quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O QUE É A VERDADE?

 

No correr de 25 séculos de conversação filosófica, o grande leitmotiv, o objeto das preocupações dos filósofos tem sido a "Verdade". E, por essa razão o tema da "Verdade" tem sido o cerne de muitas indagações, em todos os tempos, de tal modo que se poderia assentir, peremptoriamente, que a definição do que vem a ser a categoria “Verdade" é polissêmica e assume múltiplas funções semânticas, sintáticas e pragmáticas. Afinal, o que é a Verdade?

Platão inaugura seu pensamento sobre a verdade afirmando: “Verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso aquele que as diz como não são”. É a partir daí que começou a se formar a problemática em torno da verdade.

No dicionário Aurélio encontra-se a seguinte definição de verdade: “Conformidade com o real”. Talvez merecesse um comentário mais amplo, a afirmação acima de Platão, mas partindo do conceito dado pelo dicionário podem-se chegar as seguintes conclusões: Não existe uma verdade cujo sujeito possa ser o seu detentor; a Filosofia chegou a distinguir cinco conceitos fundamentais da verdade: a verdade como correspondência, como revelação, como conformidade a uma regra, como coerência e como utilidade.

A verdade como correspondência - É a verdade que garante a realidade, ou seja, o objeto falado é apresentado como ele é. Aristóteles diz que: “Negar aquilo que é, e afirmar aquilo que não é, é falso, enquanto afirmar o que é e negar o que não é, é verdade”. Essa definição de verdade é a mais antiga e divulgada.

A verdade como revelação - Trata-se de uma verdade que sob a luz empirista se revelou ao ser humano por meio das sensações, e sob a perspectiva metafísica ou teológica mostrou o verdadeiro por meio de um Ser supremo, Deus, que evidencia a essência das coisas.
A verdade como conformidade – É uma verdade que se adapta a uma regra ou um conceito. E esta noção de conformidade foi usada pela primeira vez por Platão: “... tudo o que me parece de acordo com este, considero verdadeiro,...” e retornando a história, Santo Agostinho afirma: “existe, sobre a nossa mente, uma lei que se chama verdade”. Em suma, a verdade, no sentido da conformidade, deve-se adequar a uma regra ou conceito.

A verdade como coerência - Essa ideia de coerência foi difundida pelo filósofo Bradley. Ele critica o mundo da experiência humana partindo da ideia de que “o princípio de que o que é contraditório, não pode ser real”, isso o fez aceitar que “a verdade é coerência perfeita”.

A verdade como utilidade – Formulada, primeiramente, por Nietzsche: “Verdadeiro não significa em geral senão o que é apto à conservação da humanidade. O que me deixa sem vida quando acredito nele não é a verdade para mim, é uma relação arbitrária e ilegítima do meu ser com as coisas externas”.

A preocupação que se tem é que a verdade, como utilidade, seja algo que faça bem a toda a humanidade. O que não é de práxis para a conservação do bem, pode-se dizer que é verdade?
Toda essa investigação sobre a verdade limita muito esse tema. A verdade possui inúmeros significados, dependendo da pessoa que a defina. Ela continuará sendo uma das questões mais abordadas nestes últimos tempos.

Vive-se em um mundo de grandes transformações. Muitas ideologias são postas como verdades inquebrantáveis. As pessoas são conduzidas a acreditar na mídia, na política e na manifestação religiosa. Isso acontece de uma maneira inconsciente. E toda gente possui sua verdade assim como questiona aquilo que é ou não é verdade.

Ao final da reflexão, indaga-se sobre o que libertará o ser humano dessa prisão do que seja a verdade? A resposta é mergulhar, profundamente, sobre aquilo que nos é apresentado. Fugir do senso comum e criar opiniões próprias. A verdade depende do modo como cada pessoa encara o mundo.

DICAS DE GRAMÁTICA

TEM ou TÊM ou TEEM?  VEM ou VÊM ou VEEM ou VÊEM?

- Se você costuma ter esse tipo de dúvida ou já perdeu seu tempo com esse problema, observe o esquema abaixo:

- Grupo do CRÊ-DÊ-LÊ-VÊ:
Os verbos CRER, DAR, LER e VER são os únicos que na 3ª pessoa do plural terminam em –EEM. Não esqueça que perderam o acento circunflexo, segundo o acordo ortográfico dos países de língua portuguesa:
Ele crê – eles creem;
Ele dê – eles deem (=presente do subjuntivo);
Ele lê – eles leem;
Ele vê – eles veem.
Essa regra também vale para os verbos derivados:
Ele relê – eles releem;
Ele prevê – eles preveem.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

As profissões do futuro

 

Uma das maiores dificuldades das pessoas, no mundo atual, reside no mercado de trabalho. No Brasil, há uma multidão de desempregados. Os jovens vivem angustiados na escolha de um curso superior que garanta-lhes sustentabilidade. Hoje se sabe que o mundo inteiro está em crise e muitos trabalhadores perderam os seus empregos e estão à procura de uma vaga de trabalho em um universo muito concorrido. E, olhando essa realidade, quais são as profissões que mais bem pagam no Brasil? Atualmente, as pessoas não estão mais pensando em trabalhar em algo que lhes dê prazer, desejam um trabalho que garanta boa remuneração, boa qualidade de vida para si e sua família.

Todavia, esse sonho de bom emprego e boa qualidade de vida está se tornando cada dia mais difícil, principalmente em virtude da crise mundial financeira, excesso de pessoas a procura de trabalho, falta de boa qualificação e etc. E é por essa razão que os jovens estão se preocupando não somente em fazer uma faculdade e se qualificar na área de gostam, pensam, também, no campo que lhes proporcione uma melhor renumeração. Contudo, escolher a carreira na qual seguir é muito complicado e gera uma dezena de dúvidas. A maior preocupação está relacionada às áreas mais bem pagas, entre elas estão: Juízes e Desembargadores, Diretores Gerais, Médicos, Empresários de empresas de pequeno e médio porte, Engenheiros Eletroeletrônicos, Engenheiros Civis, Engenheiros, Profissionais em Pesquisa e Análise Econômica, Engenheiros Mecânicos, Diretores de Áreas de Apoio, Técnicos e Fiscais de Tributação e Arrecadação, Agrônomos, Engenheiros Químicos, Analistas de Sistemas, Cirurgiões Dentistas, Arquitetos, Advogados, Contadores e Auditores, Administradores, Nutricionistas, Engenheiros de Alimentos e outros. Essas são as áreas profissionais mais bem pagas no mercado brasileiro.

Mas as pistas não param aí. É preciso ter mais informações. Assim, buscando informar ao leitor o que há de consensual nos estudos prospectivos quanto ao futuro das profissões e do emprego no mundo, encontrou-se na Revista @prender mais de 100 fontes de informações sobre o tema e se selecionou as principais tendências mundiais, quanto o mercado de trabalho e as profissões.

Setores de maior probabilidade de crescimento para as próximas décadas

· Informática;

· Saúde;

· Meio Ambiente;

· Turismo, lazer e entretenimento;

· Biotecnologia;

· Administração;

· Tecnologia da Informação;

· Terceiro Setor;

· Educação.

"Profissões do Futuro"

· Administradores de Comunidades Virtuais.

· Engenheiros de Rede.

· Gestor de Segurança na Internet.

· Coordenadores de Projetos.

· Consultor de Carreiras.

· Coordenadores de Atividades de Lazer e Entretenimento.

· Designer e planejador de Games.

· Gestor de Patrocínios.

· Gestor de Empresas do Terceiro Setor.

· Especialista na preservação do Meio Ambiente.

· Engenharia Genética.

· Gerentes de Terceirização.

· Gestor de Relações com o Cliente.

· Especialista em Ensino a Distância (EAD).

· Tecnólogo em Criogenia.

Profissões de Futuro (com possibilidade de crescimento)

· Turismo;

· Hotelaria;

· Sistema de Informações (Informática);

· Comunicação Social;

· Moda;

· Administração;

· Gastronomia;

· Logística;

· Marketing;

· Telecomunicações;

· Comércio Exterior e Relações Internacionais.

O encolhimento e o desaparecimento de diversos mercados de trabalho é um movimento que já vem sendo acompanhado há mais de duas décadas. Só agora, no entanto, ele se configura como irreversível. Não há governo ou sindicato que possa alterar esse quadro. Absolutamente nada poderá deter a marcha da imprevisibilidade. Profissões desaparecerão, mas novas oportunidades surgirão. O que as pessoas precisam entender é que as coisas não serão mais como eram antes. O mundo passa por grandes mudanças e transformações. É natural, pois, que as necessidades de trabalho também mudem. É preciso ficar atento quanto ao mercado de trabalho, para não se cair em decepção.

DICAS DE GRAMÁTICA

CUSTOU PARA MIM ACREDITAR NELE OU CUSTOU PARA EU ACREDITAR NELE?

- Custou para eu acreditar nele", o uso de mim não está adequado ao padrão culto da língua. O pronome eu exerce a função sintática de sujeito.

CARRASCO FEMININO?

- Não se deve dizer essa mulher é carrasca, pois carrasco não é adjetivo. Trata-se de um substantivo masculino, inspirado no nome de um algoz português do século XVII: Belchior Carrasco. O certo é dizer: essa mulher é um carrasco.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CIÚME E TRAIÇÃO CAMINHAM JUNTOS?

A literatura mundial que trata do ciúme é abundante, e as divergências de opinião acerca do assunto também o são. Embora o conceito de ciúme tenha uma dimensão pluralística, no sentido de admitir a coexistência de vários princípios na tentativa de explicá-lo, é freqüente que os autores se respaldem na definição fornecida, em 1981, pelo autor Gregory White, por contemplar um número maior de fatores e por ser menos contraditória em relação a todas as outras que lhe sucederam. É por essa razão que neste artigo busca-se esboçar um breve panorama como o ciúme e a traição são compreendidos, a fim de que se possa aproximar de uma padronização conceitual, ao menos para os nossos objetivos.

Numa perspectiva mais ampla, que remonta há aproximadamente vinte e quatro séculos atrás, Aristóteles (2001) definia o ciúme como o desejo de ter o que outra pessoa possui, isto é, originariamente ele era concebido como uma qualidade boa e se referia ao desejo de imitar uma nobre atitude característica de outra pessoa. Nesta acepção, o filósofo pensava o ciúme em termos de uma nobre inveja.

Mais tarde, encontram-se nas referências bíblicas ilustrações que denotavam como o ciúme já tinha sido concebido como algo belicoso à boa vivência do amor. Salomão, em seu livro “Cântico dos Cânticos”, acreditava que o amor era forte como a morte e o ciúme, concebido enquanto uma paixão, era cruel como um túmulo.

