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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

QUEM É VOCÊ, PROFESSORA?

luisa setembro6

 

Hoje é o dia comemorativo do professor. Muitos acham não ter o que comemorar, isso porque não ganham altos salários. Outros acreditam ser um dia de Graças para um abnegado profissional que prepara para o mercado de trabalho as profissões do mundo. É uma tarefa grandiosa, bendita, sagrada. Por isso, então, não é o salário que faz o professor, mas a missão que ele carrega consigo como educador do mundo.

Albert Einstein já dizia que a tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer. Essa filosofia tece a vida de muitos colegas professores que, assim como eu, fazem da cátedra um altar. Em meio a tantos pensamentos e correntes, no cotidiano das práticas educativas, dois comportamentos modulares podem caracterizar esse precioso profissional do magistério: a) os que assumem o predomínio das características do papel de professores instrutores; b) os que se comprometem, essencialmente, com os propósitos de professores educadores.

Numa reflexão sobre esses dois eixos e, ainda, com o eco nos ouvidos daquilo que ouvi e li no dia de ontem, trago posições que podem assumir um professor: instrutor ou educador. Então, quem é você, querido colega?

O professor instrutor

O professor educador

O professor instrutor cumpre obrigações.

O professor educador celebra paixões.

O professor instrutor superestima o quantitativo, mercantiliza o humano.

O professor educador realça a busca do qualitativo, da globalidade do ser, da dignidade e da beleza humana; conduz à vocação, à voz do coração.

O professor instrutor assume a função de mero transmissor e reprodutor dos saberes instituídos submetendo os indivíduos aos ditames estabelecidos, ao adestramento e à domesticação.

O professor educador passa pelo já instituído e busca instituir novos saberes e sentires procurando rasgar os papéis e as máscaras que empacotam e escondem, instigando a autenticidade, o espírito criador e transgressivo.

O professor instrutor circunscreve-se na geometria do tempo linear do chronos.

O professor educador descortina-se pelas curvas do tempo dinâmico do kairós.

O professor instrutor dá aulas previsíveis, insípidas e frias.

O professor educador tece aulas imprevisíveis, abertas ao fluxo das aventuras, ruminando o saber com sabor, convertendo-as em vivências vívidas e encantantes.

O professor instrutor percorre os caminhos já feitos do ordinário, mais fáceis e cômodos.

O professor educador ousa as veredas ainda não trilhadas, mais desafiantes e difíceis, inaugurando caminhos novos, extraordinários.

O professor instrutor obedece aos receituários das liturgias mecânicas e cristalizadas, com suas normas e ordens asfixiantes.

O professor educador ultrapassa as receitas desodorizadas e move-se pelas buscas dinâmicas das transformações constantes e emancipadoras entre ordem e caos.

O professor instrutor transmite saberes.

O professor educador rumina saberes e busca sorver sabedorias.

O professor instrutor erige suas práticas pedagógicas com lógicas monológicas, metálicas e excludentes.

O professor educador fundamenta-se em lógicas dialógicas, flexíveis e includentes.

O professor instrutor dita conteúdos para que os alunos copiem e assimilem de modo reflexo.

O professor educador problematiza conteúdos para que os alunos reflitam e compreendam criticamente.

O professor instrutor encampa modelos uniformes lastreados em certezas fixas.

O professor educador articula múltiplas referências fundadas em possibilidades abertas, em incertezas.

O professor instrutor privilegia o logos, a cognição, a mente.

O professor educador entrelaça logos e eros, cognição e intuição, mente e corpo.

O professor instrutor reduz-se aos muros/muralhas da escola, da sala de aula.

O professor educador transpõe esses limites trespassando os horizontes expansivos do cotidiano movente da vida

O professor instrutor professa voto de fidelidade às alianças cultuadoras das burocracias que tendem à domesticação e à subjugação.

O professor educador concebe a necessidade mínima de burocracia, sendo esta, mero instrumento que deve estar a serviço dos direitos e liberdades fundamentais do ser humano.

O professor instrutor busca as competências técnica e teórica, a inteligência cognitiva.

O professor educador busca as competências técnica e teórica, mas, principalmente, as competências éticas e estéticas, as inteligências cognitiva, intuitiva e emocional.

O professor instrutor tende à intolerância e até ao abuso de poder, fala muito e quase não escuta.

O professor educador prima pelos princípios da tolerância, da ética da solidariedade e da escuta sensível.

O professor instrutor prima pelos vãos do ter.

O professor educador prima pelos desvãos do ser.

O professor instrutor busca a reluzência das performances externas dos indivíduos.

O professor educador passa pela exterioridade como caminho que conduz às dimensões mais profundas da interioridade do ser, ao autoconhecimento.

O professor instrutor acomoda-se nas linhas retas e regulares das planícies

O professor educador aventura-se pelas curvas e acidentalidades das montanhas.

O professor instrutor habitua-se à rotina das tartarugas e das galinhas que rastejam e ciscam a superfície da terra.

O professor educador, como a águia, nutre-se das energias da terra e alça seus voos bailantes pelos ermos do incomensurável.

O professor instrutor privilegia o desenvolvimento das dimensões mais instintivas que traduzem os aspectos mais materialistas do ser humano, as quais, isoladas, fomentam o espírito de competição e de arrogância que desembocam em brutalização e barbárie.

O professor educador assume as múltiplas dimensões do humano, passando pelo instinto e atingindo o coração e o espírito de fineza fomentando a solidariedade e a amorosidade.

O professor instrutor confina o humano apenas à esfera do material/físico, do imediato e do visível (pedagogia do São Tomé).

O professor educador educa para a imanência e para a transcendência, para o invisível, para os valores humanos – a espiritualidade.

Sei que a arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo, falta de melhor opção, ou porque é preciso auferir ganhos. É verdade que o Brasil precisa avançar no campo educacional, dignificar os educadores. Também o professor deste século XXI necessita fazer por merecer os loiros de uma profissão que deve elaborar, com criatividade, conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade.

Assim, quer queiram, quer não, somente os professores poderão apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo, com competência do conhecimento, com profissionalismo ético e consciência política.

sábado, 12 de outubro de 2013

A DESPEDIDA...

 

O amor quando chega acredita em eternidade,

Mas um dia se despede, vai por outra estrada

Não olha para trás, nem se despede
Leva no coração a mocidade

Parte, não fica, nada o impede.

 

O outro coração padece, mesmo em preces,

É o adeus...
Que deixa o peito angustiante,
No peito a dor dilacerante

O grito dos ais, dos lamentos agonizantes,

Dos instantes lacerantes.

 

De toda forma o Amor parte,

A despedida maltrata,fere, rasga o coração

A alma se rompe numa fração,

Corrompe-se, dilacera-se numa fração

É lâmina , navalha que sangra a afeição.

A alma sofre, chora, padece,

O coração se entristece,

Numa saudade que enternece,

Mas nada consola e o amor vai embora
O ser que fica compadece.


A despedida é triste,

É lástima, lágrima, drama

Pranto, sofreguidão,

É o adeus ...

O desenlace de sentimentos,

A despedida de momentos,

De um tempo que não volta atrás

E um amor que não se esquece jamais.

 

O adeus é o desenlace
De sentimentos,
De presenças, lembranças, momentos.

O adeus é distância que se apresenta,
É a partida desesperada,
É o esquecimento...
Ou a lembrança do enlace

Que se foi em disparada.

 

A despedida,
Por mais lânguida, por mais que se evite,
É sempre triste.

São seres que se separam,
Que se partem,

Um amor que diz adeus,

São corações que pulsam, não param,
São vivências que se dissipam,

São vidas que se separam.


