quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PODER, FORÇA E MAGIA DAS PALAVRAS

 

O texto apresenta reflexão sobre o poder, a magia, a força das palavras. Tantas pessoas vivem sem preocupação com as palavras, esquecendo-se que elas dirigem e comandam a vida, movem o mundo. O termo ‘palavra’ vem do latim 'parabola', de origem grega [parabole]. Em sentido popular exprime o som articulado, que contém um sentido ou um significado. Usar a palavra significa falar, manifestar um pensamento por meio de discurso ou orações faladas.

As palavras foram às primeiras grandes ferramentas do espírito e do conhecimento humano. O aumento do conhecimento muitas vezes pode ser traçado estudando-se a história das palavras. As palavras são armas poderosas, podem confortar, magoar, fazer sorrir ou chorar. Uma palavra pode manifestar carinho, pode ser uma ofensa, uma promessa e até tapa na cara, mais que isso, a palavra tem o poder de exprimir ideias. Muitas vezes as palavras saem da boca sem que tenham passado pelo cérebro, ou ao contrário, passam tantas vezes pelo cérebro que se perdem e acabam virando um pensamento que não pode ser externado por palavras. Por isso, talvez, canta sabiamente o rei Roberto Carlos: "palavras são palavras, e a gente nem percebe o que disse sem querer, e o que deixou pra depois". Assim, uma comunicação mal feita pode deixar a pessoa sem achar um jeito para explicar, e esperando que a outra possa aceitar um pedido de desculpas.

Mas, afinal, o que são as palavras? Elas são tudo na vida. Sustentam os negócios no mundo. Nas trocas, nas vendas, no diálogo para dentro e para fora. São elas que garantem um lugar no mercado ou fora dele, quando equivocadas. As empresas sobre elas saltitam perigosamente, como em caminho de pedras, em meio a escuma dos inquietos meandros de uma economia. Palavras fazem toda a diferença na vida das pessoas. Toda gente é dirigida por palavras, sejam de pais, filhos, amigos ou inimigos elas atingem a todos, indistintamente. Mesmo no silêncio elas inquietam. Sussurradas pela memória de uma experiência gratificante, são renovadoras. Gritadas pela consciência traída, são devastadoras.

Vêm-se que as palavras têm demasiado poder, pois da mesma forma que dizem coisas, têm o poder de destruir um coração, uma nação. Um bom advogado, pelo uso da palavra, pode libertar ou condenar uma pessoa. Uma desculpa bem dada salva um relacionamento, mas se as palavras tiverem sido mal empregadas, desfazem-se famílias, empregos, amizades, negócios. Palavras ditas, palavras cantadas, palavras escritas. Riqueza. O bom uso das palavras enriquece as pessoas.

Vive-se na era da informação e informação nada mais é do que o agrupamento e o processamento de palavras. Quanto maior for o número de palavras que alguém conhece, quanto maior seu vocabulário, maior a chance de crescimento. Toda pessoa culta é pessoa rica. Rica de conhecimento, de companhia, de liberdade. O maior risco no uso das palavras é não se fazer entender. Muitas vezes as pessoas falam coisas que não chegam aos ouvidos do interlocutor. E não há nada pior neste mundo do que ser mal entendido. Corrigir demora e nem sempre se obtém êxito. E coisa ruim na vida é quando se diz palavras a alguém que entende outras. Por isso o processo de comunicação deve ser pensado, elaborado. Ninguém toma de volta palavras ditas, pronunciadas. Por vezes, nem o perdão resolve.

