto na lei/ O Presidente opôs veto à lei.
O que é bom para a gripe? /O que é bom contra a gripe?
Os promotores promovem libelos./ Os promotores proferem libelos
Parlamentares exercem representação./ Parlamentares exercem mandatos.
Parlamentares recebem vencimentos./ Parlamentares recebem subsídios.
Prisões preventivas são expedidas./ Prisões preventivas são decretadas.
- Quem é? É fulana? - É ela mesma! -/ Quem é? É fulana? - Sim, sou eu!
Quero falar consigo/ Quero falar com você (ou com o senhor)
Questões de ordem no Parlamento são requeridas/ Questões de ordem no Parlamento são levantadas.
Receita é calculada/ Receita é estimada.
Recorre-se da decisão do juiz /Apela-se da decisão do juiz.
Recursos são requeridos/ Recursos são interpostos.
Temos várias alternativas/ Temos alternativas
(opção entre duas coisas).
Tirou a criança para fora do buraco/ Tirou a criança do buraco.
Venci na vida às minhas custas/ Venci na vida à minha custa.
Viúvas e herdeiros recebem proventos/ Viúvas e herdeiros recebem pensões.
Conclui-se o texto dizendo ser importante o bom uso da linguagem, em qualquer situação da vida, pois a linguagem é como espelho, ferramenta, lugar. Deverá o leitor ficar atento para evitar situações embaraçosas, sobre o que dizer ou não dizer em conversas, relacionamentos pessoais, apresentações, discursos, textos escritos. Na vida, a linguagem traduz cada pessoa, sua forma de ser, agir, pensar. É uma arma com a qual a pessoa poderá ganhar ou perder. Portanto, todo cuidado será pouco.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O PODER E A MAGIA DAS PALAVRAS

 

A-magia-das-palavras

Há muito tempo aprendi que as palavras são mais poderosas que qualquer droga, arma, artimanha ou vício conhecido pelo ser humano. O poder da palavra é maior que o das bombas atômicas ou das armas nucleares, pois compete à PALAVRA a decisão de emprego ou não dessas armas.

Dessa afirmativa inicial diz-se que a real força do mundo está nas palavras, sejam as ditas, sejam as escritas. Mas as palavras escritas têm mais força, porque é algo que fica marcado, enquanto aquilo que é dito pode desfazer-se no tempo, desaparecer na vontade ou no desejo das pessoas. Os escritos são perenes, fazem história, constroem a vida. E, nesta vida, os fatos passam, os temas esquecem-se, mudam-se, mas as palavras ficam. São elas que vão significar tudo na vida. Por isso é preciso ter atenção com as palavras, elas são como espelho a refletir a imagem das pessoas que as utilizam.

Aristóteles definiu o homem como zôon lógon échon. A tradução desta expressão está mais para “vivente dotado de palavra” do que “animal dotado de razão” ou “animal racional”. Se há uma tradução que realmente engana, no pior sentido da palavra, é justamente essa de traduzir logos por ratio. E a transformação de zôon, vivente, em animal. O ser humano é um vivente com palavra. E isto não significa que tenha a palavra ou a linguagem como coisa, ou faculdade, ou uma ferramenta, mas que o ser humano é palavra e, enquanto palavra o seu modo de se dar é na palavra e como palavra.

Percebe-se, então, que toda palavra tem poder, toda palavra tem saber. Cada pessoa tem responsabilidade por aquilo que diz. A palavra tem força, é mágica, encantada. Pode levar ao céu ou descer ao inferno. E, à maneira dos costumes, as palavras podem cair em desuso, empreender viagens, falar muitos idiomas. São como perfumes, evocam sonhos, poesia, magia, sedução.

É pelo poder das palavras, pelo significado e controle delas, pela imposição de algumas e pelo silenciamento ou desativação de tantas outras, que as pessoas lutam na vida, tropeçam, vencem. Nessa luta se joga algo mais do que simplesmente palavras. Vejam-se a palavra experiência. Em espanhol, significa “o que nos passa”; em português, “o que nos acontece”; em francês a experiência seria “ce que nous arrive”; em italiano, “quello che nos succede” ou “quello che nos accade”; em inglês, “that what is happening to us”; em alemão, “was mir passiert”. Então, a experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca.

