
A linguagem é o solo da cultura assim como o ser da pessoa é o seu dever-ser. A linguagem torna o ser humano capaz de realizar-se como pode e como deve fazê-lo. Essa compreensão humana, em seu dever-ser, por meio da linguagem, justifica o título deste blog.
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terça-feira, 20 de outubro de 2015
EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA

sábado, 17 de outubro de 2015
ALGUÉM PARA AMAR
Luisa Karlberg
Sou alguém que ama o inteiro,
Nas noites, nos dias, no despertar primeiro,
Não interrogo o coração,
Ele conhece minha razão.
Não quero amor de verão,
Digo àquele do outono não,
Nego o da primavera,
Não tenho interesse no inverno de quimera.
Meu amor é pleno, repleto de estações,
Vive intensas e vibrantes emoções,
Sinceras, leais, afetuosas,
Pela verdade de vida amorosa.
Meu amor é altaneiro,
Vencedor e sobranceiro,
Não teme os caminhos,
Que conduzirão aos nossos ninhos.
O meu amor é alguém que abraça,
Canta, chora, sorrir com graça,
É amor que ama demais,
Com pouco não se satisfaz.
Meu amor, com certeza,
Tem força, coragem, beleza,
Alma pura e inocente,
Capaz de amar eternamente.
terça-feira, 22 de setembro de 2015


terça-feira, 1 de setembro de 2015
CLARICE LISPECTOR
CHÁ DAS LETRAS – setembro 2015
Premiada
escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira — e
declarava, quanto à sua brasilidade, ser pernambucana — autora de romances,
contos e ensaios e considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes
do século XX. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas
psicológicas, sendo considerada uma de suas principais características a
epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.Nasceu em uma família judaica da Rússia que perdeu sua renda com a Guerra Civil Russa e se viu obrigada a emigrar do país em decorrência da perseguição a judeus que estava sendo pregada então, resultando em diversos extermínios em massa. Chegou ao Brasil por volta dos dois anos de idade na cidade de Maceió, onde passou um breve período até a família mudar-se para o Recife, cidade onde cresceu e em que perdeu a mãe, e depois para o Rio de Janeiro, onde sua família estabilizou-se e seu pai morreu.
Estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, então conhecida como Universidade do Brasil, apesar de na época ter demonstrado mais interesse ao meio literário, no qual ingressou precocemente como tradutora e logo se consagrou como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da literatura brasileira e do modernismo e sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É comparada pela crítica especializada com os principais autores do modernismo do século XX.
Conhecida desde a juventude por escrever e publicar seus textos, suas principais obras marcam cada período de sua carreira: Perto do coração selvagem, seu livro de estreia; Laços de família; A paixão segundo G.H.; A hora da estrela e Um sopro de vida, seus últimos livros publicados. Morreu em 1977.
2 - Para tudo e para todos
Influenciada por autores como Franz Kafka, James Joyce e Virginia Woolf, Clarice deixa transbordar seu intimismo visceral.
Para Joel, esse é um dos motivos que continua atraindo tantos leitores para seus livros. “A obra dela é aberta e multifacetada, permite plurais interpretações. O leitor que terá o papel de ouvir essa voz e socorrer-se. Ele que escolherá a jornada”, diz o autor sobre a temática que não se apaga com o passar do tempo.
Um grito sem resposta, uma escrita que se costura para dentro a fim de indagar as questões da condição humana, como o amor, o nascimento, a morte, o desejo.
Para Clarice, esse era o motivo de escrever. “São temas interessantes até hoje, mas o modo como ela trabalha esses temas nos contos e nos romances é que faz dela uma autora especial. Ela se incomoda com o gesto mais sutil e delicado do ser, o mínimo atrito, ela fotografa a ambiguidade ou ambivalência dos sentimentos como se precisássemos redimensionar nosso modo de ser.”
Para desvendar o que está “atrás de detrás do pensamento” – como disse a própria Clarice – foram escritos nove romances por ela, compilados em uma coletânea lançada recentemente pela Editora Rocco.
Organizada pelo jornalista, escritor e crítico literário José Castello, Clarice na Cabeceira – Romances faz uma síntese da obra em questão e do momento vivido por ela ao escrevê-la. A coletânea é continuação de Clarice na Cabeceira – Contos e Clarice na Cabeceira – Crônicas, em que diferentes personalidades apresentam os textos favoritos da autora.
Em meio à sua prosa poética, Clarice emerge como uma “ficcionista-poeta”, tal como Guimarães Rosa. São nossos dois grandes ficcionistas da modernidade. São ficcionistas-poetas. Por esse motivo, eles têm vida longa nas estantes das livrarias.
3 - Do Brasil para o mundo
De caráter único e universal, a escrita da autora ultrapassou os territórios brasileiros. Afinal, já dizia Guimarães Rosa que se lê Clarice para a vida, para viver. “Os textos de Clarice são importantes porque são vitais, têm a força das ondas do mar, das árvores, do fluxo das águas. Aliás, foi essa força vital que impressionou muitos críticos lá fora e faz dela uma autora de estilo único”, diz Joel ao revelar que ainda fica impressionado com seus textos, que possuem dimensão filosófica que atrai psicanalistas, críticos, filósofos e leitores comuns.
Dos estrangeiros apaixonados pela obra de Clarice, Benjamin Moser aparece como um amante incondicional. O norte-americano nascido em Houston encantou-se por sua escrita já na primeira página de A Hora da Estrela, durante um curso de literatura brasileira da Brown University. Crítico e tradutor, ele aprendeu português e mergulhou na cultura brasileira do século 20 para tentar desvendar a obra enigmática da autora.
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
(...) uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi o apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
DISCURSO DE POSSE NA PRESIDÊNCIA DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS
Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg
Recebo, com honra e humildade, a Presidência da Academia Acreana de Letras. Eu, nascida no Igarapé Humaitá, Seringal São Luís – situado às cabeceiras do Rio Muru, distante de Tarauacá oito dias de barco -- nunca imaginei chegar a esta instituição. Agradeço aos confrades que aqui me conduziram, por meio de uma eleição ampla, irrestrita e democrática, da Diretoria intitulada “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.
