
O exercício do magistério oportuniza ao professor muita conversa com seus alunos। Assim tem sido no Curso de Comunicação Social, no IESACRE, quando se fala, francamente, sobre a ética no jornalismo, na academia, sobre condutas de vida. É importante, ao professor, trabalhar áreas ligadas à humanidade das pessoas. Os estudantes, nos textos que escrevem, manifestam opiniões diversas. E, de tudo quanto se tem dito sempre há algo para acrescentar. Pois a ética não é uma norma pronta, em abstração, mas uma conduta que deve ser experimentada no dia a dia da vida, desde o trato com amigos e familiares, às normas de conduta na universidade, na empresa onde se trabalha, nos lugares que se freqüenta. Enfim, a ética é um caminho bom a ser seguido, para a boa e salutar convivência social.
Por isso, daquilo que li, compreendo a ética no jornalismo como um modo de pensar que “dá forma aos impasses que requerem decisões individuais e sugerem equações para resolvê-los”। É um pacto de confiança entre público e instituição. Tem que ser contextualizada para acompanhar a mentalidade do público alvo e, com isso, não romper o debate ético.
Para esses alunos do Curso de Jornalismo eu diria, antes de tudo, que o jornalista precisa ser um cidadão ético। Os valores morais precisam estar enraizados nele e não serem seguidos por mera subordinação. A integridade pessoal do jornalista define seu preço no mercado, porque sabe oferecer, ao outro, seu potencial, talento, sem desnudar-se dos valores éticos que carrega, sem subordinar-se aos meios, que fazem da ocasião uma oportunidade financeira, passando ao largo, grande parte das vezes, da ética e da verdade dos acontecimentos.
Também, esses estudantes sabem a função da imprensa num país democrático. Ela deve fiscalizar o poder e estabelecer-se como instituição de cidadania. Por isso mesmo ela é palco constante de ideais diversos, proporcionando o conflito. Só neste cenário é possível que a ética seja discutida – de preferência com o público que sustenta a imprensa. A ética jornalística não se resume a uma normatização do comportamento de repórteres e editores. Ela também encarna valores que só fazem sentido se forem seguidos, tanto por empregados da mídia como por empregadores – e se tiverem como seus vigilantes os cidadãos que formam o grande público.
Outro aspecto importante a considerar, nos meios de comunicação, é a notícia, pois ela é o alimento do jornalismo na construção não apenas dos gêneros midiáticos, mas da identidade social, da opinião pública। Ela quebra o isolamento social. Mas notícia não é somente uma novidade, é a novidade que, de alguma forma, muda fatos, poderes ou idéias. No aspecto do novo, que trás a notícia, ela consiste em publicar o que outros querem esconder, mas que o cidadão tem o direito de saber. Por exemplo, as reportagens denunciadoras de tortura e corrupção que, posteriormente, modificando idéias, fizeram com que a democracia se instaurasse no Brasil. Isso é compromisso ético.
Da reflexão de hoje enumeram-se dez aspectos, que podem resumir os mandamentos do bom jornalismo:
1) Desejar, sempre, descobrir a verdade;
2) Pensar na conseqüência do que se publica;
3) Contar a verdade com fundamentação;
4) Possuir impulso de educar;
5) Distinguir opinião pública de popular;
6) Distinguir legitimidade de popularidade;
7) Ter disposição para liderar;
8) Mostrar coragem;
9) Ter disposição de admitir o próprio erro;
10) Respeitar e honrar as palavras।
Encerrando a breve reflexão, diz-se que o profissional do jornalismo precisa ter sólida formação ética, olhar crítico, atualização, independência, talento, intuição, reflexão, educação, humildade para servir ao público e com ele dialogar. Pois a ética aqui comentada não surgiu, apenas, como adjetivo, mas na sua origem substantiva de transportar valores, normas de conduta ao exercício da vida. Ela não é sinônima da honestidade de um indivíduo, mas um conjunto de valores que devem ser seguidos e debatidos com sensatez. Por isso, sua prática exige humildade, sinceridade, força de vontade, liberdade. Seguir esses preceitos é missão importante para os atuais e futuros jornalistas.
DICAS DE GRAMÁTICA
As expressões “em que pese” e “a nível de” são corretas?
- Do ponto de vista gramatical elas não existem, embora estejam presentes no cotidiano de muitas pessoas.
Comentários:
1. Apenas em que pese não existe. O correto é em que pese a.
E o que quer dizer? – Significa: 1. Ainda que custe, doa, pese, a (alguém). 2. P. ext. Apesar de; não obstante.
Exemplos:
a) Ele foi mais do que uma esperança, foi uma ardente afirmação, em que pese à artimanha política que utilizou;
b) Em que pese à necessidade de estrutura política é prudente examinar as escolhas e indicações aos cargos públicos.
Em que pese a, por se tratar de uma expressão como um todo, não concorda no plural. Assim, domine o desejo de concordar no plural: em que pese os apelos para concordar, não o faça
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