Treze séculos depois, o escritor clássico e moralista francês François de la Rochefoucauld reconhecia no ciúme uma tendência egocêntrica ao dizer: “há no ciúme mais amor-próprio do que amor”. Este autor ainda identificava o amor como substrato para a gênese do ciúme: O ciúme nasce sempre com o amor, mas nem sempre morre com ele. Rochefoucauld (2006) ainda associa o ciúme às grandes mazelas humanas, em suma, para ele, o maior de todos os males.

No século XIX, na Alemanha, o ciúme, era concebido por Freud como um estado emocional. Segundo Freud (1922/ 1976), “O ciúme é um daqueles estados emocionais, como o luto, que podem ser descritos como normais” (p. 271). No texto Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranóia e no homossexualismo, o autor faz uma distinção entre três tipos de ciúmes, o competitivo ou normal, o projetado e o delirante.

Assim, para Freud, o ciúme poderia estar associado, no próprio ciumento, com as suas próprias traições. Então, é o desejo e a possibilidade virtual de trair o parceiro que faz brotar em cada pessoa o próprio ciúme. E esse ciúme já é algo ruim, perverso, que não traz nenhuma felicidade ao ser humano.

Para Stendhal (França,1999), o ciúme tinha uma conotação negativa e estava atrelado à vaidade quando dizia que o que tornava a dor do ciúme tão aguda era a vaidade que não contribuía para nos ajudar a suportá-la. Enquanto a traição, que destrói e anula relacionamentos, está envolta em engano e hipocrisia.

De outro lado a ciência etologia afirma que o ciúme é um sentimento universal, e sua existência pode ser constatada nos mais diferentes povos e raças. Apesar das diferenças na sua forma de manifestação, essa universalidade sugere um componente genético. Dessa forma, alguns autores abordam o ciúme do ponto de vista evolutivo e dizem que ele é uma manifestação biológica inata, que tem a função de garantir a propagação dos genes e, conseqüentemente, a perpetuação da espécie, um provedor para a prole, no caso do gênero feminino, e, sobretudo, a garantia da paternidade para o gênero masculino.

Enquanto a traição é um ato de vilania, pode ser abstrata (ver, sentir, omitir, esquecer) ou concreta (conjugal, carnal, infidelidade no agir, atraiçoar alguém). A fidelidade não é obrigação é escolha. E desta escolha pode nascer à satisfação ou a frustração das pessoas. E, na vida, é fundamental, antes de tudo, respeitar as pessoas, sob todos os prismas e formas. O respeito é a âncora de uma vida harmônica. Por isso ciúme e traição não são antagônicos, caminham de mãos dadas, povoam a mente, o caráter, o coração, os pensamentos das pessoas, fazendo-as seres inferiores, portanto, sofredoras e infelizes.

DICAS DE GRAMÁTICA

O JOGO ACONTECERÁ NO ARENA DA FLORESTA ou O JOGO ACONTECERÁ NA ARENA DA FLORESTA?

- Arena da Floresta é um Estádio de Futebol, palavra masculina. Portanto o jogo acontecerá no Estádio Arena da Floresta. Por elipse de estádio, “o jogo acontecerá no Arena da Floresta”, por favor!

ESCREVE-SE JUNTO OU SEPARADAMENTE?

AFIM = Igual, semelhante. Ex.: Temos estilos afins.

A FIM DE = para. Ex.: Saiu a fim de divertir-se.

INDISCIPLINA E AGRESSIVIDADE NO CONTEXTO ESCOLAR

Ser professor nunca foi uma tarefa simples. Hoje, porém, novos elementos vieram tornar o trabalho docente ainda mais difícil. A disciplina parece ter se tornado particularmente problemática. E analisar as causas do fato é preocupação sobre a qual, hoje, se debruçam todos os que estão envolvidos com educação, que desejam uma escola de qualidade. É claro que são inúmeros, não apenas um, os elementos que concorrem para a atual e caótica situação educacional brasileira. Aqui enumeramos alguns itens responsáveis pela indisciplina escolar:

a) Incompetência emocional - grande parte dos problemas de violência provém de uma falta de controle das emoções;

b) Aumento do individualismo - o egocentrismo impede o aluno de ver o outro como um mediador na busca do conhecimento escolar, seja o outro professor ou o colega nas trocas indispensáveis nos trabalhos em grupo. Tentativas constantes de fazer a aula girar em torno de seus interesses e ideias;

c) Desapego da escola - as mesmas atitudes individualistas e a falta de sentido de cooperação levam a um desapego do aluno a respeito da instituição escolar como micro sociedade na qual convive em grande parte do tempo;

d) Condutas violentas - a aprendizagem da violência, em um contexto no qual esta aparece como única forma de solução dos conflitos leva a atitudes e comportamentos violentos, o que freqüentemente é potencializado pela incompetência emocional anteriormente assinalada;

e) Ausência de limites sociais – fato que gera interrupções inoportunas, confusões, conflitos em sala de aula, que perturbam o ambiente externo adequado a uma boa aprendizagem;

f) Desvalorização, desqualificação do professor – é questão grave que afeta todo o sistema educacional como um todo;

g) Tendência à intolerância - os contra-valores mencionados, de individualismo, competitividade, falta de solidariedade, etc., freqüentemente levam, também, a uma intolerância com o diferente;

h) Tensões - grande ansiedade junto com a conduta indisciplinada causando alterações no foco de atenção, atrapalhando a memória imediata e do meio prazo em testes e provas, perturbando as construções de relações lógicas apoiadas nas informações do momento e nas anteriores;

i) Atenção dispersa - dividida, voltada para as brigas, trapaças, roubos, etc., em que esteja envolvido direta ou indiretamente, ou seja, simples “torcedor” na sala de aula ou fora dela;

j) Perda de aulas - por atraso ou retirada de sala por indisciplina ou ainda suspensões disciplinares, gerando descontinuidade na construção de determinados conhecimentos;

k) Não cumprimento de tarefas escolares – essas atividades são suportes para a aprendizagem, limites, disciplina, respeito etc. Quando o aluno não faz as tarefas ele desrespeita o sistema educacional.

Assim, em todos esses casos, é fundamental à educação saber estabelecer limites e valorizar a disciplina. E, para isso, é necessária a presença de uma autoridade saudável, capaz de conduzir os alunos ao bom caminho, para que eles saibam o que podem ou não fazer dentro ou fora da escola. A educação é um processo amplo, longo, não se encerra nos muros da escola, se estende pelas ruas, praças, avenidas, casas, transportes, relações interpessoais, familiares, escolares, sociais. O estudante necessita aprender a conviver em sociedade, respeitar a escola, os professores, os pais, os amigos, enfim, respeitar as ruas por onde ele transita como uma pessoa que está construindo a sua cidadania.

A indisciplina e a agressividade constituem-se em um desafio para os docentes, representa um dos principais obstáculos ao trabalho pedagógico, demonstra a ausência de regras e limites por parte da criança. Necessitamos de uma postura compartilhada em relação à indisciplina, investindo na prevenção. A escola deve funcionar através de espaços e tempos geridos com critérios adequados à participação e ao diálogo entre os alunos e destes com os professores, onde o problema deve ser contextualizado, analisando as suas causas profundas e favorecendo a mobilização de ações alternativas.

DICAS DE GRAMÁTICA

QUAL O PLURAL DE PÉ-DIREITO

- A este termo usado para indicar a altura do pavimento ao teto, formado por um nome e um adjetivo, aplica-se a regra do exemplo anterior, ou seja, ambos os elementos vão para o plural.

Assim:

Pé-direito            -      pés-direitos.

Amor – perfeito   –    amores-perfeitos.

Surdo-mudo    -     surdos-mudos.

O PAPEL DA ESCOLA EDUCADORA

Temos falado, de forma cansativa e até exaustiva, de questões que afetam às escolas brasileiras. Particularmente se tem falado da violência escolar. E não há respostas para reparar essa chaga social, acontece essa violência e cada dia, a todo instante. Então, nesse sentido, este texto procurar trazer alguma luz para ajudar a sociedade contemporânea a vencer esse duelo entre a violência escolar, a construção da paz, a aprendizagem, a formação da cidadania.

Entre as medidas que deveriam ser adotadas em uma escola -- para enfrentar os problemas de convivência, sem renunciar por isso aos princípios de compreensividade e de escola educadora – está o fato de dar maior ênfase aos aspectos preventivos do que aos meramente punitivos. Entre as medidas preventivas menciona-se a criação de um currículo que seja negociado com os interesses dos alunos, para o qual -- e uma via adequada e ao alcance dos nossos sistemas educativos -- é trabalhar com os temas transversais, que tratam de desenvolver a declaração retórica de todos os sistemas educativos e perseguir uma educação integral das pessoas, tais como:

a) Educação para a paz: promove o valor-meta desenvolvendo o conhecimento, as atitudes e as destrezas para a solução dialogada, não-violenta dos conflitos interpessoais, tão freqüentes em coletividades, onde convivem pessoas diferentes.

b) Educação emocional: objetivando uma questão que está muito relacionada aos problemas de convivência, especialmente na adolescência, como o controle das próprias emoções, o respeito e a atenção às emoções dos outros.

c) Educação intercultural: de forma crescente, nossas salas de aula vão se tornando cada vez mais multiculturais. Por isso, às vezes surgem conflitos derivados da falta de tolerância entre grupos, bairros, valores comportamentais, disputas, exaltação de valores xenófobos aprendidos fora da escola. Uma educação intercultural promoverá um maior conhecimento e integração de culturas e valores diferentes, no sentido de obter respeito, promovendo entre os alunos a noção de enriquecimento mútuo.

d) Educação democrática: em razão de atitudes violentas ou indisciplinadas de determinados alunos – fatos que representam uma ponta de iceberg de mal-estar – bem como pela imposição autoritária de normas, por parte da instituição escolar. Diante disto, a educação democrática promoverá a participação, a partir do estabelecimento das próprias normas de convivência e seu controle, até o planejamento do currículo no contexto de uma negociação que leve em consideração as exigências da sociedade, os interesses da escola e dos alunos.

e) Educação moral: objetiva promover a reflexão e o julgamento moral em torno de determinadas situações dilemáticas que estão presentes no desenvolvimento de todos os temas. Procura melhorar o conhecimento dos valores-meta e o desenvolvimento de uma ética pessoal para se movimentar em sociedade, valorizando o respeito e a civilidade.

Assim, por meio dos temas transversais, será mobilizada uma série de estratégias-chave para a prevenção da disciplina nos centros comunitários e nas escolas: o trabalho cooperativo, a participação, ações solidárias etc., tudo isso dentro de um clima comunitário, no qual a ação da Coordenação será primordial. Isto pressuporá tomar medidas em diferentes escalas. Se seguirmos uma ordem dedutiva (desde o geral até o particular),devemos começar por entrar em consenso, em nível de comunidade educativa (conselho escolar), sobre os valores–meta relacionados com a pacificação do centro (não-violência, democracia, tolerância, controle, respeito etc.), transformando-os em finalidades educativas e selecionar os temas transversais para que melhor sejam desenvolvidos.

