quinta-feira, 23 de setembro de 2010

COMO NASCEM AS GÍRIAS

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O presente artigo procura explicar como surgem as gírias e de qual forma essa linguagem usual entra no cotidiano das pessoas. É um jeito de comunicação que abriga termos que brotam no meio popular, de forma espontânea. Muitas gírias são comuns a toda sociedade, porém outras são mais específicas de grupos sociais. Na atualidade, elas povoam a linguagem dos jovens, por exemplo. Muitas pessoas perguntam nos encontros, seminários, palestras, como nascem às gírias. As formas são muitas, aqui se descrevem algumas:

1) neologismos - palavras ou expressões de criação recente: gato, no sentido de “ligação clandestina de eletricidade”, e laranja, designando “falso proprietário”. O neologismo pode ser criado na própria língua – neologismos de cunho literário ou popular, como o verbo embuchar, que significa engravidar – ou importado de uma língua estrangeira -- como lasanha, do italiano lasagna, chope, do alemão chopp, bife, do inglês beef. Há, ainda, neologismos que não têm forma equivalente em português, como fashion, palavra em moda.

2) metaplasmos - alterações intencionais do código, fruto de criatividade do falante sobre a língua: cinema > cine; muito > mui; senhor > sô; carvão > cravão; golpe > gorpe; talho > taio; insônia > isônia.

3) bordões, jargões, clichês – palavras ou expressões da cultura popular: “alma sebosa", “bronca do tamanho de um trem", "chumbo grosso", "durma com uma bronca dessa", "ninguém tem letreiro na testa”, “ir pras cabeças”, “sacada genial”, "fazer das tripas coração", "encerrar com chave de ouro", “silêncio mortal".

4) ditados, ditos e expressões populares, frases feitas, gírias - palavras e frases que na sua grande maioria têm a função comparativa com diversos assuntos, como animais, modo de agir, modo de pensar: osso duro de roer = coisa difícil de resolver; dar nó em pingo d'água = ser capaz de se sair de todas as dificuldades; pintar o 7 = fazer bagunça; cada macaco no seu galho = cada pessoa no seu devido lugar; quem se mistura com porcos, farelo come = quem acompanha pessoa de índole ruim acaba se tornando igual a ela; lábia (astúcia); antenado (atento), azaração (namoro), mala (chato), mauricinho (rapaz bem vestido), pagar mico (passar vexame), patricinha (menina bem vestida).

5) modismos - expressões inexistentes no português, ou mesmo existentes, mas usadas em sentido diferente ao original. São exemplos: abrir as comportas, administrar a vantagem, a nível de, chocante, conquistar o espaço, correr atrás do prejuízo, deitar e rolar, em grande estilo, em termos de, em última análise, entrar em rota de colisão, extrapolar, imperdível, junto a, pano de fundo, praticar preços ou juros, receber sinal verde, sentir firmeza e trocar farpas.

A incorporação de palavras novas no vocabulário traz à tona uma discussão acerca do papel dessas palavras dentro do universo da língua. Mas, afinal, qual a importância dos neologismos? Na verdade, o tema suscita opiniões diferentes. Para alguns estudiosos os neologismos são mecanismos de enriquecimento lingüístico. Na visão de outros eles representam sinal de empobrecimento e deturpação da língua, um fator de distanciamento da fala e escrita no padrão preconizado pela gramática. Mário Barreto, renomado gramático brasileiro, representou muito bem este ponto de vista, que repercute hoje entre muitos profissionais. Para ele os neologismos “não argúem mais das vezes senão ignorância da língua por parte de quem deles se serve”. Evanildo Bechara – um dos maiores gramáticos da atualidade -- “os neologismos inicialmente provocam alguma estranheza. (...) Esse uso abusivo é um empobrecimento, uma vez que põe na cristaleira da língua todos os outros verbos que deveriam ocupar os lugares que lhe eram devidos. (...) Esses neologismos podem pegar. Mas, a princípio, parecem estranhos.”