E, nesta breve mensagem eu me curvo diante deste sodalício que me elegeu à Presidência da mais elevada instituição de cultura do Acre: a Academia Acreana de Letras. Quem conhece o berço da imensa Selva Amazônica sabe de onde vim e dos caminhos que percorri na vida. Muitos sabem como se faz para se alcançar os frutos no alto das árvores e vencer os medos na misteriosa floresta que embala as nossas vidas. Aprendi, desde cedo, a olhar acima da copa das árvores e saber que havia um mundo para conquistar e o caminho era o da educação, das Letras. E nessa área fui aluna de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado. Levei a vida inteira a estudar, desde os 5 anos de idade.
Sou uma cabocla, mesclada com o sangue português e holandês, mas me vejo, hoje, tomada de emoção. Não de tristeza, mas de intensa gratidão aos nobres confrades que a vida me presenteou como bons e fraternos amigos. Os senhores sabem, assim como eu, que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Esse sentimento sempre me moveu. A vida exige de nós - o tempo todo - uma grande capacidade de adaptação, mudanças, enfrentamentos, superação. E aqueles que temem a mudança nunca vão adiante, levam uma vida estática por medo de novos desafios decorrentes da própria existência. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça. Receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem. Eu não me escondo, não tenho a alma subalimentada de sonhos, sempre fui à luta, ‘caí no mundo’, como se diz popularmente. E foi nele que aprendi as lições mais sublimes, que redimem meus pecados e lavam a minh’alma feminina, forte e livre para ir adiante, com dignidade.
Sempre procurei superar os desafios desde muito jovem. Sai de casa aos seis anos de idade para um colégio alemão. Agarrava-me às pernas de meu pai para não ir para longe e ele me dizia: “filha, é preciso ir, estudar é a saída para quem não possui riqueza material”. Foi aí que comecei a aprender a transformar sentimentos menos elevados em prol da grandeza da vida, da escola, do conhecimento. Compreendi, desde muito jovem, que o caminho do coração é o caminho da coragem. Deixar o passado para trás e fazer o futuro SER. Também aprendi que a vida é perigosa, mas somente os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. Somente quem nasceu ou viveu no seio da Floresta Amazônica, como eu -- dentre tantos outros aqui presentes – sabe o significado dessa palavra CORAGEM. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.
E, agora, para enxugar o meu pranto, neste momento de intensa emoção – quando vejo o filme de muitas histórias da minha vida – eu digo o seguinte: - o Amor e a Ternura são sentimentos revolucionários, eles sempre deram norte à minha vida, assim como o saber, a cultura, os meus pais, minhas duas filhas, meus dois netos, os amigos, minha sublime profissão de professora, pesquisadora, educadora. Desta última, fiz meus votos de fé. Tem dado certo. E o melhor de tudo é que embora não estejamos diante do mesmo espelho, estamos nos olhando sempre. Como diz Guimarães Rosas “o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Afinam ou desafinam. E tudo indica que vamos afinar ainda mais a canção acreana e porque não dizer brasileira, com essa Diretoria “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.
Aqui, fiz breve relato da mulher que hoje se coloca diante da sociedade acreana como Presidente da Academia Acreana de Letras. Nesse cargo dedicarei o melhor dos esforços para cumprir os objetivos da AAL diante da sociedade regional e brasileira. Sou do mundo das Letras, e sei que produzir literatura é algo difícil para quem vive mergulhada no mundo da ciência. Mas eu já compreendi que a literatura antecipa a existência. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios, como está fazendo agora. Pois é a literatura uma arte que nos defende contra as ofensas da vida.
Esta Casa, que a partir de agora presido, é uma Academia. A importância das Academias de Letras flui do liame profundo que existe entre estes sodalícios e a cultura. Aqui, no Acre, sua importância salta aos olhos mais atentos de quem olha a cultura como um motor que traduz a vida em sociedade. Isso porque Cultura significa cultivar, do latim colere. Genericamente, a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano.
E, nesse contexto cultural, aqui no Acre, a Academia Acreana de Letras é, possivelmente, a maior referência no mundo cultural do Estado, uma vez que seus membros, chamados “imortais”, traduzem o lastro cultural do povo. Sendo assim, uma Academia tem o condão de desabrochar aspirações, e de estimular o desenvolvimento da literatura, além de premiar os méritos dos seus mais destacados cultores das letras. Deve penetrar nas regiões do Estado e fazer florescer os gênios dos vales do rio Abunã, Acre, Purus, Juruá. Neste último faço reverência ao meu berço natal: Tarauacá.
Então, falar em Academia é pensar em livros, penetrar na noite dos tempos para encontrar auroras boreais. E, com esta intenção, tateando no desconhecido, pouco a pouco, descobrem-se os indícios primeiros da arte de pensar. O fluir da vida vai acumulando experiência e sabedoria no delta da maturidade, que passa a ser um bem comum, usufruído por todas as gerações e idades, constituindo-se, desse modo, em patrimônio da própria sociedade.
Na Academia Acreana de Letras, cada geração deixa um legado: Amanajós de Araújo, Paulo Bentes, Omar Sabino de Paula, Mauro Modesto e Clodomir Monteiro da Silva. Processo vagaroso, a exigir tempo para tomar corpo e se mostrar. Assemelha-se à formação do universo que, em movimento rotatório, vai condensando energia, gás e luz, até assumir a fosforescência das galáxias, em expansão contínua, onde brilha a centelha da criação.
Por isso tudo, entendo que uma Academia deve espelhar a alma, retratar o espírito, expressar a gênese e as potencialidades de um povo. Guardiã zelosa da língua, o maior patrimônio nacional, a Academia Acreana de Letras deve corrigir desvios, depurar o idioma e preservar sua integridade expressional. Nada distingue mais um povo do outro que sua literatura. No Acre, cabe à AAL resguardar as fontes puras de onde brotam o sentir e o externar das gentes, trabalhá-las e difundi-las para criar a literatura própria, imprescindível de um país enquanto nação. Será nesta Academia que deverão se organizar as trilhas literárias da região e do Estado. Nós, deste sodalício, confreiras e confrades, somos os herdeiros do esplendor do conhecimento humano. Vamos assumir nosso papel, a sociedade nos convida a este dever.
Neste pretendido mandato, a AAL deverá estar presente nas mais diversas discussões sociais, políticas e de caráter comunitário, devendo ser representada em vários conselhos, em nível federal, estadual, municipal. Também deverá promover, periodicamente, debates sobre questões atuais ou problemas regionais, assim como incentivar a produção literária e cultural no Estado do Acre.