Dessa forma, as palavras têm tanta força, tanto poder, que quando expressadas fazem efeito na vida, e essa influência poderá ser boa ou ruim, dependendo das idéias que carregam. Sempre foi assim, como diz a Bíblia (João,1:1),"No início era o verbo". E o verbo ainda hoje cria o universo humano. A palavra é muito poderosa, pode condenar, salvar, iluminar ou mandar a escuridão, pode fazer adoecer, curar e dar esperança, fazer alguém feliz ou infeliz. Através da palavra pode-se deificar uma pessoa, profetizá-la ou amaldiçoá-la. Por uma palavra deixa-se alguém alegre ou triste. Palavras são meios de transporte, como o trem, a bicicleta e o avião, navios, barcos. A palavra dá vida, esperança. As palavras são essas ferramentas fantásticas que comandam a vida e tanta gente não dá importância a elas. Por isso tudo é muito bom cuidar das palavras. Dizem que uma pessoa é aquilo que diz a boca. Sendo assim, é prudente cuidar das palavras, afinal, elas dirigem a vida da gente.

DICAS DE GRAMÁTICA

SENTAR-SE À MESA ou SENTAR-SE NA MESA?

Ninguém se senta na mesa para comer, seria anti-higiênico e indelicado, portanto as pessoas sentam-se à mesa. Normalmente, sentam-se no banquinho, numa cadeira, mas na mesa não. Da mesma forma que não nos sentamos no piano para tocar, mas nos sentamos ao piano. Outra questão. O verbo sentar no sentido de dobrar o próprio corpo é reflexivo: sentar-se, embora no coloquial o verbo "sentar" esteja se tornando intransitivo, como na frase: Sentou no chão.

SEJA/ ESTEJA

Seja/sejam, esteja/estejam são formas corretas dos verbos ser e estar. Não existem seje/sejem nem esteje/estejem. Já o verbo desejar faz o presente do modo subjuntivo em deseje, desejes, deseje, desejemos, desejeis, desejem.

DESTINO

 

O que é o Destino?

Uma vontade,

Uma ordem,

Um sonho...

Destino é algo sem escolha?

Não se sabe, ninguém sente sua presença.

Destino é o nome de uma história

Que precisamos ler, todos os capítulos, para entendê-lo.

Destino é uma imaginação que se tem do futuro,

Uma criação da vida.

Ninguém escolhe seu destino...

Dizem que vem traçado

Será isso verdade?

Muitos lutam para modificá-lo.

Eu creio que Destino é a coragem

De lutar por um ideal,

Coragem de mudar cenários.

Há pessoas que escolhem um caminho,

O calor de uma linda tarde,

Ou o frio de uma tempestade na madrugada...

Creio, simplesmente, que Destino é a intensa busca pela felicidade.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

PAIXÃO BRASILEIRA PELA PALAVRA “COISA”

 

 

A Língua Portuguesa é um idioma bastante rico. Também os seus falantes possuem uma criatividade invejável. Assim, há palavras que são utilizadas para designar objetos, dar-lhes atributos, ações, circunstâncias. E uma dessas palavras é “COISA”. Segundo as gramáticas de Língua Portuguesa, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio, verbo. Segundo o Dicionário Aurélio: De coisa + -ar. Verbo transitivo direto. Bras. Pop.1.Refletir, matutar; imaginar. Verbo transitivo indireto. 2.Bras. Pop. Cuidar; preparar: F. está coisando do almoço. Verbo intransitivo. 3.Refletir, matutar.

No meio popular, esse verbo “coisar” substitui qualquer outro que não ocorre a quem fala. Logo, “coisa” tem mil e uma utilidades na nossa língua. Quando nos falta uma palavra, “coisa” entra para traduzir o pensamento do falante. De igual modo, nas regiões do Brasil, “coisa” ganha os usos mais diversos, a depender do gosto e dos costumes do lugar. Então, pode-se dizer que essa palavra “coisa” é uma espécie de muleta, que ampara o falante quando este não encontra a palavra exata para exprimir uma ideia. Assim, essa palavra “coisa” vai ganhando as cargas semânticas mais diversas e interessantes. Ela está presente no cotidiano de nossas vidas, na poesia, na música, na literatura.

