sábado, 26 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM NO DESTINO E NA VIDA DAS PESSOAS

 

O homem, desde os mais remotos tempos, sempre se preocupou com a linguagem. Na Grécia antiga, os pensadores já se deixavam seduzir por questionamentos como: as palavras imitam as coisas? Como se dão os nomes às coisas? Como a linguagem se organiza? Qual o poder das palavras na vida das pessoas? Qual a função política da linguagem?

Na atualidade essas preocupações ainda habitam a alma humana. Isso porque as palavras se transformam conforme mudam às necessidades na vida. As sociedades evoluem, surgem novidades e, conseqüentemente, criam-se novas palavras para tudo aquilo que é novo. Pela palavra, Deus criou todas as coisas e criou o homem e a mulher (Gn 1). Nós, seres humanos, somos frutos da palavra.  E é pela palavra que a pessoa diz quem é. É pela palavra escrita que se constrói a História, se perenizam os feitos humanos. Porém, nada mais perigoso do que o uso das palavras.

E isso os sofistas, na Grécia Antiga, ao perceberam a importância da linguagem, especializaram-se na retórica. Assim, naqueles tempos, quando a persuasão constituía uma força pública, impunha-se a eloqüência. Hoje, pouco ou quase nada serve a eloqüência quando a força pública substitui a persuasão. Contam que Heródoto lia sua história aos povos da Grécia, reunidos ao ar livre, e tudo ressoava com aplausos. Hoje um acadêmico, num momento de reflexão erudita, é ouvido com enfado. Fazer jogo com a vida, os ideais humanos, isso sim, seduz mais do que a verdade da vida.

Não é por acaso que tanta gente que se julga importante tende a metamorfosear as palavras, mascarando-as ou destituindo-as do seu significado real. E fazem isso, em especial, aquelas ‘pessoas patológicas’, que só olham o próprio umbigo, mesmo usando lentes. Essa gente se especializa no jogo da sedução da linguagem. Especializam-se em cacoetes e adereços, para fazer posse diante de gente frágil, com pouca leitura do mundo e de si mesmo. E fazem isso no intuito de minar, amedrontar o outro, fragilizá-lo. Com isso, criam, em torno de si, uma espécie de ‘tabu’, que imprime medo.

Mas é importante descobrir que a linguagem desses ‘entes patológicos’, como escreveu Orwell (2002), “destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. Todo cuidado é pouco. Importante ao leitor/ouvinte é não se deixar conduzir, como manada cega e surda, pelas armadilhas, as tramas que conduzem à destruição de sonhos.

Assim, é importante que toda gente esteja atenta aos discursos, as falas daquelas pessoas que buscam o poder a qualquer preço. Isso porque boa parte dos mal-entendidos, das escolhas errôneas, dos problemas de compreensão da realidade da vida, se deve às armadilhas das palavras. E como toda armadilha, ela não é casual, obedece a uma intenção e planos determinados. A manipulação da linguagem, o seu uso, enquanto forma de opressão, conduz o ser humano à escuridão da vida, ainda mais naqueles momentos em que as pessoas são usadas como massa de manobra.

Nesse cenário, mais do que em outros, é importante não perder de vista a etimologia, o estudo das palavras, a história que aponta as possíveis mudanças no significado delas. Ter atenção, não se deixar seduzir, não se deixar enganar, é uma boa medida de segurança.

Conclui-se a reflexão com as palavras de Bakhtin (1999, p. 113):"Toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro. Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim numa extremidade, na outra apóia-se sobre o meu interlocutor. A palavra é o território comum do locutor e do interlocutor." Então, os criativos que me perdoem, mas imagem não é tudo. Palavras sim!

DICAS DE GRAMÁTICA

FUI EU QUE FIZ, FUI EU QUEM FEZ OU FUI EU QUEM FIZ?
- Quer saber mesmo? Pois todas estão corretas. Vejamos:
Fui eu que fiz - Justificativa - O verbo que tem como sujeito o pronome relativo que concorda em número e pessoa com o antecedente, a palavra que precede esse pronome. Exemplos: "Foi ele que te nomeou", "Sou eu que vou agora", "Fomos nós que escrevemos a carta" e "Serão os pais dele que receberão a herança".
Fui eu quem fez - Justificativa - Se o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo, geralmente, permanece na terceira pessoa do singular. Exemplos: "Foi ele quem te nomeou", "Sou eu quem vai agora", "Fomos nós quem escreveu a carta" e "Serão os pais dele quem receberá a herança".
Fui eu quem fiz - Justificativa - Se o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo pode ser influenciado pelo sujeito da oração anterior, com o qual acaba concordando. Exemplos: "Sou eu quem vou agora", "Fomos nós quem escrevemos a carta" e "Serão os pais dele quem receberão a herança".

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A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.