quarta-feira, 10 de junho de 2009

É PRECISO AGIR CONTRA A VIOLÊNCIA ESCOLAR



A Educação sempre foi vista como o caminho mais seguro para tratar os problemas originados pela violência. Em Rio Branco, capital do Acre, a realidade das escolas parece desmentir este fato. Depredações, ameaças e vandalismo no ambiente escolar fazem parte do dia-a-dia de alunos e professores. Um dos principais motivos dessa violência está no uso e no tráfico de drogas ilícitas e lícitas. Muitos alunos usam e comercializam drogas dentro e fora das escolas. Os educadores são ameaçados, desrespeitados, agredidos, rotineiramente.

Transitar em frente a uma escola é altamente perigoso. Muitos estudantes permanecem nas cercanias, sentados nas calçadas das residências, em frente aos portões das casas, promovendo verdadeira desordem. São palavrões, agressões, furtos, assaltos, pichações, pegas, assédios, enfim, um mundo onde o impossível torna-se possível. Até drogas escondem entre as plantas das casas, em sacos. A sociedade olha, sente medo e paralisia. Ao redor dos espaços escolares crianças são aliciadas por pedófilos, induzidas ao mundo das drogas, da prostituição, ingressam em quadrilhas que as utilizam para furtos, assaltos. Morar nas vizinhanças de uma escolha é sinônimo de sofrimento, insegurança, desrespeito, intranqüilidade, medo.

As escolas, aparentemente, são como ilhas de segurança para os perigos das ruas. Na prática, a situação apresenta-se diferente. Dentro do ambiente escolar, estudantes agridem uns aos outros, cometem furtos, agressões de toda ordem. Ali eles entram em contato com o lado perigoso da vida. Enquanto isso acontece, os pais deixam os filhos nas escolas e vão para casa na certeza de havê-los deixado em local seguro. Mas ali os professores estão amedrontados, temerosos do que possa acontecer. Eles têm pouco apoio para o tamanho das dificuldades que enfrentam todos os dias.

Essa descrição reflete a realidade de muitas instituições de ensino. Para se livrarem dos problemas com jovens depredadores e infratores, as escolas, maior parte das vezes, fecham os portões e deixam os estudantes em plena rua. Ali eles ficam expostos aos perigos do mundo. Na rua aprendem ser fácil furtar, agredir, porque não há punição, sanção, nenhuma ação inibidora. Os mestres da criminalidade estão ali, à espreita de presas fáceis. Embora sejam atividades ilícitas, atraem pelo dinheiro fácil e nenhum castigo. A lei protege os menores delinqüentes, por isso eles são usados como mulas.

O que fazer numa cidade como Rio Branco? O ideal seria as escolas terem pátios de recreação capazes de acolher essas crianças no início e no término das aulas. Ali elas teriam ambientes e atividades saudáveis ao crescimento intelectual. Planos de incentivos e produtividade docente, premiações, elogios, ,motivariam os professores nas ações pedagógicas e naquelas de apoio estudantil. Também as escolas deveriam ter assistentes sociais, psicólogos para orientar os jovens nos dramas da vida, pois há pais ausentes e outros que não conseguem dominar os filhos. Essa ação, por si só, tiraria muitas crianças das ruas e não levaria ao vício centenas, milhares delas. É triste ver estudantes pichando casas, destruindo bens públicos, brigando com facas, assediando outras crianças, vendendo e comprando drogas, falando de sexo, mostrando o sexo e, por vezes, praticando-o em via pública.

Nesse triste cenário, qual o futuro dessas crianças? Muitos saem da escola e vão assaltar, com armas brancas, ciclistas e viandantes que estão no Parque da Maternidade. Não poupam nem os colegas estudantes, que são vitimados ao saírem das salas de aula a caminho de casa. É um mundo triste, onde a esperança na juventude deixa desacreditada a pessoa mais sensata e sonhadora.