Em Portugal, por exemplo, “coisar” equivale ao ato sexual, como traduz José Machado, em seu dicionário. No Brasil, em especial no Norte e Nordeste, “coisas” é sinônimo de órgão genital: "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" pode ser cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco “Segura a Coisa” tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Na música popular brasileira muita gente boa lançou mão dessa palavra. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." Vinícius de Moraes diz: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era a coisa mais linda do mundo. Depois, novamente Vinícius e Tom Jobim: “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Jobim e Vinicius sabiam das coisas. Caetano Veloso também sabe, olhem como canta: “Alguma coisa acontece no meu coração". E, na música "Qualquer Coisa", ele diz: "Alguma coisa está fora da ordem."Também Jorge Aragão/Almir Guineto/Luis Carlos da Vila sabem usar a palavra: "Ô Coisinha tão bonitinha do pai...". Lembram?

E tem mais, “coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré: "Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar", e A Banda, de Chico Buarque: "Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor". Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro". Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração.

O nosso rei, Roberto Carlos, tem preocupação com a “coisa e canta: “Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser formosa? Coisa bonita, coisa gostosa, voce é linda, é do jeito que eu gosto, é maravilhosa”. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade, afinal "são tantas Coisinhas miúdas". Gal Costa diz: "Esse papo já tá qualquer coisa...Já qualquer coisa doida dentro mexe."

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista.Oswald de Andrade escreveu a crônica "O Coisa", em 1943." A Coisa" é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu "A Força das Coisas". Michel Foucault escreveu a fantástica obra "As Palavras e as Coisas" , e por aí vai a “coisa”.

Percebe-se que a palavra “coisa” não tem sexo (gênero), pode ser masculina ou feminina. Coisa-ruim é o capeta, o câncer, a hanseníase, a roubalheira no Brasil. Coisa boa é o Brad Pitt, Richard Gere, Tom Cruise. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema!

Por essas e outras é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E tal coisa e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, cheio de” não-me-toques”. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá para coisa nenhuma. A coisa pública não funciona no Brasil. E a “coisa” não para por aí nem aqui. Tem essa “coisa” do mensalão e lá vem mais “coisa” em 2014. Melhor ir com Eduardo Campos e Marina Silva, ou a coisa vai ficar preta!

Mas, finalmente, para o pobre a coisa está sempre feia. Para os ricos as “coisas” são boas. Então, muita atenção, em ano de eleição vai ter muita “coisa” para enganar o eleitor. Vamos ficar de olho nessas “coisas”. Não vendam o voto por qualquer “coisa”, por o correto é dar valor às “coisas”.

DICAS DE GRAMÁTICA

ALUGA-SE ou ALUGAM-SE apartamentos?

O certo é “ALUGAM-SE apartamentos”.

A presença da partícula apassivadora “SE” faz a frase ser passiva, ou seja, o sujeito é quem sofre a ação do verbo(= apartamentos), e não quem pratica a ação de alugar. É o mesmo que eu dissesse que “apartamentos são alugados”.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SEGREDOS DA LINGUAGEM NO MUNDO DO TRABALHO

 

 