Também, devem ser tomadas decisões organizacionais que promovam um clima propício no centro e nas salas de aula: diálogo, tolerância, igualdade e, principalmente, participação. O Departamento de Orientação é adequado para coordenar, pelo menos, dois destes temas transversais: a educação democrática e a educação emocional. A primeira começará promovendo a compreensão e elaboração de normas de convivência, através das Coordenações, criando comissões de convivência para o controle democrático dos problemas de convivência, dispositivos de participação (por exemplo, assembléias) etc. A educação emocional, que requer uma formação psicológica mínima, deverá ser impulsionada pelo orientador, porém suas estratégias devem ser desenvolvidas por coordenadores e professores de turmas.

Há um ditado chinês que diz: ‘se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um pão. Porém, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia e, ao se encontrarem, eles trocam as ideias, cada homem vai embora com duas ideais’. Quem sabe é esse mesmo o sentido do nosso fazer: repartir idéias, para todos terem pão. (Cortella, 1998, p. 159).

DICAS DE GRAMÁTICA

QUAL O PLURAL DE DECRETO-LEI?

- Quando a palavra é formada por dois nomes com o mesmo estatuto e idêntica contribuição para o significado da palavra, ambos os elementos vão para o plural. Por isso, dizemos:

O decreto-lei -  Os decretos-leis.

O SER HUMANO É METADE DE SI MESMO, A OUTRA METADE É A SUA EXPRESSÃO

 

A linguagem é uma atividade de interação social, ou seja, é uma manifestação de competência comunicativa, definida como capacidade de manter a interação social mediante a produção e o entendimento de textos que funcionam comunicativamente. Essa linguagem possibilita ao ser humano representar a realidade física e social e, desde o momento em que é aprendida, conserva um vínculo muito estreito com o pensamento. Possibilita não só a representação e regulação do pensamento e da ação, próprios e alheios, mas também comunicar idéias, pensamentos e intenções de diversas naturezas e, desse modo, influenciar o outro e estabelecer relações interpessoais, anteriormente, inexistentes.

A língua, na concepção da sociolingüística, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, mutante, instável e está sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. É uma atividade social, um trabalho, produzido por todos os seus falantes, cada vez que eles se interagem por meio da fala ou da escrita. Existem tantas variedades lingüísticas quantos grupos sociais que compõem uma comunidade de fala. Essa variação pode acontecer de formas diferentes, até mesmo dentro de um único grupo social.

Porém, ela não é aleatória, fortuita ou caótica, pelo contrário, apresenta-se organizada e condicionada por diferentes fatores. Essa heterogeneidade ordenada tem a ver com a característica própria da língua: o fato de ela ser altamente estruturada e, sobretudo, um sistema que possibilita a expressão de um mesmo conteúdo informacional por meio de regras diversas, todas, igualmente, lógicas e com coerência funcional. É um sistema que proporciona aos falantes todos os elementos necessários para a plena interação sociocultural.

Nenhuma língua permanece estática. Ela apresenta variedades geográficas, sociais e individuais, já que o falante procura utilizar o sistema idiomático da melhor forma que convém. Com essas diferenciações não há prejuízo na unidade da língua, o que existe é a comunicação.

Na comunicação existe algo comum para o emissor e o receptor que lhes facilita a compreensão. Esse elemento é a norma lingüística que ambos os interlocutores adquirem da comunidade. A norma é instável, pois está presa à estrutura político-social e pode mudar no curso do tempo se o indivíduo mudar de um grupo social. A fala é a imagem de uma norma e varia de usuário para usuário. Dessa forma, é uma ilusão acreditar que a língua possa um dia parar, pois ela é a imagem e a voz de um povo.

A história da língua portuguesa mostra muitas variedades lingüísticas dentro do grande território brasileiro. Do norte ao sul se fazem presentes o falar amazônico, o nordestino, o baiano, o mineiro, o fluminense, o sulista entre outros que se subdividem, formando uma vasta diversidade ou aquilo que se pode chamar de ‘uma ampla colcha de retalhos’.

No dizer do gramático Mario Perini (2001), há duas línguas no Brasil: uma que se escreve (e que recebe o nome de “português”); e outra que se fala (e que é tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua materna dos brasileiros; a outra (“o português”) tem de ser aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a dominá-la adequadamente.

Na realidade não existe sistema escrito capaz de reproduzir fielmente a riqueza da língua falada. O que acontece é que existem graus de diferença nesta distância entre as duas formas da língua. As diferenças entre essas formas se acentuam dentro de um continuum tipológico (BIBER, 1988) que vai do nível mais informal ao mais formal, passando por graus intermediários. A informalidade consiste em apenas uma das possibilidades de realização, não só da língua falada, como também da língua escrita.

A civilização tem dado uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais básica, uma expressão oral, porque ‘o ser humano apenas metade de si mesmo; a outra metade é a sua expressão’.

DICAS DE GRAMÁTICA

PROFESSORA, FUI ASSISTIR AO JOGO NO ARENA DA FLORESTA ou FUI ASSISTIR AO JOGO NA ARENA DA FLORESTA?

- Ora, preste atenção: sendo Arena da Floresta um Estádio de Futebol, estádio é palavra masculina. Então, diz-se assim: O Estádio Arena da Floresta. Logo a expressão correta é: Fui assistir ao jogo no Arena da Floresta. Pronto, não erre mais!

À MEDIDA QUE ou NA MEDIDA EM QUE, PROFESSORA?

- Preste atenção ao contexto,à situação de uso, assim:

1)Na medida em que vocês concordam, nós também concordamos (a locução exprime relação de causa).
2) À medida que vocês iam chegando, nós ficávamos mais felizes (a locução exprime desenvolvimento gradual).

ONDE ENCONTRAR INFORMAÇÕES E BUSCAR CONHECIMENTOS?

Na atual sociedade a busca pela informação, pelo conhecimento tem sido um processo contínuo, seja pela percepção de que sem eles as pessoas ficariam excluídas socialmente, seja pelo temor de permanecerem na ignorância. Assim, há uma busca incessante pelo saber, marcado, visivelmente, pelo uso intensivo das tecnologias de informação e de comunicação.

O conhecimento pode ser encontrado através da leitura e esta, por sua vez, possibilita formar uma sociedade consciente de seus direitos e de seus deveres. Enseja que as pessoas tenham uma visão melhor de mundo e de si mesmos. A leitura tira as pessoas do mundo da ignorância e coloca-as frente ao mundo do conhecimento.

Mas onde e como encontrar informação e/ou conhecimento? Qual (is) sujeito (s) poderia (m) mediar as fontes de informação? O conhecimento está disponível nas mais diversas fontes de informação, sejam formais – registrado - em livros, artigos, entre outros, sejam informais onde se destaca a conversa direta, face a face, e se tem o acúmulo do conhecimento tácito ou implícito, fruto das experiências vivenciadas ao longo do tempo, da troca de informação, de conhecimento externalizados, mas não registrados na forma escrita. Por isso a conversa com pessoas cultas são muito importantes.

Os profissionais da Área de Educação em geral e também aqueles da Ciência da Informação têm uma responsabilidade para a construção de um mundo mais justo e igualitário na medida em que promoverem ações que visem incentivar a leitura, no sentido de tirar as pessoas do mundo da ignorância, escuridão de vida, ausência de conhecimentos.

Na sociedade da informação pode-se observar uma mudança positiva no ritmo e na direção do acesso à informação, à educação nas Áreas de Ciência da Informação/Educação, apesar da evidente existência da exclusão social: uma parte dos indivíduos, ainda que não considerada a ideal, começa a ter acesso às Universidades públicas. Essarealidade também se torna visível nas faculdades privadas, através de bolsas concedidas pelo governo (totais ou parciais) para aquelas pessoas que não possuem renda suficiente para pagar as altas mensalidades. A informação vai sendo percebida assim, como afirma Carvalho (2006), [...] o elemento chave para a formação das futuras elites sociais, econômicas, políticas e científicas. O mundo moderno enfatiza o princípio da produção da informação e da ordenação do conhecimento.

Fatos significativos, na sociedade, podem ser observados já no século XVIII e apontam,claramente, um novo olhar sobre as práticas de leitura/Educação nos diversos espaços:

[...] o aparecimento e difusão da leitura silenciosa, redução do controle da Igreja, aparecimento do ensino laico, reconhecimento da importância da alfabetização, invenção da imprensa, tipo móvel, mercado editorial, aumento do interesse pela ficção, aparecimento da Literatura Infanto Juvenil, no século XVIII, bem como a expansão do ensino público, além do aparecimento do novo modelo econômico (MANGUEL (1987) APUD BARRETO, 2006).

Deste modo, pensar, conhecer, saber, intuir e ousar são as mais recentes palavras que devem dominar o vocabulário dos indivíduos que compõem a sociedade. Como obter um senso crítico senão mediante a leitura dos textos que atuam sobre os esquemas cognitivos do leitor. Quando alguém lê algo, aplica determinado esquema alterando-o ou confirmando-o, mas principalmente entendendo mensagens diferentes de seus esquemas cognitivos, ou seja, as capacidades já internalizadas e o conhecimento de mundo de cada um são diferentes.

O leitor usa, simultaneamente, seu conhecimento de mundo e seu conhecimento de texto para construir uma interpretação sobre o que se lê. Contudo, não basta ler, é importante analisar, interpretar, conhecer para agregar valor à atividade ou necessidade que se tem. Na seleção de determinado livro, revista ou jornal, existe uma intenção para justificar a escolha. É fundamental a interação dos elementos textuais com os conhecimentos do eleitor. Quanto maior for a concordância entre eles, maior a probabilidade de êxito na leitura.

De outra parte, considere-se que o exercício da cidadania é feito mediante direitos e deveres e, para tanto, é preciso haver uma maior e mais justa democratização do acesso à informação, ao conhecimento. As pessoas, enquanto cidadãs, desfrutam de uma série de direitos que, certamente, variam de uma sociedade para outra.

Há os direitos fundamentais das pessoas: o direito de ser tratado como um ser humano, com tudo o que isto implica; direitos civis: liberdade de expressão, de reunião e direito à proteção jurídica; direitos políticos: direitos a voto; tem-se, igualmente, direitos sociais, considerados como o direito à uma vida digna. As pessoas são, também, membros de uma comunidade e cidadãos de um Estado-Nação. Todos têm direito ao saber, à educação. E a leitura é fonte que alimenta a alma, o espírito, tira a pessoas do mundo da ignorância.

Para concluir, por ora, diz-se que falar em Educação é preciso falar em leitura como instrumento de ação reflexiva. Logo é preciso falar da importância da leitura na Educação. Importante porque a leitura como instrumento proporciona melhoria da condição social e humana.

DICAS DE GRAMÁTICA

LIMPO OU LIMPADO, PROFESSORA?

- Atenção, a regra é muito simples, clara. Usa-se limpo com os verbos ser e estar: estava limpo, será limpo. Usa-se limpado com os verbos ter e haver: havia limpado, terei limpado.

