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terça-feira, 14 de abril de 2020

MUNDOS DOS TEXTOS - para professores do ensino médio e estudantes do ENEM



PRÓLOGO  (Vol. I)     
            Vi e li com bastante interesse esse livro “O MUNDO DOS TEXTOS PARA PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO E ALUNOS DO ENEM”, que ora vem a lume pelas mãos da Prof.ª Dr.ª Luísa Karlberg, e que vem suprir uma lacuna tão gritante em nossas escolas brasileiras: um livro de textos. Em verdade, trata-se de uma coletânea em três volumes: I – Língua Portuguesa & Linguagem; 2 – Educação & Comunicação; 3 – Língua & Sociedade.
Aqui, aprecio o Vol. I – Língua Portuguesa & Linguagem, com importantes textos que compõem partes temáticas: Parte 1 – Língua Portuguesa; Parte 2 – Leitura & Escrita; Parte 3 – Lingua(gem). Um conteúdo rico e de agradável leitura, que conduz o leitor a empreender viagens, realizar tarefas do cotidiano, planejar ações futuras, avaliar e pensar sobre acontecimentos do passado. Tudo isso são ações humanas constituídas pela linguagem e na linguagem.
 Sabemos o quão difícil é, na atualidade, motivar os jovens à leitura/escrita. Por isso, esses alunos tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio e mesmo Universitário têm apresentado, cada vez mais, dificuldades nos processos de leitura e escrita. Isto se deve ao fato de que eles apresentam um alto grau de desmotivação, e também devido estarem inseridos em uma sociedade em que predomina a tecnologia, momento em que eles não desejam criar, pensar, apenas copiar. E ler e escrever vão além dessas simplistas e rotineiras tarefas.
            A Dr.ª Luísa Karlberg, nesta obra, traz textos magníficos, belas mensagens aos leitores. Ela compreende que comunicar não é apenas um saber fazer, mas também um fazer crer, um fazer fazer. Nesse sentido, a língua não é somente um instrumento de comunicação, ela é, também, um instrumento de ação sobre os espíritos, isto é, uma estratégia que visa a convencer, a persuadir, a aceitar, a fazer crer, a mudar de opinião, a levar a uma determinada ação.
A autora propõe alternativas no que diz respeito à concepção de leitura,  aponta um novo caminho e um novo jeito de trabalhá-la, de diversas maneiras, tendo em vista mostrar que um texto pode ser trabalhado de diversas maneiras criativas e funções diversificadas, dando ao aluno a oportunidade de interagir não só com os colegas, mas com o próprio texto, levando-o a questionar e questionar-se em relação as intenções do autor em abordar um tema, levantar hipóteses, ter (ou não) um posicionamento crítico, dentre outros aspectos.
            Assim sendo, talvez não devêssemos considerar um exagero afirmar que a fala, a escrita e a argumentação desta obra, como aqui está posto, com assuntos ou temas diversos, no campo da Língua Portuguesa, Leitura/Escrita e Linguagem, é capaz de subsidiar o trabalho docente nas diferentes etapas do planejamento-avaliação-planejamento.
         Sob o aspecto tipológico, os textos defendem ideias, opiniões ou pontos de vista, em tese, procurando, de variadas formas, fazer com que os ouvintes/leitores os aceite e  os valorize, aplicando-os e vivenciando-os na prática.
       Esses textos, aqui ofertados, distinguem-se em três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas. TESE, ou proposição, é a ideia que a autora defende, pois a argumentação implica divergência de opinião. Os argumentos de cada texto são facilmente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta: por quê? (Ex.: a autora diz que ser leitor é ser cidadão (tese). Por que  (argumentos).
      Para finalizar, digo que a publicação deste livro é um presente aos professores (bom material em mãos), aos alunos (qualidade e temática dos textos), tudo posto numa linguagem singela, límpida, correta, elegante, que dá gosto de ler.
     Fait un bom voyage, com essa bela obra, Dr.ª Luísa Karlberg, pois os leitores, com certeza, ganham excelente presente e viajam, aqui, de primeira classe.