   Como estudiosa da linguagem cedo percebi que ela move a vida, sob os mais variados aspectos. No campo do trabalho, a expressividade marca o êxito comunicativo entre a pessoa que fala e aquela que escuta. Entre a pessoa que manda e a outra que obedece. A depender da linguagem utilizada, uma ou outra ficará contente, triste, decepcionada, irritada, otimista, feliz. Assim, em qualquer organização, o relacionamento humano e o tratamento entre as pessoas devem ser igualitários. Não é porque um pertence ao setor com pessoas mais qualificadas que vai poder desprezar as pessoas da limpeza, manutenção etc. O ser humano merece respeito, sempre, independente do cargo ou função que ocupe. O trabalho dignifica a criatura humana.
    Retomando o valor da linguagem, diz-se que se ela [linguagem] é importante nas relações de trabalho, deve ser à base do sucesso ou insucesso na vida. Assim sendo, é fundamental às pessoas seguirem alguns preceitos, no intuito de melhor adequação ao meio, ao outro, ao rendimento, ao êxito no trabalho e na vida. Isso porque tanto o trabalho quanto a vida devem ser conduzidos com ética, respeito, dignidade. A pessoa humana dignifica o trabalho. Através dele, cada um pode crescer. Pelo trabalho domina-se e transforma-se a natureza para que possa contribuir para a felicidade de todos, construindo a sociedade, a convivência, a solidariedade. A história torna-se obra de mulheres e homens.
    No importante campo do trabalho as palavras e as atitudes exercem um poder decisivo  na vida. Podem ajudar  a construir  uma imagem positiva ou negativa. Podem construir sonhos ou desmoronar desejos. Tudo aquilo que o ser humano produz se deve aos estímulos recebidos entre uns e outros, por meio da linguagem. Há ambientes extremamente estimuladores, com uma linguagem positiva. Também há aqueles pesados, fechados, por força que linguagem que ali reina.
    Dia desses, numa viagem, observei encontro entre pessoal de recursos humanos, onde a comunicação  interpessoal e a linguagem foi o lema principal. A partir dali brotou o germe para este artigo. Mas ele foi ficando no esquecimento, até que, recentemente, aconteceu fato inusitado. Deparei-me com alguém que carrega o ”dom da verdade, das certezas, da sabedoria, da autoridade, da vaidade, arrogância”. Enfim, transporta o conhecimento do mundo e, assim sendo, deseja moldar as pessoas, segundo sua vontade. Foi um momento triste. Uma desolação, imensa pobreza humana. Daí, nasceu este artigo. O objetivo é que ele sirva para todos nós, ensejando um convívio mais harmônico, respeitoso, digno, com o uso de boa linguagem. Usar “bom dia”, “por favor”, “obrigada”, “com licença”, “isso é ótimo”, opera milagres! Então, que essas dicas façam algum efeito sobre a vida e o trabalho de muita gente, em especial daquelas que julgam “carregar” os problemas do mundo. Que a linguagem seja mediadora das relações humanas, para haver paz, amor e mais respeito entre as pessoas.
    Considerando o valor do assunto, diz-se haver no mundo do trabalho três componentes essenciais:  pessoas, realidade e linguagem. Pessoas são diferentes umas das outras e enxergam um mesmo fato de forma única.  Há casos em que a atitude pessoal facilita  a convivência e em  outras ocasiões  torna a interação um encargo nada agradável. E é com essa realidade que as pessoas precisam aprender a conviver, respeitando as diferenças e conhecendo os próprios limites.
    Existe, hoje, no mundo do trabalho, uma crença que necessita ser repensada: as pessoas devem ser tratadas da mesma forma. A realidade de cada um  é interpretada segundo sua experiência de vida. Daí decorre à necessidade de cada ser humano desenvolver,  sempre mais, a habilidade  comunicativa. Os cuidados com a linguagem, o estilo e o momento de executá-la, de uma ou outra forma, são imprescindíveis. Eis, alguns atos lingüísticos importantes: a) as afirmações - descrevem um fenômeno com neutralidade, sem juízo de valor. É a forma mais imparcial  no processo de comunicação e a que menos afeta emocionalmente as pessoas; b) as declarações - definem a realidade. Declarações feitas por pessoas que não detém o poder formal, tornam-se inválidas. Faz parte do papel do declarante  assumir  a responsabilidade pelo que declarou e suportar  conseqüências das mudanças nas regras do jogo; c) os julgamentos - incluem opiniões pessoais influenciadas por valores e crenças. Além das conversas informais, os juízos  se estendem no ambiente de trabalho, entrelaçando-se nos outros tipos de linguagem. Sorrateiramente, como quem não quer nada, o juízo de valor vai influenciando o comportamento das pessoas, nem sempre de forma positiva; d) as solicitações e ofertas - são  usadas quando se pretende gerar compromissos na equipe; e) as promessas - configuram o futuro. A cada solicitação segue-se uma oferta,  atrelada a resultados negociados.
     Feitas essas considerações, é importante para quem manda saber aquilo que pretende de seus colaboradores. Se a pessoa deseja obter adesão às suas idéias e projetos, então deve usar a linguagem de solicitação, evitando  qualquer crítica ou referência a fracassos do passado.  Apontar êxitos, indicar pontos fortes, desafiar para a ação, negociar metas, definir formas de acompanhamento de resultados   e  qualificar o potencial das pessoas, são atitudes que agirão como fonte de estímulo. Se o objetivo do processo comunicativo é declarar mudanças, deve-se usar a linguagem de solicitação e ofertas, para que as mudanças sejam compreendidas e aceitas. E para que a pessoa consiga, de fato, o sucesso, a linguagem afirmativa é a preferida. Por ser neutra,  auxilia  todas as outras formas de linguagem. Assim, o desafio maior é utilizar palavras construtivas e imparciais, eliminando os juízos de valor. É preciso compreender, finalmente, que as palavras, no universo do trabalho, podem mudar, completamente, a realidade e transformar pessoas improdutivas em trabalhadores de grande potencial.

