terça-feira, 29 de maio de 2012

CRIAÇÃO DE UM SISTEMA SUL-AMERICANO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR

 

No momento em que 47 das 59 universidades brasileiras estão em greve, pela fragilidade da política de educação superior no país, o MEC poderia, neste período, criar uma “Comissão Sul-Americana de Notáveis – entre países da América do Sul -- para planejar e por em prática a política educacional de ensino superior, a exemplo do que fez a Europa, com a Declaração Bolonha.

Essa Declaração de Bolonha visa a obtenção do sucesso do ensino superior, a empregabilidade dos egresos dos cursos, a continuidade de formação, o reconhecimento dos diplomas nos países signatários do Acordo de Bolonha, na Europa.

Tudo começou em Paris, no ano de 1998, quando os ministros da educação da Alemanha, França, Itália e Reino Unido assinaram uma declaração conjunta apontando perspectivas para a construção de um espaço europeu de educação superior, denominado DECLARAÇÃO DA SORBONNE. No ano seguinte, os ministros de vinte e nove estados europeus, incluindo Portugal, subscreveram a chamada Declaração de Bolonha (1999), onde assumem como objetivos o estabelecimento de um espaço europeu de educação superior coerente, compatível, competitivo e atrativo para estudantes europeus e de países terceiros.

A construção do referido sistema europeu de educação superior é considerada “a chave para promover a mobilidade e a empregabilidade dos cidadãos” e para a “obtenção de maior compatibilidade e de maior comparabilidade”. Isso falta ao Brasil e aos países da América do Sul. Aqui um estudante peruano, boliviano, argentino, venezuelano, paraguaio, etc, sofrerá, terrivelmente, para convalidar um diploma.

O que é a A Declaração de Bolonha? É um documento conjunto assinado pelos Ministros da Educação de 46 países europeus, reunidos na cidade italiana de Bolonha. A declaração marca uma mudança em relação às políticas ligadas ao ensino superior dos países envolvidos e procura estabelecer uma Área Europeia de Ensino Superior, a partir do comprometimento dos países signatários em promover reformas de seus sistemas de ensino.

A declaração reconhece a importância da educação para o desenvolvimento sustentável de sociedades tolerantes e democráticas. E, embora a Declaração de Bolonha não seja um tratado, os governos dos países signatários comprometem-se a reorganizar os sistemas de ensino superior dos seus países de acordo com os princípios dela constantes.

A declaração visa a tomada de ações conjuntas para com o ensino superior dos países pertencentes à União Europeia, com o objetivo principal de elevar a competitividade internacional do sistema europeu do ensino. E para que essesistema europeu do ensino superior consiga adquirir um grau de atração mundial, semelhante ao das suas extraordinárias tradições cultural e científica, delinearam-se os seguintes objetivos a serem atingidos:

- Promover entre os cidadãos europeus a empregabilidade e a competitividade internacional do sistema europeu do Ensino Superior;

A Declaração também se propõe a adotar – para os países signatários -- um sistema baseado em três ciclos de estudos:

· 1.º ciclo - com a duração mínima de três anos - grau de licença, Licenciado - de 180 a 240 ECTS;

· 2.º ciclo - com a duração de um ano e meio a dois (excepcionalmente um ano) - grau de mestre, Mestrado - de 90 a 120 ECTS (mínimo de 60 no 2.º ciclo) ;

· 3.º ciclo - grau de doutor, Doutorado - Sem requerimentos de ECTS.

- Implementar o suplemento ao diploma;

- Estabeler um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS), comum aos países europeus, para promover a mobilidade mais alargada dos estudantes. (Os créditos podem também ser adquiridos em contextos de ensino não superior, incluindo a aprendizagem ao longo da vida, desde que sejam reconhecidos pelos estabelecimentos de ensino superior de acolhimento;

- Promover a mobilidade dos estudantes (no acesso às oportunidades de estudo e formação, bem como a serviços correlatos), professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados, num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários);

- Promover a cooperação europeia na avaliação da qualidade, com vista a desenvolver critérios e metodologias comparáveis;

A Declaração de Bolonha assegura a promoção das dimensões europeias do ensino superior, em particular:

· Desenvolvimento curricular;

· Cooperação interinstitucional;

· Mobilidade de estudantes, docentes e investigadores;

· Programas integrados de estudo, de formação e de investigação.

São 3 os benefícios principais introduzidos pela Declaração de Bolonha:

1. Maior flexibilidade;

2. Maior mobilidade;

3. Diplomas mais amplamente reconhecidos.

Importante nessa Declaração de Bolonha é a uniformização das estruturas de ensino superior, bem como a adoção de quadros comuns de competências, onde os diplomas serão reconhecidos em todos os 46 países participantes no Processo.

É claro que os países da América do Sul não devem copiar, tal e qual, a Declaração de Bolonha, mesmo porque ela contém falhas. Mas é um passo importante rumo ao desenho de uma NOVA UNIVERSIDADE que se deseja construir para o mundo. Essa desunião, rivalidade e desigualdade na América do Sul deve acabar definitivamente. É preciso pensar nos estudantes que ingressaram em Universidades do Continente e necessitam de apoio dos governos. Povos irmanados avançam mais e melhor.

DICAS DE GRAMÁTICA

ADIAR PARA DEPOIS?

- Não! É redundância. Só se pode adiar para depois; se é adiar já é para depois...

Os alunos pediram ao professor que transferisse a prova para depois do feriado.

BEBEDOR / BEBEDOURO
- Bebedor é aquele que bebe.
Exemplo: Não sirva mais nada àquele bebedor inveterado.
- Bebedouro é onde se bebe.
Exemplo: Foi colocado mais um bebedouro no saguão do colégio.

2 comentários:

Anônimo disse...

Excelente artigo, parabéns, professora. Ideal que o Brasil e os países vizinhos seguissem o exemplo europeu. As nações se fortalecem muito quando unidas. Seria maravilhoso um Programa Educacional conjunto na América do Sul, América Latina. É deplorável essa desigualdade, a resist~encia na aceitaçõa de diplomas de países vizinhos, amigos, que devem crescer de mãos dadas. A Educação será um ótimo começo. A sua sugestão é maravilhosa!

Anônimo disse...

O Brasil deve fazer um Acordo Sul-Americana para a Educação,com metas a alcançar dentro de 5 anos. Começando a trabalhar agora. Aí os países cresceriam juntos e o bloco teria maior força no mundo. maravilhosa a sua ideia, professora, parabéns!

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.