Dr.ª Amines Bader
Membro honoráro da AAL
Professora no Estado do Acre
Geógrafa e Advogada, OAB



PREFÁCIO
               O presente prefácio não se propõe em análise, mas um olhar desse livro da distinta escritora Prof.ª Dr.ª Luisa Karlberg, como precioso livro escolar de textos, que ora oferece aos leitores, em especial aos professores de Língua Portuguesa e de outras cadeiras, tanto do Ensino Médio quanto Universitário. Em verdade, trata-se de uma coletânea de ouro.
            Essa Coletânea apresenta-se em três volumes: Vol. I – Língua Portuguesa & Linguagem; Vol. II - Educação & Comunicação; Vol. III – Língua & Sociedade. Aqui, aprecia-se o Vol. II – Educação & Comunicação, assim composto: Parte 1 – Educação; Parte 2 – Professor; Parte 3 – Escola; Parte 4 – Comunicação; Parte 5 – Diversos.
             Afianço que a leitura de qualquer um dos textos que compõe o VOLUME II, EDUCAÇÃO & COMUNICAÇÃO, tomada ao acaso, dispensa-me de qualquer apreciação sobre o seu mérito linguístico, o que, aliás, me levaria muito além dos limites a que tenho de me restringir. Pois como sabiamente disse Nelson Mandela: “A educação é a mais poderosa arma pela qual se pode mudar o mundo.”
            Basta-me, pois, dizer que, quanto à publicação, o livro da Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg vem preencher uma lacuna na área de estudos textuais, e apresenta-se com um primor de nitidez e elegância, quanto à composição, um modelo de singeleza e espontaneidade. Muitas aulas sobre Educação e Comunicação, quando o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz por cada um de nós. A comunicação entre escritor e leitor é clara, acessível, demonstrando que sabedoria não é prolixidade.
            "Mundo dos textos para Professores do Ensino Médio e estudantes do ENEM" vai ser de apreciável valor para o ensino em nossas escolas. É mais do que um simples livro de leitura, é um modelo sugestivo para o ensino da linguagem oral e escrita.
            Para bem falar e escrever é preciso bem observar e conceber, pois que, da precisão das ideias adquiridas é que resulta a clareza e propriedade da expressão. Os assuntos devem, portanto, ser bastante simples e atraentes, para que a observação se faça espontânea e sem esforço.
            Estimo que foi este o princípio a que se subordinou o plano desta obra, ao meu olhar, que foi traçado pela Prof.ª Dr.ª Luisa Karlberg, pois é um livro que pode servir de apoio a múltiplos exercícios de linguagem, para uma multiplicidade de disciplinas escolares.
            Da observação direta das leituras empreendidas, orientados pelos professores, os  alunos encontrarão assuntos para pequenas descrições que facilitem a compreensão de cada texto, possibilitando-lhes ressignificar o apreendido, aperfeiçoando a sua visão de mundo. Na estrutura, terão modelo a seguir no ato criador de tantos outros textos, que irão aperfeiçoá-los e treiná-los no mundo do bem ler e bem escrever.
            Além dos exercícios de leitura, interpretação, discussão e criação de novos textos, este livro vem preencher duas condições essenciais relativas à correção e simplicidade, considerando que se presta, admiravelmente, à leitura expressiva e aos exercícios de interpretação. Sob este ponto de vista, o livro, ora publicado, é um magnífico elemento para a educação da escrita, da linguagem, da produção textual em prosa. Esta é sua principal característica e o seu objetivo mais direto.
            Se, em uma frase apenas, fosse possível resumir este prefácio, eu diria que o valor deste trabalho vai além do que indica o seu título: não é apenas um "Mundo de Textos”, é, também, um “Mundo de pensamentos e temas ligados à educação, à escrita, à leitura, à linguagem, à educação cidadã, à vida, de modo geral”.

