quinta-feira, 8 de setembro de 2016

DOMINAR A LÍNGUA ESCRITA É QUESTÃO DE CIDADANIA




Sabemos que a língua escrita é uma representação da fala, mas não uma mera reprodução dela, considerando possuir estratégias de organização específicas que lhes são peculiares. A linguagem é um objeto simbólico construído pela humanidade. Os seres humanos primitivos usavam uma expressão bastante correta, composta pela fala e pelo gesto. A escrita passa a ser caracterizada por um instrumento mais generalizante, com o desenvolvimento do pensamento humano, pois ela tem sua origem nos primeiros signos utilizados pelos povos primitivos com o intuito de ajudar à memória.
Na opinião de Vygotsky e Lúria (1996, p. 120):
Tudo o que a humanidade “enculturada” lembra e conhece hoje em dia, toda sua experiência acumulada em livros, vestígios, monumentos e manuscritos, toda essa imensa expressão da memória humana – condição necessária para desenvolvimento histórico e cultural do homem, deve-se à memória baseada em signos.

Assim, a história da escrita está intimamente ligada à evolução do passado da humanidade, de como o ser humano se desenvolve para controlar sua memória, passando, desse modo, da linguagem oral para a linguagem escrita, seja a escrita pictográfica, na qual se utilizavam imagens visuais para transferir os pensamentos e conceitos, sena a escrita ideográfica ou hieroglífica, que utilizava símbolos que se afastava do objeto.
Na concepção de Cagliari (1993, p. 96):
A escrita é algo com o qual nós, adultos, estamos tão envolvidos que nem nos damos conta de como vive alguém que não lê e não escreve, de como a criança encara essas atividades, de como de fato funciona esse mundo caótico e complexo que nos parece tão familiar e de uso fácil.

Imaginar que uma pessoa, nos dias de hoje, ainda vive sob a escuridão provocada pelo desconhecimento da linguagem escrita, causa certo mal estar, porque, como o autor colocou acima, a escrita se tornou algo essencial para a sobrevivência humana, tornando-se quase que imperceptível a sua ausência em determinado grupo.
Por isso, a atenção para a aprendizagem da criança a partir da mais tenra idade, se faz necessária, porque é inconcebível que ela permaneça crescendo e se desenvolvendo, intelectualmente, dentro de um mundo onde a escrita e leitura estejam distantes uma da outra.
Em uma pesquisa realizada, no país, pelo Programa “Retratos da Leitura do Brasil”, sobre a leitura, os resultados são os seguintes: mais de 60% da população brasileira considera a leitura uma fonte de conhecimento para a vida. É o que diz a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”
A verdade é que ler traz muitos benefícios a quem o pratica de modo correto. A leitura desenvolve e aumenta o repertório geral, auxilia para que o indivíduo tenha senso crítico, amplia o vocabulário, estimula a criatividade e, finalmente, facilita a escrita. Aquela pessoa que não domina o código escrito é como uma árvore sem raízes, que balança e cai a depender da intensidade dos ventos que sopram. Deixa de ser competitiva no mercado de trabalho.
Finalmente indaga-se: de quem é a culpa de haver analfabetos no Brasil? A responsabilidade dessa falta de qualidade, não deve recair sobre educadores e trabalhadores da área de educação, pois é uma questão muito mais ampla, e a solução depende de investimentos por parte dos governantes que sempre enganam o povo. Antes da eleição dizem: vamos priorizar EDUCAÇÃO. Depois de eleitos elegem por prioridades os interesses particulares. Essa gente deveria ser banida da política. Desviar dinheiro da Educação é o maior crime cometido contra o povo de uma nação. Dominar a língua escrita é questão de cidadania.

DICAS DE GRAMÁTICA
COMO USAR “SE NÃO” ou “SENÃO”, PROFESSORA?
SE NÃO - É o mesmo que “caso não”, como na frase “Se não dormir mais cedo, vou acordar mais tarde”
SENÃO - É o mesmo que “do contrário”, como na frase: “Eu estava dormindo, senão atenderia”; ou o mesmo que “a não ser”, como na frase “Não faço outra coisa senão amar você.”
Uso de “TÃO POUCO” ou “TAMPOUCO”
TÃO POUCO - É o mesmo que “muito pouco”, como no exemplo “Ganho tão pouco que não dá nem pro cafezinho.”
TAMPOUCO - É o mesmo que “também não”, como no exemplo “Não comi a salada tampouco a sobremesa.”

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A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.