A PESSOA É AQUILO QUE FALA

 

A grande dificuldade das pessoas, hoje, reside no escrever de forma correta. No processo da comunicação oral há muita liberdade, mais do que no processo da escrita, que deve ser cuidadoso. Muita gente boa se perde na hora de escrever, porque a escrita é diferente da fala. Não se reproduz, na escrita, a fala tal qual acontece. O texto escrito é mais bem elaborado, melhor trabalhado, bem cuidado. É uma linguagem refletida, pensada, que deverá reproduzir os cânones gramaticais.

Diz o gramático Evanildo Bechara (1991, p. 15) “todas as variedades lingüísticas são eficazes na comunicação verbal e possuem valor nas comunidades em que são faladas”. Por isso, talvez, os sociolinguistas digam não existir um jeito certo ou errado de falar, nem um dialeto superior a outro. Todavia, quando se fala da língua padrão, fala-se da norma culta, eleita entre as várias formas como aquela de bem falar a língua pátria. É esse padrão culto da língua portuguesa que é ensinado nas escolas, cobrado nos concursos públicos, no ENEM, no Vestibular etc. É essa forma linguística que permite à ascensão social das pessoas. Quem fala bem, por certo escreve bem e, com isso, consegue melhor posição na vida do trabalho e na vida social.

E como a língua é considerada reflexo da cultura e determinante de formas de pensamento, o código lingüístico não apenas reflete a estrutura de relações sociais, mas também a regula. O ser humano aprende a ver o mundo pelos discursos que assimila e, na maior parte das vezes, reproduz esses discursos em sua fala. Se a consciência é constituída a partir dos discursos assimilados por cada membro de um grupo social e se a pessoa humana é limitada por relações sociais, não há uma individualidade de espírito nem uma individualidade discursiva absoluta.

A organização que os interlocutores associam a um determinado discurso é um reflexo da forma pela qual o conteúdo é visto como coeso pelo ouvinte, ficando, assim, armazenado em sua mente. Outros fatores que contribuem para a representação mental que os ouvintes têm do discurso são os conhecimentos prévios de como as coisas acontecem no mundo real, juntamente, com as suas expectativas sobre o que o falante pretende dizer. As representações mentais não ficam limitadas apenas à compreensão do discurso, mas são instrumentos mais gerais e fundamentais à cognição humana.

Discurso, aqui, é o modo de “criar representações comparáveis àquelas que derivamos da nossa percepção direta do mundo”(JOHNSON- LAIRD, 1983, p. 397). O enunciador é o suporte dessas relações, vale dizer, de discursos que constituem a matéria prima com que se elabora a fala. O dizer de cada pessoa é a reprodução inconsciente do dizer de seu grupo social. Não é livre para dizer, mas coagido, dessa forma, a dizer o que seu grupo diz. “O discurso é, pois, o lugar das coerções sociais” (FIORIN, 1988, p. 42). O indivíduo não pensa e não fala o que quer, mas o que a realidade impõe que ele fale. Assim a posição do falante no mercado lingüístico só modifica quando o seu discurso lhe conferir autoridade, poder e dominação.

A pessoa não é livre para dizer o que quer, mas é levada, sem que tenha consciência disso, a ocupar seu lugar em determinada formação social e enunciar o que lhe é possível a partir do lugar que ocupa. A sua fala revela mais do que o pensamento, traduz, também, o seu nível cultural, a sua posição social, a sua capacidade de adaptação a certas situações, sua timidez, enfim, a sua forma de ser e ver o mundo. Dessa forma, falar mesmo, dizer o mundo, de nossas vidas, dos desejos e prazeres, dizer coisas para transformar, dizer do nosso sofrimento e lutas para fazer, mudar e vencer, é tarefa, ou melhor, é pré-requisito para uma sociedade mais justa e igualitária.

DICAS DE GRAMÁTICA

SENÃO ou SE NÃO?

SENÃO - empregamos em quatro situações:

= do contrário
Ex.: Resolva agora, senão estamos perdidos.
= porém, mas sim
Ex.: Não era caso de expulsão, senão de repreensão.
= somente, apenas
Ex.: Não se viam senão os pássaros.
= defeito, falha
Ex.: Não houve um senão em sua apresentação.
SE NÃO - se + não (dá idéia de condição, hipótese)
Ex.: Se não chover, haverá jogo. (= caso não chova)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A VIDA É UM PRESENTE...

 

A VIDA É UM PRESENTE…

                      Luísa Galvão Lessa

A vida nos dá pessoas e coisas,
Para aprendermos a sorrir...
Depois, retoma coisas e pessoas
Para ver se somos capazes de seguir
Com a caminhada madura...
Mas muitas vezes bate a melancolia
Não se chora, não se sorrir, apenas vem a meditação, a reflexão
A vida não é brincadeira, mas uma arte em retidão,
Por vezes um remanso, um rio, uma maresia
Um vulcão, uma ventania...

A vida nos dá vida, calor, sol, noite, dia,
Depois vem o frio, a chuva, a ventania...
A vida nos dá presentes belos, fascinantes
Por vezes momentos inebriantes...
Mas n'outros dias nem sorrir
É áspera, inquieta, uma acrobacia
Salta, revolta, peregrina em noites frias...

Então a gente se pergunta: o quê é a vida?
- A vida é um presente,
Uma dádiva sublime de cada ente...
A vida é como peça de teatro, não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente,
Pois um dia a cortina se fecha e a peça termina
Sem adeus, despedidas, com um suspiro somente...
Por isso ame, chore, sorria, grite, cante,
Faça dos dias um encanto
Porque viver é amar...

Amar é sorrir por nada e ficar triste sem motivos
É sentir-se só no meio da multidão,
É o ciúme sem sentido,
É desejo de um carinho,
É abraçar com certeza e beijar com vontade,
É passear com a felicidade,
É ser feliz de verdade!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

UM DIA NA VIDA …

UM DIA NA VIDA ...

A vida é uma eterna descoberta
A vida é um mistério incerto
A vida é uma porta aberta
A vida é um tesouro certo
A vida não ilude, beijar um para esquecer outro é bobagem.
A pessoa não esquece e nem ganha vantagem...
A vida mostra os homens com o instinto caçador
A vida oferece à caça grande dor ...
A vida segue numa estrada, numa viagem
Um dia se descobre que amar é inevitável...
Um dia se percebe que provas de amor são coisas simples...
Um dia se nota que o comum não atrai...
Um dia se sabe que ser “boazinha” não é bom...
Um dia se descobre que alguém que nem te liga pensa na gente...
Um dia se sabe a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia se percebe que a gente é importante para alguém que não se deu o devido valor...
Um dia a gente sente que aquele alguém faz falta, mas aí o tempo passou ...
Enfim...
Um dia se descobre que se viveu mais de meio século e não se realizaram os sonhos,
Não se beijou a boca amada, não se disse as palavras desejadas...
A alma está solta, no coração a aragem de longa viagem
Enfim...
A vida ensina que há muito para viver
Que ninguém deseja sofrer
Apenas se quer merecer
O amor...
Uma flor...
Um beijo...
Uma mão ardente para apertar
Um lar para ninar
Um rosto acariciar
É a vida...
A vida...
Como diz o sábio e inesquecível Quintana
"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

sábado, 10 de setembro de 2011

ESSA TAL SAUDADE

ESSA TAL SAUDADE

Palavra que traduz a falta de algo ou alguém
Um ente querido, um amigo ou o ser amado
Saudade é solidão acompanhada do além,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o ser amado já é de alguém...

Saudade é gostar do passado que passou,
Mas a saudade restou e ficou
A machucar, sangrar, recordar no coração,
É ver a vida sem olhar a razão
Sentir o peito apertar de dor...

Saudade é sentir aquilo que se perdeu,
Que não existe mais
Um amor que partiu, um carinho demais
Um coração solitário, que adormeceu,
Enfraqueceu e não volta jamais...

Saudade é o inferno em vida,
É a dor daquilo que se perdeu
A lembrança do que não se esqueceu,
É o sonho, a memória perdida,
O embalo da vida entorpecida...

Uma só pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou,
Por que assim nada marcou
A infinita vontade de compartir, 
Sentir a vida em dois, dividir...

Essa saudade é o maior dos sofrimentos
E não senti-la é viver sem lembranças
Sem a memória do tempo, dos momentos
Dos sonhos, dos alimentos,
Passar pela vida sem envolvimentos...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A DESPEDIDA …

 

A DESPEDIDA...

O amor quando chega  acredita em eternidade,
Mas um dia se despede,  vai por outra estrada
Não olha para trás, nem se despede
Leva no coração  a mocidade
Parte, não fica, nada o impede.

O outro coração padece, mesmo em preces,
É o adeus...
Que deixa o peito angustiante,
No corpo a dor dilacerante
O grito dos  ais, dos lamentos agonizantes,
Dos instantes lacerantes.

De toda forma o Amor parte,
A despedida maltrata,fere, rasga o coração
A alma se rompe numa fração,
Corrompe-se, dilacera-se numa  sofreguidão
É  lâmina , navalha  que sangra a afeição.

A alma sofre, chora, padece,
O coração  se entristece,
Numa saudade que enternece,
Mas nada consola e o amor vai embora
O ser que fica compadece.

A despedida é triste,
É lástima, lágrima, drama
Pranto, sofreguidão,
É o adeus ...
O desenlace de sentimentos,
A despedida de momentos,
De um tempo que não volta atrás
E um amor que não se esquece jamais.

O adeus é o desenlace
De sentimentos,
De presenças, lembranças, momentos.
O adeus é distância que se apresenta,
É a partida desesperada,
É o esquecimento...
Ou a lembrança do enlace
Que se foi em disparada.

A despedida,
Por mais lânguida, por mais que se evite,
É sempre triste.
São seres que se separam,
Que se partem,
Um amor que diz adeus,
São corações que pulsam, não param,
São vivências que se dissipam,
São vidas que se separam.

A despedida
É a tão evitada renúncia,
A tudo o que se pensava ter,
A tudo que se pensava viver,
Uma palavra balbuciada... ADEUS.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Essa tal Felicidade

Fonte: Imagem colhida na Internet

Essa tal felicidade

 

O que é felicidade?
Sorrir?
Olhar, observar, sentir e compreender um sorriso?
Olhar o rio, a floresta, o mar?
Sentir o perfume das rosas?
Sentir a brisa nos acariciar?

O que é felicidade?
Sentir-nos queridos, amados?
Receber e dar Amor?

Acariciar uma flor?

O que é felicidade?
Sorrir das pequenas coisas?
Andar sem preocupação e com determinação?
Brincar igual uma criança?

O que é felicidade?
Ter muitos amigos?
Sorrir com eles e por eles?

Viver cada dia contente?

O que é felicidade?
Vencer dificuldades?
Esquecer de coisas tristes?
Ter a certeza de um novo amanhã?