A despedida
É a tão evitada renúncia,
A tudo o que se pensava ter,
A tudo que se pensava viver,

Uma palavra balbuciada... ADEUS.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

DIFICULDADES NA INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS EM CONCURSOS

 

interpretação textos

 

 

DIFICULDADES NA INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS EM CONCURSOS

É muito comum, entre os candidatos de um concurso público, a preocupação e dificuldade na interpretação de textos. Isso acontece porque falta para muitas pessoas informações específicas a respeito da tarefa de ler e compreender textos, assim como há um limitado conhecimento vocabular. O vocabulário de uso corrente é limitado, assim, também, aquele vocabulário que permite á compreensão do pensamento alheio.Dizem-se que essas pessoas possuem um vocabulário elementar. Logicamente terão dificuldades em ler e interpretar textos que extrapolem esse universo lexical.

Aqui, neste breve artigo, considerando às necessidades que possuem as pessoas, na ação de ler, compreender e interpretar textos,faz-se breves comentários sobre essa importante e valiosa tarefa, explicando, um pouco, o que significam alguns itens importantes no ato de ler, compreender, interpretar. Essas três ações são essenciais na vida e, prioritárias, nos momentos de enfrentar um CONCURSO. Antes de tudo é preciso compreender algumas terminologias fundamentais e decisivas na interpretação de um texto. Sem esses conhecimentos as pessoas irão para uma Prova de Concurso  como para um jogo de loteria. Vejam-se conceitos importantes:

TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICATIVA (capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR).

CONTEXTO – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de CONTEXTO - Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial.

INTERTEXTO - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de recurso denomina-se INTERTEXTO.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro objetivo na interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas numa prova de concurso, por exemplo. É necessário tomar os seguintes cuidados: 

a) Ler atentamente todo o texto, procurando focalizar sua ideia central;

b) Interpretar as palavras desconhecidas através do contexto;

c) Reconhecer os argumentos que dão sustentação a ideia central;

d) Identificar as objeções à ideia central;

e) Sublinhar os exemplos que foram empregados como ilustração da ideia central;

f) Antes de responder as questões, ler mais de uma vez todo o texto, fazendo o mesmo com as questões e as alternativas;

g) A cada questão, voltar ao texto, não responder “de cabeça”;

h) Se preferir, faça anotações à margem ou esquematize o texto;

i) Se o enunciado pedir a ideia principal, ou tema, estará situada na introdução, na conclusão, ou no título;

j) Se o enunciado pedir argumentação, esta estará localizada, normalmente, no corpo do texto.

Note-se, então, que a interpretação de um texto exige da pessoa atenção especial, tais como uma leitura atenta, compreensão do sentido das palavras, valor denotativo ou conotativo. Assim, para obter mais êxito nessa tarefa, fazem-se necessários:

a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática;

b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Ainda, é importante conhecer o sentido das palavras. E nesse sentido incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros.

c) Capacidade de observação e de síntese;

d) Capacidade de raciocínio.

Assim, interpretar exige do leitor: 

SABER ler bem

COMPREENDER o sentido do texto

- EXPLICAR, COMENTAR, JULGAR, TIRAR CONCLUSÕES, DEDUZIR.

- TIPOS DE ENUNCIADOS

· Através do texto, INFERE-SE que...

· É possível DEDUZIR que...

· O autor permite CONCLUIR que...

· Qual é a INTENÇÃO do autor ao afirmar que...

- INTELECÇÃO, ENTENDIMENTO, ATENÇÃO AO QUE REALMENTE ESTÁ ESCRITO

- TIPOS DE ENUNCIADOS:

· O texto DIZ que...

· É SUGERIDO pelo autor que...

· De acordo com o texto, é CORRETA ou ERRADA a afirmação...

· O narrador AFIRMA...

Nesse processo de interpretação de um texto, seja ele num concurso público ou não, muita atenção deve ser dada ao texto. É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de muitos erros de interpretação. Esses erros, também, podem fazer parte da extrapolação (viagem) que ocorre quando o leitor sai do mundo do escritor; da omissão de outras ideias do texto, na hora da interpretação, ou acrescentando ideias que são do conhecimento prévio do leitor, mas que não fazem parte do texto; redução, ao esquecer que um texto é um conjunto de ideias; contradição, quando as ideias contrários levam o leitor a fazer interpretação equivocada e, assim, errando a questão solicitada.

Conclui--se o artigo dizendo que muita gente pensa haver a ótica do escritor e a ótica do leitor. Isso até existe, mas numa prova de Concurso, o candidato deve sempre considerar o que o AUTOR DIZ e nada mais.

DICAS DE GRAMÁTICA

Como saber quando é correto usar ONDE e AONDE?

- O A na frente do ONDE significa PARA. Ex; AONDE você vai? (Significa Para onde você vai).

- ONDE = lugar em que/ em que (lugar). Indica permanência, o lugar em que se está ou em que se passa algum fato. Complementa verbos que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a preposição em: Onde estás? – Em casa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PAINEL DE MOMENTOS DA VIDA

 

luisa setembro1   luisa setembro2  luisa setembro3

luisa setembro4  luisa setembro5  luisa setembro6

luisa setembro7  Luisa Espanha

 

Tudo o que sou hoje eu devo ao casal que se uniu e constituiu família no rio Humaitá; devo ao esforço pelo caminhar na vida; devo aquelas pessoas que estiveram comigo de uma ou outra forma; devo aos familiares, meu porto seguro; devo aos professores com quem tanto aprendi; devo à vida que me cobrou tanto; devo a mim mesma pelas escolhas e renúncias que fiz; devo, particularmente, a Deus que guia os meus passos.

E, agora, daqui pra frente, como será? Deus tem a resposta e conhece a minha determinação e respeito à vida. Albert Einstein também se fez muitas perguntas, embora conhecesse o Segredo. Eu não o conheço, mas sei que a pergunta me obriga a pensar nas escolhas e ter a oportunidade de seguir um caminho. É isso que faço com humildade.

Eu sei que sou igualmente energia, posso mudar de forma, com os anos. A essência é pura, genuína como as águas que me banharam ao nascer. Eu compreendi que a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende é de APRENDER.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MANIFESTO PELA DIGNIDADE BRASILEIRA

 

 

 

Manifesto, aqui, a minha indignação ao ver a nossa Suprema Corte corrompida pelos Petralhistas. Tudo uma vergonha para os brasileiros dignos.Eu estudei muito, trabalhei 36 anos no Magistério Superior, em prol de uma educação de qualidade. Hoje estou frustrada, parece que o país não tem jeito.

De outro lado, eu observo que tudo isso que vivenciamos retrata a população do país que colocou essa quadrilha no Governo do Brasil. E, o pior, mesmo as pessoas esclarecidas e indignadas --- assim como eu – não levam suas indignações para as ruas. É preciso haver um grito de GUERRA: FORA, BANDIDOS! Eu tenho esse direito, sou brasileira, trabalhadora, educadora, tenho uma vida dedicada às causas nobres. Eu sou uma cidadã que tem os brios feridos.

Não me censurem, mas QUERO OS MILITARES DE VOLTA, DEMOCRÁTICOS, marcando novas eleições em 6 meses, com um decreto: NENHUM DOS ATUAIS POLITICOS ELEITOS, PODERÁ CONCORRER A NENHUM CARGO POR 12 ANOS.

Essa, talvez, seja a saída para que a nova geração possa recomeçar tudo de modo limpo, imprimindo um novo modelo político no país. Estou cansada desses mascarados, descarados, ganharem dinheiro, aposentarem-se com rios de dinheiro. E, nós, professores, ficamos com as migalhas que sobra das quadrilhas e esquemas.

Quanto ao SUPREMO, destituição de todos os ministros, (bons e salafrários), e remodelação do sistema de escolha. Que os novos ministros sejam eleitos pelos seus pares, numa lista de antiguidade e, ao se completarem as vagas, haverá uma lista de suplentes. Eleição no SUPREMO a cada 4 anos. Quem fez babaquice pula fora e vai mofar na cadeia. Não se brinca com os valores de uma nação, nem com os brios de seu povo. Não querem ouvir às vozes das ruas?! – Deixem os cargos e vão para casa com um salário mínimo, como vivem a maioria das famílias brasileiras.