Deverá, esta Academia, encadear discussões de natureza diversa:
Ø O idioma pátrio e a literatura de expressão regional;
Ø Trabalhar as questões culturais por bacias hidrográficas, com a participação efetiva dos acadêmicos, para descortinar o potencial humano dessas bacias; o potencial literário; o potencial histórico; o potencial ecológico; o potencial econômico, enfim, tudo aquilo que espelhar a cultura regional.
Ø Deverá a Academia otimizar políticas, junto ao Governo do Acre, para organizar antologias dos movimentos literários, para dar a conhecer ao Acre e ao país os monumentos de expressão acreana, bem como:
Ø Incentivar e promover encontros culturais para sedimentar, sempre, a produção literária;
Ø Estimular os Acadêmicos para profícua atuação junto à sociedade, no sentido de promover oficinas de:
· textos;
· crônicas;
· Poesia;
· Gêneros Literários.
Ø Deverá a AAL realizar encontros de confraternização no meio acadêmico, não somente para festejar a arte do encontro, mas também para conhecer as produções dos confrades e confreiras, no sentido de confeccionar Antologias e discutir estratégias para divulgação das produções dos acadêmicos.
Ø Deverá fazer Concursos literários para incentivar novos talentos. Criar os programas "A Escola vai à Academia e a Academia vai à escola", para que os estudantes conheçam os acadêmicos escritores, cronistas, poetas, historiadores, juristas, literatos, linguistas e demais profissionais.
Essas propostas reúnem um pedaço do grande “TECIDO DA CULTURA ACREANA” que iremos tecer, de forma harmônica e compartilhada, sodalício, entidades, governos e sociedade organizada.
Essas propostas justificam o título da Diretoria” TECIDO DA CULTURA ACREANA” e de todo sodalício. É como pensa Max Weber, que o ser humano é um animal amarrado em teias de significação que ele mesmo teceu. O estudo da cultura não deve ser experimental à procura de leis, mas interpretativo, à procura do significado (Geertz, 1989, p. 15). Assim, como tecedor da cultura, o sujeito caracteriza-se pela atividade; é (re)criador/construtor da estrutura teia que o prende. Está-se diante da própria ideia de complexus, isto é, o que é tecido em conjunto, como diz Morin, (2001, p. 20). Assim, ao tecer a cultura (teia), o sujeito é tecido em conjunto (tece-a ao tempo em que é tecido nela).
De tudo que aqui falo, reflito, manifesto, digo aos senhores, senhoras, ao sodalício da AAL, que poderão apertar minhas mãos e sentir que estou afinada com a arte, a cultura, a vida e o humanismo. E que deixaremos, nessa geração de imortais, imenso legado cultural e intelectual como lição àqueles que chegam depois.
Conclui-se com a célebre frase de John Kennedy: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão, com certeza, perder o futuro”. Iremos trabalhar para dignificar a Academia Acreana de Letras, aproximá-la dos escritores, poetas, cientistas e a comunidade do Acre e do mundo. Aí, então, como diz o hino acreano:
(...) ergueremos então destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil
MUITO OBRIGADA!
O QUE É A AMIZADE?

O artigo sobre Amizade não é aula de gramática, mas uma reflexão para um mundo melhor, ao trazer assunto valioso. Algumas pessoas banalizam e acreditam tratar-se de interesses pessoais, oportunidades, proveitos próprios. Mas Amizade é um bem que enriquece e enobrece quem a tem e aquela pessoa que sabe ser amiga. A amizade é uma das mais belas virtudes. Infelizmente, tanta gente desconhece e a deixa passar na vida “em brancas nuvens”.
Segundo os dicionaristas, amigo é aquele “que quer bem, quem tem amizade”. Talvez ainda seja vago, mas procurando o significado da palavra Amizade, encontram-se como sinônimos, entre outros, os termos afeição, amor, boas relações, dedicação, benevolência. Em latim, Amizade significa amicus>amigo, que possivelmente se derivou de amoré>amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego e seja uma relação afetiva, em princípio, sem características romântico-sexuais. Um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas. É entendimento, fraternidade e bondade.
Sabe-se ser a amizade uma realidade presente na vida concreta de todos os seres humanos, ao longo da vida. Desde o início da história escrita há disso testemunhos. E como a realidade é, certamente, mais antiga que os primeiros relatos, a amizade, antes de ser contada e explicada, é um fato que os humanos vivem. Ela é algo próprio do ser, pertence à natureza humana, enquanto ser social criado para amar.
A amizade é uma gota mitigada no deserto; uma ponte colocada no abismo; um porto avistado na tormenta; a alvorada de uma noite mal dormida; uma trilha orientando a chegada; um retorno consolando a saudade; um sinal de Deus entre as pessoas. Por isso tudo a amizade é a coisa mais difícil do mundo de se explicar. Não é uma coisa que se aprende na escola. Mas, se uma pessoa não aprendeu o significado da amizade, a pessoa realmente não aprendeu nada na vida.
Amizade é aquilo que a gente não precisa cobrar, é algo que surge a partir da confiança, e quando se fortalece, nem mesmo o tempo e a distância pode derrotar. Amizade é o gesto de doar sem esperar nada em troca. É a união da lealdade com o companheirismo, um pouco de segurança. Durante as tempestades, um abrigo sempre pronto a acolher. É a mão sempre pronta a se estender. O ouvido em que se possa desabafar. É aceitar os defeitos e exaltar as virtudes. É ouro dos sábios que o dinheiro não pode comprar. O que é a amizade:
· É algo capaz de amenizar a dor e levar a um coração triste e amargurado um pouco de luz e calor.
· Estar sempre presente nos momentos felizes e nas horas difíceis da vida. É o descendente mais nobre da família do amor.
Difícil dizer alguma coisa sobre algo tão maravilhoso que se vive, se sente e se experimenta; pô-lo em palavras é quase impossível. Só se aprende mesmo o que é amizade vivendo. Amizade significa criar laços. É uma fonte que não retém a água para si (seria poço se o fizesse), mas a dá espontaneamente.
A amizade tem uma linguagem que só se compreende com o coração. É por isso que a amizade resulta numa compreensão grande entre pessoas, porque as palavras de gratidão são ditas com gestos de coração para coração. A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando a gente descobre que alguém acredita e confia em nossa pessoa. Isso é sublime!