O que é felicidade?
Buscar a essência da vida?
Buscá-la e procurar senti-la em plenitude?

Ser na vida uma realidade?

O que é felicidade?
Não questionar respostas?
Tê-las no coração?

Vivenciá-las na emoção?

O que é felicidade?
Um momento?
A vida?
Instantes?
Histórias?
Amores?

Romances?

O que é a felicidade?

É ter dinheiro?

Muitos bens?

É sorver a vida material?

É viver o espiritual?

Felicidade é...
Tudo e muito mais...
Instantes...
Momentos de nossas vidas...
É sorrir...
É chorar...
É viver...

Felicidade é...
Sentir o presente que a vida oferece em cada despertar
É sorrir daquilo que não agrada
É saborear as coisas que nos fazem sonhar
É esperar um amanhã
É o amor sincero, leal, amigo, pleno, puro
É lembrar o riso de uma criança
Do ser inocente que todos fomos um dia

E que muitas vezes esquecemos no tempo adulto...

Felicidade é...
Estar ao lado de quem nos importa
Ao lado de quem a gente gosta

Sentir a vida e o outro por inteiro

Felicidade é...
Olhar o sol nascer por trás das matas, da montanha, do mar
É brincar com o movimento da brisa
Olhar o casal que caminha de mãos dadas
Fazer um castelo na areia, olhar o lado bom da vida
Sentir as conquistas aos nossos pés
Saborear o prêmio das vitórias

Felicidade é...
Cantar e contar com os amigos
Sentir o vento, a chuva, o luar
Olhara para as estrelas
Sentir o céu lindo, no seu azul profundo tocar nossa face como um beijo

Felicidade é...
Não importa
É tudo aquilo que é pertinente, que não é impertinente

São momentos da vida abençoados
Os instantes que sorrimos e abraçamos o bem querer
São momentos únicos, eternos, plenos
É a vida que brota do coração
Um sentimento inefável
Embriagante
Transformador
Gratificante

Por isso é bom buscá-la em cada dia, vivê-la em cada instante

Porque essa felicidade é bem precioso
Que não se vende, não se compra, não se aluga
Daí sentimos o prazer de tê-la conosco
E, acima de tudo, apesar dos percalços da vida
Conhecemos, valorizamos e desejamos, sempre

A bem ditosa felicidade.

sábado, 30 de julho de 2011

ESSA TÃO SONHADA FELICIDADE...

Fonte: Imagem colhida na Internet em 30/07/2011, às 22h45min

Um dos temas mais importantes de toda a história da humanidade é a Felicidade. Ninguém ousou dizer ser o dono da verdade sobre uma definição precisa, pois mesmo os grandes gênios da Filosofia sabiam da dificuldade em definir essa tão procurada felicidade. Por isso é bom caminhar na trilha de alguns sábios para que se possa revelar seus pensamentos e certezas acerca de tal definição.

Desde os primórdios da Filosofia, a natureza foi o referencial para as explicações da humanidade. E, de certa forma, a única verdade para aqueles que viveram esse tempo é a esperança de encontrar nos preceitos filosóficos um caminho para se buscar a felicidade. E, embora esses sábios não dominassem os mistérios da natureza, buscavam, nos fenômenos naturais, uma resposta para suas inquietações interiores.

A Filosofia, enquanto ciência, é a técnica da vida. E técnica é fazer algo que a pessoa já fazia com menos esforço e mais qualidade. A Filosofia existe para que as pessoas possam viver melhor, sofrer menos e lidar mais serenamente com as adversidades. A missão essencial da Filosofia é tornar viável a busca da felicidade.

Dessa forma, todos os grandes pensadores sublinharam esse ponto. A Filosofia que não é útil na vida prática pode ser jogada no lixo. Alguém definiu os filósofos como os amigos eternos da humanidade. Nas noites frias e escuras que enfrentamos, no correr dos longos dias, eles podem iluminar e aquecer. A Filosofia apóia e consola. "O ofício da filosofia é serenar as tempestades da alma", escreveu o sábio francês Montaigne (1533-1592). Numa outra definição magistral, Montaigne definiu a Filosofia como a "ciência de viver bem".

Segundo leituras empreendidas, para Sócrates o "conhece-te a ti mesmo" é a chave para a conquista da felicidade. Para Platão a noção de felicidade é relativa à situação do ser humano no mundo, e aos deveres que aqui lhe cabem. Para Aristóteles a felicidade é mais acessível ao sábio que mais facilmente basta a si mesmo, mas é aquilo que, na realidade, devem tender todos os seres humanos das cidades, vilas, povoados.

Avista-se, então, independente do pensamento socrático, platônico ou aristotélico, a felicidade, embora possível e fonte de busca incansável, não pode ser encarada como realização final da existência, ou seja, a última azeitona da empada, pois, se for assim, não encontrá-la significa ficar com fome. E fome é algo muito ruim.

Para Aristóteles, a felicidade é relatada como sendo um bem supremo tanto para os vulgos quanto para os homens de cultura superior, considerando-a como o bem viver e o bem agir. Outros identificam a felicidade com o bem e com o prazer e, por isso, amam a vida agradável.

Para a modernidade, felicidade seria um estado afetivo ou emocional de sentir-se bem ou sentir prazer. Para Aristóteles, ter felicidade ou ser feliz é usar a razão como propriedade e fazer de tal modo que isso se torne uma virtude. Segundo o filósofo, a felicidade é o bem mais nobre e mais desejável entre os homens, chegando a identificá-la como "uma atividade da alma em consonância com a virtude."

De outro lado, para alguns, a felicidade é pautada na existência de outra pessoa em sua vida. Aí, então, a felicidade fica muito complexa e difícil para alcançar. Colocar os sonhos/realizações/desejos nos ombros de outro ser, não só castiga quem recebe essa incumbência, como escraviza quem faz isso. A busca pela felicidade, embora possa ser feita em conjunto, trás uma realização pessoal. Se é para ser feliz, é preciso ser por conta própria. Do contrário, não se é feliz nunca.

Então, compreender realmente o que seja felicidade para um indivíduo é, de certa forma, ver nas atitudes humanas, ora na sua cultura, ora em seus pensamentos, a sua necessidade, ou seja, aquilo que realmente se precisa para ser feliz. Muitas são as respostas de como se chegar à felicidade. Albert Einstein, por exemplo, disse certa vez: "se quer viver uma vida feliz, amarre-se a uma meta, não às pessoas nem as coisas", pois sabia que as paixões destroem a liberdade do ser e o apego as coisas desvirtualiza uma pessoa.

Também, já foi dito que a felicidade é algo bastante relativo, pois depende, incondicionalmente, da visão de necessidade de cada indivíduo, ou seja, a felicidade, para um capitalista, é acumular riquezas; já para um socialista-comunista, reparti-la; para um estudante, a felicidade seria construir conhecimento; para um analfabeto, saber ler e escrever; para um colecionador, completar a sua coleção; já para um amador iniciante, ter a primeira peça e assim por diante. Nessa linha de raciocínio, infere-se que o ser humano entendia e entende a Felicidade como a satisfação do "Eu-querer".

À luz dos dicionários a Felicidade “é qualidade ou estado de feliz; ventura, contentamento. Feliz é o ser ditoso, afortunado, venturoso. Contente, alegre, satisfeito. “Que denota ou em que há alegria, satisfação, contentamento”.

Existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade - pela Filosofia, pelas religiões ou pela Psicologia. E a resposta mais concreta a essa pergunta “ O quê é a felicidade?”, pode ser assim dada: A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes. Abrange uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior.

Contudo, toda essa definição do que seja felicidade não está completa. Isso porque a felicidade plena e absoluta não existe. Também não existe receita, manual que possa dar garantia plena de se viver 100% feliz. A busca é por mais momentos e sensação de felicidade. Descobrindo suas necessidades, suas metas, como e quando alcançá-las, saber reconhecer limite, respeitando e se fazendo respeitar, sabendo diferenciar você do outro, é um começo. E nessa busca, cabe a cada pessoa criar a sua receita e escrever o seu manual do que é a SUA sensação de felicidade.

DICAS DE GRAMÁTICA

O JOGO ACONTECERÁ NO ARENA DA FLORESTA ou O JOGO ACONTECERÁ NA ARENA DA FLORESTA, PROFESSORA?

- Arena da Floresta é o nome de um estádio de futebol. Estádio, sendo palavra masculina, diz-se, então: O jogo acontecerá no Arena da Floresta, ou seja no Estádio Arena da Floresta.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

QUANDO UM AMOR VAI EMBORA

Fonte: Imagem colhida na Internet em 27/07/2011, às 21h43min

Quando o amor decide partir

Geralmente ele não consegue fingir

Ele segue sem olhar para o lado

Não deixa nenhum recado

E sai pelo mundo angustiado.

Quando ele descobre que chegou o momento

Não se apega a nenhum lamento

Esquece as memórias e histórias.

Não há nada que consiga prendê-lo

Nenhuma lembrança é capaz de detê-lo

Nada que o faça resistir e ficar.

Quando acontece de o amor acabar

Ele não avisa se um dia vai voltar

Tão pouco confidencia se vai renascer

Quando ele termina faz a gente sofrer.

Quando o amor escorrega por entre os dedos

Como mistério e com muitos medos

Ele não escuta os soluços, os apelos

Isso é sinal que ele se atropelou

Se rompeu, se partiu, se quebrou.

Então, quando o amor vai embora

Deixa uma ferida sangrando no peito

E uma esperança de ser um dia refeito.

Mas quando o amor foge para lugares distantes

Ele se perde em momentos intrigantes

Entre palavras e frases decepcionantes

Dando sinal que ele ficou fraco

Frágil, rasgado em farrapo.

Amor verdadeiro possui qualidade

Equilíbrio e quantidade

Tem muita sinceridade

É passivo nos estragos, mas com consertos

Pode esmorecer, mas sabe sobreviver.

Quando o amor vai embora

Ele parte com o peso dos ombros

É capaz de mover e remover os escombros

Sabe que chegou sua hora.

Quando o amor vai embora

Alguma cicatriz ele deixou

Algum arrependimento ficou

Sinal de tormenta restou

Assim como a dor

E soluços de lamento.

Mas aí vem o tempo

Grande amigo e companheiro

E faz parecer que nada foi verdadeiro

Cada segundo, cada hora e dia

O tempo segue e passa

Cada ano que se vai

Carrega consigo as lembranças

Leva na mala a tristeza, a desconfiança

Faz nascer nova esperança

Quando tropeça em outro amor

Esquece que viveu intensa dor.

Quando um amor vai embora

Significa que chegou a hora

De esquecer e apagar o passado

Olhar para o lado da vida que vai recomeçar

E um novo amor encontrar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

EDUCAÇÃO NO BRASIL: TRAGÉDIA OU DESAFIO?