DICAS DE GRAMÁTICA

A PÉ, DE PÉ, EM PÉ, como usar essas formas?
* Estar a pé = estar sem carro, "desmotorizado". Ir (vir, viajar etc.) a pé = deslocar-se sem qualquer tipo de veículo.
* Estar / ficar de pé = continuar firme, subsistir, resistir, manter-se.
* Estar em pé = estar ereto sobre seus próprios pés, sem ser sentado ou deitado. Nesta acepção, também se diz de pé: Permaneci de pé / em pé a missa toda.

QUEM É VOCÊ, PROFESSORA?

luisa setembro6

 

Hoje é o dia comemorativo do professor. Muitos acham não ter o que comemorar, isso porque não ganham altos salários. Outros acreditam ser um dia de Graças para um abnegado profissional que prepara para o mercado de trabalho as profissões do mundo. É uma tarefa grandiosa, bendita, sagrada. Por isso, então, não é o salário que faz o professor, mas a missão que ele carrega consigo como educador do mundo.

Albert Einstein já dizia que a tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer. Essa filosofia tece a vida de muitos colegas professores que, assim como eu, fazem da cátedra um altar. Em meio a tantos pensamentos e correntes, no cotidiano das práticas educativas, dois comportamentos modulares podem caracterizar esse precioso profissional do magistério: a) os que assumem o predomínio das características do papel de professores instrutores; b) os que se comprometem, essencialmente, com os propósitos de professores educadores.

Numa reflexão sobre esses dois eixos e, ainda, com o eco nos ouvidos daquilo que ouvi e li no dia de ontem, trago posições que podem assumir um professor: instrutor ou educador. Então, quem é você, querido colega?

O professor instrutor

O professor educador

O professor instrutor cumpre obrigações.

O professor educador celebra paixões.

O professor instrutor superestima o quantitativo, mercantiliza o humano.

O professor educador realça a busca do qualitativo, da globalidade do ser, da dignidade e da beleza humana; conduz à vocação, à voz do coração.

O professor instrutor assume a função de mero transmissor e reprodutor dos saberes instituídos submetendo os indivíduos aos ditames estabelecidos, ao adestramento e à domesticação.

O professor educador passa pelo já instituído e busca instituir novos saberes e sentires procurando rasgar os papéis e as máscaras que empacotam e escondem, instigando a autenticidade, o espírito criador e transgressivo.

O professor instrutor circunscreve-se na geometria do tempo linear do chronos.

O professor educador descortina-se pelas curvas do tempo dinâmico do kairós.

O professor instrutor dá aulas previsíveis, insípidas e frias.

O professor educador tece aulas imprevisíveis, abertas ao fluxo das aventuras, ruminando o saber com sabor, convertendo-as em vivências vívidas e encantantes.