                                              
                                                           José do Carmo Carille
                                                      Escritor, poeta, compositor
                                        Vice-Presidente da Academia dos Poetas Acreanos
                                                              Imortal da AAL
PRÓLOGO  (Vol. III)  - Feito pelo Editor, Acadêmico Prof. Dr. Eduardo de Araújo Carneiro, que recomenda a adoção da Coletânea pela SEEC do Estado do Acre, considerando o primor dos textos, a exemplo do que fez a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

CACOETES LINGUÍSTICOS OU TRAPAÇAS COMUNICATIVAS



Você usa cacoetes de linguagem? - Português - Colégio Web
                                             
                                                                                   Luísa Karlberg   lessaluisa@yahoo.com.br

Sabemos, nós,  que trapaça é uma forma de enganar. E trapaça sempre será trapaça, mesmo na comunicação oral ou escrita, porquanto são meios de burlar, ferir o padrão culto do idioma. Existem muitos modismos que passam com o tempo, outros permanecem no idioma. Todavia alguns são insuportáveis e diminuem o status do falante, que não aprendeu a respeitar o idioma pátrio e que se enche de modismos e achismos na crença de ser “moderno”, quando, na verdade, parece “ridículo” em face dos padrões de bem falar  que podem levar a imagem do falante ao precipício.
É fato que quase todas as pessoas,  no mundo, usa, vez por outra, uma gíria ou um cacoete linguístico. Esse cacoete é um fenômeno da linguagem se popularizou depois da década de 60, quando comunicadores mais rebeldes resolveram contestar a língua tradicional e começaram a soltar verbetes considerados ousados.  Assim, originária de grupos, o cacoete ou a gíria é uma palavra comum que substitui termos oficiais.
Agora está muito em moda a expressão “tipo” ou “tipo assim” que nada dizem, são muletas mudas que empobrecem o universo linguístico do falante. Vejamos:
1. Tipo:  “Eu não sei (tipo), acho melhor a gente (tipo) pensar melhor no que vai fazer para depois (tipo) não sofrer com as consequências...”. Quem entendeu?!
2. Meio que:
De repente você “meio que” se identificou com nossa lista de cacoetes linguísticos? Não se desespere, conhecer os vícios de linguagem é uma ótima maneira para superá-los! O professor (meio que) pegou os alunos de surpresa com aquela prova!
3. Tipo assim:
O “tipo assim” tornou-se uma espécie de epidemia linguística e, nos casos mais graves, pode ser encontrado até mesmo nos textos escritos. Que tal um antídoto? Formalmente, o “tipo assim” não possui nenhum valor semântico! Ele ficou (tipo assim) chocado com a notícia que recebeu! Ela é (tipo assim) uma professora. "Tipo assim" significa tudo e significa nada. Pode ser eliminado de todas as frases e não faz falta. Mas quem se viciou na dupla não passa sem ela. "Ele é um homem tipo assim bruto", me confidenciou a manicure sobre o novo namorado. "O livro que você quer é tipo este?", me perguntou o rapaz na livraria.
4. Cara
“Cara”, “tipo assim”, todo mundo conhece alguém que adora se referir às outras pessoas dessa maneira, não é mesmo? E quando o “cara” não serve nem para isso? Pois é, acontece, veja um exemplo: (Cara), você perdeu, (cara) o show foi muito bom, só feras (cara)!
5. Gerundismo:
Muitos de nós somos vítimas desse cacoete linguístico. O gerundismo é um modismo que utiliza de maneira inadequada a forma nominal gerúndio. Na tentativa de reforçar uma ideia de continuidade de um verbo no futuro, acabamos complicando o que já é suficientemente complicado, e o que antes podia ser dito de maneira mais econômica e direta foi substituído por uma intrincada estrutura que prefere utilizar três verbos em vez de apenas um ou dois: Nós vamos estar identificando o problema e assim que pudermos estaremos entrando em contato para solucioná-lo. = Nós vamos identificar o problema e assim que pudermos entrarei em contato para solucioná-lo.