Amigos não são pessoas que passam por nossa vida e se tornam um fato, mas sim aquelas que permanecem eternamente no coração, na saudade, no cotidiano da lembrança. Por tudo que é a vida e a amizade, é sábio reservar tempo para rir, é esta a música da alma; reservar tempo para ler, é esta a base da sabedoria; reservar tempo para pensar, é esta a fonte do poder; reservar tempo para trabalhar, é este o preço do êxito; reservar tempo para divertir-se, é este o segredo da juventude eterna; reservar tempo para ser amigo, é este o caminho da felicidade; reservar tempo para sonhar, é este o meio de ligar a uma estrela o carro em que se viaja na Terra; reservar tempo para amar e ser amado, é este o privilégio dos deuses; reservar tempo para ser útil aos outros, esta vida é demasiada curta para que sejamos egoístas.
Sabe-se ser a amizade indispensável ao bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. A amizade é um aroma que perfuma a vida, uma suavidade que a encanta, uma lembrança que a embeleza. A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe, alguns descobrem, mas poucos reconhecem.
Finalmente, fruto do hábito e da vontade, a Amizade, segundo Aristóteles -- que a eleva à categoria de virtude -- é uma disposição permanente que decorre de uma escolha livre e recíproca. Além disso, o outro é amado por ele próprio e não por um cálculo mais ou menos egoísta: Aristóteles desqualifica as amizades estabelecidas com base na utilidade ou simples prazer. Esta concepção muito forte da amizade encontra-se em Montaigne: «Na verdadeira amizade, diz ele, dou-me ao meu amigo mais do que dele quero para mim.» Sob esta forma, a amizade é considerada, desde a Antiguidade, como a própria expressão da felicidade.
DICAS DE GRAMÁTICA
MAU e MAL, como usá-los professora?
- Da seguinte forma, Cássio:
Mau, o contrário de bom, é adjetivo – portanto sempre acompanha um substantivo – e tem o feminino má (plural: maus e más):
· Fez um mau negócio, num mau momento.
· Os homens maus e as mulheres más sempre se dão mal.
· O lobo mau enfrentou um homem bom.
Mal tem por antônimo a palavra bem e pode ser
(1) advérbio de modo; neste caso fica invariável e no mais das vezes acompanha um verbo ou um adjetivo:
· Quando ele se comporta mal, nada vai bem.
Isso pegou mal.
· Ela joga muito mal.
· Ele é mal-humorado.
· Estamos mal servidos.
(2) substantivo:
· O pequeno mal que o remédio provoca é compensado pelo bem que lhe traz.
· Ele não imagina o mal que fez.
(3) conjunção:
· Mal chegou de viagem, já deseja partir.
IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO MUNDO DO TRABALHO

Este artigo não traz receita, mas uma reflexão sobre sentimentos, atitudes, auto-estima, respeito ao próximo, qualidade no ambiente de trabalho, lugar onde as pessoas passam a maior parte de suas vidas. Nesse espaço, algo precisa ser feito, trabalhado, melhorado. A intolerância, o desrespeito, o pouco caso nas relações interpessoais não deve ser permitido. Afinal, a humanidade deve caminhar para o aperfeiçoamento e não para o caos.
Nesse sentido, não é admissível se chegar a um local, uma empresa, uma indústria, uma repartição pública, e encontrar alguém de cara feia, de má vontade, que não responde a um simples e cordial bom-dia. Afinal, o que faz uma pessoa assim num ambiente de serviço? Ainda mais num espaço público e educacional?!
Porém, entre tantas firulas existentes no serviço público, aquela que mais me choca e envergonha é entrar num lugar cujo lema é Educação e ali ouvir pessoas falando de outras, dos chefes, dos colegas, sem o mínimo pudor, respeito, ética. Por isso entendo ser urgente encontrar um novo estilo de administração, voltado para o trabalho em equipe e o desenvolvimento das potencialidades humanas, acabando, de vez, com feudos e grupos parasitários que se apossam de bens e serviços públicos como se fossem coisas pessoais. Gente que age dessa forma deveria ser penalizada, perder o emprego, ir para uma clínica, hospício etc. O serviço público, como o nome diz, existe para servir o público e servir bem, sem cara feia.
E qual solução se tem para este quadro lastimável? É urgente que ele seja melhorado. E, para tanto, devem-se analisar alguns aspectos do ser humano, como por exemplo, a personalidade dos indivíduos; as habilidades sociais e técnicas; as atitudes; os processos de comunicação, percepção, feedback, entre outros. São aspectos fundamentais ao sucesso do serviço público.
Entendo que a base para a melhoria das relações interpessoais é a compreensão de que cada pessoa tem uma personalidade própria, que precisa ser respeitada. Cada ser humano traz consigo necessidades sociais, materiais e psicológicas, que precisam ser satisfeitas, pois elas influenciam o seu comportamento e, conseqüentemente, os resultados na produção das tarefas executadas. Mas há pessoas que precisam ser tratadas com psicólogos, psiquiatras, analistas. Há gente que não gosta de si mesma, então, como vai gostar dos outros e tratá-los bem?
Por isso tudo entendo que as relações interpessoais atuam como uma disposição interior, uma aceitação do outro, que transparece no modo de falar, de olhar, na conduta com o outro e, sobretudo, na forma de agir educadamente. Assim, os líderes, os chefes de setores, os governantes, administradores, precisam conhecer aqueles que os cercam e desenvolver a coragem de intervir com sinceridade, firmeza, clareza, determinação, no sentido de coibir abusos, incentivar boas condutas, que cada pessoa faça a aquilo que lhe compete, da melhor forma possível. Trabalhar não é um favor que se faz a alguém, é uma obrigação, um dever social, cívico de cada pessoa.
O psicólogo e educador francês Pierre Weil (1971), estudioso das relações interpessoais, propõe dez mandamentos a serem observados pelos membros de um grupo: 1º) Respeitar o próximo como ser humano; 2º) Evitar cortar a palavra a quem fala, esperar sua vez; 3º) Controlar as suas reações agressivas, evitando ser indelicado ou irônico; 4º) Evitar o “pular” por cima de seu chefe imediato, quando o fizer dar explicação; 5º) Procurar conhecer melhor os membros de seu grupo, a fim de compreendê-los; 6º) Evitar o tomar a responsabilidade atribuída a outro, a não ser a pedido deste ou em caso de emergência; 7º) Procurar a causa das suas antipatias a fim de vencê-las; 8º) Estar sempre sorridente; 9º) Procurar definir bem o sentido das palavras no caso de discussões em grupo, para evitar mal entendido; 10º) Ser modesto nas discussões, pensar que talvez o outro tenha razão e, senão, procurar compreender-lhe as razões.
