sábado, 13 de junho de 2009

QUAL O PAPEL DA EDUCAÇÃO DIANTE DE UMA SOCIEDADE VIOLENTA?


Inicialmente, desculpo-me com os leitores por abordar, com dureza, a questão da violência escolar, em artigo anterior. O estilo forte resulta da preocupação com aquilo que avisto nos ambientes escolares, nas imediações das escolas, na conversas com estudantes e professores. São constatações que despertam o desejo em contribuir, de alguma forma, para que se tenha um mundo melhor. Partindo do princípio de que num ambiente familiar e/ou escolar, quiçá em ambientes sociais, somos educadores e educandos, na medida em que educamos e aprendemos, nosso papel torna-se mais eficiente se atuamos na mudança das atitudes, consideradas violentas em todas as suas nuances.

Coloco-me contrária à posição de "laissez-faire". Dessa forma, o ser humano fica à deriva, fruto do momento onde os parâmetros sócio-culturais encontram-se abalados pelo excesso de liberdades. E, dessa forma, o desejo de saber e a arte de ensinar se enfraquecem. Ganha força a violência, cortando fronteiras até então sagradas. Antes, o professor uma figura respeitada, intocável. Hoje uma criatura massacrada, humilhada, insultada, numa profissão que o governo não elege como prioritária ao crescimento da nação. O envolvimento social é fator importante para a mudança do atual quadro. Junte-se a nós, caro leitor, na construção de um país mais humano, na proteção da juventude atual.

E nesse mundo tão conturbado o que é a violência? Segundo o Dicionário Houaiss, violência é a “ação ou efeito de violentar, de empregar força física (contra alguém ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); ato violento, crueldade, força”. No aspecto jurídico, o mesmo dicionário define o termo como o “constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de outrem; coação”. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como “a imposição de um grau significativo de dor e sofrimento evitáveis”. Mas os especialistas afirmam que o conceito é muito mais amplo e ambíguo do que essa mera constatação de que a violência é a imposição de dor, a agressão cometida por uma pessoa contra outra; mesmo porque a dor é um conceito muito difícil de ser definido.

Para todos os efeitos, guerra, fome, tortura, assassinato, preconceito, a violência se manifesta de várias maneiras. Na comunidade internacional de direitos humanos, a violência é compreendida como todas as violações dos direitos civis (vida, propriedade, liberdade de ir e vir, de consciência e de culto); políticos (direito a votar e a ser votado, ter participação política); sociais (habitação, saúde, educação, segurança); econômicos (emprego e salário) e culturais (direito de manter e manifestar sua própria cultura). As formas de violência, tipificadas como violação da lei penal, como assassinato, seqüestros, roubos e outros tipos de crime contra a pessoa ou contra o patrimônio, formam um conjunto que se convencionou chamar de violência urbana, porque se manifesta principalmente no espaço das grandes cidades.

Para que possamos entender melhor os determinantes da violência e o papel da educação, algumas questões nos parecem pertinentes para ajudar nessa reflexão. De que forma a violência brota na sociedade? Quais os valores que têm norteado as diferentes práticas sociais e entre estas, a educacional? Qual o papel da educação e da escola diante de uma sociedade com características violentas? Estas são perguntas fundamentais.

Hoje, a violência está estampada nos grandes centros do país e se apresenta de diferentes formas. O problema tomou tal dimensão que passou a ser visto como uma questão de utilidade pública, pois sua manifestação se propaga em proporções semelhantes às das doenças infecciosas, uma vez que afeta as grandes metrópoles, a vida de milhões de pessoas. Portanto, esta problemática não é uma característica, apenas, da sociedade brasileira. Outros países da América Latina e da América Central também vivem experiências de taxas elevadas de violações dos direitos humanos, inclusive a violação do direito à vida.

E qual é o papel da educação e da escola nesse contexto? Se se entende que a educação é um processo de construção coletiva, contínua e permanente de formação do indivíduo, que se dá na relação entre os indivíduos e entre estes e a natureza, a escola é, portanto, o local privilegiado dessa formação, porque trabalha com o conhecimento, com valores, atitudes e a formação de hábitos. Então é importante que "a escola seja um espaço onde se formam as crianças e os jovens para serem construtores ativos da sociedade na qual vivem e exercem sua cidadania. Pode-se reverter um pouco o quadro da violência trabalhando questões como cidadania e respeito, aliando um elemento auxiliar na socialização, mostrando à criança o que é direito e dever, o que é público e privado.

A educação escolar não deseja formar seres insensíveis e sim pessoas capazes de se indignar, de se escandalizar diante de toda forma de violência, de humilhação. A atividade educativa deve ser o espaço onde as pessoas expressam e partilham indignação pelo que está acontecendo. Agindo dessa forma o educador/professor nutre a esperança de sair da utopia e mergulhar num mundo capaz de valorizar o processo educacional como a única saída salvadora para a violência no mundo. A escola é um espaço privilegiado onde as pessoas têm contato com uma cultura formal de vida.

Em tese, a formação do cidadão vem de berço, da família, onde virtudes como solidariedade, respeito ao outro, tolerância devem ser cultivados. Mas, na realidade, o que acontece é que muitas famílias não tem a menor condição de dar isso a seus filhos, porquanto não receberam esse legado de seus ancestrais. Em decorrência dessa lacuna, a escola precisa ser um espaço de formação de cidadãos ativos e conscientes, integrando toda a comunidade escolar - alunos, pais, professores e funcionários - em atividades que tenham como objetivo educar pessoas para viverem em sociedade, com paz, respeito às diferenças, exercitando a plena democracia.

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