Na atualidade, a “onda inglesa” é um fenômeno que expõe a dimensão da influência norte-americana sobre a cultura brasileira. O contato com o idioma -- por meio da alimentação, do vestuário e do consumo das marcas importadas em geral -- vem criando um vocabulário cada vez maior de palavras adaptadas ou adquiridas. Além do mais, a mídia contribui para a difusão de novos termos (nas novelas, na propaganda, nos jornais, etc.), fixando as novas palavras na linguagem cotidiana, sob a argumentação de que os estrangeirismos causam maior repercussão e atraem mais a atenção do espectador-consumidor.

Naturalmente, pode-se chegar à conclusão de que a língua é rica por apresentar essas variedades lingüísticas, por dar aos falantes o poder de criação, de liberdade. Essa é a beleza de uma língua, não é preciso ficar estanque, presa às regras. O necessário, no processo da comunicação, é a clareza naquilo que se diz. O importante é comunicar, surpreender, iluminar, divertir. E, nesse particular, a gíria está com tudo.

DICAS DE GRAMÁTICA

DEVE-SE ESCREVER O SARGENTO MARTA OU A SARGENTO MARTA?

- Existem na língua portuguesa as formas femininas soldada, sargenta, coronela, capitã, generala. No entanto, como as Forças Armadas resolveram não adotá-las, preferindo empregar o nome do posto tanto para os homens como para as mulheres (até porque alguns ficariam estranhos, como ‘a tenenta’, e outros nem feminino teriam, como ‘major’ e ‘cabo’), a única diferenciação fica sendo o artigo:

· A soldado Carla, a sargento Marta e a coronel Maria serão promovidas.

· Parece que uma tenente foi desacatada.

· O coronel Gomes passou as instruções a capitão Marli Regina.

Fora da hierarquia militar, no caso particular de capitão, pode-se dizer que é correto – existe esse registro em alguns dicionários – falar em "capitoa", mas é preferível usar o feminino capitã, palavra, aliás, bastante em voga, pois designa também o "chefe, a pessoa que comanda, que dirige" ou "atleta que representa a equipe":

· Na nossa gincana foi atribuído um prêmio as capitãs das cinco equipes.

· Sônia, capitã da PMAC por muitos anos, abandonou o voleibol repentinamente.

É CORRRETO DIZER “EU EXPLUDO”?

- Sim, perfeitamente correto. EXPLODIR não é verbo defectivo em si. Ele é conjugado conforme o verbo dormir, segundo dicionários especializados. Portanto, pode-se dizer "ele explode, eu expludo, ele que expluda o balão”. No Brasil, depois que o ex-presidente Figueiredo falou (corretamente) "expludo", criou-se o estigma e a má reputação do verbo, como se ele devesse ter explodido de outra forma: "Ele que se exploda!"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A DIFÍCIL ARTE DE DEFINIR O AMOR

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Indague o leitor o quê é o Amor, se saberia defini-lo? Se não souber, não se assuste, pois em verdade ninguém conseguiu, ainda, uma definição precisa. O Amor tornou-se uma das mais raras experiências de vida. Sim, fala-se sobre ele, estórias são escritas, canções são compostas, filmes são feitos, vê-se na televisão, no rádio, nas revistas - uma grande indústria continuamente supre o mundo com a idéia do que seja o Amor. Muitas pessoas estão constantemente envolvidas nisso, ajudando outras a entenderem o que é o amor. Mas ainda assim permanece como fenômeno desconhecido para milhões de pessoas no mundo, quando deveria ser o mais conhecido.

O Amor é uma experiência tão pessoal e intransferível como a morte. E, aqui, neste texto, as trilhas são os filósofos, poetas, artistas, amantes, apaixonados, gente que reflete o tema na busca de uma resposta. Se desejar, caminhe comigo e dê-se conta que a vida sem amor é NADA. O amor é TUDO!