O professor instrutor percorre os caminhos já feitos do ordinário, mais fáceis e cômodos.

O professor educador ousa as veredas ainda não trilhadas, mais desafiantes e difíceis, inaugurando caminhos novos, extraordinários.

O professor instrutor obedece aos receituários das liturgias mecânicas e cristalizadas, com suas normas e ordens asfixiantes.

O professor educador ultrapassa as receitas desodorizadas e move-se pelas buscas dinâmicas das transformações constantes e emancipadoras entre ordem e caos.

O professor instrutor transmite saberes.

O professor educador rumina saberes e busca sorver sabedorias.

O professor instrutor erige suas práticas pedagógicas com lógicas monológicas, metálicas e excludentes.

O professor educador fundamenta-se em lógicas dialógicas, flexíveis e includentes.

O professor instrutor dita conteúdos para que os alunos copiem e assimilem de modo reflexo.

O professor educador problematiza conteúdos para que os alunos reflitam e compreendam criticamente.

O professor instrutor encampa modelos uniformes lastreados em certezas fixas.

O professor educador articula múltiplas referências fundadas em possibilidades abertas, em incertezas.

O professor instrutor privilegia o logos, a cognição, a mente.

O professor educador entrelaça logos e eros, cognição e intuição, mente e corpo.

O professor instrutor reduz-se aos muros/muralhas da escola, da sala de aula.

O professor educador transpõe esses limites trespassando os horizontes expansivos do cotidiano movente da vida

O professor instrutor professa voto de fidelidade às alianças cultuadoras das burocracias que tendem à domesticação e à subjugação.

O professor educador concebe a necessidade mínima de burocracia, sendo esta, mero instrumento que deve estar a serviço dos direitos e liberdades fundamentais do ser humano.

O professor instrutor busca as competências técnica e teórica, a inteligência cognitiva.

O professor educador busca as competências técnica e teórica, mas, principalmente, as competências éticas e estéticas, as inteligências cognitiva, intuitiva e emocional.

O professor instrutor tende à intolerância e até ao abuso de poder, fala muito e quase não escuta.

O professor educador prima pelos princípios da tolerância, da ética da solidariedade e da escuta sensível.

O professor instrutor prima pelos vãos do ter.

O professor educador prima pelos desvãos do ser.

O professor instrutor busca a reluzência das performances externas dos indivíduos.

O professor educador passa pela exterioridade como caminho que conduz às dimensões mais profundas da interioridade do ser, ao autoconhecimento.

O professor instrutor acomoda-se nas linhas retas e regulares das planícies

O professor educador aventura-se pelas curvas e acidentalidades das montanhas.

O professor instrutor habitua-se à rotina das tartarugas e das galinhas que rastejam e ciscam a superfície da terra.

O professor educador, como a águia, nutre-se das energias da terra e alça seus voos bailantes pelos ermos do incomensurável.

O professor instrutor privilegia o desenvolvimento das dimensões mais instintivas que traduzem os aspectos mais materialistas do ser humano, as quais, isoladas, fomentam o espírito de competição e de arrogância que desembocam em brutalização e barbárie.

O professor educador assume as múltiplas dimensões do humano, passando pelo instinto e atingindo o coração e o espírito de fineza fomentando a solidariedade e a amorosidade.

O professor instrutor confina o humano apenas à esfera do material/físico, do imediato e do visível (pedagogia do São Tomé).

O professor educador educa para a imanência e para a transcendência, para o invisível, para os valores humanos – a espiritualidade.

Sei que a arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo, falta de melhor opção, ou porque é preciso auferir ganhos. É verdade que o Brasil precisa avançar no campo educacional, dignificar os educadores. Também o professor deste século XXI necessita fazer por merecer os loiros de uma profissão que deve elaborar, com criatividade, conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade.

