quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

ARTE DE BEM ESCREVER

 

 

A leitura e a escrita devem ser úteis, elas devem aproximar aquele que lê daquele que escreve e devem propiciar, antes de qualquer coisa, a reflexão. No ensino de língua portuguesa, ao se tratar de produção de texto devemos automaticamente pensar em leitura, mas também em tipos de texto. Na universidade, o educando será, geralmente, chamado a escrever um texto dissertativo, argumentando sobre um assunto. Por isso, é importante refletir, rapidamente, sobre essas nomenclaturas: dissertação e argumentação.
Para Magda Soares e Edson Nascimento, a dissertação também foi escolhida como composição mais utilizada tanto no meio acadêmico quanto no campo profissional, como se pode perceber no prefácio do livro Técnica de Redação, quando diz:

A DISSERTAÇÃO é a forma de REDAÇÃO mais usual. Com mais frequência é a forma de TEXTO solicitada às pessoas envolvidas com a produção de trabalhos escolares, com a administração e execução técnico-burocráticas de serviços ligados à Indústria, Comércio, etc. A prosa dissertativa é, assim, predominante nos textos de trabalhos escolares, nos textos de produção e divulgação científicas (monografias, ensaios, artigos e relatórios técnico-científicos) e nos textos técnico administrativos. Raramente é uma pessoa solicitada a produzir uma descrição ou uma narração; frequentemente, ao contrário, é solicitada a produzir um texto argumentativo. (Soares, 1979, prefácio)

Nesse sentido, é importante ressaltar a diferença entre dissertação e argumentação, uma vez que essas nomenclaturas costumam ser tomadas, muitas vezes, como sinônimas. Na dissertação, as ideias do emissor são expostas, mostra-se o que se sabe ou o que se julga saber sobre aquele determinado assunto. Já na argumentação, além de se expor o que se pensa sobre um determinado assunto, faz-se isso de forma persuasiva, tentando convencer o receptor, isto é, o leitor do seu texto.
Assim, "argumentar é, em última análise, convencer ou tentar convencer mediante apresentação de razões, em face da evidência das provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente". (GARCIA, 1992, p.370)

Para expor as ideias ou para convencer alguém, é preciso conhecer o assunto tratado, uma vez que, ninguém consegue escrever bem, se não conhece o que vai escrever. É preciso, antes de qualquer movimento, conhecer profundamente o objeto de reflexão. Para escrever, assim, a respeito de qualquer assunto, é necessário, antes, ler e refletir, procurando argumentos que serão apresentados como elementos de sustentação temático-textual.
Para Mattoso Câmara, "qualquer um de nós senhor de um assunto é, em princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há um jeito especial para a escrever um texto, ao contrário do que muita gente pensa e diz. Há apenas uma falta de preparação inicial, que o esforço e a prática vencem". (Mattoso, 2001, p.61)

Essa falta de preparação inicial que Mattoso cita, decorre da ausência, muitas vezes, de conhecimento da estrutura do texto a ser elaborado, de elementos substanciais à inteligibilidade textual e da carência de leitura. Na verdade, a prática da leitura é parte fundamental no processo de elaboração de um texto. Mattoso Câmara também se referiu a esse aspecto textual:

A arte de escrever precisa assentar, analogamente, numa atividade preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do que outros com bom resultado escreveram. (2001, p.61)

Portanto, há de se reforçar o que Othon Moacyr Garcia (Comunicação em prosa moderna) disse: "aprender a escrever é aprender a pensar". Pode-se completar essa afirmativa com a ideia de que para se pensar, ou melhor, refletir a respeito de algo, é preciso conhecer a temática a ser abordada e, para se ter conhecimento, nada melhor que ler o que outros já disseram sobre o assunto. Ninguém estará descobrindo a Roda, ela já  é bastante conhecida. Foi na Oceânia ela foi inventada antes da chegada dos primeiros europeus. Não queiramos, então, inventar algo novo, fugir dos padrões deste século que tanto avançou. Necessitamos, sempre, aprimorar a escrita. E, para isso, nada melhor do que ler bons escritores.

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A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.