Mozart, na ópera "O Casamento de Figaro", faz o imberbe e adolescente Querubino perguntar: "Dizei-me, vós que o sabeis: o que é o amor?" - todo o mundo se esgoelou, mas ninguém lhe respondeu a contento. Poetas e filósofos não conseguiram aproximarem-se mais do que eles (Mozart e Querubino) na difícil definição. E a característica mais notável a respeito é que todas as respostas discordam uma das outras.

Platão, por exemplo, sustenta ser o amor uma apreciação da beleza, principalmente da beleza das idéias abstratas e dos conceitos matemáticos. Descartes afirma que o amor é uma emoção em que a alma é incitada a juntar-se, de bom grado, a objetos que se afiguram agradáveis.

Dante, encerrando sua obra gigantesca, vinca o amor como uma verdade cósmica: "O amor que move o sol e as outras estrelas". O Fausto de Marlow espera que Helena o torne imortal com um único beijo. Walter Scott resume, sob o ponto de vista dos românticos, o amor como a força que age e domina a vida dos seres humanos, ao dizer: ”O amor governa a corte, o campo, o bosque. E os homens embaixo e os santos em cima. Pois o amor é o céu e o céu é o amor”.

Com se pode sentir, só para ilustrar umas poucas definições, o Amor é uma questão de vida, nunca se esgota, nunca se acaba. O que uma pessoa deve desejar e querer, intensamente, é amar mais, sempre mais, cada vez mais, cada dia mais. E que posa viver o Amor entre um homem e uma mulher, pais e filhos, entre as pessoas na terra, entre o Céu e a Terra. Que esse AMOR traga a PAZ, a HARMONIA, a TRANQUILIDADE, também a PAIXÃO, o RESPEITO de uns pelos outros. Pois o Amor é a porta da FELICIDADE!

E, embora cada pessoa ame a sua maneira e o modo de amar tenha sofrido transformações, através dos tempos, o Amor, desde a idade da pedra (quando o homem saia da caverna, pegava a mulher pelos cabelos e trazia-a para si), ainda é o mesmo na sua base fundamental: o encontro da outra metade para a realização do verdadeiro ideal de convívio, compreensão e perpetuação da espécie. E mesmo que a concepção do amor varie segundo os costumes de cada povo, quase todas as definições e as formas de exercê-lo são atribuídas aos gregos quando lhe deram dois nomes: "Eros" (o amor carnal) e "Agape" (o amor espiritual).

Do que aqui se reflete, é romântico seguir Shakespeare, no romance Romeu e Julieta, por acreditar que esse tipo de amor tem sempre, na sua descoberta, momentos de revelação e de ampliação do quadro que é a vida. Pois é ele quem se anuncia na beleza das flores, no azul do mar e do céu, no verdor das matas, na hora da Ave-Maria! Cantado em verso e prosa o Amor inspira o poeta a ver em tudo a sua essência. O Amor é também sentimento, atração, doação, alimento do corpo e da alma. O Amor é sentir a vida, é nascer de novo e diferente como se a vida mudasse o curso, querer a felicidade do outro acima de tudo, ficar feliz por dentro ouvindo o canto do próprio coração. Na verdade o Amor é tanta coisa e tanto que a definição deveria ser somente: SENTIR!!! SENTIR!!! SENTIR!!!

O SIGNIFICADO DO AMOR

O AMOR

A palavra amor (do Latim amor) presta-se a múltiplos significados na Língua Portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação.

Estudos têm demonstrado que o escaneamento dos cérebros dos indivíduos apaixonados exibe uma semelhança com as pessoas portadoras de uma doença mental. O amor cria uma atividade na mesma área do cérebro que a fome, a sede, e drogas pesadas, criando atividade Polimerase. Novos amores, portanto, poderiam ser mais emocionais do que físicos. Ao longo do tempo, essa reação ao amor muda, e diferentes áreas do cérebro são ativadas, principalmente naqueles amores que envolvem compromissos de longo prazo. O Dr.Andrew Newberg, um neurocientista, sugere que esta reação de modificação do amor é tão semelhante ao do vício as drogas, porque sem amor, a humanidade morreria.