Assim, quer queiram, quer não, somente os professores poderão apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo, com competência do conhecimento, com profissionalismo ético e consciência política.

sábado, 12 de outubro de 2013

A DESPEDIDA...

 

O amor quando chega acredita em eternidade,

Mas um dia se despede, vai por outra estrada

Não olha para trás, nem se despede
Leva no coração a mocidade

Parte, não fica, nada o impede.

 

O outro coração padece, mesmo em preces,

É o adeus...
Que deixa o peito angustiante,
No peito a dor dilacerante

O grito dos ais, dos lamentos agonizantes,

Dos instantes lacerantes.

 

De toda forma o Amor parte,

A despedida maltrata,fere, rasga o coração

A alma se rompe numa fração,

Corrompe-se, dilacera-se numa fração

É lâmina , navalha que sangra a afeição.

A alma sofre, chora, padece,

O coração se entristece,

Numa saudade que enternece,

Mas nada consola e o amor vai embora
O ser que fica compadece.


A despedida é triste,

É lástima, lágrima, drama

Pranto, sofreguidão,

É o adeus ...

O desenlace de sentimentos,

A despedida de momentos,

De um tempo que não volta atrás

E um amor que não se esquece jamais.

 

O adeus é o desenlace
De sentimentos,
De presenças, lembranças, momentos.

O adeus é distância que se apresenta,
É a partida desesperada,
É o esquecimento...
Ou a lembrança do enlace

Que se foi em disparada.

 

A despedida,
Por mais lânguida, por mais que se evite,
É sempre triste.

São seres que se separam,
Que se partem,

Um amor que diz adeus,

São corações que pulsam, não param,
São vivências que se dissipam,

São vidas que se separam.


A despedida
É a tão evitada renúncia,
A tudo o que se pensava ter,
A tudo que se pensava viver,

Uma palavra balbuciada... ADEUS.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

DIFICULDADES NA INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS EM CONCURSOS

 

interpretação textos

 

 

DIFICULDADES NA INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS EM CONCURSOS

É muito comum, entre os candidatos de um concurso público, a preocupação e dificuldade na interpretação de textos. Isso acontece porque falta para muitas pessoas informações específicas a respeito da tarefa de ler e compreender textos, assim como há um limitado conhecimento vocabular. O vocabulário de uso corrente é limitado, assim, também, aquele vocabulário que permite á compreensão do pensamento alheio.Dizem-se que essas pessoas possuem um vocabulário elementar. Logicamente terão dificuldades em ler e interpretar textos que extrapolem esse universo lexical.

Aqui, neste breve artigo, considerando às necessidades que possuem as pessoas, na ação de ler, compreender e interpretar textos,faz-se breves comentários sobre essa importante e valiosa tarefa, explicando, um pouco, o que significam alguns itens importantes no ato de ler, compreender, interpretar. Essas três ações são essenciais na vida e, prioritárias, nos momentos de enfrentar um CONCURSO. Antes de tudo é preciso compreender algumas terminologias fundamentais e decisivas na interpretação de um texto. Sem esses conhecimentos as pessoas irão para uma Prova de Concurso  como para um jogo de loteria. Vejam-se conceitos importantes:

TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICATIVA (capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR).

CONTEXTO – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de CONTEXTO - Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial.

INTERTEXTO - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de recurso denomina-se INTERTEXTO.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro objetivo na interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas numa prova de concurso, por exemplo. É necessário tomar os seguintes cuidados: 

a) Ler atentamente todo o texto, procurando focalizar sua ideia central;

b) Interpretar as palavras desconhecidas através do contexto;

c) Reconhecer os argumentos que dão sustentação a ideia central;

d) Identificar as objeções à ideia central;

e) Sublinhar os exemplos que foram empregados como ilustração da ideia central;

f) Antes de responder as questões, ler mais de uma vez todo o texto, fazendo o mesmo com as questões e as alternativas;

g) A cada questão, voltar ao texto, não responder “de cabeça”;

h) Se preferir, faça anotações à margem ou esquematize o texto;

i) Se o enunciado pedir a ideia principal, ou tema, estará situada na introdução, na conclusão, ou no título;

j) Se o enunciado pedir argumentação, esta estará localizada, normalmente, no corpo do texto.