E, mais: toda eleição deve ser coordenada pela OAB, sempre atenta e vigilante para não haver ‘petralhice’. Pisou na bola, sai fora. O povo deve ser ouvido, nos casos, em plebiscito.

Hoje estou sufocada, guardo a dor desse “Estado de Sítio”, onde o PT faz todas as manobras, assalta o país, os brasileiros e nada acontece. O silêncio dói nos ouvidos, ele anuncia a continuidade deste estado de sitio...

Para mim, esse processo do Mensalão revela um dos episódios mais vergonhosos da história política do nosso País, pois os elementos probatórios do Ministério Público expõe, aos olhos de uma nação estarrecida, perplexa e envergonhada, um grupo de delinquentes que degradou a atividade política, transformando-a em plataforma de atividades criminosas. E, muitos permanecem em berço esplêndido, com elevados salários. O povo, esse que fique na miséria do salário mínimo de 678,00, educação, saúde, segurança, habitação, transportes, tudo da pior qualidade.

Desse cenário, o que eu vejo são homens que desconhecem a República, pessoas que ultrajaram as instituições e, atraídos por um perverso controle do poder, vilipendiam os signos do Estado Democrático de Direito e desonraram, com seus gestos ilícitos e marginais, a ideia pulsante do texto de nossa Constituição. Na hora de colocar algemas nos bandidos, 5 ministros do Supremo, ofertaram Pizza. QUE VENHAM OS MILITARES POR ORDEM NESSA DESORDEM!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PASSADO E PRESENTE–Fragmentos de vidas

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Tarauacá do passado – memória

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Tarauacá de hoje – mesmo local após 100 anos.

Estimado Isaac Melo,

Estive aqui refletindo como escrever algo para acarinhar o homem ilustre, amigo e nobre que és tu. E mais: fazer isso usando poucas palavras. Então eu procurei sentir o significado de ser amigo, ser íntegro, corajoso, valoroso filho de Tarauacá.

Foi então que me veio à mente existir pessoas que queremos por perto porque sabem ouvir; sabem conversar como se estivessem sentadas ao nosso lado, mesmo estando longe; sabem repartir alegrias, histórias no tempo da vida; percebem quando precisamos de incentivo; oferecem flores para alegrar o nosso dia; são gentis e generosas. Tu reúnes tantas coisas belas que não encontro as palavras para traduzir essa pluralidade singular. Mas tudo isso és tu, a tua essência seringueira, uma reunião de humanismo, força, coragem, integridade, sabedoria, humildade.

Então, como não ficar emocionada?! Sinto orgulho em dialogar contigo. Por isto tudo estou aqui, outra vez, para agradecer a delicadeza e grandeza de tua mensagem. Ela trouxe mais fortalecimento para a minha alma. Por tuas palavras eu viajo no tempo, na região do nosso berço, e sinto mais forte a importância de olhar para o horizonte, para o alto. Sei que de lá vem a força, a coragem e a vontade de lutar pelos nossos objetivos.
Quando olhamos para o horizonte ou para o alto das árvores amazônicas, avistamos o quanto somos pequenos perante a vida. E, neste olhar infindo, definimos, com mais afinco, que os nossos sonhos podem ser realizados, isso porque nos fortalecemos nas águas caudalosas dos rios, riachos e igarapés de Tarauacá. Daí, torna-se compreensível o nosso crescimento espiritual, conforto de nossas almas.

Eu desejo a ti, meu jovem amigo, que continues a subir as tuas montanhas, com determinação, e que tua fé seja a tua força para chegar ao topo delas, igualmente as sementes da Samaúma, que voam ao sopro do vento, para povoar e fazer altaneira a Floresta que embalou nossos sonhos infantis. Tu sabes que o voo até a Lua não é tão longo como se imagina. As distâncias maiores que devemos percorrer estão dentro de nós mesmos. Siga as tuas trilhas, ruas, avenidas, rios, lagos, ao alcance do mar.

E eu sei, assim como tu sabes, que a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás. Mas só pode ser vivida olhando-se para a frente. Assim, eu sinto em ti, nas tuas palavras, o espelho por onde os justos deveriam se olhar para construir um mundo mais humano e mais feliz. Pois olha o que me dizes: (não posso guardar tão preciosa lição de vida, tradução da nobreza de ilustre tarauacaense --- esse gentílico é um trava-língua, heim?)

Querida Luísa,

fico profundamente lisonjeado por suas palavras. Oxalá esteja eu à altura delas. No entanto, vindas de você, sei que são sinceras. E acolho-as como um grande prêmio. O que torna nossas almas semelhantes é mais que o caráter histórico-territorial a que pertencemos, o que, para nós, não é pouco. Irmanamo-nos porque antes de tudo amamos a sabedoria, o ser humano e as coisas simples e autênticas da vida. Você e eu somos filhos de seringal, irmãos das matas, dos pássaros, das águas. Deves lembrar como é altaneira e majestosa as samaúmas de nossa terra. E quem imagina que suas sementes sejam tão pequenas e leves, que, quando rompe a vargem que as envolve, são levadas pelo sopro manso floresta adentro. O intinerário humano, penso, é semelhante ao da samaúma. Nascer pequeno, no húmus, até agigantar-se, sem, todavia, desarraigar daquela humildade primordial. Você, minha amiga, é grande. Mas não cultiva a grandeza para si, e nisso reside verdadeiramente a sua grandeza. Há tantas pessoas por aí repletas de títulos e ensoberbadas de si. Eles são seus títulos, e nada mais. Enquanto você, e tantos outros, nos oferece a sua alma. Uma alma prenhe de ciência e amor. E ainda que “falássemos a língua dos homens e dos anjos se não tivéssemos amor” toda a melodia de nossa vida não passaria de um ruído desagradável. Quero pensar na vida como uma canção. Cada um é uma nota. O que faz uma bela melodia é a harmonia das diferentes notas. É pobre de mais a canção e as vidas de uma nota só. A canção humana se torna mais bela com a multiplicidade de nossas almas a se cruzar. Tantas vezes os corpos físicos estão distantes, mas as almas dançam juntas onde quer que estejam. Só o coração vai aonde os olhos não alcançam.
Se me destes a honra de chamá-la de amiga, permita dizer também minha mestra. Sede de sabedoria lateja em mim, e encontro em você uma fonte, um igarapé abundante. Desculpe minhas pobres palavras, disse o autor de ‘Doutor Fausto’ que o essencial não se ajusta inteiramente às palavras. E penso ter ele razão. No mais, sigo o conselho de Proust, o de que devemos ser gratos às pessoas que nos propiciam felicidade, pois são elas os encantadores jardineiros que nos fazem florir a alma.

Bebeu palavras preciosas,
Seu espírito cresceu forte.
Não mais sentiu que era pobre
E sua estrutura pó.
Em dias sombrios dança
E este legado de asas
Não foi mais que um livro. Um só.
Que voo sereno e certo
O de um pássaro liberto!
Emily Dickinson

Em tua homenagem, Isaac Melo, trago, aqui, um poema-hino à nossa Tarauacá, aos tempos de infância, a tua poesia a cantar um pouco da nossa história.

SERINGAL - Isaac Melo

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Às margens do Rio Acre

a recordar o meu Tarauacá

sentir um aperto no peito

ao ver as águas a galopar

sob o corcel de um repiquete

e por um momento juro que vi

enquanto gorjeava o canoro Bem-te-vi

os navios gaiolas a atracar

uma multidão a acenar

outras a chorar...

vi balsas de borracha

vi regatão

vi seringueiros

vi batelão

vi catraieiros

              pra lá e pra cá...

vi o banzeiro

e o remo a fazer

              chuá, chuá...