Essa violência tão grave, preocupa, assusta, aterroriza. Neste ano, muitos casos foram relatados pela imprensa. Professores surrados, espancados, ameaçados, menores violentados, seviciados dentro e fora das escolas. Os arredores são locais de extremo perigo e promiscuidade. São questões que necessitam ser olhadas e discutidas, com urgência. Devem-se reunir autoridades, segmentos sociais, famílias, classe estudantil, e fazer um chamamento à gravidade da situação, na busca de encontrar políticas capazes de mudar esse quadro assustador.

Dados coletados em 5 capitais brasileiras e o Distrito Federal mostram que 83,4% dos estudantes consideram que a violência do roubo é a forma mais freqüente. Depois, vêm as agressões, num total de 69%. Os colegas perpetuadores dessa violência representam 56%. As agressões físicas estão na ordem de 46%. Roubos, assaltos, 47%. A violência, na forma de tumulto, gritos, insultos, dificulta em 80% a vida escolar. Fora da escola esses estudantes promovem um tumulto que atinge 90% da paz dos moradores vizinhos. Os professores, em função da indisciplina, não ensinam 50% dos conteúdos.

Numa cidade como Rio Branco, medidas urgentes podem ser adotadas. Primeiro, chamar os pais nas escolas e pedir que observem a conduta dos filhos. É preciso ter os pais como parceiros. Segundo, promover palestras e pedir aos estudantes que apontem medidas para apaziguar os ânimos dentro e fora das escolas. Terceiro, fazer funcionar uma Guarda Escolar, para colocar, no início das aulas, as crianças dentro da escola e, ao final, retirá-las das ruas, encaminhá-las para casa. Terceiro, munir a rede de ensino de psicólogos, assistentes socais, médicos. Isso custa dinheiro? Custa. Mas o preço maior será, amanhã, construir presídios, contratar grande contingente policial, comprar armamentos, munições, trazer moradores engaiolados, ver o caos instalado, a criminalidade sem controle a tomar conta da cidade.

Diante desse quadro, o Governo precisa gerir melhor o mundo escolar, apoiar professores, proteger os jovens, acabar com a violência nas escolas, dar segurança aos educadores, promover a paz para as pessoas que habitam a vizinhança das escolas, proporcionar segurança, transformar as escolas em lugares atraentes e seguros. Afinal, educar não é oferecer uniformes, livros, construir prédios, equipá-los com a tecnologia da modernidade e não trabalhar a criatura humana, deixando-a agir de forma animalesca, como fera voraz contra as outras. Educar ensinando, premiando, elogiando, orientando, punindo, castigando, é uma maneira de a escola continuar a existir e dentro dela os educadores. Do contrário, lá vão habitar os marginais e os professores ficarão nas ruas, reféns de criminosos. As escolas vão fechar porque os professores não poderão trabalhar. Enfim, será a miséria humana instalada, o futuro comprometido e o presente demolido.

Poder-se-iam colocar câmaras nos ambientes e aparato policial nas cercanias das escolas, como também promoção de atividades que favoreçam o convívio escolar. Estas ações vão desde o zelar pelo cumprimento da missão pedagógica da escola, pela exigência de profissionalismo do corpo docente e pela garantia de um ambiente favorável à aprendizagem, abrindo a discussão acerca das decisões, funcionamento delas e, particularmente, a disciplina nas redes de ensino. Do jeito que está não pode continuar. Acreditar em alternativas e apostar no futuro é matéria prima da alma do educador. Se não houver amanhã, se as crianças não se tornarem adultos vitoriosos, se o país não crescer, se o mundo não melhorar, então para quê esse trabalho miúdo e grandioso da educação, repleto de paixão, sonhos e esperanças, essa doação diária que se esgarça no tempo? Estamos a falar do futuro da nação. Isso não é brincadeira!

DICAS DE GRAMÁTICA
BOA NOITE A TODOS E A TODAS, ESTÁ CORRETO, PROFESSORA?
- Por Deus, não façam isso! Todos e todas são pronomes indefinidos. O principal pronome de tratamento, consagrado, universalmente, e o único que as pessoas comuns devem usar como necessária manifestação de respeito — não importa a quem estejam se dirigindo — é “Senhor”/”Senhora”. Esse tratamento guarda tradição vernácula no modo de cumprimentar pessoas. Assim, é hora de parar com o uso indevido de “boa noite a todos e a todas”.

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