Fala-se do amor das mais diversas formas: amor físico, amor platônico, amor materno, amor a Deus, amor a vida. É o tipo de amor que tem relação com o caráter da própria pessoa e a motiva a amar (no sentido de querer bem e agir em prol). Assim, a temática do amor está presente em quase todos os filósofos gregos. O Amor é entendido como um princípio que governa a união dos elementos naturais e como princípio de relação entre os seres humanos. No campo da filosofia, por exemplo, depois de Platão só os platônicos e os neoplatônicos consideraram o amor um conceito fundamental.

Em Plutarco o amor é a aspiração daquilo que carece de forma (ou só a tem minimamente) às formas puras e, em última instância, à Forma Pura do Bem. Em "As Enéadas",Plotino trata do amor da alma à inteligência; e na sua Epistola ad Marcelam, Porfírio menciona os quatro princípios de Deus: a fé, a verdade, o amor e a esperança. No pensamento neoplatônico, o conceito de amor tem um significado fundamentalmente metafísico ou metafísico-religioso.

Outro ponto fundamental sobre o Amor é que, para ele ocorrer, não importa os níveis - social, afetivo, paternal ou maternal, fraternal – ele deve ser permitido. O que significa ser amor permitido? Bem, de fato quase nunca se pensa sobre isso, porque passa tão despercebido que atribui-se a um comportamento natural do ser humano ou de outros seres vivos. Mas não, a permissão aqui referida tem por base um sentimento de reciprocidade capaz de dar início e alargar as relações de afetividade entre duas ou mais pessoas que estão em contato e que por ventura vêm a nutrir um sentimento de afeição ou amor entre si.

A permissão ocorre em um nível de aceitação natural, mental ou físico, no qual o ser dá abertura ao outro, sem que sejam necessárias quaisquer obrigações ou atitudes demeritórias ou confusas de nenhuma das partes. A liberdade de amar, quando o sentimento preenche de alguma forma a alma e o corpo e não somente por alguns minutos, dias ou meses, mas por muitos anos, quiçá, eternamente, enquanto dure e mais nas lembranças e memórias.

Saindo da filosofia e caindo no mundo real, é fato que muitas vezes nos enganamos ao pensar num sentimento eterno. Há pessoas incapazes de amar, porque não amam nem a si. São criaturas estranhas, misteriosas, que deveriam ser estudadas pela ciência. Isso porque possuem atitudes que nos inquietam, surpreendem, causam perplexidade, melancolia, estresse.

Entende-se, ainda, que no mundo há gente de todo tipo, os mais estranhos, que não podemos evitar, de um dia qualquer, cruzar com elas. São criaturas que habitualmente machucam, arranham, ferem, rasgam, dilaceram, porque não possuem, dentro de si, aquele sentimento mais nobre dos seres humanos: AMOR.

Assim, quando um dia, um de nós, cruzar com um caminhante dessa geografia, é prudente apegar-se na fé em Deus, seguir em frente, desviar-se, acalmar o coração, permitir que o tempo cure as feridas. Não se deve chorar nem sofrer a desesperança pela perda de um AMOR. A porta por onde ele saiu, não a feche, pois como entrar luz num lugar fechado?  Deixe-a aberta e, a qualquer momento, pode ser iluminada com a entrada de um novo alguém!

Mas não era só isso. Tinha de ter mais.... Eu queria falar do amor de quem ama; da maior riqueza desta vida, um bem espiritual cujo valor está acima de todos os bens que se possa ter, em bem que, quando verdadeiro, jamais acaba. O amor cultiva o amor, o amor faz o amor aumentar, atravessa crises, sobe acima das mais altas montanhas, desce às maiores profundezas da alma, percorre de novo as trilhas já percorridas com a graça do perdão e avança por novos caminhos com a luz da esperança.

Finalizando, por este momento, diz-se com Willian Shakespeare que lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor ainda.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.