À minha saudade que vive a vagar

por entre igapós e matagal

vou abrir seringal

onde possa enfim descansar...

* Versinhos dedicados à Leila Jalul, Luísa Lessa e Simone Bichara.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A ESCOLA DE HOJE É DOS DIFERENTES E DA DIVERSIDADE

 

Embora a escola de hoje seja o espaço “dos diferentes e da Diversidades”, não deixa de ser o lugar onde se prepara os seres humanos para o viver em harmonia, ética, solidariedade. Não pode esse sagrado espaço permanecer, como hoje, num lugar de barbárie, onde acontecem furtos, agressões, prostituição, desrespeito à vida, aos valores éticos, morais, religiosos das pessoas.

O artigo está motivado pelos noticiários de TV, jornais e demais meios de comunicação de massa, que mostram, em todo o mundo, as mazelas geradas pela violência dentro do ambiente escolar. Esses fatos geram comoção nos educadores, que vêm esforços e recursos jogados no lixo. O fato é que a violência adentrou nos muros escolares fazendo-se marcante e presente. Afinal, o que estará acontecendo com esta “sacrossanta” escola que pretende apenas educar?

Além dessa gritante violência e desrespeito, dentro do espaço escolar, esses malefícios vazam além das paredes e muros, atingem, em cheio, a sociedade. São jovens que fazem uso de arma, drogas, bebidas, a praticar barbárie no meio social, sem escolher raça, cor, crença. Matam os pais, a família inteira e muitas vezes também se matam. É uma realidade louca, preocupante, uma agressão generalizada a deixar a sociedade engessada, considerando que se torna refém de jovens agressivos, violentos que não respeitam nada. Parece, até, que o mundo tornou-se um “ringue”, onde os valores morais, a ética e a educação são pisoteados em favor de quem tem mais força, mais maldade, mais malícia. As manifestações violentas assumiram formas variadas, sutis e, muitas vezes, perversamente camufladas por trás de um cenário tranquilo na dinâmica das relações sociais.

Não há respeito aos professores, aos colegas, à comunidade. Parece-me que o mundo perdeu a direção e a educação não consegue tomar “ o lema” dessa grandiosa tarefa de educar para a cidadania, para a ética. O mundo se tornou egoísta, onde cada pessoa olha para si própria, esquecendo-se que faz parte de um sistema que não poderá ir bem se as pessoas estão desintegradas, as famílias destroçadas, a educação sem meios para realizar a grandiosa tarefa de educar para a vida, educar para o mundo.

É consenso, entre as pessoas, que a violência escolar é uma questão que deve ser analisada e estudada na atualidade, tendo em vista que as consequências atingem, em cheio, a sociedade como um todo. Daí decorrem inúmeros dramas sociais: criminalidade, prostituição, desemprego, fome, miséria, flagelo humano. Quando se pensa numa educação que priorize a qualidade e o bem estar da juventude, que almeje inserir o jovem na sociedade e no mercado de trabalho, não há como se fugir do ideal de uma convivência democrática e solidária, no ambiente escolar, nas famílias, na sociedade. Para Ortega e Del Rey (2002), “(...) em todas as comunidades, qualquer que seja sua cultura, as pessoas têm uma aspiração comum: a busca pela paz, a eliminação definitiva da guerra e da violência, e a luta diária para melhorar a qualidade de vida dos que os rodeiam”.

Este século XXI trás modificações marcantes como a globalização, mudanças econômicas, avanços tecnológicos, diversidade cultural e tantas outras questões que se levaria tempo para abordá-las. Logicamente que esse cenário tão diverso do século passado não poderá ter por modelo uma ‘educação do século passado’. O mundo exige uma mudança de paradigmas, mudança no perfil dos educadores e dos gestores escolares. Uma mudança reflexiva capaz de acompanhar às necessidades do tempo atual. Questões como a violência escolar apresentam relevância no atual quadro educacional. A escola de hoje suscita mudanças, requer um aprendizado para lidar coma essa gigantesca heterogeneidade de pessoas, problemas, conflitos. É um mundo que necessita, urgentemente, de políticas eficazes, capazes de educar os jovens, dar suporte aos professores, chamar a atenção das famílias para suas responsabilidades.

Nesse cenário fica-se com as palavras do educador Chrispino e Chrispino (2002), ao dizer que “(A) escola de antes era a escola dos “iguais”. A escola de massa e do futuro será a escola dos “diferentes” e da diversidade, o que pede uma gestão escolar apropriada, a partir da visão do futuro que nos aguarda”. Por isso tudo é urgente políticas eficazes para lidar com o jovem de hoje e preparar a nação para viver o amanhã sem guerra aramada, todos em paz, vivenciando a ética e o respeito ao próximo. Todos merecemos vida digna. A violência impede o ser humano de ser feliz. É preciso pensar na vida e não apenas correr pela vida, como se não fosse possível correr e pensar ao mesmo tempo.

DICAS DE GRAMÁTICA

QUAL A FORMA CORRETA: BRÓCOLO, BRÓCOLI, BRÓCOLOS OU BRÓCOLIS? 

- As formas corretas se definem por brócolis ou brócolos, igualmente óculos, substantivos utilizados apenas no plural.

QUAL O CERTO: HORÁRIO DE PIQUE OU HORÁRIO DE PICO?

As duas formas são consideradas corretas. De acordo com o dicionário Aurélio, pique (do inglês peak), possui três significados distintos: 1 – o auge; 2 – disposição, entusiasmo; 3 – agitação. Dessa forma, tem-se que o substantivo pico (o qual deriva do verbo picar) representa o cume agudo da montanha, mas também representa o sinônimo de pique, relativo às acepções semânticas “1” e “3”.

domingo, 15 de setembro de 2013

Do igarapé Humaitá, Seringal São Luís –Tarauacá/Acre – para Issac Melo

Do igarapé Humaitá, Seringal São Luís –Tarauacá/Acre – para Isaac Melo

Estimado Isaac Melo,

Eu agradeço por cada palavra tua. E, neste texto, eu me curvo diante de ti, um homem que tem por berço a imensa Selva Amazônica. Talvez, por isso, tens essa tamanha grandeza e generosidade. Sabes como se faz para alcançar os frutos no alto das árvores e vencer os medos da misteriosa floresta que embalou nossas vida. Minha eterna gratidão.

Um abraço faternal.

Luísa

Caríssima Luísa,

Deixei este texto como homenagem a seu trabalho e a você. Veja com mais detalhe lá no “Alma Acreana”. Eis aqui um fragmento:

"Segundo a etimologia, Luísa, palavra de origem germânica, significa “guerreira gloriosa”, “combatente famosa” ou mesmo “famosa nas batalhas”. Neste caso, vemos como faz jus a seu nome, a professora Luísa Galvão Lessa Karlberg, nascida nas cabeceiras do igarapé Humaitá, afluente do rio Muru, de onde se levava oito dias de barco até atingir Tarauacá. E nossa guerreira teve que se pôr em marcha, e enfrentar as mais diversas batalhas. Formou-se em Letras, fez mestrado, doutorado e pós-doutorado no Canadá. E pouco a pouco fora se tornando famosa nas batalhas; e mais que famosa, a guerreira amada. Porque não é a batalha que torna grande o guerreiro; é antes o guerreiro que faz ser grandiosa e memorável a batalha. E o amor? O amor fora a arma por excelência dessa guerreira. Amor que brota generoso de seu coração como água de igarapé, tal como aquele que tanto a banhou. Amor, cuja expressão, foi, sobretudo, uma vida dedicada à educação. E como fez saber certo poeta, “a alma vive mais onde ama que no corpo que ela anima”. O educador é um amante por excellence. Ele não dá a asa pronta. Ele é o vento necessário que impulsiona para o voo. Não é o ‘sabedor’, é o desperta ardor. Foi o velho Rui Barbosa quem disse que um sabedor não é um armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas. Mas, como só o mau artista se contenta com a obra que faz, a professora Luisa vê seu trabalho como algo sempre a melhorar. É a primeira crítica do próprio trabalho. Por isso, não se tornou uma sedentária do saber, mas uma sedenta de saberes e uma peregrina da vida. E é da vida que retira o seu material de saber, com o qual tece o viver. E, aqui, me faz lembrar aquele poeta lisboeta: “e os meus versos são eu não poder estoirar de viver”. Seus textos são extravasamento de vida. Não é um texto para demonstrar erudição, que, deveras, não lhe falta. É uma professora que ama, que se dá por meio do que escreve, do que ensina, do que vive."

clip_image001Barrancas do Humaitá --- isso aqui se chama “selva”.