As sugestões aqui postas, se colocadas em prática, podem mudar o quadro das relações interpessoais tanto no setor de trabalho quanto no seio de uma família. A questão da comunicação entre as pessoas é hoje um aspecto que ganha destaque por sua relevância na qualidade de vida. Não raras vezes, assistimos, assustados, episódios nos telejornais, expondo situações corriqueiras, próprias do cotidiano, que terminam em ações violentas, chegando, por vezes, às ultimas conseqüências. Do mesmo modo assistimos conflitos que envolvem até os órgãos responsáveis, eles próprios, pela segurança das pessoas.
Todos esses sintomas vão delineando um formato social preocupante, onde o imediatismo, a intolerância com a dificuldade, seja em que grau for, vai assumindo a tonalidade predominante nas relações pessoais. Nos setores onde houver necessidade, estas são algumas sugestões que podem ser observadas, analisadas e aplicadas dentro das organizações, repartições públicas, enfim, entidades governamentais ou não governamentais. É preciso trabalhar com qualidade, atender com qualidade e viver com qualidade.
Então, se desejarmos uma sociedade diferente, teremos que mudar as pessoas, a maneira de pensar e sentir, para que se possa alterar a conduta, já que são essas maneiras de ser que determinam o comportamento do ser humano. Relacionar-se é dar e receber ao mesmo tempo, ou seja, é estar aberto para o novo. É a capacidade de escolher, de desenvolver uma visão para si mesmo, reescrevendo a vida, iniciando um novo hábito ou abandonando um antigo em prol da felicidade. E a felicidade é democrática, todos têm o direito a ela.
DICAS DE GRAMÁTICA
POSSO DIZER: "ENTRAR DENTRO"?
- NÃO! NUNCA! Também não diga: Sair fora ou para fora; elo de ligação; monopólio exclusivo, já não há mais; ganhar grátis;viúva do falecido.
VENDEU "UMA" GRAMA DE OURO?
- Não! Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.
Agora é possível dizer: a grama do jardim cresceu; comprei uma bonita grama para o jardim.
A grama é relva; O grama é peso.
ELEGÂNCIA NO FALAR E NO ESCREVER

No dia-a-dia de nossas atividades estudantis, profissionais ou de lazer, nos discursos, na correspondência, ou mesmo no bate-papo entre amigos, qual de nós não cometeu algumas impropriedades de linguagem? O tempo passa e, se não exercitarmos o que estudamos e aprendemos, certamente alguma coisa vai escapar. E vai daí que... Pensando nisso tudo, apresentamos uma série de formas próprias e impróprias de nos expressar, evitando, assim, 'gafes' desnecessárias. Na coluna da esquerda, apresentamos as formas impróprias, ou seja, incorretas; à direita, estão as formas próprias, ou corretas.
| IMPRÓPRIAS | PRÓPRIAS |
| A defesa entrou com recurso | A defesa interpôs recurso |
| Aposentados recebem vencimentos | Aposentados recebem proventos |
| As injeções já foram aplicadas | As injeções já foram feitas |
| As sentenças são anunciadas | As sentenças são prolatadas ou proferidas |
| Caiu dentro da piscina | Caiu na piscina |
| Chefes dos Executivos recebem vencimentos e ajuda de custo | Chefes dos Executivos recebem subsídios e ajuda de representação |
| Despachos de juízes são assinados | Despachos de juízes são exarados |
| Despesa é limitada | Despesa é fixada |
| Ele está atendendo a telefonema dela | Ele está atendendo ao telefonema dela |
| Empregados regidos pela CLT recebem ordenados | Empregados regidos pela CLT recebem salários |
| Escreventes da Justiça são funcionários | Escreventes da Justiça são serventuários |
| Estive na divisa do Brasil com a Bolívia | Estive na fronteira do Brasil com a Bolívia |
| Exonerações são decretadas | Exonerações são concedidas |
| Falou no telefone | Falou ao telefone |
| 'Habeas corpus' são requeridos | 'Habeas corpus' são impetrados |
| Impetra-se mandato de segurança | Impetra-se mandado de segurança |
| Juiz dá parecer ou opinião | Juiz vota, dá sentença ou julga |
| Juiz expede mandato de busca e apreensão | Juiz expede mandado de busca e apreensão |
| Ministério é 'staff' governamental | Ministério é Secretaria de Estado |
| O carro chocou-se contra o poste | O carro chocou-se com o poste |
| O custo do processo é muito elevado | As custas do processo são elevadas |
| O guarda extraiu a multa | O guarda aplicou a multa |
| O legista fez a autópsia no cadáver | O legista fez a necropsia no cadáver |
| O Presidente pôs veto na lei | O Presidente opôs veto à lei |
| O que é bom para a gripe? | O que é bom contra a gripe? |
| Os promotores promovem libelos | Os promotores proferem libelos |
| Parlamentares exercem representação | Parlamentares exercem mandatos |
| Parlamentares recebem vencimentos | Parlamentares recebem subsídios |
| Prisões preventivas são expedidas | Prisões preventivas são decretadas |
| - Quem é? É fulana? - É ela mesma! | - Quem é? É fulana? - Sim, sou eu! |
| Quero falar consigo | Quero falar com você (ou com o senhor) |
| Questões de ordem no Parlamento são requeridas | Questões de ordem no Parlamento são levantadas |
| Receita é calculada | Receita é estimada |
| Recorre-se da decisão do juiz | Apela-se da decisão do juiz |
| Recursos são requeridos | Recursos são interpostos |
| Temos várias alternativas | Temos alternativas |
| Tirou a criança para fora do buraco | Tirou a criança do buraco |
| Venci na vida às minhas custas | Venci na vida à minha custa |
| Viúvas e herdeiros recebem proventos | Viúvas e herdeiros recebem pensões |
Conclui-se o texto dizendo ser importante o bom uso da linguagem, em qualquer situação da vida, pois a linguagem é como espelho, ferramenta, lugar. Deverá o leitor ficar atento para evitar situações embaraçosas, sobre o que dizer ou não dizer em conversas, relacionamentos pessoais, apresentações, discursos, textos escritos. Na vida, a linguagem traduz cada pessoa, sua forma de ser, agir, pensar. È uma arma com a qual a pessoa poderá ganhar ou perder. Portanto, todo cuidado será pouco.