Por isso tudo é fundamental, ao ser humano, ter cuidado, atenção, respeito às palavras, pois com elas exercitamos a comunicação, dizemos quem somos, o que queremos na vida. Essa comunicação dirige nossos pensamentos e molda nossas ações e, de alguma forma, ela nos ajuda a criar a nossa realidade, evidenciando nossos pontos fortes ou potencializando nossas limitações. A palavra induz à idéia, tanto quanto a idéia induz à palavra.

Para concluir a reflexão, pense o leitor nas palavras que usa e analise quais palavras mais saem da sua boca. Essas palavras são de amor, irritação, amizade, compreensão, respeito, elogio, condenação, crítica? Depois, responda como essas palavras são transmitidas, se com humildade ou arrogância. Ainda, tente descobrir quais palavras são importantes no convívio diário da vida. Por fim, exercite algumas palavras mágicas. Seis palavras importantes: “Reconheço que o erro foi meu”. Cinco palavras importantes: “Seu trabalho é bom”. Quatro palavras importantes: “Qual a sua opinião?” Três palavras importantes: “Faça um favor”. Duas palavras importantes: “Muito obrigada”. As palavras nunca são somente palavras. Elas traduzem aquilo que cada pessoa é e o que tem. As palavras traduzem a vida.

DICAS DE GRAMÁTICA

ESTE, ESSE OU AQUELE, como usá-los?

¨ Emprego dos pronomes demonstrativos em relação ao DISCURSO:
       - entre dois ou três fatos citados:
¨ o primeiro que foi citado  aquele
¨ o do meio esse
¨ o último citado este
¨ Houve uma guerra no mar entre corsários de França e Inglaterra: estes [desnecessário dizer que são os corsários ingleses] venceram aqueles.
¨ Música de câmara e ópera são as suas preferidas: esta, porque mexe com seus sentimentos; aquela, pelos efeitos relaxantes.

ONDE USAR ONDE?

¨Onde, em termos de classe gramatical, pode ser pronome relativo ou advérbio (interrogativo de lugar: Onde estás?). A preocupação maior de revisores, tradutores e pessoas que desejam escrever com excelência reside no emprego do pronome, que tem sido usado a torto e a direito como se fosse universal, valendo por "que, quando, cujo, no qual".

¨O pronome relativo onde se refere a um substantivo antecedente de lugar:

¨A cidade onde moro é linda.

¨Ideal para longas caminhadas, o parque da maternidade permite uma visão da bela Rio Branco e conta com uma ciclovia onde bicicletas e patins disputam o espaço democraticamente.

¨Fomos fazer canoagem e o bote onde estávamos virou.

¨Há lugares no mundo onde se vive muito bem.

A PRESENÇA ITALIANA NA LÍNGUA PORTUGUESA

 

babel

Uma língua viva, falada, recebe, naturalmente, influências de outras culturas. E, em artigos anteriores, falou-se da herança de outros povos na formação da língua portuguesa. Comentaram-se as influências: francesa, inglesa, espanhola, árabe, tupi, africana, grega. O texto de hoje contribui na compreensão da herança italiana na língua portuguesa.

É fato que o léxico de uma língua é formado por palavras vindas de vários lugares, e que isso depende do contato que os povos tiveram entre si. No português, temos palavras germânicas, árabes, francesas, italianas, japonesas, chinesas, só para ilustrar alguns legados, e nós as aprendemos quando precisamos usar. Por isso qualquer pessoa que entra num shopping center assimila o que é 50% off' (desconto de 50%) e isso não impede a comunicação.

O Brasil, em final do século XIX, recebeu levas de imigrantes de todos os cantos do planeta, mas nenhum influenciou tanto a cidade de São Paulo quanto os italianos. Eles vieram para a lavoura do café a partir de 1877 e faziam a rota contrária: do interior para a capital de São Paulo. Tanto foi assim que já no começo do século XX constituíam praticamente a metade da população da cidade. E, assim, da mistura da língua italiana com o português criaram aquilo que se chamou de “língua brasileira”.

As influências estão presentes em toda parte, na culinária, na passionalidade, no vestir, na educação, nas expressões, na música, na ciência e nas artes. Das correntes de imigração, os italianos só perderam, no final do século XIX, para os portugueses... os nossos descobridores.

O brasileiro é conhecido por gostar do tradicional arroz e feijão e, também, por apreciar um prato de massa. Assim é que muitas palavras da culinária italiana ingressaram no português de forma definitiva. Dentre elas enumeramos: Lasanha: lazanha/lasanha; Nhoque:enhoque/ nhioque; Espaguete: spaguetti/espaguete/ spaghet; Muçarela: mussarela/musarela/muzzarella; Pizza: piza; Taglierini: talharim/ Ravioli: ravióli; Panetone: panetone.