A GUERREIRA GLORIOSA clip_image003

Segundo a etimologia, Luísa, palavra de origem germânica, significa “guerreira gloriosa”, “combatente famosa” ou mesmo “famosa nas batalhas”. Neste caso, vemos como faz jus a seu nome, a professora Luísa Galvão Lessa, nascida nas cabeceiras do igarapé Humaitá, afluente do rio Muru, de onde se levava oito dias de barco até atingir Tarauacá. E nossa guerreira teve que se pôr em marcha, e enfrentar as mais diversas batalhas. Formou-se em Letras, fez mestrado, doutorado e pós-doutorado no Canadá. E pouco a pouco fora se tornando famosa nas batalhas; e mais que famosa, a guerreira amada. Porque não é a batalha que torna grande o guerreiro; é antes o guerreiro que faz ser grandiosa e memorável a batalha. E o amor? O amor fora a arma por excelência dessa guerreira. Amor que brota generoso de seu coração como água de igarapé, tal como aquele que tanto a banhou. Amor, cuja expressão, foi, sobretudo, uma vida dedicada à educação. E como fez saber certo poeta, “a alma vive mais onde ama que no corpo que ela anima”. O educador é um amante par excellence. Ele não dá a asa pronta. Ele é o vento necessário  que impulsiona para o voo. Não é o ‘sabedor’, é o desperta ardor. Foi o velho Rui Barbosa quem disse que um sabedor não é um armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas. Mas, como só o mau artista se contenta com a obra que faz, a professora Luisa vê seu trabalho como algo sempre a melhorar. É a primeira crítica do próprio trabalho. Por isso, não se tornou uma sedentária do saber, mas uma sedenta de saberes e uma peregrina da vida. E é da vida que retira o seu material de saber, com o qual tece o viver. E, aqui, me faz lembrar aquele poeta lisboeta: “e os meus versos são eu não poder estoirar de viver”. Seus textos são extravasamento de vida. Não é um texto para demonstrar erudição, que, deveras, não lhe falta. É uma professora que ama, que se dá por meio do que escreve, do que ensina, do que vive. 

Atualmente a professora Luísa Lessa pertence à Academia Acreana de Letras, à Academia Brasileira de Filologia, e teve alguns de seus textos adotados pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Nutro uma profunda admiração pela professora Luísa. Dela retiro a lição: os grandes homens, as grandes mulheres não nascem prontos. Fazem-se. E tantas vezes a ferro e fogo. Mesmo que exerça alguma influência, não podemos fazer do meio e das condições sócio-econômicas desculpas para o fracasso de nossas vidas. Somos aquilo que podemos ser, que queremos ser e que nos permitimos ser. Como dizia o nosso geógrafo Milton Santos, os orgãos da inteligência são dois: o cérebro e a bunda. É sentar, e ler, ler, ler... no entanto, como nos faz saber Luísa, sem descuidar do amor, “pois só quem ama escutou o apelo da eternidade”.

Do igarapé Humaitá, Seringal São Luís –Tarauacá/Acre – para Issac Melo (brilhante jornalista e escritor)

Estimado conterrâneo Isaac Melo,

As tuas palavras tocaram profundamente o meu coração. Não resisti a tanta emoção e as lágrimas banharam meu rosto. Mas, felizmente, elas não são de tristeza, pelo contrário, são de intensa gratidão a ti e à vida que me deu tão bons e fraternos amigos. Encontro em ti – um brilhante jovem de Tarauacá – a compreensão às minhas palavras “Memória para a posteridade”. É, de fato, um grito da “Alma Acreana” para outra alma irmã.

E tu sabes, meu nobre amigo, que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Esse sentimento sempre me moveu. A vida exige de nós - o tempo todo - uma grande capacidade de adaptação, mudanças, enfretamentos, superação. E aqueles que temem a mudança nunca vão adiante, levam uma vida estática por medo de novos desafios decorrentes da nossa existência.

Eu sempre procurei superar os desafios desde muito jovem. Sai de casa aos seis anos de idade para um colégio alemão. Agarrava-me às pernas de meu pai para não ir e ele dizia: “filha, é preciso ir, estudar é a grande saída”. Foi aí que comecei a aprender a transformar sentimentos menos elevados em prol da grandeza da vida, da escola, do conhecimento.Compreendi, desde cedo, que o caminho do coração é o caminho da coragem. Deixar o passado para trás e deixar o futuro SER. Também aprendi que a vida é perigosa, mas somente os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. Somente quem nasceu no seio da Floresta Amazônica – como eu e tu, dentre tantos outros – sabe o significado dessa palavra CORAGEM. Ela é interessante, vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça. Receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem.Nós não nos escondemos. Eu, assim como tu, fomos à luta, ‘caímos no mundo’, como se diz popularmente.

Por isso, para nós, a coragem é por em risco o conhecido em favor do desconhecido, o familiar em favor do estranho, o confortável em favor do desconfortável. É um jogo arriscado, duro, mas somente os destemidos sabem o que é a vida. Ela não brinca, não aceita piadas. Ela é “pão, pão, queijo, queijo”. O nós, nesta vida, estamos, sempre, frente ao desconhecido, não temos ‘bola de cristal’, mas fazemos por acertar, porque agimos com amor, alma limpa.

Decepções fazem parte da vida, como disse, não nasci póstuma. Foram as decepções que me ensinaram o caminho das pedras. Muitos dias tropecei, cai, chorei. N’outros caminhei tranquila, talvez passando pelas mesmas pedras, mas com os pés fortalecidos pelos ensinamentos das duras e difíceis caminhadas.

De tudo que vivi e ainda vivo, eu confesso que por vezes sinto solidão. É nestas horas que eu penso no ‘meu igarapé Humaitá’, minhas raízes, aí ergo-me na certeza que nunca vou me deixar abater, não por soberba, mas pela coragem de alguém que bebeu as daquelas águas turvas e, anos mais tarde, caminhou às margens do rio Danúbio, um sonho de infância.

Aristóteles disse “Eu chamo de bravo aquele que ultrapassou seus desejos, e não aquele que venceu seus inimigos; pois a mais dura das vitórias é a vitória sobre si mesmo”.

Finalmente, meu prezado conterrâneo e amigo, para enxugar o meu pranto, neste momento de intensa emoção – vejo um filme com muitas histórias – eu te digo o seguinte: o Amor e a Ternura são sentimentos revolucionários, eles sempre deram norte a minha vida. Eu amo a família, os raros amigos, minha sublime profissão. Desta última fiz meus votos de fé. Tem dado certo. E o melhor de tudo é que embora nós dois estejamos distantes, estamos nos olhando sempre.  Como diz Guimarães Rosas"...o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. E nós, ao que tudo indica, temos afinado a canção tarauacaense. Que Deus te ilumine e te abençoe.