DICAS DE GRAMÁTICA
ONDE ou AONDE e DONDE, quando usar uma forma e outra?
- Use ONDE nos casos que não admitem uma substituição por PARA ONDE, como as situações estáticas:
"Onde moras?"
"O lugar onde vives é muito bonito."
"Onde colocaste o Domínio?"
- Use AONDE nos casos que admitem uma substituição por PARA ONDE, como nas situações dinâmicas, onde aparecem verbos de movimento:
"Aonde vamos?" ("Para onde vamos?")
"Aonde te diriges?" ("Para onde te diriges?")
- Use DONDE para indicar procedência, causa ou conclusão.
Exemplos:
"Donde vens? E donde esta cara triste?"
"Ele nunca adoece, donde se conclui que tem boa saúde."
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
VERDADES DO CORAÇÃO

Hoje a razão
Resolveu entrar em contato
Com o meu sofrido coração.
E fizeram assim...
Após longa e boa discussão,
Ambos decidiram unidos
Tomar uma decisão...
Qual seja:
Não suportam mais as mentiras
Muito menos a ingratidão.
Por isso, a partir de hoje,
Chega de viver de ilusão.
Juntas...
Resolvem esquecer o passado,
Os enganos e traições,
Também darão adeus
À temível solidão.
Como farão isso?
Para obter forças resolvem
Unir razão e coração
E caminharem juntas
Numa nova paixão.
Verdade?
Sim, esquecerão de vez
Quem covardemente partiu
Sem dar uma explicação.
Assim serão novamente felizes,
A razão e o coração!
ENVELHECER

Conforme a pessoa envelhece, fica mais fácil ser positiva. É nessa altura da vida que a gente se preocupa menos com o que os outros pensam da gente. Eu já me questionei muito e deixei de fazer tantas coisas por cobranças minhas. Hoje penso que ganhei o direito de estar errada porque a idade me libertou de muitos dogmas. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. Eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer). E vou procurar ser sempre feliz, realizada naquilo que faço, que escolhi para a minha vida. Aprendi a lutar comigo mesma, a vencer medos. Mas por vezes eu temo o tempo, embora saiba que envelhecer ainda é a única maneira de viver mais tempo. E se o tempo envelhece meu corpo, ele ativa a minha emoção, fortalece minha alma e me renova para a eternidade. Assim que estou bem na minha idade. Obrigada, grande Deus!
O BEIJO
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O melhor beijo é aquele desejado,
O beijo do ser amado,
O beijo mais apaixonado,
O beijo da minha vontade,
Dado com docilidade.
O melhor beijo é aquele sem tempo,
Que toma a vida da gente,
De um jeito ardente,
Pleno de cheiro e sabor,
Dado com intenso calor.
O melhor beijo é aquele do ser amado,
Do anjo conquistado,
O amor querido e sonhado,
Nunca por ele enganado,
Sincero, fiel desejado.
O melhor beijo é aquele de quem se ama,
De quem se alimenta a chama,
De amor, paixão, ternura,
Dedicação, meiguice, candura,
De vida eterna e pura.
O melhor beijo é aquele do ser amado,
Do ser desejado,
Da pessoa conquistada,
O beijo ardente e sonhado.
O melhor beijo é aquele de quem ama,
De quem se alimenta a chama aedente,
O beijo divino! o anseio delirante,
Na eterna vontade amante...
O melhor beijo é aquele da despedida,
Sem hora, sem tempo de acabar,
É o viver eterno de amar,
Querer, desejar conquistar.
O melhor beijo é aquele de quem se ama,
De quem se alimenta a chama,
De paixão, amor, ternura,
É o beijo quente, que enche a alma da gente.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
DISCURSO DE POSSE DE NOVOS MEMBROS DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

Luisa Galvão Lessa Karlberg
Presidente da Academia Acreana de Letras
Apresento-vos, em nome do sodalício da Academia Acreana de Letras, palavras de agradecimento, alegria e gratidão. Elas se estendem a todos os convidados presentes e àqueles que estão aqui em pensamento. Cumprimento as autoridades, os familiares e amigos que aqui se juntam a nós, alegrando, com suas presenças, esta bela noite. Agradeço ao Colegiado Acadêmico da nossa AAL, pela calorosa acolhida que dão aos novos membros do sodalício.À Comissão de Posse da AAL pelo primor de organização da solenidade.
Digo-vos que a Academia Acreana de Letras é uma instituição de literatos, historiadores, professores, linguistas, médicos, advogados, jornalistas, antropólogos, pedagogos, juristas, teólogos, artistas. Tem por objetivo principal cultivar, estimular o culto ao idioma pátrio, a produção, a divulgação literária, a pesquisa científica e social no Acre. Importante, para nós, é que desse diversificado colegiado tenhamos produções literárias que deem voz ao Estado do Acre, a exemplo de outras unidades da Federação. O culto ao idioma pátrio é dever de todos, porque escrever é doar ao mundo aquilo que existe dentro do nosso mundo.
O Acre, berço de uma história ímpar, no Brasil, destaca-se, diante do mundo, por sua história inigualável. Ainda, por sua posição geográfica, estando ao lado de países andinos e, também, por situar-se no centro-oeste da Amazônia, lugar habitado por gente hospitaleira, ordeira, gentil. E, nesse cenário, a Academia Acreana de Letras, através dos seus confrades, vem prestando relevante papel junto à sociedade, na contribuição lítero-cultural.
Hoje, novos acadêmicos são empossados:
---- Renã Leite Pontes, que tem por antecessor José Higino de Sousa Filho, homem de integridade ímpar, primoroso nas letras de seus belos romances. E, nesse cadeira senta Renã, um homem de caráter ilibado, profissional brilhante, professor, poeta internacional, sonetista grandioso, amigo dos amigos, esposo exemplar tal qual o Higino. Esta casa Vos acolhe com a alegria do presente e a saudade do passado.
