quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A LÍNGUA PORTUGUESA NA INTERNET

É natural a preocupação de professores em relação à linguagem da Internet. Muitos questionam sobre a banalização do idioma. Outros defendem a tese de enriquecimento lingüístico, isso porque novas palavras, a cada dia, entram no léxico do idioma pátrio. A verdade é que a Internet vem revolucionando a comunicação humana de uma forma como nenhuma outra invenção foi capaz de fazer até hoje. E, ao tempo em que dissemina informação e divulgação mundial, também é veículo de interação entre indivíduos, independentemente de suas localizações geográficas. Assim, a Internet trouxe numerosas mudanças no vocabulário empregado nas conversas dentro e fora do ambiente virtual.

Nesse novo contexto é importante observar que cada época possui uma forma própria de comunicar-se: os sons de tambor, o fogo, os sinais com panos ou bandeiras, o bilhetinho, o telefone, o telégrafo, e agora o telefone fixo-móvel, a Internet e os telemóveis. O fato é que esse fenômeno Internet, em pleno vigor, neste século XXI, não foge à regra de qualquer outra época. As necessidades de comunicação têm sido muitas, o ritmo de vida é muito rápido, e o ser humano continua a inventar sempre o material que faz avançar os seus sonhos e sempre aperfeiçoando e indo mais além, de descoberta em descoberta. E, assim, o homo sapiens está a converter-se em homo digitalis com a introdução, na vida diária, dos computadores, da Internet e dos telemóveis.

A linguagem, como espelho da vida social, ajusta-se ao momento, aos meios, à tecnologia. Não há mais espaço, nas conversas online ou por telemóveis, para frases longas, textos em padrão culto. Por isso mesmo a linguagem integra-se às necessidades da vida moderna. Palavras são abreviadas até o ponto de se converterem em uma, duas ou no máximo três letras. São exemplos disso: não = n, sim = s, de = d, que = q, também = tb, cadê = kd, tc = teclar, porque = pq, aqui = aki, acho = axo, qualquer = qq, mais ou mas = +, blz = beleza, abç = abraços, fds = fim de semana, tb = também, vc = você, pq =porque, etc.
Percebe-se, nos poucos exemplos, que a pontuação e a acentuação foram abolidas (é = eh, não = naum), isso porque a escrita dos ambientes virtuais prende-se à fonética das palavras e não à ortografia fixada pela norma padrão, motivada por questões relativas à economia de espaço e à rapidez de transmissão de dados da comunicação.Essa é uma demonstração de como a linguagem está a serviço do usuário que a manipula segundo o tempo, a situação, o contexto.

Da mesma forma, a telefonia celular também difunde o envio de mensagens SMS – conhecidas por "torpedos" – com grandes vantagens aos usuários: não se perde tempo ao falar, mandam-se mensagens de qualquer lugar e a qualquer hora. Mais uma vez, as limitações tecnológicas – neste caso, o tamanho da tela do aparelho telefônico – influenciam a estrutura da linguagem utilizada: quanto menos caracteres usados, mais espaço para a mensagem. Daí decorre a necessidade de economia da linguagem em forma de abreviaturas. Tudo isso representa um momento da vida atual, não há nenhum perigo. Isso porque a linguagem retrata a vida humana no curso do tempo. E esse tempo de hoje é veloz, tecnológico, com linguagem virtual.

Têm-se, assim, breves comentários para dizer que a Internet não oferece nenhum perigo ao idioma português ou a qualquer outro. Vive-se o imperativo do tempo, da globalização, da tecnologia, da velocidade nos meios de comunicação. E a linguagem virtual passa a ser mais uma faceta da linguagem humana, em atenção ao tempo, ao meio, ao contexto, às necessidades, aos veículos. Importante é saber quando utilizar uma ou outra forma. Um ou outro padrão. O que está em jogo é a comunicação e se esta se realiza com eficiência acontece uma maravilha, nada a temer. É a linguagem cumprindo seu papel: ajustando-se ao meio e às necessidades de seus usuários.

Finalmente, dadas as dimensões, a Internet – no que diz respeito ao uso da língua em ambientes virtuais -- não pode ser ignorada, pois a linguagem da Internet também está sujeita a regras, convencionalizadas pelo uso, nos novos gêneros discursivos que surgem no ambiente virtual, como o chat, fórum, lista de discussão, messenger, blog, etc. Cabe ao professor integrar a linguagem da Internet ao rol das variedades sócio-estilísticas da língua, fazendo as correlações entre a norma e o uso.

2 comentários:

Luísa Galvão Lessa disse...

Prezada Profª Luisa.
Parabéns pelo artigo postado em 10/02/10, sobre a linguagem na internet.
Fico feliz de saber que a sra, embora defensora da escrita escorreita, já que este é um referencial, um padrão da linguagem, não tem medo do novo. No caso a "ortografia" da internet.
A linguagem, sendo viva, não fica mesmo imune aos ataques dos costumes. Pelo contrario, ela reage para sobreviver e se adaptar.
E a postura de uma catedrática como a sra, ao aceitar que para sobreviver uma lingua precisa se adaptar, mostra uma cientista antenada com a ciencia moderna, que diz que não existem varias ciencias. Existe uma e apenas uma Ordem ou uma Ciencia, da qual todos as disciplinas divergem, no sentido da procura e do entendimento do mundo e do ser humano. A ponte que a sra faz entre a linguagem e a sociologia da internet é de muita felicidade.
A ilustração do seu trabalho tambem não poderia ser mais feliz.
Abraços.
Jorge Pereira da Silva
Economista - pós graduado em Desenvolvimento Economico da America Latina.
Auditor Fiscal - Assistente Tecnico-Tributario da Secretaria da Fazenda do Estado de são Paulo.

Jorge disse...

Prezada Profª Luisa.
Parabéns pelo artigo postado em 10/02/10, sobre a linguagem na internet.
Fico feliz de saber que a sra, embora defensora da escrita escorreita, já que este é um referencial, um padrão da linguagem, não tem medo do novo. No caso a "ortografia" da internet.
A linguagem, sendo viva, não fica mesmo imune aos ataques dos costumes. Pelo contrario, ela reage para sobreviver e se adaptar.
E a postura de uma catedrática como a sra, ao aceitar que para sobreviver uma lingua precisa se adaptar, mostra uma cientista antenada com a ciencia moderna, que diz que não existem varias ciencias. Existe uma e apenas uma Ordem ou uma Ciencia, da qual todos as disciplinas divergem, no sentido da procura e do entendimento do mundo e do ser humano. A ponte que a sra faz entre a linguagem e a sociologia da internet é de muita felicidade.
A ilustração do seu trabalho tambem não poderia ser mais feliz.
Abraços.
Jorge Pereira da Silva
Economista - pós graduado em Desenvolvimento Economico da America Latina.
Auditor Fiscal - Assistente Tecnico-Tributario da Secretaria da Fazenda do Estado de são Paulo.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.