Grande abraço,

Luísa

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

MEMÓRIA PARA A POSTERIDADE

Ninguém nunca saberá o quanto custou a minha jornada: as horas aos estudos, ao silêncio, às conquistas, aos familiares, às confissões comigo, as perguntas, as decisões, a dor, a solidão, as renúncias, a separação, as perdas, a saudade, a alegria, as vitórias. São coisas somente minhas.  Eu sei que algumas pessoas nascem póstumas. Não é o meu caso. Sou uma ribeirinha que conquistou o mundo com muita luta. Nada foi fácil, muitos espinhos, rios, riachos, montanhas e, também, abismos. Alcancei vitórias para uma pessoa que nasceu no interior da Floresta Amazônica, onde não existia rádio,luz elétrica, sem bonecas, brincando de anmarelinha, mas leu muitos livros e por eles empreendeu numerosas viagens. Mas nem por isso eu estaria em completa contradição se esperasse, hoje, encontrar ouvidos e «mãos» prontos para as «minhas» verdades. O que hoje ouço de mim é que falta muito para alcançar, as mãos estão ainda abertas, os olhos atentos para as luzes do mundo. Minha alma abraça a vida, isso parece-me mesmo normal. Sou uma peregrina da vida! E nela aprendi que a sabedoria da vida é sempre mais profunda e mais vasta do que a sabedoria do seres humanos e dos livros. Imannoel Kanta já dizia, sabiamenta que sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir. Eu sinto, profundamente, a VIDA!

 

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domingo, 8 de setembro de 2013

EDUCAÇÃO E ÉTICA SÃO A SALVAÇÃO DO MUNDO

 

Embora educação e a ética estejam relacionadas desde a Antiguidade, observa-se um distanciamento entre a teoria e a prática neste mundo contemporâneo. Pois ao tempo em que as pessoas reconhecem ser a educação o motor do mundo, o governo não valoriza os profissionais de educação e as verbas para esse fim são ínfimas. Falam-se de novos investimentos, mas no real as instituições públicas, de ensino, estão sucateadas.

E nesse mundo onde a ética deve vir em primeiro plano, no sistema educacional do Brasil, por exemplo, não há diretor, nem orientador ou professor que não se digam comprometidos com a relevância da ética para o agir educativo. Mesmo assim, ao primeiro olhar sobre a estrutura curricular e o quotidiano escolar, constata-se que a ética ocupa um lugar muito singelo, muitas vezes só um pequeno recorte disciplinar ou, quando muito, a uma atividade transversal no ambiente das escolas. É preciso ir além. A vida sem ética é um campo minado que pode explodir, afundar a qualquer momento.

Observa-se, no país, na raiz desse aparente e real desinteresse, uma questão urgente concreta, que merece resposta na mesma proporção: o que pode ou deve a escola fazer, em termos de educação ética? E, mais, nesse contexto de sociedade dita “democrática e pluralista’, que não dispõe de valores onde haja consenso por parte das políticas públicas, das grades curriculares, capazes de inculcar nos jovens valores ou formas de comportamento que os conduza a um futuro mais seguro e melhor? O que faz o Brasil pela valorização da ética como conduta de vida? Ética se aprende aonde?

Parece, nesse cenário frio, onde a sociedade multicultural ainda não está fortalecida ou consciente da importância da mobilidade social, nessa era de globalização, as coisas estão a ir embora pelo “ralo do descaso”, da “enganação”. Se diz que vão fazer, mas não fazem, iludem a população. Deve-se olhar que o mundo mudou, logo a política educacional deve mudar, avançar, multiplicar seus valores e visões, que irão se refletir no ser humano, que deve ser, SEMPRE, o centro do Universo.

Mas o que se avista é um alheamento, uma disparidade entre o ensino, a educação e a ética. Não são, somente, diferenças macro, como são entre primeiro e terceiro mundo. Há diferenças microculturais existentes no interior das comunidade, entre os vários grupos sociais, culturais e étnicos, todos a exigir, de forma diferenciada, educação e ética. A escola é o ambiente sagrado, sacrossanto, onde as famílias devem deixar seus filhos em segurança, para que possam trabalhar e ajudar a escola a Educar o Mundo. Os professores, sozinhos, não vão “salvar” os jovens. Os profissionais necessitam de motivação, preparo e bons salários.

Nesse contexto, entendo que a escola atual encontra-se diante de um desafio de difícil solução: como aproximar a educação das necessidades sociais e do mundo ético? Como despertar nas autoridades o dever de fazer cumprir os preceitos constitucionais? Como fazer nascer no seio da sociedade a consciência de que sem educação e ética o mundo caminha para o caos? É urgente valorizar a Educação, o Educador, o jovem educando.

Tanto essa questão é premente que, no mundo moderno, essa noção de VALOR é retomada por Thomas Hobbes (1588-1679), que diz o seguinte: “ o valor não é absoluto, mas depende da necessidade de um juízo”. Valor, portanto, é aquilo que é estimado como tal, através de um juízo, por um grupo de pessoas que constitui a sociedade. E enquanto a Educação não for considerada “valor”, a sociedade não irá recebê-la com qualidade.

E para implantar esse sonhado sistema educacional de valor ético, a natureza humana deve se submeter a regras de disciplina, cultivo do saber, respeito às pessoas, valor à vida, moralização dela. Todavia, esses papéis não podem ser desempenhados somente pelo professor. Deve haver compromisso político do governo, com a participação de toda sociedade. Assim, todos devem saber que o professor transmite informações e o educador educa para a vida.

Acredita-se que “O bom professor”, deve estar, ele mesmo, comprometido com a ideia de liberdade, a qual é ao mesmo tempo o objetivo de sua atividade educativa, na medida em que almeja transformar o educando num cidadão esclarecido, maduro, autônomo, capaz de se autodeterminar, bem como responder por seus atos.

Do ponto de vista educacional, isto significa que o professor deve levar os seus alunos a refletir sobre quais são os valores com os quais podem sentir-se comprometidos e responsáveis. A tarefa educativa fica reduzida ao estímulo da reflexão pessoal e do esclarecimento e orientação aos alunos. Cada indivíduo é responsável pela construção de sua própria vida. E, naquilo que diz respeito aos valores de ordem pública e social, serão as contribuições científicas e técnicas que irão decidir o futuro da nação, dos jovens, da educação de qualidade. Avança, Brasil!

DICAS DE GRAMÁTICA

Diferença entre “onde” e “aonde”

Onde = que lugar, em que lugar, qual lugar. Indica permanência, uma ideia estática, o local em que se encontra ou ocorre algo. Vem normalmente acompanhado de verbos que indicam estado ou permanência.

Exemplos:

Onde você está?

De onde você está teclando?

Não sei onde ele estava e nem perguntei.

Afinal, onde você mora?

Aonde = a que lugar, para onde. É a junção da preposição “a” + onde. Dá a ideia de deslocação. Vem normalmente acompanhado de verbos que indicam movimento como ir, chegar, retornar, voltar e outros.

Exemplos:

Aonde você vai a essa hora?

Aonde nos levará esse avião?