---- Arquilau de Castro Melo, tem por antecessor Omar Sabino de Paula, um jurista renomado que tantos feitos legou ao Acre. Em sua cadeira chega Arquilau de Castro Melo --Desembargador aposentado, advogado, estudioso da literatura regional -- com a mesma precaução, cuidado, zelo, compromisso com o Acre. Estudioso não apenas do Direito, senão também da Literatura, onde encontrou em Euclides da Cunha a vocação para desvendar o Eldorado Brasileiro que se acreditava achar escondido no coração da floresta amazônica. Este foi o sonho alimentado por muitos exploradores e cientistas europeus, do inicio do século XX. E foi nesse universo que deu-se o encontre de Arquilau com Euclides da Cunha, que o trouxe, nesta noite, à AAL.
----- Reginâmio Bonifácio de Lima, que tem por antecessor Manoel Mesquita. Reginâmio é amante das Letras, da Teologia, da História. Ciências ligadas à vida, à linguagem. Também possui similaridade com o antecessor que tanto amava a Academia, a história regional. Reginâmio convive com os infantos, e neles encontra a pureza, muitas, vezes, perdida nos adultos. Mas acredita, assim como nós do sodalício, que ora abraça, que a verdadeira literatura purifica almas, igualmente a ciência, como Pesquisador do CNPq e Professor da UFAC.
----- Gilberto Braga de Mello, que tem por antecessor Francisco Thaumaturgo, homem que tanto fez pelo Acre, pela Cultura, pela política. Gilberto, um advogado e jornalista, debruçado em marketing e propaganda, vai tecendo sua literatura em meio à política, preocupado com o social, a região, as pessoas. Não são caminhos opostos, eles se confluem no observar os cenários para modificá-los, sempre em prol do bem comum, do sonho de toda uma sociedade.Aqui, Gilberto, na sua arte, realiza uma procura apaixonada, tanto na literatura quanto na política. E, em ambas, a comunicação, o discurso, o texto, é que realiza os propósitos e sonhos, para que não fiquemos “de bubuia”, na vida, como descreve essa expressão, em seu dicionário.
Senhoras e Senhores, Acadêmicos, a AAL, como ícone maior da Língua e Literatura de expressão portuguesa no Estado do Acre, arcando com o ônus do protelamento de inserir os nomes de Vossas Excelências em seu Quadro de Acadêmicos,(foram eleitos há mais de 1 ano) cumpre, hoje, o nobre dever de justiça, de incluí-los como Membros Titulares e imortais do nosso sodalício, enaltecendo-os como quatro próceres da Cultura e Literatura Acreana.
Então, senhoras e senhores, estimados confrades e confreiras, é meu dever sagrado, nesta noite, evocar os antecessores, buscar cumplicidade com as experiências passadas, com as histórias humanas que já se foram, com as existências que lutaram e superaram suas contingências. Celebra-se, portanto, nesta noite, a feliz coincidência de contar com antecessores que trilharam caminhos tão semelhantes aos que os novos confrades irão percorrer. E, sob a inspiração desses antecessores, com o espírito pacificado e a vaidade sob intenso controle, desejamos que abracem este momento de Vossas vidas, sem perder de vista o legado que terão que deixar na bagagem que trazem hoje e naquela que irão consolidar junto ao sodalício. O nosso desafio social, cultural e linguístico é imenso.
Entrar numa Academia de Letras não torna ninguém melhor escritor, não transforma nulidades em criadores, medíocres em gênios. Mesmo porque a humanidade é gregária e associativa, as Academias de Letras reúnem criaturas que desejam superar suas próprias limitações, pessoas inconformadas consigo mesmas, com as injustiças do existir, com a própria finitude da vida. E porque as mais nobres ações humanas são voltadas para a defesa da vida, esses que se associam, na Academia de Letra, escolheram as palavras, a criação literária, como arma para enfrentar a brevidade da vida. Ars longa, vita brevis, disseram os antigos. A arte perdura, a vida é curta.
Assim, Renã, Arquilau, Reginâmio e Gilberto nós, da Academia, nos identificamos por afinidades culturais, linguísticas e literárias. Comungamos dos mesmos ideais: olhar um Acre sempre altaneiro, igualmente a bandeira hasteada no pavilhão do Estado que se fez brasileiro.
Sentimos, que este Sodalício, na noite de hoje, está feliz. Sentimo-nos honrados, orgulhosos e cativados por Vossas Excelências, pela bagagem que trazem convosco para esta Casa de saber. Todavia, estamos cientes dos desafios que este século XXI nos impõe. A verdade é que vivemos na época da velocidade, das gigantes aeronaves, da Internet, do WhatsApp, do Tuitter, mas nos sentimos enclausurados no tempo da ciência revolucionária, da tecnologia que fecha e abre mundos. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; a nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Dizemos uma coisa e fazemos outra. Beijamos alguém que dizemos amigo e o apedrejamos quando nos dá às costas. Que mundo é esse que tanto oferece e tanto nos tira? Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A Internet fez do mundo uma aldeia, assim como a Televisão. Mas pensando bem, a própria natureza desses inventos só faz sentido se o mundo for melhor. E, para isso, as pessoas precisam ser melhores. Tudo isso é um apelo eloquente à bondade do ser humano... um apelo à fraternidade ... ao companheirismo... à união de todos nós em prol do bem comum. E um desses bens maiores reside no mundo das letras, da literatura, que é a expressão da sociedade, assim como a palavra é a expressão do ser humano. E para viver bem e feliz devemos ser terrivelmente sinceros. No entanto, vive-se um paradoxo. É incrível, quando se atinge a verdade passamos a fazer ficção, que é a invenção ou criação. Devemos ter cuidado, atenção com as palavras, armas de constroem, mas que também destroem o mundo, a vida, as pessoas.
Mas de tudo que digo, o mundo da literatura, das letras, é fantástico, nos permite navegar por muitos mares. A esse respeito, escutemos a voz de grandes literatos:
Mário Quintana - Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo."
Fernando Pessoa - "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta".
Machado de Assis – “Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem."
Goethe - O declínio da literatura indica o declínio de uma nação”.
Salamah Mussa - Não é a beleza mas sim a humanidade o objetivo da literatura”.
Émile Zola - “Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa”.
Max Frisch – “A literatura pode ser uma boa terapia pessoal, uma espécie de psicanálise na qual não se paga um psicanalista”.