6. Enfim:
Muita gente letrada inicia um pensamento, não conclui e diz “enfim” como desfecho: Ou vou sair hoje, mesmo que chova, enfim; Estou cansado de ficar em casa, vou sair, enfim. Não gostos das coisas que ela me fala, enfim.
7. Tá falado:
Atua, na linguagem, como uma ordem, determinação, imposição, mas nada significa, não passa de um entulho linguístico.  Ex. Todos, em casa, tá falado; A ordem é essa, tá falado; Se sair a gente mete bala, tá falado; quem quiser morrer vai morrer, tá falado.
Agora que o falante já sabe o que são os cacoetes linguísticos, poderá evitá-los, sobretudo na linguagem escrita. Mas é importante ressaltar que diversos aspectos, como as variações linguísticas, a influência do coloquialismo e o dinamismo da comunicação, devem ser observados. A principal função da língua, que é um instrumento dos falantes e para os falantes, é auxiliar nas interações sociais, e fazer-se compreendido é o que realmente importa. Como dizem os linguistas, devemos nos adequar aos tipos de linguagem, de acordo com o contexto comunicacional e sermos poliglotas em nosso próprio idioma.
Na linguagem culta, cacoete linguístico ou gíria é considerada plebeísmo, ou seja, desvio que caracteriza falta de instrução. Como o nível de linguagem está relacionado à imagem que se deseja transmitir, é importante avaliar se o ambiente é propício para usar a informalidade exagerada que a gíria propõe para que o uso indiscriminado não acarrete em perda da credibilidade. Principalmente para quem é líder, fala em público, ou é formador de opinião, é recomendável conhecer seu público antes de se aventurar  a dizer gírias que podem não colaborar com a  imagem pessoal e profissional daquele que usa um cacoete linguístico ou uma  gíria.
Fato curioso é como um determinado uso de palavras se populariza, se espalha como um vírus, e depois desaparece, como se tivéssemos desenvolvido imunidade. Que desapareça eu entendo e comemoro. Quem vai lamentar o abandono da locução "a nível de..." e “tipo assim”, “enfim”, “ que se usou anos atrás” ou "de repente"? Que descansem em paz. Ainda espero ansiosa que enterrem também o "diferenciado", que tem sido usado para qualquer coisa que se quer elogiar vagamente, imprecisamente. É lindo, sofisticado, único? “Não, não é bem isso... É diferenciado”! Na verdade é mesmo ridículo, falta de criatividade, pobreza vocabular.
Como solucionar os cacoetes e as gírias? – Estudando as regras de bem falar, afinal são elas que mais vão dizer quem é cada um de nós. As palavras são como espelhos. A ideia é não mudar a personalidade e individualidade de ninguém. Mas enquanto o profissional está  na sua sagrada missão de trabalho precisa estar à frente de qualquer gíria. Afinal esse falante representa a empresa onde trabalha, revela sua classe social, sua formação educacional, sua inteligência e mesmo sua capacidade comunicativas com os demais utentes. Por isso tudo, não seja purista, seja correto e não agrida o idioma pátrio!

DICAS DE GRAMÁTICA
 
FAZEM DOIS ANOS QUE NÃO O VEJO.
ERRADO.
O certo é faz dois anos. Faz 100 anos.
Não importa o número de anos, décadas, séculos.
O verbo fazer quando se refere ao tempo é sempre no singular.
Faz, fez, fará.

DIA PRIMEIRO DE MAIO É O DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR.
CERTÍSSIMO.
Por tradição, nunca falamos ou escrevemos 1 de maio, 1 de dezembro etc.
O primeiro dia do mês é sempre primeiro.
Se você não quiser escrever por extenso, escreva o número 1 + ponto + a respectiva bolinha:
1.º

ENTRAR PARA DENTRO – SAIR PARA FORA
SUBIR PARA CIMA – DESCER PARA BAIXO
EVITE!
É uma redundância. Um exagero! Entrar é sempre para dentro. Sair é sempre para fora.
Subir é para cima. Descer é para baixo. Prefira simplesmente: entrar, sair, subir, descer.
A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.