terça-feira, 14 de junho de 2011

As Línguas maternas mais faladas no mundo

O texto aborda tema importante que é uma reflexão sobre as principais línguas do mundo. E, para percorrer essa trilha, há necessidade de mencionar a importância do estudo das línguas, sob o aspecto genético, para agrupá-las em famílias. E esse estudo ganha importância porque línguas são os meios básicos de organização, de experiência e de conhecimento humano. Quando falamos em língua, falamos também da cultura e da história de um povo. Por meio da língua podemos conhecer todo um universo cultural, ou dizendo de outra forma, é possível conhecer conjunto de respostas que um povo dá às experiências por ele vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo.

As populações que hoje conhecemos como "indo-européias" chegaram ao sudeste europeu e à Ásia Ocidental no final do Neolítico ou no início do Bronze Antigo. A mistura entre sua língua, o indo-europeu primitivo, e a língua falada pelas populações locais originou diversos idiomas. Alguns deles existiram somente na Antigüidade; outros existem até hoje. Mas, em verdade, esse tronco indo-europeu, que existiu há cerca de 7.000 anos, pode ser estudado em dois grandes ramos: 1- Asiático: o índico, o irânico, o armênio, o tocariano; 2 - Europeu: o grego, o itálico (abriga as línguas românicas), o céltico, o báltico, o eslavo, o germânico, o albanês.

Desse imenso universo de línguas, entre 4.000 e 6.800 idiomas na terra, algumas ganham maior destaque, considerando o universo de falantes. Assim, à luz de dados colhidos emEthnologue, 13ª edição (1996 - 1999), trazemos um mapa sobre as principais línguas, número de falantes, e famílias de línguas do mundo.

Língua

Família

Principais países e regiões

Número de Usuários
(estimado em milhões)

Chinês

Sino-Tibetano

China

885

Inglês

Indo-Europeu (Grupo Germânico)

América do Norte, Grã-Bretanha, Austrália, África do Sul

450

Hindi-urdu

Indo-Europeu (Grupo Indo-Iraniano)

Índia, Paquistão

333

Espanhol

Indo-Europeu (Grupo Românico)

América do Sul, Espanha

266

Português

Indo-Europeu (Grupo Românico)

Brasil, Portugal, Angola, Moçambique

175

Bengali

Indo-Europeu (Grupo Indo-Iraniano)

Bangladesh, Índia

162

Russo

Indo-Europeu (Grupo Eslavo)

Antiga União Soviética

153

Árabe

Afro-Asiático

Norte Africano, Oriente Médio

150

Japonês

Altaico

Japão

126

Francês

Indo-Europeu (Grupo Românico)

França, Canadá, Bélgica, Suíça, África Negra

122

Alemão

Indo-Europeu (Grupo Germânico)

Alemanha, Áustria, Suíça

118

Wu

Sino-Tibetano

China (Shanghai)

77

Javanês

Austronésio

Indonésia (Java)

75

Coreano

Altáico

Coréia

72

Italiano

Indo-Europeu (Grupo Românico)

Itália

63

Marata

Indo-Europeu (Grupo Indo-Iraniano)

Sul da Índia

65

Telugu

Dravidiano

Sul da Índia

55

Tâmil

Dravidiano

Sul da Índia, Sri Lanka

48

Cantonês

Sino-Tibetano

China (Cantão)

47

Ucraniano

Indo-Europeu (Grupo Eslavo)

Ucrânia

46

Observa-se, então, que pesquisar a trajetória das línguas constitui, ainda hoje, um desafio fascinante. A completa descrição do indo-europeu, por exemplo, pode ser considerada como uma questão quase que impossível. No entanto, como as línguas têm passado, consultar a história delas, investigar a biografia das palavras é pleito para aqueles que não temem escaladas árduas e lustrosas. É suficiente, nesse particular, seguir os preceitos do método histórico-comparativo, do sábio lingüista teuto chamado Franz Bopp. Pois foi a partir dos estudos comparatistas que o mundo pode compreender muitas coisas, em termos de linguagem e, particularmente, foi possível aos estudiosos compreender a origem, a evolução e as famílias de línguas do mundo.

DICAS DE GRAMÁTICA

PARA MIM FAZER ou PARA EU FAZER?

- Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?

- A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA

O Brasil é um país que brinca com a educação. Não é, definitivamente, um país sério. Prova disso é esse logro que faz o Ministério da Educação contra os estudantes, quando utiliza o Programa Nacional do Livro Didático para distribuir 485 livros ensinando os alunos a falarem de forma errada a língua portuguesa. Este livro, “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, aprender”, faz a defesa do uso da língua popular, embora ela contenha muitas incorreções. Seus autores argumentam que o conceito de se falar certo ou errado deve ser alterado para adequado ou inadequado. Eles desprezam a gramática e o padrão culto, erudito da Língua Portuguesa. Em trechos da obra, há afirmações escandalosas, por exemplo, na pergunta: "Posso falar “os livro?”Resposta: “Claro que pode”. Outras frases citadas e consideradas válidas são "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe". Heloisa Ramos, uma das autoras do livro, entrevistada pelo Jornal Nacional, afirmou que não se aprende a língua portuguesa decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários. E se aprende falando “Nós pega o peixe”?!