Fonte: Imagem colhida na Internet em 20/07/2011, às 22h09min

A educação para o bem-estar de uma nação é a chave de ouro. No Brasil, embora a educação tenha mudado nas últimas décadas, ainda está longe de ser satisfatória. Há planos, projetos e discursos, mas pouca praticidade. É um país que ilude alunos, professores, enfim, engana o povo brasileiro quando não respeita educadores, paga-lhes um salário de fome e oferta aos estudantes um ensino de má qualidade. Com isso, o país fica estagnado, com elevado índice de violência e desemprego.

O Brasil se atrasou, historicamente, em relação a outros países que haviam feito seu dever de casa há muito tempo - como os EUA - ou se dedicaram intensamente à educação nas últimas décadas - com destaque para alguns países asiáticos. Estudos apontam que no começo da década o número médio de escolaridade da população economicamente ativa dos países de língua inglesa, por exemplo, com destaque para os EUA, era o dobro em relação ao Brasil.

Há, no mundo, outros exemplos de países que venceram o atraso, a derrocada, com a implantação segura de eficiente política educacional. Um exemplo é a China, antes considerada uma das nações mais atrasadas do mundo, com imensa população e o ensino de baixa qualidade, o país sofria um caos. Hoje, entre os 65 participantes do Pisa (exame internacional de avaliação de alunos de 15 anos de idade), a China alcançou o primeiro lugar com 556 pontos, nos testes de conhecimentos em leitura, matemática e ciências. Isso não é milagre, mas um esforço consciente de um país que deseja avançar no mundo, em termos de desenvolvimento e qualidade de vida.

O Brasil, nessa mesma pesquisa, aparece em 53º lugar entre os 65 participantes, atrás de países como Chile, Colômbia e Trinidad e Tobago. Isso representa, no cenário nacional, para os governantes, uma tragédia ou um desafio? Sabe-se que crescendo devagar, sem política sólida no campo educacional, será difícil chegar perto das nações mais desenvolvidas. É urgente priorizar a educação.

Então, o Brasil precisa avançar. E o avanço depende, também, do aumento dos   recursos para a área e da boa gestão das verbas. Até 2014, uma meta possível é a ampliação do investimento para 7% do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil investe na educação básica cerca de US$ 1.500 por aluno/ano. Países vizinhos como Chile e México, investem US$ 2 mil; já a Comunidade Europeia, US$ 6 mil. A gestão da educação, que vai do secretário de Estado aos profissionais das instituições de ensino, precisa ser aprimorada.

Recentemente, pesquisa realizada pela Consultoria Mc Kinsey & Company, que assessora empresas e governos, concluiu que todos os países, ricos ou pobres, localizados em qualquer canto do mundo, podem conquistar uma educação de excelência. Para tanto, eficientes políticas devem ser adotadas, em prol do crescimento e desenvolvimento nacional.

A história do Brasil tem sido demarcada pela injustiça social e pela concentração de renda, fatores que distanciam a maioria da população do acesso à educação básica e superior e, portanto, levam à desvantagem na busca do emprego e de condições melhores de vida, elementos básicos para o exercício da cidadania. Agora, é preciso dizer se o país deseja continuar patinando com o baixíssimo nível educacional ou se decide a ingressar de vez na economia do conhecimento que se desenha há séculos e da qual optou ficar fora.

Para se tornar uma sociedade avançada é fundamental garantir recursos orçamentários e financeiros crescentes para a educação, bem como manter e ampliar as políticas de universalização da educação básica, com programas como o Piso Salarial Nacional digno para os profissionais da esfera pública que nela trabalham. Inconcebível um país pagar mal a seus professores.

De igual modo é preciso incentivar e consolidar o ensino profissional, aumentando significativamente a oferta de técnicos e tecnólogos, assim como manter e ampliar as políticas de incentivo às universidades públicas, centros de pesquisa e de produção de conhecimento. Para isso, é imperativo expandir as redes dessas instituições, garantindo-se a democratização do acesso, a melhoria das condições de permanência dos estudantes e a assistência estudantil.
Nesse contexto, é essencial valorizar os professores e técnico-administrativos que trabalham na educação, devidamente qualificados e, no caso de instituições públicas, contratados por concurso público.

No Brasil, as soluções caseiras ou de pouca densidade não irão modificar o melancólico quadro educacional. Convém à nação brasileira se espelhar nas soluções encontradas pelos países que se encontram à frente. Seguramente os exemplos darão novo direcionamento à educação, com políticas capazes de elevar o nível educacional da população. Crescer é preciso. Educar, uma prioridade.

Assim, espera-se que o novo Plano Nacional de Educação 2011-2020, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), em dezembro passado, agora em avaliação no Congresso, possa ser mais efetivo do que o anterior, que teve apenas um terço de suas metas cumpridas, promovendo, assim, uma aceleração no enfrentamento dos atuais desafios.

Por fim, entende-se ser imprescindível que os recursos para a educação não sejam submetidos a restrições, cortes ou contingenciamentos, ao sabor da conjuntura e de eventuais desequilíbrios tributários decorrentes da apropriação crescente da renda nacional por interesses particulares. É, portanto, dever do Governo e do Congresso Nacional garantir os recursos necessários à educação. Conclama-se, por meio desse artigo, toda a sociedade a se engajar nesta luta importante para o país. EDUCAÇÃO É PRIORIDADE Nº 1.

DICAS DE GRAMÁTICA

ESCREVE-SE JUNTO OU SEPARADAMENTE?

A BAIXO = Em oposição a alto. Ex.: Olhei-a de alto a baixo.

ABAIXO = Nos demais casos. Ex.: Procure abaixo. A casa veio abaixo.

A CIMA = Em oposição a baixo. Ex.: Olhei-a de baixo a cima.

ACIMA = Nos demais casos. Ex.: Não há nada acima dele.

AFIM = Igual, semelhante. Ex.: Temos estilos afins.

A FIM DE = para. Ex.: Saiu a fim de divertir-se.

À-TOA * = insignificante; vil; fácil. Ex.: Um homem à-toa, com uma vida à-toa.

(a toa).

À TOA = ao acaso; em vão. Ex.: Brigo à toa. Espera à toa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CAMINHANTE DA VIDA

Caminhei pelo mundo,
Andei, naveguei, mergulhei,
Mais tarde aqui despertei
Não sei, não lembro aonde cheguei…
Só sei que caminhei à procura
De alguém, um lugar seguro,
Um coração valente, maduro…
Perambulei pelas incertezas da vida,
Vivi um dia a cada instante,
Um instante a cada dia...
No viver do passado que sorria,
Muitas noites perdi,
Em meio aos amores sofri,
Por paixões, encantos e ternuras…
Vi o rosto amado pelas ruas
Que ainda não esqueci...
Por muitos lugares naveguei,
Vivi outras paixões e pereci…
Mas nada adiantou
Deleitar em outros braços
As noites foram pueris,
Sonhei por onde passei...
Em lugar algum te achei,
Sempre tudo foi comum
Os dias quietos, sombrios,
As noites desertas, frias,
Não te encontrei em lugar algum...
Vou dormir sem a poesia dos cantos,
Encantos viris,
Sonhar no porvir,
Dias de outono que hão de vir,
O tempo que vivo sem ti...

sábado, 2 de julho de 2011

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE EDUCAR

 

F

Fonte: Imagem colhida na Internet em 02/07/2011 – Autoria desconhecida

Verdade incontestável é a sociedade moderna viver uma crise, sem precedentes, de valores éticos e morais. E o fato de uma professora fazer essa constatação, não surpreende, considerando ser na escola, maior parte das vezes, que essa crise torna-se muito evidente. Há um distanciamento entre escola, famílias, sociedade, quando são setores que devem caminhar de mãos entrelaçadas.

Nunca a escola discutiu tanto, quanto hoje, temas como violência, falta de limites, desrespeito, desmotivação, ausência de apoio familiar, desinteresse dos alunos, violência escolar. Também nunca se viu tantos professores cansados, estressados, desmotivados, doentes física e mentalmente como agora. Nunca os sentimentos de impotência e frustração estiveram tão marcantemente presentes na vida escolar como estão nos dias atuais.

O sistema educacional brasileiro, massificado, nas últimas décadas, não dispõe de capacidade de reação para atender às demandas dos alunos. Uma pequena reivindicação leva meses, anos, onde esforços e energias são despendidos para nada. O sistema gestor do país não tem respostas rápidas aos gritos das redes de ensino. Tudo leva grande tempo para acontecer. Não há urgência!

Nas escolas, os professores, em grau de desespero, procuram encontrar formas para superar dificuldades, controlar conflitos e ministrar conteúdos. Desse jeito, se o Governo insiste em burocratizar a política educacional os professores não conseguirão ensinar e, menos ainda, educar os jovens. Isso porque a escola vem assumindo, também, o papel da família cada vez mais ausente. E os conflitos são de toda ordem, desde a violência, a fome, a insegurança, a miséria, a desestrutura familiar, problemas de habitação, saúde, lazer, ausência de valores éticos, morais, religiosos.

Nesse cenário, grande questão se impõe: Até quando a escola vai continuar assumindo, isoladamente, a responsabilidade de educar? A resposta está repleta de reflexões sobre o papel da escola, dos professores, do Governo, da sociedade, das famílias e o mundo complexo dos alunos.

Na atual sociedade observam-se mudanças significativas na forma como as famílias se encontram estruturadas. Aquela família tradicional já não existe. Atualmente, existem famílias dentro de outras famílias. Com as separações e os novos casamentos, aquele núcleo familiar tradicional cedeu lugar às diferentes famílias vivendo sob o mesmo teto. Esses contextos familiares geram uma sensação de insegurança e até mesmo de abandono, pois a idéia de pai e mãe cuidadores, cede lugar para diferentes pais e mães “gerenciadores” de filhos que nem sempre são seus.

Depois, a sociedade exige que pais e mães assumam posições cada vez mais competitivas no mercado de trabalho, enquanto antigamente as funções exercidas, dentro da família, eram bem definidas. Pai e mãe, além de assumirem diferentes papéis, conforme as circunstâncias, passam os dias fora de casa para suas atividades profissionais. Sabem-se de crianças e adolescentes que ficam aos cuidados de parentes, ou pessoas estranhas. Maior parte das vezes, as crianças ficam sozinhas, entretidas na rua, em casa diante da TV ou plugadas na Internet. Esses jovens escolhem o jeito próprio de viver. Não há quem os oriente, afinal eles ficam abandonados e muitos só vêm os pais à noite. Natural surgir os conflitos.

Esses conflitos acabam agravando-se quando a escola tenta intervir. E, muitos pais, por trabalharem fora, ou não serem “verdadeiros pais”, delegam responsabilidades à escola. Contudo não aceitam quando essa mesma escola exerce o papel que deveria ser deles. Ou seja, os pais que não têm condições emocionais farão de tudo para encontrar argumentos e pinçar fatos, a fim de imputar aos professores, à escola, o fracasso do filho. Fica uma situação descontrolada. Nem a escola controla a criança e nem os pais.

