
Há muita controvérsia andando por aí e muita gente falando bobagem. Há até aqueles que dizem que este Acordo veio mexer com ao adjetivo gentílico acreano ou acriano, fato não verdadeiro. A reforma não mexe com a estrutura da língua, apenas com os aspectos ortográficos ligados à acentuação, visando unificar a língua entre os países da lusofonia. O mais que avança é retirar as consoantes mudas das palavras em Portugal, tais como acto, facto etc. Não trata de aspectos da morfologia da língua.
Nesse contexto, é prudente esclarecer que a Reforma Ortográfica veio para unificar a forma da escrita no mundo lusófono. É um acordo que disciplina, tão somente, a uniformização das duas ortografias atualmente em vigor (a brasileira e a portuguesa), isto é, do modo de escrever em português. Não prevê a uniformização do idioma, pois nenhuma ortografia de nenhuma língua do mundo dá conta do fenômeno da variação, que é da própria natureza das línguas humanas.
Então, é prudente ter cuidado com aquilo que se diz ou se escreve. É cansativo ouvir balelas acerca de acreano e acriano, atribuindo a mudança a fatores da REFORMA. Estão falando algo que não sabem ou que ouviram ou compreenderam muito mal. Uma língua se forma pela tradição, pelos costumes, aspectos culturais de cada lugar. Não é um emaranhado ao deus dará, onde cada um mete a “colher”.
Recomenda-se a leitura de fabulosa obra de Mattoso Câmara, o maior lingüista e filólogo de língua portuguesa de todos os tempos. No livro História e Estrutura da Língua Portuguesa (obra que os inventores devem ler), ali se colhe sábias lições. Uma delas deixo aqui:
"Cada homem que fala, rege-se por um sistema de sons, de fonemas e de significação e ordenação de formas, que ele hauriu da sociedade em que vive e que nesta se transmite através de gerações como uma tradição de cultura, à maneira dos processos de plantar ou de fabricar vasos. Vista desse ângulo, a língua surge-nos com o caráter do que se chama em etnologia uma arte coletiva. O seu estudo pode colocar-se ao lado do das grandes instituições sociais, e a lingüística assume a aparência de uma seção da etnologia." (Mattoso Câmara, 1944, p. 29-30).
Então, esse Acordo não é uma banalidade, tem real importância, pois o que interessa não é a reforma ortográfica em si, mas o papel político que o Brasil tem a desempenhar na comunidade lusófona. Portugal, infinitamente menos importante que o Brasil, no cenário político e econômico mundial, se recusa a ver que quem lidera a lusofonia, hoje, somos nós: só na metrópole de São Paulo há mais falantes de português do que em toda a Europa. Defender o acordo de uniformização ortográfica é defender essa liderança.
Compreenda-se, enfim, que a reforma da ortografia tem o objetivo de unificar o registro escrito nos países que falam a língua portuguesa. A Reforma não mexe com a estrutura da língua. E a estrutura é como a alma de uma língua, algo intocável, que deve ser preservada para a perpetuação do idioma. A ortografia, essa sim, sofre alterações que têm um tempo de transição entre o uso da forma antiga e a nova. Assim, durante um período de 2009 até 31 de dezembro de 2012, ou seja, quatro anos, o país passará por uma transição, no qual ficam valendo tanto a ortografia atual quanto as novas regras. Os concursos e vestibulares deverão aceitar as duas formas de escrita, a atual e a nova.
Quanto a livros escolares, as mudanças serão obrigatórias a partir de 2010. Em 2009, podem circular livros tanto na atual quanto na nova ortografia. No entanto, devem os professores ensinar aos alunos a Nova Ortografia. O período de transição existe, exatamente, para esse novo aprendizado que não dificulta e sim facilita as regras de acentuação das palavras. O Acordo não muda palavras, tira acentos, hífens, inclui novas letras ao alfabeto (w, k, y).
Finaliza-se o texto dizendo que a LÍNGUA, em face do resto da cultura, é o resultado dessa cultura, ou sua súmula, é o meio para ela operar, é a condição para ela subsistir. E mais ainda: só existe funcionalmente para tanto: englobar a cultura, comunicá-la e transmiti-la. Se o discurso da Lingüística moderna se iniciou e se firmou entre nós com o discurso estruturalista de Mattoso Câmara, é de se esperar que os nossos estudiosos da linguagem tenham sempre a consciência de que os vários discursos que lhe sucederam – o do gerativismo, o da sociolingüística, o da pragmática, o da lingüística do texto – se complementam na verdade, e não se excluem direcionados que são a objetos ou interesses distintos que o amplo campo da linguagem comporta.
DICAS DE GRAMÁTICA
Como usar o hífen, professora?
A regra geral será a utilização do hífen na maior parte das vezes. O acordo prevê, basicamente, alguns casos em que o sinal poderá ser suprimido. A maior parte deles quando as palavras são compostas por prefixos (como "mini", "micro", "co" e "extra").
Não se usará mais:
· Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com s ou r, devem estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista".
· Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. O hífen some. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada", "autoajuda", "infraestrutura".
· Quando o prefixo terminando com "R" ou "S" e segundo elemento começando com a mesma letra. Mantenha o hífen. Exemplos: "super-resistência", "inter-relacionamentos".
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