Absurdo uma professora universitária induzir alguém a acreditar que o ensino do vernáculo ficará melhor ao se desprezar o uso da gramática e dos bons dicionários. Que ela acredite nisso é menos mal, agora que o Ministério da Educação abrace essa absurda ideia, aí a coisa se complica. Que Ministério é esse, afinal? Quando o culto a língua vernácula deixar de ser prioridade num país, melhor será fechar as escolas. Afinal, a escola não serve mais para o culto do saber institucionalizado, a preservação e o respeito à literatura, aos bons escritores. Então, a linguagem não é mais requisito para a ascensão social dos cidadãos?

Durante minha vida já convivi com pessoas de variadas formações. Conversei com seringueiros, pescadores, agricultores, madeireiros, gente que desconhece o mundo da escrita. Gente nobre, do mais alto valor humano. Apreciei conversar com essas pessoas, aprendi tantas coisas, jamais censuraria a forma como se expressam, afinal essa gente não teve o privilégio de freqüentar nenhuma escola, além daquela da vida difícil. Logicamente, censurá-los seria estupidez, discriminação, preconceito. Da mesma forma ninguém tem o direito de ensiná-los a dizer “Nós pega o peixe”, “Nós vai”, utilizando um livro que custou um dinheirão para contrariar todos os princípios e regras da gramática portuguesa. É preciso ter respeito pelo povo brasileiro.

Admite-se que um artista, um escritor componha uma canção, escreva um conto ou um livro, usando expressões populares, que seriam incorretas desde o ponto de vista formal, ou colocando-as em boca de seus personagens ou mesmo inventando neologismos que não existem no dicionário. A escrita magistral de Guimarães Rosa, a poesia de Adélia Prado, os sambas de Adoniran Barbosa, entre outros, exemplificam a riqueza a que faço referência. É outra situação, outro contexto, é um trabalho grandioso que fazem com a linguagem enquanto obra de arte.

Mas não é isso que faz o Ministério da Educação e tão pouco essa professora. Trata-se de um livro didático, distribuído pelo órgão governamental que deve cuidar do aprendizado da língua portuguesa falada no Brasil, e que faz a defesa da linguagem incorreta, ensinando jovens a falar mal o idioma pátrio. Que iguais e democráticas chances de competição terão esses jovens na vida profissional, principalmente na área dos concursos públicos? Como vão eles enfrentar os jovens da classe mais abastada, oriundos de escolas padrão classe A, onde se ministra a gramática oficial? O que vai acontecer com o candidato, que na prova de seleção, em qualquer empresa privada ou certame público, grafar uma frase com expressões tais como “posso falar os livro?”, “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”? Eles não serão, simplesmente, as pobre “vítimas de preconceito linguístico”, como está no livro. Esses jovens vão tomar um ‘debout à l'arrière’ e perder a chance do emprego e de um futuro melhor.

Com todo respeito e sem sentimento de superioridade ou arrogância, "Nós pega o peixe" não dá para aceitar. Se a educação já é o problema número 1 do Brasil, em relação ao futuro, se os responsáveis por ela começarem a ensinar a escrever e falar errado, onde vamos parar? Esse livro deve ser recolhido e queimado. O ministro, que fez a distribuição, deve ser punido, severamente, pela Lei. Afinal, faz mal uso do dinheiro da nação.

Percebe-se, nesse episódio, mais uma vez, que povo sem cultura ou cultura muito “flexível” é tudo o que quer a classe política instalada há décadas no Brasil. Essa é a arma que eles utilizam para manter os cabrestos e feudos políticos. Talvez por isso queiram enfiar em nossas cabeças que "nós pega peixe". Só não podem esquecer é que "nós também vota!"

DICAS DE GRAMÁTICA

NÓS PEGA O PEIXE, ESTÁ CERTO, PROFESSORA?

- Segundo o padrão culto da língua portuguesa, aquele ensinado nas escolas, está errado. O pronome “Nós” exige o verbo na terceira pessoa do plural: Nós pegamos o peixe.

POSSO FALAR “NÓS VAI”?

- Poder você até pode, mas é forma condenável pelo padrão culto gramatical brasileiro. Nenhum concurso público, vestibular, Enem, vai aceitar isso como adequado. Então, o melhor é aprender a forma correta: Nós vamos; Os meninos; Os meninos pegam o peixe, etc.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.