Note-se, então, que a interpretação de um texto exige da pessoa atenção especial, tais como uma leitura atenta, compreensão do sentido das palavras, valor denotativo ou conotativo. Assim, para obter mais êxito nessa tarefa, fazem-se necessários:

a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática;

b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Ainda, é importante conhecer o sentido das palavras. E nesse sentido incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros.

c) Capacidade de observação e de síntese;

d) Capacidade de raciocínio.

Assim, interpretar exige do leitor: 

SABER ler bem

COMPREENDER o sentido do texto

- EXPLICAR, COMENTAR, JULGAR, TIRAR CONCLUSÕES, DEDUZIR.

- TIPOS DE ENUNCIADOS

· Através do texto, INFERE-SE que...

· É possível DEDUZIR que...

· O autor permite CONCLUIR que...

· Qual é a INTENÇÃO do autor ao afirmar que...

- INTELECÇÃO, ENTENDIMENTO, ATENÇÃO AO QUE REALMENTE ESTÁ ESCRITO

- TIPOS DE ENUNCIADOS:

· O texto DIZ que...

· É SUGERIDO pelo autor que...

· De acordo com o texto, é CORRETA ou ERRADA a afirmação...

· O narrador AFIRMA...

Nesse processo de interpretação de um texto, seja ele num concurso público ou não, muita atenção deve ser dada ao texto. É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de muitos erros de interpretação. Esses erros, também, podem fazer parte da extrapolação (viagem) que ocorre quando o leitor sai do mundo do escritor; da omissão de outras ideias do texto, na hora da interpretação, ou acrescentando ideias que são do conhecimento prévio do leitor, mas que não fazem parte do texto; redução, ao esquecer que um texto é um conjunto de ideias; contradição, quando as ideias contrários levam o leitor a fazer interpretação equivocada e, assim, errando a questão solicitada.

Conclui--se o artigo dizendo que muita gente pensa haver a ótica do escritor e a ótica do leitor. Isso até existe, mas numa prova de Concurso, o candidato deve sempre considerar o que o AUTOR DIZ e nada mais.

DICAS DE GRAMÁTICA

Como saber quando é correto usar ONDE e AONDE?

- O A na frente do ONDE significa PARA. Ex; AONDE você vai? (Significa Para onde você vai).

- ONDE = lugar em que/ em que (lugar). Indica permanência, o lugar em que se está ou em que se passa algum fato. Complementa verbos que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a preposição em: Onde estás? – Em casa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PAINEL DE MOMENTOS DA VIDA

 

luisa setembro1   luisa setembro2  luisa setembro3

luisa setembro4  luisa setembro5  luisa setembro6

luisa setembro7  Luisa Espanha

 

Tudo o que sou hoje eu devo ao casal que se uniu e constituiu família no rio Humaitá; devo ao esforço pelo caminhar na vida; devo aquelas pessoas que estiveram comigo de uma ou outra forma; devo aos familiares, meu porto seguro; devo aos professores com quem tanto aprendi; devo à vida que me cobrou tanto; devo a mim mesma pelas escolhas e renúncias que fiz; devo, particularmente, a Deus que guia os meus passos.

E, agora, daqui pra frente, como será? Deus tem a resposta e conhece a minha determinação e respeito à vida. Albert Einstein também se fez muitas perguntas, embora conhecesse o Segredo. Eu não o conheço, mas sei que a pergunta me obriga a pensar nas escolhas e ter a oportunidade de seguir um caminho. É isso que faço com humildade.

Eu sei que sou igualmente energia, posso mudar de forma, com os anos. A essência é pura, genuína como as águas que me banharam ao nascer. Eu compreendi que a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende é de APRENDER.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.