José ficou perdido, simplesmente não sabia aonde ir.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS PALAVRAS EM LÍNGUA PORTUGUESA

 

 

      A comunicação é o motor da inter-relação entre os seres humanos, contínua, permanente, obrigatória. A linguagem é o seu combustível. A linguagem é um instrumento brandido sobre nossas cabeças desde o nascimento até aos mais elevados níveis de aperfeiçoamento intelectual. E a linguagem se faz, particularmente, pelas palavras. Logo, é importante o estudo das palavras e suas significações.
      O estudo das palavras e de suas significações, dentro da cultura a que a língua serve, é de grande importância aos falantes. É tarefa de grande eficácia em sala de aula, ainda mais quando os estudantes têm dificuldade em encontrar palavras para traduzir seus pensamentos. Importante, também, é o estudo da significação dessas palavras. Esse aprendizado pode se tornar tarefa interessantíssima se o professor conduzi-la de maneira aprazível, levando os alunos à compreensão que o mundo da linguagem se organiza por campos lexicais ou campos semânticos [conceituais]. Todo esse estudo pertence à ciência Semântica, cujo objeto de investigação é a significação ou significado das palavras.
      Por não estarem devidamente diferenciados ou definidos, os conceitos de campo semântico e campo lexical frequentemente são confundidos. Tanto o campo semântico quanto o campo lexical são utilizados pela linguística textual a fim do melhor e mais adequado uso das palavras da língua portuguesa. Para entendê-los melhor trazemos alguns esclarecimentos e algumas conceituações:

    Léxico é o conjunto de palavras pertencentes à determinada língua. Por exemplo, temos um léxico da língua portuguesa que é o conjunto de todas as palavras que são compreensíveis em nossa língua. Quando essas palavras são materializadas em um texto, oral ou escrito, são chamadas de vocabulário. O conjunto de palavras utilizadas por um indivíduo, portanto, constituem o seu vocabulário.
      O campo lexical, por sua vez, é o conjunto de palavras que pertencem a uma mesma área de conhecimento, e está dentro do léxico de alguma língua.
      São exemplos de campos lexicais:

- campo lexical da medicina: estetoscópio, cirurgia, esterilização, medicação, etc.
- campo lexical da escola: livros, disciplinas, biblioteca, material escolar, etc.
- campo lexical da informática: software, hardware, programas, sites, internet, etc.
- campo lexical do teatro: expressão, palco, figurino, maquiagem, atuação, etc.
- campo lexical dos sentimentos: amor, tristeza, ódio, carinho, saudade, etc.
- campo lexical das relações inter-pessoais: amigos, parentes, família, colegas de trabalho, etc.

      O campo semântico, por sua vez, é o conjunto de possibilidades que uma mesma palavra ou conceito tem de ser empregada(o) em diversos contextos. O conceito de campo semântico está ligado ao conceito de polissemia. Uma mesma palavra pode tomar vários significados diferentes em um mesmo texto, dependendo de como ela for empregada.
São exemplos de campos semânticos:

* Campo semântico em torno do conceito de morte: bater as botas, falecer, ir dessa para a melhor, passar para um plano superior, falecer, apagar, etc.
* Campo semântico em torno do conceito de enganar: trapacear, engabelar, fazer de bobo, vacilar, etc.

      Considera-se importante, no conhecimento de qualquer idioma do mundo, o domínio do vocabulário por parte do falante. Quanto mais palavras conhecer maior será a eficácia da sua linguagem, concebida como forma de interação. Assim, o conjunto de vocábulos que possuímos apresenta um valor referencial, um valor contextual e um valor pragmático [uso]. Por isso, a significação de um vocábulo é importante para a compreensão de qualquer mensagem.

      Finalizando, diz-se ser importante ao falante perceber como um texto se constrói, como os vocábulos se organizam. É uma aventura, em qualquer texto, compreender os sentidos ou significados das palavras e saber que a base desses textos – orais ou escritos – é o vocabulário. Sem o vocabulário não se diz nada e também não se compreende nada. É o silêncio.      

DICAS DE GRAMÁTICA

DEVE-SE ESCREVER O SARGENTO MARIA OU A SARGENTO MARIA?

- Existem na língua portuguesa as formas femininas soldada, sargenta, coronela, capitã, generala. No entanto, como as Forças Armadas resolveram não adotá-las, preferindo empregar o nome do posto tanto para os homens como para as mulheres (até porque alguns ficariam estranhos, como ‘a tenenta’, e outros nem feminino teriam, como ‘major’ e ‘cabo’), a única diferenciação fica sendo o artigo:

· A soldado Camila, a sargento Maria e a coronel Anny Rose serão promovidas.

· Parece que uma tenente foi desacatada.

· O coronel Gomes passou as instruções a capitão Marli Regina.

Fora da hierarquia militar, no caso particular de capitão, pode-se dizer que é correto – existe esse registro em alguns dicionários – falar em "capitoa", mas é preferível usar o feminino capitã, palavra, aliás, bastante em voga, pois designa também o "chefe, a pessoa que comanda, que dirige" ou "atleta que representa a equipe":

· Na nossa gincana foi atribuído um prêmio as capitãs das cinco equipes.

· Rosilda, capitã da PMAC por muitos anos, abandonou o torneio repentinamente.

É CORRRETO DIZER “EU EXPLUDO”?

- Sim, perfeitamente correto. EXPLODIR não é verbo defectivo em si. Ele é conjugado conforme o verbo dormir, segundo dicionários especializados. Portanto, pode-se dizer "ele explode, eu expludo, ele que expluda o balão”. No Brasil, depois que o ex-presidente Figueiredo falou (corretamente) "expludo", criou-se o estigma e a má reputação do verbo, como se ele devesse ter explodido de outra forma: "Ele que se exploda!"

domingo, 2 de junho de 2013

A PRESENÇA ITALIANA NA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Luísa Galvão Lessa colunaletras@yahoo.com.br

Uma língua viva, falada, recebe, naturalmente, influências de outras culturas. E, em artigos anteriores, falou-se da herança de outros povos na formação da língua portuguesa. Comentaram-se as influências: francesa, inglesa, espanhola, árabe, tupi, africana, grega. O texto de hoje contribui na compreensão da herança italiana na língua portuguesa.

É fato que o léxico de uma língua é formado por palavras vindas de vários lugares, e que isso depende do contato que os povos tiveram entre si. No português, temos palavras germânicas, árabes, francesas, italianas, japonesas, chinesas, só para ilustrar alguns legados, e nós as aprendemos quando precisamos usar. Por isso qualquer pessoa que entra num shopping center assimila o que é 50% off' (desconto de 50%) e isso não impede a comunicação.

O Brasil, em final do século XIX, recebeu levas de imigrantes de todos os cantos do planeta, mas nenhum influenciou tanto a cidade de São Paulo quanto os italianos.Eles vieram para a lavoura do café a partir de 1877 e faziam a rota contrária: do interior para a capital de São Paulo. Tanto foi assim que já no começo do século XX constituíam praticamente a metade da população da cidade e da mistura da língua italiana com o português criaram aquilo que se chamou de “língua brasileira”.

As influências estão presentes em toda parte, na culinária, na passionalidade, no vestir, na educação, nas expressões, na música, na ciência e nas artes. Das correntes de imigração, os italianos só perderam, no final do século XIX, para os portugueses... nossos descobridores.

O brasileiro é conhecido por gostar do tradicional arroz e feijão e, também, por apreciar um prato de massa. Assim é que muitas palavras da culinária italiana ingressaram no português de forma definitiva. Dentre elas enumeramos: Lasanha: lazanha/lasanha; Nhoque:enhoque/ nhioque; Espaguete: spaguetti/espaguete/ spaghet; Muçarela: mussarela/musarela/muzzarella; Pizza: piza; Taglierini: talharim/ Ravioli: ravióli; Panetone: panetone.

Algumas dessas palavras são grafadas de forma diferente de um canto ao outro do Brasil, ora com /s/ ora com /z/. Esse comportamento também é notado nos dicionários que registram essas formas aportuguesadas. Lasanha, por exemplo, em italiano se escreve com "s" e "gn", ou seja, "lasagna", e em português com "s" e "nh", "lasanha". Depois, vê-se "nhoque". Em italiano, é "gnocchi", mas, em português, escreve-se com "nh" no começo e "que" no final ("nhoque"). Vê-se também "espaguete", que em italiano se escreve "spaghetti" e vem de "spago", que quer dizer barbante. Há, ainda, a palavra mozarela/muçarela/mozzarella.

