sexta-feira, 21 de maio de 2010

A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NO MUNDO SOCIAL E CULTURAL

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A vida das pessoas está intimamente associada ao processo de comunicação e aprimoramento da capacidade comunicativa que acompanha a própria evolução humana. À medida que amplia seu relacionamento com o mundo, o ser humano aperfeiçoa e multiplica a sua capacidade de comunicação, envolvendo palavras, sons e imagens. Textos verbais e não-verbais interagem e contribuem para a representação oral e escrita das sociedades.

A língua é um código desenvolvido para a transmissão de pensamentos, idéias e interação entre os indivíduos. Dessa forma, a língua pertence a todos os membros de uma comunidade e a nenhum deles isoladamente. Assim, como a língua é um código aceito, convencionalmente, por toda uma comunidade, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la. Em razão dos costumes, das gerações, de processos políticos, dos avanços sociais e tecnológicos, uma língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham fonemas, outras deixam de ser utilizadas, novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, sem contar os “empréstimos” de outras línguas com as quais uma dada comunidade mantém contato.

Então, a língua constitui, pois, um código mutável que integra as relações humanas e que, ao mesmo tempo em que sofre modificações, participa das mudanças nas sociedades. Esse patrimônio social é responsável pela possibilidade de se preservar o conhecimento e de transmiti-lo a outras gerações no correr do tempo. É por meio da linguagem que as sociedades perpetuam suas histórias escritas. Sem a linguagem o mundo seria um imenso vazio.

Observa-se, também, uma estreita relação entre linguagem e cultura. Uma é expressão da outra. Essas duas entidades possuem uma relação tão ampla e complexa, que abrange desde a consideração de que as estruturas lingüísticas possam se edificar, a partir de uma situação cultural, até a afirmação, em sentido contrário, de que os costumes lingüísticos, de determinados grupos, tenham moldado, fundamentalmente, a cultura desses povos. Ou seja, a linguagem modifica a cultura e esta modifica aquela.

No entanto, sendo o ser humano portador da linguagem, ele não é dela possuidor, apenas usuário. E, no uso, modifica a língua, mas não a detém para si como algo seu. Isso acontece porque a língua é um sistema social e não um sistema individual. Ela preexiste às pessoas. Não se pode, em qualquer sentido simples, ser autor. Falar uma língua não significa apenas expressar os pensamentos mais interiores e originais, significa, também, ativar a imensa gama de significados que já estão embutidos no sistema cultural de dada comunidade, sociedade.

Essa relação intrínseca entre língua, cultura, sociedade, constitui arranjo fundamental nas atividades cotidianas de nossas vidas. Dessa forma, as mudanças ocorrem, tanto na cultura quanto na língua, seja por eliminação, acréscimo ou modificação de elementos. Não é uma coisa voluntária, acontece sem que se perceba, de forma ininterrupta. Assim, as pessoas reestruturam aspectos lingüísticos e valores morais, por exemplo, muitas vezes, sem perceber. Mas, para tristeza de muitos, ninguém, isoladamente, modifica uma língua. Ela pertence ao conjunto de falantes e responde por seus comportamentos sociais, culturais, morais, éticos.

Compreende-se, então, que a linguagem é constituída de três formas: a) representação, “espelho” do mundo e do pensamento; b)instrumento “ferramenta” de comunicação; c) forma “lugar” de ação ou interação entre falantes. Ou seja, a principal concepção do ser humano (ser falante) representa para si o mundo através da linguagem e, assim sendo, a função da língua é representar/refletir seu pensamento e seu conhecimento de mundo.

Finalmente, naquilo que diz respeito à sua essência, línguas são fenômenos inerentes ao ser humano e semelhantes a ele próprio: sistemáticos, porém complexos, arbitrários, irregulares, mostrando um acentuado grau de tolerância a variações, repletos de ambigüidades, em constante evolução aleatória e incontrolável. Por isso a linguagem é espelho fidedigno das pessoas. É como diz Fernão de Oliveira (1536), “cada um fala como quem é”.

DICAS DE GRAMÁTICA

ENTREGA EM DOMICÍLIO OU ENTREGA A DOMICÍLIO?

- A expressão em domicílio é a certa quando se usa o substantivo entrega ou o verbo entregar. Entrega de pizzas em domicílio, uma vez que quem entrega, entrega algo em algum lugar. Assim, ao ler Letras & Letras, em casa, o leitor recebe Dicas de Gramática em domicílio, pois quem recebe algo, recebe algo em algum lugar, em casa, na empresa etc.

É CERTO FALAR OU ESCREVER RECEBA DE GRÁTIS ESSE BRINDE?

- Não. O certo é utilizar as expressões de graça, grátis, ou gratuitamente. Receba de graça. Receba grátis. Receba gratuitamente. Tudo isso é possível, mas de grátis... nem pagando!

3 comentários:

Isaac Melo disse...

Profª. Luísa,

Há muitas pessoas que admiro no Acre e me torno praticamente um devoto deles. Escrevem de forma maravilhosa. É preciso dizer isso. Eu digo. Entre estes se encontra também você. Por isso, estou sempre às voltas em seu blog.

Eu imagino que não seja tarefa nada fácil tornar temas tão acadêmicos numa linguagem mais simplificada sem, necessariamente, se tornar algo fútil. É o fazes muito bem.

Se me permites uma observação, esta é em relação ao título das postagens. Não é que não sejam atraentes, mas muitos só lerão se se sentirem atraídos pelo título, digamos o cartão de visita do blog. Acho isso chato, mas não deixa de ser uma "exigência" do leitor blogueiro para nós que nos aventuramos em blogs.

Um forte abraço, na admiração de sempre!

Luísa Galvão Lessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luísa Galvão Lessa disse...

Sou uma privilegiada na vida por tê-lo como leitor. Acredite que seus comentários são preciosos porque brotam de fonte fecunda. Reconheço minha enorme dificuldade em sair do texto acadêmico, em trabalhar um título apelativo, embora conheça as funções da linguagem [Função apelativa ou conativa] e o papel de cada elemento do processo comunicativo. Mesmo assim o lado acadêmico é mais forte ao ponto de usar títulos que não alcançam o leitor comum, que vai precisar ler para saber do que trata o texto. Tem você, querido Issac, absoluta razão. Esse "contexto sócio-cultural" foi demais!!! Como faço para vencer essa dificuldade? Aqui reside meu drama como escritora de um blog, que embora tenha uma feição acadêmica, desejo atingir o maior número possível de leitores. Assim, preciso melhorar muito.
Obrigada pela dica, fico mais atenta e no aguardo de mais dicas.
O B R I G A D A!
Abraços

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.