É importante compreender que, apesar de todas as situações aqui expostas, o objetivo não é condenar ou julgar. Verifica-se, apenas, que ao longo dos anos, gradativamente, a família, por força das circunstâncias de vida, tem transferido para a escola a tarefa de formar e educar seus filhos. Entretanto, essa situação não mais se sustenta. É preciso trazer, o mais rápido possível, a família para dentro da escola. É preciso que ela passe a colaborar de forma mais efetiva com o processo de educar. É preciso, portanto, compartilhar responsabilidades e não transferi-las.

Nesse contexto, a família deve ser o espaço indispensável para garantir a sobrevivência e a proteção integral dos filhos, independentemente do arranjo familiar que tenha sido feito: pai, padrasto, mãe, madrasta, pai separado, mãe separada. Enfim, os filhos devem ser amparados, protegidos e educados para a cidadania.

Para finalizar, apontam-se algumas estratégias que se não trazem soluções definitivas, podem apontar caminhos para futuras reflexões. Antes de tudo é preciso compreender que quando houver parceria entre escola, família, governos, alunos, professores, muitos dos conflitos serão, gradativamente, superados. No entanto, para que isso possa ocorrer é necessário que a família participe da vida escolar de seus filhos. Pais e mães devem comparecer à escola não apenas para entrega de avaliações ou quando a situação já estiver fora de controle. O comparecimento e o envolvimento devem ser permanentes e, acima de tudo, construtivos, para que a criança e o jovem possam se sentir amparados, acolhidos, protegidos, amados.

DICAS DE GRAMÁTICA

CHEGOU EM RIO BRANCO ou CHEGOU A RIO BRANCO?

- Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a Rio Branco. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O QUÊ É VENCER NA VIDA?

Uma pessoa que chega à casa dos 60 anos, que viajou pelo mundo, veio de família numerosa e pobre, superou e venceu desafios, conhece um pouco mais da vida que outras que não trilharam o mesmo caminho. Há gente de todo tipo: pessoas audaciosas, batalhadores, lutadoras; pessoas medrosas, covardes, inseguras; pessoas acomodadas, aproveitadoras; pessoas sonhadoras, que correm e lutam pelos sonhos; pessoas falsas, fingidoras consigo e com os outros; pessoas leais, determinadas, vencedoras. Enfim, há uma multiplicidade de naturezas humanas, algumas que convivem em harmonia com o mundo; outras que atrapalham a vida de muitas pessoas porque são incapazes de cuidar da própria vida; há gentes a esmagar outras.

A dificuldade do viver reside no fato de compreender cada natureza humana, atender às necessidades inerentes a multiplicidade de criaturas no seu modus vivendi. As pessoas podem tornar-se aquilo que imaginam ser. Quem se julga insignificante só poderá ser insignificante. Quem tem a convicção "Hei de ser um grande personagem" tornar-se-á, realmente, um grande personagem. Mas nada adianta ter essa convicção se levar uma vida ociosa. É preciso esforçar-se, concretamente, para alcançar o objetivo desejado. O ser humano é o mais fraco objeto do mundo, mas é um objeto que pensa. O poder de uma pessoa não reside na sua musculatura, mas na sua inteligência. Os covardes utilizam a força, os fortes usam a sabedoria, os fracos se apegam às desculpas.

Nessas variadas nuances de personalidades, a Psicologia encontra algumas respostas que são capazes de auxiliar as pessoas a operarem mudanças. Contudo, a maior mudança deve nascer no interior de cada um. Se uma pessoa se acomoda, coloca a culpa nos outros por seus fracassos, não há nada que possa fazê-la tomar outra direção, será sempre uma colecionadora de insucessos, por falta de determinação, vontade, perseverança. É responsável pelo próprio fracasso, pois não é capaz de crescer, espiritualmente, para cuidar de seu destino. E, assim, faz da vida um fardo pesado para si e para os outros.

Há para observar, também, em meio a essa multiplicidade de criaturas, que tudo deve ser dosado, nem tanto ao mar nem tanto a terra, isso porque a rigidez é boa na pedra, mas não no ser humano. A ele cabe a firmeza. Também, a fraqueza é um dos maiores defeitos. Aquele que não pensa - ou não tenta pensar - não é digno de ser chamado de ser humano. É preciso olhar o mundo com os olhos da verdade e procurar conviver nele em harmonia consigo e com os outros. Se alguns ganham, outros perdem. Se muitos são poderosos, há uma multidão fraca na força, na determinação, no caráter, na vontade de vencer. Também há poderosos fracos no caráter, mas isso merece outra discussão.

A sociedade considera, basicamente, o vencer na vida em acumular bens materiais e ostentar poder. É vencedor aquela pessoa que possui carro do ano, veste-se com griffes e frequenta os locais badalados. Vencer na vida não consiste, apenas, em amealhar dinheiro ou exibir fortunas, mas antes prover o espírito dos valores eternos da verdade. Sem dúvida muitos vão troçar, outros zombar, mas a verdade não se modificará.

Vencer na vida todos nós queremos e podemos, mas é preciso entender a realidade da vida, que não consiste somente no viver, mas também no existir e no transcender. Nosso anseio de transcendência, maioria das vezes, é apenas horizontal, voltado tão somente para a conquista de prestígio social, dinheiro e poder temporal. É preciso olhar o interior da alma, porque é na paz do espírito que o ser humano repousa para a felicidade.

Não se deseja, com essas palavras, condenar a ambição ou a riqueza, pois o condenável é a forma de enriquecer, a forma de querer vencer. E a forma que assistimos, hoje, é à custa da mentira, da perfídia, da trapaça e da corrupção de valores morais. Assim, vemos delegados, juízes, empresários, e pessoas de todos os níveis sociais envolvidas e acusadas por crimes. A própria televisão demonstra esses fatos a todo instante, em cada dia. O fato é que a sociedade está submersa na dissimulação, com o objetivo claro de levar vantagens, transgredindo as normas. O guarda dá um jeitinho de cancelar a multa, o fiscal não embarga a obra, o juiz vende a sentença e o tráfico de influência se alastra.

Isso é vencer na vida? Vencer na vida, em primeiro lugar, é saber por que estamos vivendo. É saber qual a função de cada um na sociedade. Vencer na vida é ter consciência que Deus não nos reúne para o egoísmo ou a indiferença, mas para o serviço salutar de uns pelos outros. É preciso conviver em harmonia, respeitando o espaço dos outros. Vencer na vida é prepara-se para mudanças, no sentido de ser feliz no caminho do bem.

Acredita-se, ainda, que o modo de vencer na vida liga-se à personalidade. E essa personalidade é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, a individualidade pessoal e social de alguém. A formação da personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. A formação da personalidade, de formação do caráter, acontece num contínuo de crescimento e desenvolvimento. Não existe uma idade mínima nem máxima, embora alguns estudiosos assegurem que por volta dos seis anos a base de desenvolvimento da personalidade do indivíduo já estará sedimentada.

Acredita-se, também, que a personalidade está afeita á autoestima. A autoestima, como parte valorativa do conhecimento de si mesmo, ou seja, o juízo que se faz sobre si mesmo, pode ser concebida como a atitude de uma pessoa sobre si mesma e assim também uma característica da personalidade. Nesse particular, acredita-se, está o modus vivendi das pessoas, para serem vencedoras ou perdedoras, na construção de uma forma feliz ou infeliz de viver.

DICAS DE GRAMÁTICA

COMO FICOU O EMPREGO DO HÍFEM, PROFESSORA?

- Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição. Regra antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento. Como será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, párachoque, paravento.

terça-feira, 14 de junho de 2011

As Línguas maternas mais faladas no mundo

O texto aborda tema importante que é uma reflexão sobre as principais línguas do mundo. E, para percorrer essa trilha, há necessidade de mencionar a importância do estudo das línguas, sob o aspecto genético, para agrupá-las em famílias. E esse estudo ganha importância porque línguas são os meios básicos de organização, de experiência e de conhecimento humano. Quando falamos em língua, falamos também da cultura e da história de um povo. Por meio da língua podemos conhecer todo um universo cultural, ou dizendo de outra forma, é possível conhecer conjunto de respostas que um povo dá às experiências por ele vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo.

As populações que hoje conhecemos como "indo-européias" chegaram ao sudeste europeu e à Ásia Ocidental no final do Neolítico ou no início do Bronze Antigo. A mistura entre sua língua, o indo-europeu primitivo, e a língua falada pelas populações locais originou diversos idiomas. Alguns deles existiram somente na Antigüidade; outros existem até hoje. Mas, em verdade, esse tronco indo-europeu, que existiu há cerca de 7.000 anos, pode ser estudado em dois grandes ramos: 1- Asiático: o índico, o irânico, o armênio, o tocariano; 2 - Europeu: o grego, o itálico (abriga as línguas românicas), o céltico, o báltico, o eslavo, o germânico, o albanês.

Desse imenso universo de línguas, entre 4.000 e 6.800 idiomas na terra, algumas ganham maior destaque, considerando o universo de falantes. Assim, à luz de dados colhidos emEthnologue, 13ª edição (1996 - 1999), trazemos um mapa sobre as principais línguas, número de falantes, e famílias de línguas do mundo.

Língua

Família

Principais países e regiões

Número de Usuários
(estimado em milhões)

Chinês

Sino-Tibetano

China

885

Inglês

Indo-Europeu (Grupo Germânico)

América do Norte, Grã-Bretanha, Austrália, África do Sul

450

Hindi-urdu

Indo-Europeu (Grupo Indo-Iraniano)

Índia, Paquistão

333

Espanhol

Indo-Europeu (Grupo Românico)

América do Sul, Espanha

266

Português

Indo-Europeu (Grupo Românico)

Brasil, Portugal, Angola, Moçambique

175

Bengali

Indo-Europeu (Grupo Indo-Iraniano)

Bangladesh, Índia

162

Russo

Indo-Europeu (Grupo Eslavo)

Antiga União Soviética

153

Árabe

Afro-Asiático

Norte Africano, Oriente Médio

150

Japonês

Altaico

Japão

126

Francês

Indo-Europeu (Grupo Românico)

França, Canadá, Bélgica, Suíça, África Negra

122

Alemão

Indo-Europeu (Grupo Germânico)

Alemanha, Áustria, Suíça

118

Wu

Sino-Tibetano

China (Shanghai)

77

Javanês

Austronésio

Indonésia (Java)

75

Coreano

Altáico

Coréia

72

Italiano

Indo-Europeu (Grupo Românico)

Itália

63

Marata

Indo-Europeu (Grupo Indo-Iraniano)

Sul da Índia

65

Telugu

Dravidiano

Sul da Índia

55

Tâmil

Dravidiano

Sul da Índia, Sri Lanka

48

Cantonês

Sino-Tibetano

China (Cantão)

47

Ucraniano

Indo-Europeu (Grupo Eslavo)

Ucrânia

46

Observa-se, então, que pesquisar a trajetória das línguas constitui, ainda hoje, um desafio fascinante. A completa descrição do indo-europeu, por exemplo, pode ser considerada como uma questão quase que impossível. No entanto, como as línguas têm passado, consultar a história delas, investigar a biografia das palavras é pleito para aqueles que não temem escaladas árduas e lustrosas. É suficiente, nesse particular, seguir os preceitos do método histórico-comparativo, do sábio lingüista teuto chamado Franz Bopp. Pois foi a partir dos estudos comparatistas que o mundo pode compreender muitas coisas, em termos de linguagem e, particularmente, foi possível aos estudiosos compreender a origem, a evolução e as famílias de línguas do mundo.

