terça-feira, 28 de julho de 2009

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA VIDA SOCIAL


O tema família sempre esteve no centro de minha vida como o elo mais importante numa sociedade. Hoje, residindo nas imediações de uma escola, observo o comportamento rebelde de jovens estudantes que picham, diariamente, os muros das residências. Por vezes converso com eles na tentativa de compreender porque não apreciam a beleza, o encanto das casas bem pintadas, da cidade limpa, do visual bonito a enfeitar as ruas por onde transitam.

Nesses momentos, alguns são agressivos, proferem palavrões e ameaças. É um comportamento que assusta, põe medo, porque se observa, nesses jovens, a ausência da estrutura familiar. Para eles, uma senhora, um senhor, um marginal ou bandido, uma professora, todos são iguais. Nenhuma dessas pessoas, para eles, merece respeito. Isso é assustador. Embora se insista em pintar o muro da residência todo mês, eles persistem em pichá-lo todos os dias, como a demonstrar a tristeza do mundo escuro que carregam no interior de suas almas.

Então, esse artigo não é um apelo para que deixem de pichar os muros das casas. É um chamamento às famílias para cuidarem melhor de suas crianças. Deixá-los sozinhos é entregá-los à própria sorte, onde estão sujeitos aos mais áridos e angustiantes caminhos. E os pais devem propiciar aos filhos vida digna, dando-lhes apoio, educação, orientação.Pobreza não é sinônimo de desamor, pois há lares ricos em amor e escasso em dinheiro. Então, será melhor educar os jovens hoje ao invés de vê-los, amanhã, nas casas de apoio ao menor, em celas de presídios, com a vida perdida, sem sonhos, sem futuro.

E, neste texto reflexivo, buscam-se os diferentes significados do que seja família, a partir dela mesma. Procura-se identificar de que forma se processam as relações entre seus membros. Discutem-se, também, situações onde os vínculos familiares têm papel decisivo na vida das pessoas. Para esse propósito, é fundamental descrever elementos que permitam uma ampla compreensão da abrangência destes vínculos familiares.

Quando se discutem questões éticas relativas à família, alguns aspectos são fundamentais:
· Os membros da família não são substituíveis por similaridade ou por pessoas melhor qualificadas;
· Os membros da família são vinculados uns aos outros;
· A necessidade de intimidade produz responsabilidade;
· A existência de uma pessoa produz responsabilidades;
· As virtudes são aprendidas no colo da mãe e do pai;
· As famílias são histórias em andamento;
· Nas famílias os motivos contam muito.

Os membros das famílias, ao contrário dos funcionários de organizações ou outros tipos de vínculos, não são passíveis de serem substituídos por outras pessoas baseando-se no critério de qualificação. As organizações são estruturadas para atingirem uma determinada finalidade externa a elas. As famílias são um fim em si mesmas. Embora em situações de rearranjos familiares, tais como separações e novos casamentos, o impacto na vida dos seus membros é muito maior e mais profundo que o verificado nas organizações.

Por este motivo é que os programas de adoção buscam manter unidos os irmãos de uma mesma família de origem. Por este mesmo motivo, muitas pessoas adotadas ou geradas a partir de doação de gametas podem querer conhecer as suas origens biológicas. Os laços de família são sagrados, intrínsecos, intransferíveis.

Dessa forma, os membros da família são vinculados uns aos outros. Eles não são escolhidos, salvo as situações de casamento e adoção. As relações de parentesco se baseiam, além do afeto, em relações biológicas, políticas e históricas e não em cláusulas contratuais. Os irmãos têm vínculos biológicos entre si e com seus pais que em muito ultrapassam os limites de uma simples amizade. O mesmo acontece com os primos. Outros membros das famílias se agregam devido a novos vínculos que se estabelecem, através de relacionamentos afetivos, como por exemplo, em casamentos.

Assim, pessoas de famílias biológicas diferentes passam a constituir novas histórias compartilhadas, trazendo consigo todos os seus vínculos prévios, que podem facilitar ou dificultar o seu próprio relacionamento. Mesmo em situações onde, por questões de violência ou traição, rompem-se os vínculos sociais e afetivos entre membros de uma família, os vínculos morais permanecem.

Com isso, as virtudes são aprendidas no colo da mãe e do pai. A família é o primeiro e o mais importante elemento formador do referencial moral de uma pessoa. As famílias são comunidades morais. A formação da consciência da criança ocorre predominantemente na família. As pessoas desenvolvem-se, ao longo de toda a sua vida, por influência de amigos, da escola, do convívio social. Em todas estas situações as virtudes podem ser aprendidas, porém a família é a primeira comunidade moral que a maioria das crianças freqüenta.

Por isso, então, se diz que as famílias são histórias em andamento. Os membros de uma família são sempre influenciados pela história de seus familiares. As situações familiares são dinâmicas e não estáticas. Muitas vezes apresentam um padrão de funcionamento, mas mesmo este padrão pode ser alterado. As decisões familiares baseiam-se nesta noção de processo, de situações que se sucedem. O que garante a estabilidade de uma relação familiar não é a manutenção de um estado, mas sim a compreensão desta possibilidade de mudança.

Nessa direção, o escritor Charles Dickens, em seu livro David Copperfield, diz que "acidentes ocorrerão mesmo nas famílias mais ordenadas". Uma família baseada na noção de estabilidade estática (estado) poderá ter um abalo imprevisível, enquanto que outra que se tem por base um equilíbrio dinâmico (processo) terá possivelmente maiores condições de enfrentar, criativamente, este desafio. Habitualmente as pessoas seguem, sem questionar, a afirmativa de Leo Tolstoy, em Anna Karenina, de que "as famílias felizes são todas iguais, cada família infeliz é infeliz a sua maneira".

Assim, tanto as famílias felizes e infelizes o são de maneira diversa e particular. As famílias infelizes apenas despertam maior atenção, como se avistam nessas crianças revoltadas, debochadas, demolidoras da tranqüilidade das ruas e, conseqüentemente, destruidoras das próprias vidas. Falta-lhes FAMÍLIA, a unidade básica da sociedade, formada por indivíduos com ancestrais comuns ou ligados por laços afetivos. Então, que os pais cuidem melhor dos filhos, dê-lhes a formação do caráter e a educação que compete à família. Assim a escola terá sua tarefa facilitada: educar para a cidadania e para o progresso da nação. A sociedade viverá mais harmônica, sem a agressividade tão presente na juventude atual que compromete o futuro do país. É urgente fortalecer os laços de família.

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