domingo, 14 de junho de 2009

EDUCAÇÃO E FAMÍLIA: DOIS LAÇOS SAGRADOS

As notícias mais freqüentes, nos meios jornalísticos, são os crimes cometidos entre pessoas. São filhos que agridem e matam os pais; pais que maltratam e abusam dos filhos; jovens que agridem professores; adolescentes viciados em drogas que comentem furtos, assaltos; idosos são agredidos; mulheres espancadas, violentadas, assassinadas. É uma violência que não devia ser contada, menos, ainda, lida ou presenciada. Mas os jornais e a TV estão repletos de cenas grotescas.

E a população a tudo assiste paralisada, sem saber como agir, qual caminho seguir. Trancar-se em casa? Refugiar-se em apartamentos, condomínios fechados? Ficar sem ir à rua? Nada resolve, porque ninguém tem segurança em nenhuma parte. Mesmo no trabalho a violência impera, os agressores estão em toda parte, sem distinção de cor, raça, ideologia. Adultos, crianças, idosos, homens, mulheres, são mortos, violentados, assaltados, agredidos em cada segundo do dia, da forma mais cruel e vil, banal.

Então, como fazer em face de tal quadro demolidor da vida social? É preciso fortalecer as famílias, elas são o alicerce de toda a estrutura da sociedade, as raízes morais e a segurança das relações humanas. Porém, na realidade da chamada “vida moderna”, há um conjunto de fatores de ordem moral, sentimental, econômica e jurídica que concorrem para o desvirtuamento do conceito tradicional de família. Na verdade, uma parcela significativa dos pais está despreparada para orientar os filhos. Em inúmeras famílias o modelo de educação mais constante parece ser aquele que inclui a violência física como um método para fazer-se cumprir a vontade ou desejo de alguém.

Há pais que não conversam com os filhos; há pais que fazem as vontades dos filhos; há pais que pagam tudo para os filhos; há filhos que exploram os pais; há filhos que não dão liberdade de vida aos pais; há pais escravos de filhos. Também há muitos filhos sem pais, soltos no mundo, sem destino, sem afeto, amor, carinho, uma palavra amiga, uma orientação, um apoio, um beijo, um abraço. Há pessoas que não sabem abraçar porque nunca receberam um abraço. Há gentes de toda forma, com comportamentos esquisitos.

Há um mundo de egoísmo, egocentrismo, vaidade, poder, ira, inveja. E todo o sentimento individualista é desagregador e causador de violência. A violência pode ser entendida como a força material ativa e que causa prejuízo físico. Também, pode figurar como aquela circunstância em que uma pessoa impõe o seu poder sobre a outra, através de meios persuasivos e coativos, mostrando que possui mais força, maior poder, mais dinheiro, mais prestígio, maiores habilidades. Mas nem sempre isso são virtudes. Gênios constroem, não destroem.
Avisto que a erradicação da violência familiar, envolvendo crianças e adolescentes, só será possível mediante a mudança de alguns paradigmas. O primeiro deles é aquele onde os pais sabem sempre o que é melhor para os filhos. É importante que os pais sejam informados a respeito das etapas de desenvolvimento emocional de seus filhos, acompanhando-os em creches, escolas, parques, locais de lazer, tudo dentro de orientação pautada pelo bom viver. Os filhos têm escolhas, inclinações, liberdades. Os pais não são donos absolutos dos filhos. O que deve existir, entre eles, é confiança, amor, respeito.

Outra “verdade incontestável” é de que o lar e a escola são lugares seguros para a criança / adolescente. É necessário que se estabeleça uma rede social que se mostre atenta e disponível a prestar solidariedade às famílias que estejam passando por momentos de crise que as impeçam de prestar a seus filhos os cuidados necessários. É preciso ofertar às escolas os mecanismos necessários ao apoio e acompanhamento dos jovens. As escolas não são lugares para marginais. Nelas, o lema é EDUCAÇÃO. Então, que ela seja ofertada nos múltiplos aspectos. Que o professor seja a figura que representa a mudança, na preparação do futuro.

Em todo esse triste cenário, o fato é que o mundo não mais tolera a violência. O caminho seguro para exterminá-la é a educação, boas escolas, bons professores, boas práticas de vida. A reprovação da violência, como forma de educar, generalizou-se pelas nações civilizadas, pois quem irrita ou deprime, em vez de manter o afeto e a confiança, fomenta a hipocrisia, atrofia a dignidade, paralisa a vontade, ocasiona verdadeira ruína psíquica e física, da qual bem poucos podem refazer-se depois de libertos.

Nesse cenário, onde a escola deve ser a REDENÇÃO, deve-se trabalhar o respeito. Não deve ser tolerado o desrespeito econômico, o social, o conjugal, o familiar, o desrespeito entre as pessoas (a má educação). Em termos pessoais, a melhor maneira de prevenir a violência é agir com o máximo de respeito diante de toda e qualquer situação.

Outro fator decisivo são os valores morais. A vulgaridade vem destruindo esses valores e tornando as pessoas irresponsáveis, imprudentes, desrespeitadoras e inconseqüentes. A irreverência e o excesso de liberdades (libertinagens, estimuladas, principalmente, pela TV), também produzem desrespeito. E, o desrespeito, produz desejos de vingança que se transformam em violência.

Então, é preciso educar os jovens e adolescentes com mais realismo e seriedade, para mantê-los longe de problemas, fracassos, marginalidade e violência. Se se diminuem os ilusórios direitos (fenômeno da banalização ou vulgarização dos direitos fundamentais, causadores de rebeldias, prepotências e desrespeitos) e a escola e famílias reforçam os deveres, o país não precisará colocar armas de guerra nas mãos da polícia. É mais econômico investir em educação, respeitar professores, fortalecer as famílias.

DICAS DE GRAMÁTICA
BRASIL GASTA MILHÕES EM ACIDENTES?
- Não! Quando alguém gasta dinheiro em alguma coisa, gasta para adquirir essa coisa ou para mantê-la. Por exemplo:Gastei mais de mil reais em meu carro.O brasileiro gasta mais em farmácia do que em supermercado.
A preposição em, na frase, está inadequada. Há de se usar uma expressão que indique causa e conseqüência, assim:a) Brasil gasta milhões em virtude de acidentes;b) Brasil gasta milhões por causa de acidentes. c) Brasil gasta milhões em conseqüência de acidentes.

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A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.