quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CIÚME E TRAIÇÃO CAMINHAM JUNTOS?

A literatura mundial que trata do ciúme é abundante, e as divergências de opinião acerca do assunto também o são. Embora o conceito de ciúme tenha uma dimensão pluralística, no sentido de admitir a coexistência de vários princípios na tentativa de explicá-lo, é freqüente que os autores se respaldem na definição fornecida, em 1981, pelo autor Gregory White, por contemplar um número maior de fatores e por ser menos contraditória em relação a todas as outras que lhe sucederam. É por essa razão que neste artigo busca-se esboçar um breve panorama como o ciúme e a traição são compreendidos, a fim de que se possa aproximar de uma padronização conceitual, ao menos para os nossos objetivos.

Numa perspectiva mais ampla, que remonta há aproximadamente vinte e quatro séculos atrás, Aristóteles (2001) definia o ciúme como o desejo de ter o que outra pessoa possui, isto é, originariamente ele era concebido como uma qualidade boa e se referia ao desejo de imitar uma nobre atitude característica de outra pessoa. Nesta acepção, o filósofo pensava o ciúme em termos de uma nobre inveja.

Mais tarde, encontram-se nas referências bíblicas ilustrações que denotavam como o ciúme já tinha sido concebido como algo belicoso à boa vivência do amor. Salomão, em seu livro “Cântico dos Cânticos”, acreditava que o amor era forte como a morte e o ciúme, concebido enquanto uma paixão, era cruel como um túmulo.

Treze séculos depois, o escritor clássico e moralista francês François de la Rochefoucauld reconhecia no ciúme uma tendência egocêntrica ao dizer: “há no ciúme mais amor-próprio do que amor”. Este autor ainda identificava o amor como substrato para a gênese do ciúme: O ciúme nasce sempre com o amor, mas nem sempre morre com ele. Rochefoucauld (2006) ainda associa o ciúme às grandes mazelas humanas, em suma, para ele, o maior de todos os males.

No século XIX, na Alemanha, o ciúme, era concebido por Freud como um estado emocional. Segundo Freud (1922/ 1976), “O ciúme é um daqueles estados emocionais, como o luto, que podem ser descritos como normais” (p. 271). No texto Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranóia e no homossexualismo, o autor faz uma distinção entre três tipos de ciúmes, o competitivo ou normal, o projetado e o delirante.

Assim, para Freud, o ciúme poderia estar associado, no próprio ciumento, com as suas próprias traições. Então, é o desejo e a possibilidade virtual de trair o parceiro que faz brotar em cada pessoa o próprio ciúme. E esse ciúme já é algo ruim, perverso, que não traz nenhuma felicidade ao ser humano.

Para Stendhal (França,1999), o ciúme tinha uma conotação negativa e estava atrelado à vaidade quando dizia que o que tornava a dor do ciúme tão aguda era a vaidade que não contribuía para nos ajudar a suportá-la. Enquanto a traição, que destrói e anula relacionamentos, está envolta em engano e hipocrisia.

De outro lado a ciência etologia afirma que o ciúme é um sentimento universal, e sua existência pode ser constatada nos mais diferentes povos e raças. Apesar das diferenças na sua forma de manifestação, essa universalidade sugere um componente genético. Dessa forma, alguns autores abordam o ciúme do ponto de vista evolutivo e dizem que ele é uma manifestação biológica inata, que tem a função de garantir a propagação dos genes e, conseqüentemente, a perpetuação da espécie, um provedor para a prole, no caso do gênero feminino, e, sobretudo, a garantia da paternidade para o gênero masculino.

Enquanto a traição é um ato de vilania, pode ser abstrata (ver, sentir, omitir, esquecer) ou concreta (conjugal, carnal, infidelidade no agir, atraiçoar alguém). A fidelidade não é obrigação é escolha. E desta escolha pode nascer à satisfação ou a frustração das pessoas. E, na vida, é fundamental, antes de tudo, respeitar as pessoas, sob todos os prismas e formas. O respeito é a âncora de uma vida harmônica. Por isso ciúme e traição não são antagônicos, caminham de mãos dadas, povoam a mente, o caráter, o coração, os pensamentos das pessoas, fazendo-as seres inferiores, portanto, sofredoras e infelizes.

DICAS DE GRAMÁTICA

O JOGO ACONTECERÁ NO ARENA DA FLORESTA ou O JOGO ACONTECERÁ NA ARENA DA FLORESTA?

- Arena da Floresta é um Estádio de Futebol, palavra masculina. Portanto o jogo acontecerá no Estádio Arena da Floresta. Por elipse de estádio, “o jogo acontecerá no Arena da Floresta”, por favor!

ESCREVE-SE JUNTO OU SEPARADAMENTE?

AFIM = Igual, semelhante. Ex.: Temos estilos afins.

A FIM DE = para. Ex.: Saiu a fim de divertir-se.

Um comentário:

Isaac Melo disse...

Profª. Luísa,
vim cumprimentá-la novamente. Estive fora por algum tempo, por isso a ausência por aqui.
Excelente artigo: "Maquiavel: o direito e a força". Tive poucas aulas acerca de Maquiavel, mas suficiente para, pelo menos, tirar o peso preconceituoso de alguns conceitos de sua filosofia. Seu artigo é muito lúcido nesse sentido.

Felicitações e bom trabalho nesta reta final do ano.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.