Algumas dessas palavras são grafadas de forma diferente de um canto ao outro do Brasil, ora com /s/ ora com /z/. Esse comportamento também é notado nos dicionários que registram essas formas aportuguesadas. Lasanha, por exemplo, em italiano se escreve com "s" e "gn", ou seja, "lasagna", e em português com "s" e "nh", "lasanha". Depois, vê-se "nhoque". Em italiano, é "gnocchi", mas, em português, escreve-se com "nh" no começo e "que" no final ("nhoque"). Vê-se também "espaguete", que em italiano se escreve "spaghetti" e vem de "spago", que quer dizer barbante. Há, ainda, a palavra mozarela/muçarela/mozzarella.

Segundo Pacheco Júnior, autor de "Gramática Histórica da Língua Portuguesa", cerca de 300 palavras italianas foram incorporadas ao português falado no Brasil. São exemplos: cantina, caricatura, fiasco, bravata, poltrona, alegro, aquarela, bandolin, camarin, concerto, maestro, piano, serenata, alarme, boletim, carnaval, confete, macarrão, mortadela, salsicha, além, é claro, do "ciao", tranformado em "tchau".

No Brasil, a imigração italiana foi tão forte que, segundo os dados oficiais, pode-se afirmar que de 1870, até hoje, a influência italiana no Brasil chegou a ultrapassar a influência portuguesa, tendo sido registrada a entrada de mais pessoas de nacionalidade italiana (34% do total) que de nacionalidade portuguesa (28%), enquanto que todas as outras nacionalidades juntas (espanhóis, japoneses, alemães, sírios/turcos etc) somam os 38% restantes.

Foi assim que nas comemorações dos 500 anos do Brasil o IBGE apresentou dados oficiais sobre a imigração no país, segundo os quais cerca de 1,5 milhões de italianos escolheram o Brasil como segunda pátria. A maior parte entrou nos Estados de São Paulo, Rio grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. Esses imigrantes aqui constituíram parte significativa da família brasileira e, por isso mesmo, cada brasileiro carrega consigo, no vocabulário, traços culturais do italiano.

DICAS DE GRAMÁTICA

ESTA E ESTÁ, QUANDO USAR UMA OU OUTRA FORMA, PROFESSORA?

- Professora Toinha, esta caneta que está aqui é sua?

Esta - pronome demonstrativo, pois indica o lugar ou a posição dos seres e objetos em relação à pessoa que fala. 

Está - verbo estar - indica um estado ou qualidade.

Ex.:

a. Esta conversa já está ficando aborrecida.

b. Esta criança já está na escola.

c. Está incomodando esta música?

d. Está disposto a ganhar esta partida?

e. Esta janela está aberta.

HOUVE E OUVE, COMO USÁ-LOS?

Ouve: verbo ouvir, escutar. 

Houve: verbo haver, no sentido de acontecer, existir, sair-se bem ou mal.

Ex.:

a. Fale mais alto. Ele não ouve muito bem.

b. Em 1865 houve uma guerra entre o Brasil e o Paraguai.

c. Fale mais perto e baixinho, senão ela ouve o segredo.

d. Não fique nervoso. Não houve nada de grave.

e. Houve muita confusão no jogo de domingo.

f. Ela só ouve música clássica.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A SAUDADE QUE HABITA A ALMA LUSO-BRASILEIRA