DICAS DE GRAMÁTICA

PARA MIM FAZER ou PARA EU FAZER?

- Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?

- A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA

O Brasil é um país que brinca com a educação. Não é, definitivamente, um país sério. Prova disso é esse logro que faz o Ministério da Educação contra os estudantes, quando utiliza o Programa Nacional do Livro Didático para distribuir 485 livros ensinando os alunos a falarem de forma errada a língua portuguesa. Este livro, “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, aprender”, faz a defesa do uso da língua popular, embora ela contenha muitas incorreções. Seus autores argumentam que o conceito de se falar certo ou errado deve ser alterado para adequado ou inadequado. Eles desprezam a gramática e o padrão culto, erudito da Língua Portuguesa. Em trechos da obra, há afirmações escandalosas, por exemplo, na pergunta: "Posso falar “os livro?”Resposta: “Claro que pode”. Outras frases citadas e consideradas válidas são "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe". Heloisa Ramos, uma das autoras do livro, entrevistada pelo Jornal Nacional, afirmou que não se aprende a língua portuguesa decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários. E se aprende falando “Nós pega o peixe”?!

Absurdo uma professora universitária induzir alguém a acreditar que o ensino do vernáculo ficará melhor ao se desprezar o uso da gramática e dos bons dicionários. Que ela acredite nisso é menos mal, agora que o Ministério da Educação abrace essa absurda ideia, aí a coisa se complica. Que Ministério é esse, afinal? Quando o culto a língua vernácula deixar de ser prioridade num país, melhor será fechar as escolas. Afinal, a escola não serve mais para o culto do saber institucionalizado, a preservação e o respeito à literatura, aos bons escritores. Então, a linguagem não é mais requisito para a ascensão social dos cidadãos?

Durante minha vida já convivi com pessoas de variadas formações. Conversei com seringueiros, pescadores, agricultores, madeireiros, gente que desconhece o mundo da escrita. Gente nobre, do mais alto valor humano. Apreciei conversar com essas pessoas, aprendi tantas coisas, jamais censuraria a forma como se expressam, afinal essa gente não teve o privilégio de freqüentar nenhuma escola, além daquela da vida difícil. Logicamente, censurá-los seria estupidez, discriminação, preconceito. Da mesma forma ninguém tem o direito de ensiná-los a dizer “Nós pega o peixe”, “Nós vai”, utilizando um livro que custou um dinheirão para contrariar todos os princípios e regras da gramática portuguesa. É preciso ter respeito pelo povo brasileiro.

Admite-se que um artista, um escritor componha uma canção, escreva um conto ou um livro, usando expressões populares, que seriam incorretas desde o ponto de vista formal, ou colocando-as em boca de seus personagens ou mesmo inventando neologismos que não existem no dicionário. A escrita magistral de Guimarães Rosa, a poesia de Adélia Prado, os sambas de Adoniran Barbosa, entre outros, exemplificam a riqueza a que faço referência. É outra situação, outro contexto, é um trabalho grandioso que fazem com a linguagem enquanto obra de arte.

Mas não é isso que faz o Ministério da Educação e tão pouco essa professora. Trata-se de um livro didático, distribuído pelo órgão governamental que deve cuidar do aprendizado da língua portuguesa falada no Brasil, e que faz a defesa da linguagem incorreta, ensinando jovens a falar mal o idioma pátrio. Que iguais e democráticas chances de competição terão esses jovens na vida profissional, principalmente na área dos concursos públicos? Como vão eles enfrentar os jovens da classe mais abastada, oriundos de escolas padrão classe A, onde se ministra a gramática oficial? O que vai acontecer com o candidato, que na prova de seleção, em qualquer empresa privada ou certame público, grafar uma frase com expressões tais como “posso falar os livro?”, “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”? Eles não serão, simplesmente, as pobre “vítimas de preconceito linguístico”, como está no livro. Esses jovens vão tomar um ‘debout à l'arrière’ e perder a chance do emprego e de um futuro melhor.

Com todo respeito e sem sentimento de superioridade ou arrogância, "Nós pega o peixe" não dá para aceitar. Se a educação já é o problema número 1 do Brasil, em relação ao futuro, se os responsáveis por ela começarem a ensinar a escrever e falar errado, onde vamos parar? Esse livro deve ser recolhido e queimado. O ministro, que fez a distribuição, deve ser punido, severamente, pela Lei. Afinal, faz mal uso do dinheiro da nação.

Percebe-se, nesse episódio, mais uma vez, que povo sem cultura ou cultura muito “flexível” é tudo o que quer a classe política instalada há décadas no Brasil. Essa é a arma que eles utilizam para manter os cabrestos e feudos políticos. Talvez por isso queiram enfiar em nossas cabeças que "nós pega peixe". Só não podem esquecer é que "nós também vota!"

DICAS DE GRAMÁTICA

NÓS PEGA O PEIXE, ESTÁ CERTO, PROFESSORA?

- Segundo o padrão culto da língua portuguesa, aquele ensinado nas escolas, está errado. O pronome “Nós” exige o verbo na terceira pessoa do plural: Nós pegamos o peixe.

POSSO FALAR “NÓS VAI”?

- Poder você até pode, mas é forma condenável pelo padrão culto gramatical brasileiro. Nenhum concurso público, vestibular, Enem, vai aceitar isso como adequado. Então, o melhor é aprender a forma correta: Nós vamos; Os meninos; Os meninos pegam o peixe, etc.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

AS PALAVRAS FAZEM HISTÓRIAS DE VIDA

Fonte: Internet – autoria desconhecida

O texto fala de palavras que contam histórias, pois a vida se constrói por meio das palavras, não há outra forma. Por isso mesmo alguém já disse que há palavras que nos atrapalham e outras que nos ajudam a viver. A escritora Clarice Lispector certa vez disse: "Mas você sabe que a pessoa pode encalhar numa palavra e perder anos de vida?"

E como seria isso possível, alguém encalhar numa palavra? Seria mais ou menos assim: a pessoa segue a vida como se estivesse dentro de um barquinho e, repentinamente, encalha numa palavra. Pode ser qualquer palavra: espírito, pai, trabalho, medo, paixão, aposentadoria, inconformismo, esperança, grandeza, alma, ferida, dor, ladrão, fome... Algumas palavras são paralisantes. O Brasil, por exemplo, já encalhou na febre amarela, na ditadura, na censura, na inflação. Agora está encalhado no desemprego, na corrupção, no subdesenvolvimento, na má política educacional, má saúde, falta de trabalho, muita fome.

Percebe-se, então, dos exemplos aqui postos, que com essa forma de se plantarem na nossa vida, as palavras alimentam-nos e nos matam, são remédio e veneno, iguais aos produtos de uma farmácia, são drogas que matam ou curam. De sorte que é uma questão de alquimia verbal saber administrá-las. E Aurélio Buarque, o farmacêutico de plantão, aconselha: “temos que dar oportunidade às palavras”. Quer dizer: elas não podem ficar por aí desprezadas no amorfo dicionário, têm de ser desfrutadas, expor-se à luz do nosso prazer, no uso de nossas vidas.

Como saber quais palavras paralisam ou constroem nossas vidas? É um exercício simples:: com um lápis e um papel a gente anota as palavras que paralisaram ou fizeram nossa vida avançar — palavras-coisas, palavras-pessoas. Depois, a gente analise como superá-las, vencê-las. Ao fazer isso a pessoa estará saindo das dificuldades, é um caminho, uma sugestão nessa luta da vida com as palavras.

Vê-se, então, que as palavras são espelhos d’alma. Elas traduzem os momentos de felicidade ou infelicidade de nossas vidas. Elas participam do nosso viver: encalham, reencalham, desencalham, são paralisantes, plantam-se na nossa alma, alimentam-nos, fuzilam-nos, são remédio e veneno, drogas para matar e para curar, não podem ser desprezadas, têm que ser desfrutadas, enfim, são palavras-coisas, palavras-pessoas.

Assim, esse dinamismo das palavras está relacionado à multiplicidade de sentidos que elas podem adquirir em função dos diferentes contextos e situações de uso. A essa multiplicidade de sentidos, chamamos de polissemia. Certas palavras têm uma história tão interessante que vale a pena contá-las; elas são parte da própria história e nos ajudam a entender melhor o mundo em que vivemos e o mundo do qual viemos. Deleitemos-nos, pois, com essas palavras que contam histórias.

A palavra escravo serve para que tenhamos uma visão mais ampla do problema da escravidão, muitas vezes situada apenas em termos da escravidão negra. Faz-se necessário entender que a escravidão era uma prática plenamente aceita, assim como a guerra e o saque, em tempos bem mais cruéis que os atuais. A escravidão primordial, que se estendeu por toda a Antigüidade, era basicamente uma escravidão de homens brancos, o que é cabalmente demonstrado pelo fato de a palavra escravo ser oriunda de sclavu(m) que, por sua vez, provém de slavu(m), que significava eslavo, um povo que vivia nas fronteiras do Império Romano e era freqüentemente capturado para servir de escravo. Daí a evolução do significado da palavra para o significado que permanece até hoje.

A palavra amor tinha originalmente um sentido passivo, indicando a qualidade de ser amado; será a influência germânica, com sua sociedade que valorizava bem mais as mulheres do que a sociedade romana, que transformará o sentido da palavra amor em ativo, indicando o sentimento de amar.

Finalizando o artigo, diz-se que o verdadeiro valor das palavras não se encontra no fato de elas serem ditas por lábios belos, com suavidade, gentileza e eloqüência, mas quando elas são proferidas com sabedoria, sobre uma verdade, e ditadas pelo coração daquele que fala.

DICAS DE GRAMÁTICA

SOB / SOBRE

- Sob significa "debaixo de". Sobre quer dizer "em cima de" ou "a respeito de". Assim, são incorretas as frases: Ficou sobre a mira do assaltante; Sobre esse ponto de vista, você está certo (o certo é sob a mira e sob esse ponto de vista).

SOBRESSAIR ou SOBRESSAIR-SE?

- Sobressair não é um verbo pronominal, portanto não tem o “se”. Exemplos: Ele sobressai (e não “sobressai-se”) entre os colegas. Foi o jogador que mais sobressaiu (e não “sobressaiu-se”) na partida. Verbos que também não são pronominais: simpatizar (e derivados), confraternizar e deparar.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.