Segundo Pacheco Júnior, autor de "Gramática Histórica da Língua Portuguesa", cerca de 300 palavras italianas foram incorporadas ao português falado no Brasil. São exemplos: cantina, caricatura, fiasco, bravata, poltrona, alegro, aquarela, bandolin, camarin, concerto, maestro, piano, serenata, alarme, boletim, carnaval, confete, macarrão, mortadela, salsicha, além, é claro, do "ciao", tranformado em "tchau".

No Brasil, a imigração italiana foi tão forte que, segundo os dados oficiais, pode-se afirmar que de 1870, até hoje, a influência italiana no Brasil chegou a ultrapassar a influência portuguesa, tendo sido registrada a entrada de mais pessoas de nacionalidade italiana (34% do total) que de nacionalidade portuguesa (28%), enquanto que todas as outras nacionalidades juntas (espanhóis, japoneses, alemães, sírios/turcos etc) somam os 38% restantes.

Foi assim que nas comemorações dos 500 anos do Brasil o IBGE apresentou dados oficiais sobre a imigração no país, segundo os quais cerca de 1,5 milhões de italianos escolheram o Brasil como segunda pátria. A maior parte entrou nos Estados de São Paulo, Rio grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. Esses imigrantes aqui constituíram parte significativa da família brasileira e, por isso mesmo, cada brasileiro carrega consigo, no vocabulário, traços culturais do italiano.

DICAS DE GRAMÁTICA

ESTA E ESTÁ, QUANDO USAR UMA OU OUTRA FORMA, PROFESSORA?

- Professora Toinha, esta caneta que está aqui é sua?

Esta - pronome demonstrativo, pois indica o lugar ou a posição dos seres e objetos em relação à pessoa que fala. 

Está - verbo estar - indica um estado ou qualidade.

Ex.:

a. Esta conversa já está ficando aborrecida.

b. Esta criança já está na escola.

c. Está incomodando esta música?

d. Está disposto a ganhar esta partida?

e. Esta janela está aberta.

HOUVE E OUVE, COMO USÁ-LOS?

Ouve: verbo ouvir, escutar. 

Houve: verbo haver, no sentido de acontecer, existir, sair-se bem ou mal.

Ex.:

a. Fale mais alto. Ele não ouve muito bem.

b. Em 1865 houve uma guerra entre o Brasil e o Paraguai.

c. Fale mais perto e baixinho, senão ela ouve o segredo.

d. Não fique nervoso. Não houve nada de grave.

e. Houve muita confusão no jogo de domingo.

f. Ela só ouve música clássica.

HERANÇA FRANCESA NA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Luísa Galvão Lessa Karlberg  - colunaletras@yahoo.com.br

Temos discutido, desde algum tempo, que a língua, um organismo vivo, está sujeita a sofrer modificações, alterações, mudanças no curso do tempo. A língua portuguesa, a exemplo de outras línguas, recebe herança de outros povos e esse legado pode ser apreciado pelas palavras estrangeiras que são incorporadas ao vocabulário português. Falamos, em artigos anteriores, da influência indígena e africana. Hoje falamos da herança francesa tão presente no português, por força das relações políticas, culturais e comerciais.

Houve uma época em que a França serviu, para nós, de modelo cultural. Assim, muitas palavras do idioma de Molière representavam o que de mais chique se podia usar no Brasil. Companhias de teatro francesas se apresentavam no Rio e em São Paulo, para uma aristocracia que importava governantas e contratava professoras particulares para ensinar a língua tão agradável aos seus filhos. Os galicismos - palavras importadas do francês - apareciam nos textos literários e nos jornais, mas naquela época os intelectuais eram mais críticos e escreviam repudiando o modismo. Hoje, tem-se a clara concepção de que esse legado não empobreceu o idioma camoniano, antes o enriqueceu com novas palavras, como <<restaurante>>, <<manchete>>, <<garçon>>, <<vernissage>>, <<écharpe>>, <<tricot>>, <<abajur>>, <<chofer >>, << butique>>,<<laquê>>, <<bisturi>>,<< bureau>>, << buquê>>,<<boné>>, <<toalete>>, << purê>>, <<cabaré>>, <<cabina>>, <<cachecol>>, <<camioneta>>, <<bufete>>, <<buquê>>, <<bulevar>>, <<bidê>>, <<bibelô>>, <<avalanche>>, <<paletó>>, <<pane>>, <<pasteurizar>>, <<pivô>>, <<placar>>, <<plaqueta>>, <<platô>>, <<plissado>>, <<pompom>>, <<pônei>>, <<popelina>>, <<raqueta>>, <<sanotagem>>, <<sabotar>>, <<vitrina>>, <<vagão>>, <<vitral>>, <<vermute>>, <<usina>>, <<usineiro>> etc, que refletem a raiz cultural francesa entre a gente do Brasil.

Depois, lembro as quadrilhas, nas festas juninas, que não são manifestações nascidas na nossa cultura popular. A quadrilha é uma dança européia que, no século XIX, passou para os salões da aristocracia e da classe média do Brasil. Daí compreende-se nela haver palavras francesas que comandam os passos da dança, em toda a movimentação nos salões e, depois, nos espaços campestres no interior do Brasil até se transformar na “dança caipira da roça” tão presente entre nós, nos meses de junho e julho.

Compreende-se, daquilo que aqui se falou, que o vocabulário de uma língua tem o importante papel de revelar o perfil de um povo. Por isso, os vocábulos não são estáticos no seu emprego: transformam-se quanto à significação ou freqüência de uso, quer no decorrer do tempo, quer no lugar em que são usados, quer nas diferentes situações sociais.

Conclui-se, ao final, que o conjunto de vocábulos de uma língua funciona como espelho da cultura dessa língua, tendo, portanto, o papel de revelar interesses, hábitos de alimentação, vestuário, crenças, cultura etc. Portadores desta função - de espelhar, de revelar o perfil do povo que as emprega - os vocábulos não poderiam ser estáticos no seu emprego. Assim, quer no tempo, quer no espaço (país, estado, cidade, bairro, rua, ...), quer nas camadas sociais, quer na situação social em que são usados, os vocábulos se transformam, por exemplo, quanto à sua significação, sua forma, sua freqüência de emprego. Cada língua tem sua individualidade, seu comportamento, sua lógica.

DICAS DE GRAMÁTICA

BANCAS DE JORNAL / BANCAS DE JORNAIS
- As palavras compostas unidas pela preposição DE, pluralizam apenas o primeiro elemento:
Ex.: pés-de-moleque | testas-de-ferro | frutas-do-conde
O mesmo acontece com expressões como:
. bancas de jornal | casas de aluguel | camas de casal
. escovas de dente | casas de massagem | pilhas de rádio.

BASTANTE / BASTANTES
- Bastante pode ser um adjetivo ou um advérbio. Será um adjetivo quando se referir a um substantivo. Caso se refira a outra classe de palavra será advérbio. Quando é um adjetivo, varia, isto é, concorda com o substantivo; quando é advérbio, permanece invariável.
· Estudamos bastante. (advérbio, portanto: invariável, pois se refere ao verbo)
· Tenho bastantes razões para acreditar em ti. (adjetivo, portanto: varia, pois se refere ao substantivo razões).
Truque: Para sabermos usar, basta trocar o bastante por muito. Se o muito variar, o bastante também varia. Se o muito ficar invariável, o bastante também deve ficar.
· As crianças estão bastante alegres. (As crianças estão muito alegres).
· Havia bastantes pessoas no cinema. (Havia muitas pessoas no cinema).

BEM-VINDO / BENVINDO
- Bem- vindo é a forma correta. Bem pede sempre o hífen.
Ex.: Bem-aventurado, bem-querer, bem-amado, bem-te-vi
Benvindo é usado como nome próprio.

DE MODO QUE / DE MANEIRA QUE / DE FORMA QUE
Sempre grafados no singular.
Nunca de modos que, de maneiras que, de formas que.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.