Tanta gente indaga se é verdade que saudade é uma palavra que só existe em Língua Portuguesa?! A verdade é que ela aflige o coração de tantas pessoas, pelo que carrega de significação. Mas possui etimologia incerta. Suas formas arcaicas são "suidade, soedade e soidade", na fase do galego-português. Teria vindo, talvez, de "soledade", solidão. Também foi levantada a hipótese de vir de "salutate", uma saudação bastante usada nas despedidas das cartas romanas. Até a influência de "saúde" já foi aventada. A dificuldade de explicar a mudança fonética fez João Ribeiro (grande estudioso da Língua Portuguesa) opinar que saudade tem origem no árabe "saudá", significando profunda tristeza. Outra possível hipótese, presumidamente fantasiosa, é ter derivado de "Ceudda", forma berbere de dizer Ceuta, fortaleza distante onde os soldados passavam longos tempos ausentes da terra natal.
De fato, essa palavra carrega mistérios, encantos, nostalgia. Talvez por essa multiplicidade significativa, essa indefinição que envolve o sentido que transposta, sobre ela há tantas definições: Sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo; nostalgia ou afastamento de um lugar ou de uma coisa; ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados, por alguns, como bens desejáveis; lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta; pesar pela ausência de alguém que nos é querida. Como sinônimos ela tem duas palavras: Lembrança e Nostalgia.
Para os gramáticos consultados, saudade é substantivo abstrato, tão abstrato que só existe na língua portuguesa. Os outros idiomas têm dificuldade em traduzi-la ou atribuir-lhe um significado preciso: Te extraño (castelhano), J'ai regret (francês) e Ich vermisse dish (alemão). No inglês há variadas tentativas para dizê-la:: homesickness (equivalente a saudade de casa ou do país); longing e to miss (sentir falta de uma pessoa), e nostalgia (nostalgia do passado, da infância). Mas todas essas expressões estrangeiras não definem o sentimento das pessoas que falam o português. São, apenas, tentativas de determinar um sentimento que nós mesmos não sabemos, com exatidão, como defini-lo. Não é apenas um obstáculo ou uma incompatibilidade da linguagem. É, principalmente, uma característica cultural daqueles que falam o idioma de Camões.
Independente de origem etimológica, o fato é que essa palavra mora na alma brasileira. Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro. Não podemos ver nem tocar, mas sabemos o quanto é grande. Pode ser o sentimento que alimenta um relacionamento amoroso ou apenas o que sobra dele. Pode ser uma ausência suave ou um tipo de solidão. Pode ser uma recordação daquele momento e daquela pessoa, que um dia, mesmo sabendo ser impossível, ousamos querer reviver e rever. É a dor de quem encontrou e nunca mais voltará a encontrar, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir. Assim, a saudade se combina com outros sentimentos e procria-se. A soma da saudade com a solidão é igual à Dor. O resultado da saudade com a Esperança é a Motivação.
Saudade é uma só, em diferentes palavras. É comum encontrá-la grafada nas lápides em alusão a dor da ausência provocada pela morte. Mas na Literatura e na Música é um tema crônico. É quem arquiteta a estrofe e conduz o tom. Não importa o gênero literário ou o estilo musical, não importa o autor, a época ou a situação. Saudade é saudade, um sentimento luso-brasileiro.
Saudade é um registro fiel do passado. É a prova incontestável de tudo que vivemos e ficou impresso na alma. Ao confessarmos uma saudade, na verdade, estamos nos vangloriando de que, ao menos uma vez na vida, conhecemos pessoas e vivemos situações que foram boas, e serão eternas em nossa alma. Nutri-la, é alimentar o espírito e a própria existência.
Se há tantas e, ao mesmo tempo, tão imprecisas definições de saudade restam-nos, apenas, cultivá-la e alimentá-la com pensamentos, músicas, perfumes, fotografias, lugares, fins de tarde e madrugadas. Que saibamos viver plenamente o presente, pois ele será a saudosa lembrança do amanhã. Pois a vida vai tecendo laços e tudo que tece são pedaços do vir-a-ser, que se transforma em ser. Assim, a saudade aportou no Brasil com a colonização e, sendo o Recife um dos primeiros, senão o primeiro porto a ser tocado na rota, ela aqui aportou e fez sua morada. Hoje habita cada coração dessa gente luso-brasileira.

DICAS DE GRAMÁTICA
COMO UTILIZAR MEIO E MEIA, PROFESSORA?


- O uso da palavra “meio” depende da classe gramatical, se for adjetivo ou advérbio.
Meio adjetivo - A palavra meio (= metade) varia no feminino e plural quando precede um substantivo:Cem mil toneladas de arroz representam o consumo nacional de meio mês. Ganhou meia gleba de terra em área amazônica. Por favor,rapaz, deixe de meias palavras.- Em tais casos, faz-se a concordância em gênero e número mesmo que o substantivo esteja subentendido, como se verifica em “meia hora”:Antigamente, à meia-noite e meia (hora) apagavam-se as luzes da cidade.O almoço deve ser servido ao meio-dia e meia.


