quinta-feira, 1 de abril de 2010

O PODER E A MAGIA DAS PALAVRAS

 

A-magia-das-palavras

Há muito tempo aprendi que as palavras são mais poderosas que qualquer droga, arma, artimanha ou vício conhecido pelo ser humano. O poder da palavra é maior que o das bombas atômicas ou das armas nucleares, pois compete à PALAVRA a decisão de emprego ou não dessas armas.

Dessa afirmativa inicial diz-se que a real força do mundo está nas palavras, sejam as ditas, sejam as escritas. Mas as palavras escritas têm mais força, porque é algo que fica marcado, enquanto aquilo que é dito pode desfazer-se no tempo, desaparecer na vontade ou no desejo das pessoas. Os escritos são perenes, fazem história, constroem a vida. E, nesta vida, os fatos passam, os temas esquecem-se, mudam-se, mas as palavras ficam. São elas que vão significar tudo na vida. Por isso é preciso ter atenção com as palavras, elas são como espelho a refletir a imagem das pessoas que as utilizam.

Aristóteles definiu o homem como zôon lógon échon. A tradução desta expressão está mais para “vivente dotado de palavra” do que “animal dotado de razão” ou “animal racional”. Se há uma tradução que realmente engana, no pior sentido da palavra, é justamente essa de traduzir logos por ratio. E a transformação de zôon, vivente, em animal. O ser humano é um vivente com palavra. E isto não significa que tenha a palavra ou a linguagem como coisa, ou faculdade, ou uma ferramenta, mas que o ser humano é palavra e, enquanto palavra o seu modo de se dar é na palavra e como palavra.

Percebe-se, então, que toda palavra tem poder, toda palavra tem saber. Cada pessoa tem responsabilidade por aquilo que diz. A palavra tem força, é mágica, encantada. Pode levar ao céu ou descer ao inferno. E, à maneira dos costumes, as palavras podem cair em desuso, empreender viagens, falar muitos idiomas. São como perfumes, evocam sonhos, poesia, magia, sedução.

É pelo poder das palavras, pelo significado e controle delas, pela imposição de algumas e pelo silenciamento ou desativação de tantas outras, que as pessoas lutam na vida, tropeçam, vencem. Nessa luta se joga algo mais do que simplesmente palavras. Vejam-se a palavra experiência. Em espanhol, significa “o que nos passa”; em português, “o que nos acontece”; em francês a experiência seria “ce que nous arrive”; em italiano, “quello che nos succede” ou “quello che nos accade”; em inglês, “that what is happening to us”; em alemão, “was mir passiert”. Então, a experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca.

Por isso tudo é fundamental, ao ser humano, ter cuidado, atenção, respeito às palavras, pois com elas exercitamos a comunicação, dizemos quem somos, o que queremos na vida. Essa comunicação dirige nossos pensamentos e molda nossas ações e, de alguma forma, ela nos ajuda a criar a nossa realidade, evidenciando nossos pontos fortes ou potencializando nossas limitações. A palavra induz à idéia, tanto quanto a idéia induz à palavra.

Para concluir a reflexão, pense o leitor nas palavras que usa e analise quais palavras mais saem da sua boca. Essas palavras são de amor, irritação, amizade, compreensão, respeito, elogio, condenação, crítica? Depois, responda como essas palavras são transmitidas, se com humildade ou arrogância. Ainda, tente descobrir quais palavras são importantes no convívio diário da vida. Por fim, exercite algumas palavras mágicas. Seis palavras importantes: “Reconheço que o erro foi meu”. Cinco palavras importantes: “Seu trabalho é bom”. Quatro palavras importantes: “Qual a sua opinião?” Três palavras importantes: “Faça um favor”. Duas palavras importantes: “Muito obrigada”. As palavras nunca são somente palavras. Elas traduzem aquilo que cada pessoa é e o que tem. As palavras traduzem a vida.

DICAS DE GRAMÁTICA

ESTE, ESSE OU AQUELE, como usá-los?

¨ Emprego dos pronomes demonstrativos em relação ao DISCURSO:
       - entre dois ou três fatos citados:
¨ o primeiro que foi citado  aquele
¨ o do meio esse
¨ o último citado este
¨ Houve uma guerra no mar entre corsários de França e Inglaterra: estes [desnecessário dizer que são os corsários ingleses] venceram aqueles.
¨ Música de câmara e ópera são as suas preferidas: esta, porque mexe com seus sentimentos; aquela, pelos efeitos relaxantes.

ONDE USAR ONDE?

¨Onde, em termos de classe gramatical, pode ser pronome relativo ou advérbio (interrogativo de lugar: Onde estás?). A preocupação maior de revisores, tradutores e pessoas que desejam escrever com excelência reside no emprego do pronome, que tem sido usado a torto e a direito como se fosse universal, valendo por "que, quando, cujo, no qual".

¨O pronome relativo onde se refere a um substantivo antecedente de lugar:

¨A cidade onde moro é linda.

¨Ideal para longas caminhadas, o parque da maternidade permite uma visão da bela Rio Branco e conta com uma ciclovia onde bicicletas e patins disputam o espaço democraticamente.

¨Fomos fazer canoagem e o bote onde estávamos virou.

¨Há lugares no mundo onde se vive muito bem.

5 comentários:

Isaac Melo disse...

Profª. Luísa,
E por falar no poder das palavras gostaria de agradecê-la pelas suas que deixastes em meu blog. Muito obrigado. Fiquei super lisonjeado.
Ah, sempre partilho seus artigos no Alma com os amigos.

Um grande abraço!

Marina disse...

Olá,estimada professora! Parabenizo-a pela beleza do artigo " O poder e a amagia das plavras". O seu texto é um poema, um canto que ecoa na alma da Língua Portuguesa. Saudades de suas aulas!
Com carinho,
Anna Beatriz

Marina disse...

Oi, professora querida, sou a marina, a mensagem anterior foi da Anna. Nós amamos seus textos. Beijos, Marina

andreas disse...

Profª. Luísa Lessa,
Quanta preciosidade escreve! E o Brasil a conhece? Deve conhecer, somente eu descubro, tardiamente, seus textos primorosos.
Parabéns! As palavras tem poder e magia, sim!
Um abraço,
Andreas

Anônimo disse...

Você plagiou uma parte de um artigo científico de Jorge Larrosa Bondía: "Notas sobre a experiência e o saber de experiência", do I Seminário Iternacional de Educação de Campinas

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.