terça-feira, 4 de junho de 2013

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS PALAVRAS EM LÍNGUA PORTUGUESA

 

 

      A comunicação é o motor da inter-relação entre os seres humanos, contínua, permanente, obrigatória. A linguagem é o seu combustível. A linguagem é um instrumento brandido sobre nossas cabeças desde o nascimento até aos mais elevados níveis de aperfeiçoamento intelectual. E a linguagem se faz, particularmente, pelas palavras. Logo, é importante o estudo das palavras e suas significações.
      O estudo das palavras e de suas significações, dentro da cultura a que a língua serve, é de grande importância aos falantes. É tarefa de grande eficácia em sala de aula, ainda mais quando os estudantes têm dificuldade em encontrar palavras para traduzir seus pensamentos. Importante, também, é o estudo da significação dessas palavras. Esse aprendizado pode se tornar tarefa interessantíssima se o professor conduzi-la de maneira aprazível, levando os alunos à compreensão que o mundo da linguagem se organiza por campos lexicais ou campos semânticos [conceituais]. Todo esse estudo pertence à ciência Semântica, cujo objeto de investigação é a significação ou significado das palavras.
      Por não estarem devidamente diferenciados ou definidos, os conceitos de campo semântico e campo lexical frequentemente são confundidos. Tanto o campo semântico quanto o campo lexical são utilizados pela linguística textual a fim do melhor e mais adequado uso das palavras da língua portuguesa. Para entendê-los melhor trazemos alguns esclarecimentos e algumas conceituações:

    Léxico é o conjunto de palavras pertencentes à determinada língua. Por exemplo, temos um léxico da língua portuguesa que é o conjunto de todas as palavras que são compreensíveis em nossa língua. Quando essas palavras são materializadas em um texto, oral ou escrito, são chamadas de vocabulário. O conjunto de palavras utilizadas por um indivíduo, portanto, constituem o seu vocabulário.
      O campo lexical, por sua vez, é o conjunto de palavras que pertencem a uma mesma área de conhecimento, e está dentro do léxico de alguma língua.
      São exemplos de campos lexicais:

- campo lexical da medicina: estetoscópio, cirurgia, esterilização, medicação, etc.
- campo lexical da escola: livros, disciplinas, biblioteca, material escolar, etc.
- campo lexical da informática: software, hardware, programas, sites, internet, etc.
- campo lexical do teatro: expressão, palco, figurino, maquiagem, atuação, etc.
- campo lexical dos sentimentos: amor, tristeza, ódio, carinho, saudade, etc.
- campo lexical das relações inter-pessoais: amigos, parentes, família, colegas de trabalho, etc.

      O campo semântico, por sua vez, é o conjunto de possibilidades que uma mesma palavra ou conceito tem de ser empregada(o) em diversos contextos. O conceito de campo semântico está ligado ao conceito de polissemia. Uma mesma palavra pode tomar vários significados diferentes em um mesmo texto, dependendo de como ela for empregada.
São exemplos de campos semânticos:

* Campo semântico em torno do conceito de morte: bater as botas, falecer, ir dessa para a melhor, passar para um plano superior, falecer, apagar, etc.
* Campo semântico em torno do conceito de enganar: trapacear, engabelar, fazer de bobo, vacilar, etc.

      Considera-se importante, no conhecimento de qualquer idioma do mundo, o domínio do vocabulário por parte do falante. Quanto mais palavras conhecer maior será a eficácia da sua linguagem, concebida como forma de interação. Assim, o conjunto de vocábulos que possuímos apresenta um valor referencial, um valor contextual e um valor pragmático [uso]. Por isso, a significação de um vocábulo é importante para a compreensão de qualquer mensagem.

      Finalizando, diz-se ser importante ao falante perceber como um texto se constrói, como os vocábulos se organizam. É uma aventura, em qualquer texto, compreender os sentidos ou significados das palavras e saber que a base desses textos – orais ou escritos – é o vocabulário. Sem o vocabulário não se diz nada e também não se compreende nada. É o silêncio.      

DICAS DE GRAMÁTICA

DEVE-SE ESCREVER O SARGENTO MARIA OU A SARGENTO MARIA?

- Existem na língua portuguesa as formas femininas soldada, sargenta, coronela, capitã, generala. No entanto, como as Forças Armadas resolveram não adotá-las, preferindo empregar o nome do posto tanto para os homens como para as mulheres (até porque alguns ficariam estranhos, como ‘a tenenta’, e outros nem feminino teriam, como ‘major’ e ‘cabo’), a única diferenciação fica sendo o artigo:

· A soldado Camila, a sargento Maria e a coronel Anny Rose serão promovidas.

· Parece que uma tenente foi desacatada.

· O coronel Gomes passou as instruções a capitão Marli Regina.

Fora da hierarquia militar, no caso particular de capitão, pode-se dizer que é correto – existe esse registro em alguns dicionários – falar em "capitoa", mas é preferível usar o feminino capitã, palavra, aliás, bastante em voga, pois designa também o "chefe, a pessoa que comanda, que dirige" ou "atleta que representa a equipe":

· Na nossa gincana foi atribuído um prêmio as capitãs das cinco equipes.

· Rosilda, capitã da PMAC por muitos anos, abandonou o torneio repentinamente.

É CORRRETO DIZER “EU EXPLUDO”?

- Sim, perfeitamente correto. EXPLODIR não é verbo defectivo em si. Ele é conjugado conforme o verbo dormir, segundo dicionários especializados. Portanto, pode-se dizer "ele explode, eu expludo, ele que expluda o balão”. No Brasil, depois que o ex-presidente Figueiredo falou (corretamente) "expludo", criou-se o estigma e a má reputação do verbo, como se ele devesse ter explodido de outra forma: "Ele que se exploda!"

Um comentário:

Charles Ferreira dos Santos disse...

Perfeito. Talvez a maior, senão uma das maiores conquistas da humanidade: as palavras.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.