Meio advérbio - Com o significado de "um tanto, um pouco, quase", acompanha um adjetivo e fica invariável:As portas ficaram meio abertas. Ela está meio tonta. Elas são meio tolas.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A LÍNGUA PORTUGUESA NA INTERNET

É natural a preocupação de professores em relação à linguagem da Internet. Muitos questionam sobre a banalização do idioma. Outros defendem a tese de enriquecimento lingüístico, isso porque novas palavras, a cada dia, entram no léxico do idioma pátrio. A verdade é que a Internet vem revolucionando a comunicação humana de uma forma como nenhuma outra invenção foi capaz de fazer até hoje. E, ao tempo em que dissemina informação e divulgação mundial, também é veículo de interação entre indivíduos, independentemente de suas localizações geográficas. Assim, a Internet trouxe numerosas mudanças no vocabulário empregado nas conversas dentro e fora do ambiente virtual.

Nesse novo contexto é importante observar que cada época possui uma forma própria de comunicar-se: os sons de tambor, o fogo, os sinais com panos ou bandeiras, o bilhetinho, o telefone, o telégrafo, e agora o telefone fixo-móvel, a Internet e os telemóveis. O fato é que esse fenômeno Internet, em pleno vigor, neste século XXI, não foge à regra de qualquer outra época. As necessidades de comunicação têm sido muitas, o ritmo de vida é muito rápido, e o ser humano continua a inventar sempre o material que faz avançar os seus sonhos e sempre aperfeiçoando e indo mais além, de descoberta em descoberta. E, assim, o homo sapiens está a converter-se em homo digitalis com a introdução, na vida diária, dos computadores, da Internet e dos telemóveis.

A linguagem, como espelho da vida social, ajusta-se ao momento, aos meios, à tecnologia. Não há mais espaço, nas conversas online ou por telemóveis, para frases longas, textos em padrão culto. Por isso mesmo a linguagem integra-se às necessidades da vida moderna. Palavras são abreviadas até o ponto de se converterem em uma, duas ou no máximo três letras. São exemplos disso: não = n, sim = s, de = d, que = q, também = tb, cadê = kd, tc = teclar, porque = pq, aqui = aki, acho = axo, qualquer = qq, mais ou mas = +, blz = beleza, abç = abraços, fds = fim de semana, tb = também, vc = você, pq =porque, etc.
Percebe-se, nos poucos exemplos, que a pontuação e a acentuação foram abolidas (é = eh, não = naum), isso porque a escrita dos ambientes virtuais prende-se à fonética das palavras e não à ortografia fixada pela norma padrão, motivada por questões relativas à economia de espaço e à rapidez de transmissão de dados da comunicação.Essa é uma demonstração de como a linguagem está a serviço do usuário que a manipula segundo o tempo, a situação, o contexto.

Da mesma forma, a telefonia celular também difunde o envio de mensagens SMS – conhecidas por "torpedos" – com grandes vantagens aos usuários: não se perde tempo ao falar, mandam-se mensagens de qualquer lugar e a qualquer hora. Mais uma vez, as limitações tecnológicas – neste caso, o tamanho da tela do aparelho telefônico – influenciam a estrutura da linguagem utilizada: quanto menos caracteres usados, mais espaço para a mensagem. Daí decorre a necessidade de economia da linguagem em forma de abreviaturas. Tudo isso representa um momento da vida atual, não há nenhum perigo. Isso porque a linguagem retrata a vida humana no curso do tempo. E esse tempo de hoje é veloz, tecnológico, com linguagem virtual.

Têm-se, assim, breves comentários para dizer que a Internet não oferece nenhum perigo ao idioma português ou a qualquer outro. Vive-se o imperativo do tempo, da globalização, da tecnologia, da velocidade nos meios de comunicação. E a linguagem virtual passa a ser mais uma faceta da linguagem humana, em atenção ao tempo, ao meio, ao contexto, às necessidades, aos veículos. Importante é saber quando utilizar uma ou outra forma. Um ou outro padrão. O que está em jogo é a comunicação e se esta se realiza com eficiência acontece uma maravilha, nada a temer. É a linguagem cumprindo seu papel: ajustando-se ao meio e às necessidades de seus usuários.

Finalmente, dadas as dimensões, a Internet – no que diz respeito ao uso da língua em ambientes virtuais -- não pode ser ignorada, pois a linguagem da Internet também está sujeita a regras, convencionalizadas pelo uso, nos novos gêneros discursivos que surgem no ambiente virtual, como o chat, fórum, lista de discussão, messenger, blog, etc. Cabe ao professor integrar a linguagem da Internet ao rol das variedades sócio-estilísticas da língua, fazendo as correlações entre a norma e o uso.
A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.