Roland Barthes - “A literatura não permite caminhar, mas permite respirar”.
Cesare Pavese - “A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida”.
Adrian Frutiger - As páginas mais belas de um texto são aquelas em que todas as letras compõe uma unidade em perfeita harmonia”.
Perboyre Sampaio - “Quando um texto nasce, já cumpriu sua principal função: harmonizar a alma de quem o criou”.
Saunders Lewis - Está claro que o "homem comum" não pode entender o extraordinário, exceto na plenitude do tempo; e o extraordinário é a essência da literatura".
Fernando Pessoa - "A literatura torna o mundo real, dando-lhe forma e permanência".
Caríssimos confrades, tendo eu a cultura e o saber como causa acadêmica e projeto de vida, não poderia saudá-los se não conhecesse a escrita. Esta questão do que é a sabedoria, e da dificuldade de compreender as informações que se tem, é a grande agonia do tempo atual, da sociedade da informação, em que faz chover, como tempestade, e inunda as pessoas de tanta informação, assim como a enchente que invade os rios amazônicos e fazem as nossa alagações.
Por fim, eu não vou mais cansá-los, senhoras e senhores, confrades e confreiras. Percorri este caminho para enaltecer a chegada destes ilustres pares à Academia Acreana de Letras. Mas o percorri, sobretudo, porque foi a escrita que nos fez, embora em ofícios distantes, comungar um mesmo ideal: o idioma pátrio, a cultura, a literatura. É a escrita que promove o grande encontro desta noite.
Vindes, Renã, Arquilau, Gilberto, Reginâmio, integrar-vos ao seleto pugilo – com a só exceção desta que vos fala --- de gente distinguida, condutora e defensora dos ideais mais nobres, eis que promanam do culto à sagrada Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.
Labor omnia vincit improbus... O trabalho perseverante vence tudo.
Muito OBRIGADA e tenham todos uma Boa Noite!
DISCURSO DE POSSE NA PRESIDÊNCIA DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS
Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg
Recebo, com honra e humildade, a Presidência da Academia Acreana de Letras. Eu, nascida no Igarapé Humaitá, Seringal São Luís – situado às cabeceiras do Rio Muru, distante de Tarauacá oito dias de barco -- nunca imaginei chegar a esta instituição. Agradeço aos confrades que aqui me conduziram, por meio de uma eleição ampla, irrestrita e democrática, da Diretoria intitulada “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.
E, nesta breve mensagem eu me curvo diante deste sodalício que me elegeu à Presidência da mais elevada instituição de cultura do Acre: a Academia Acreana de Letras. Quem conhece o berço da imensa Selva Amazônica sabe de onde vim e dos caminhos que percorri na vida. Muitos sabem como se faz para se alcançar os frutos no alto das árvores e vencer os medos na misteriosa floresta que embala as nossas vidas. Aprendi, desde cedo, a olhar acima da copa das árvores e saber que havia um mundo para conquistar e o caminho era o da educação, das Letras. E nessa área fui aluna de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado. Levei a vida inteira a estudar, desde os 5 anos de idade.
Sou uma cabocla, mesclada com o sangue português e holandês, mas me vejo, hoje, tomada de emoção. Não de tristeza, mas de intensa gratidão aos nobres confrades que a vida me presenteou como bons e fraternos amigos. O senhores sabem, assim como eu, que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Esse sentimento sempre me moveu.
A vida exige de nós - o tempo todo - uma grande capacidade de adaptação, mudanças, enfrentamentos, superação. E aqueles que temem a mudança nunca vão adiante, levam uma vida estática por medo de novos desafios decorrentes da própria existência. E os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça. Receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem. Eu não me escondo, não tenho a alma subalimentada de sonhos, sempre fui à luta, ‘caí no mundo’, como se diz popularmente. E foi nele que aprendi as lições mais sublimes, que redimem meus pecados e lavam a minh’alma feminina, forte e livre para ir adiante, com dignidade.
Sempre procurei superar os desafios desde muito jovem. Sai de casa aos seis anos de idade para um colégio alemão. Agarrava-me às pernas de meu pai para não ir para longe e ele me dizia: “filha, é preciso ir, estudar é a saída para quem não possui riqueza material”. Foi aí que comecei a aprender a transformar sentimentos menos elevados em prol da grandeza da vida, da escola, do conhecimento. Compreendi, desde cedo, que o caminho do coração é o caminho da coragem. Deixar o passado para trás e fazer o futuro SER. Também aprendi que a vida é perigosa, mas somente os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. Somente quem nasceu ou viveu no seio da Floresta Amazônica, como eu -- dentre tantos outros aqui presentes – sabe o significado dessa palavra CORAGEM. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.
E, agora, para enxugar o meu pranto, neste momento de intensa emoção – quando vejo o filme de muitas histórias da minha vida – eu digo o seguinte: - o Amor e a Ternura são sentimentos revolucionários, eles sempre deram norte à minha vida, assim como o saber, a cultura, os meus pais, minhas duas filhas, meus dois netos, os amigos, minha sublime profissão de professora, pesquisadora, educadora. Desta última, fiz meus votos de fé. Tem dado certo. E o melhor de tudo é que embora não estejamos diante do mesmo espelho, estamos nos olhando sempre. Como diz Guimarães Rosas “o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Afinam ou desafinam. E tudo indica que vamos afinar ainda mais a canção acreana e porque não dizer brasileira, com essa Diretoria “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.
Aqui, fiz breve relato da mulher que hoje se coloca diante da sociedade acreana como Presidente da Academia Acreana de Letras. Nesse cargo dedicarei o melhor dos esforços para cumprir os objetivos da AAL diante da sociedade regional e brasileira. Sou do mundo das Letras, e sei que produzir literatura é algo difícil para quem vive mergulhada no mundo da ciência. Mas eu já compreendi que a literatura antecipa a existência. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios, como está fazendo agora. Pois é a literatura uma arte que nos defende contra as ofensas da vida.
Esta Casa, que a partir de agora presido, é uma Academia. A importância das Academias de Letras flui do liame profundo que existe entre estes sodalícios e a cultura. Aqui, no Acre, sua importância salta aos olhos mais atentos de quem olha a cultura como um motor que traduz a vida em sociedade. Isso porque Cultura significa cultivar, do latim colere. Genericamente, a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano.
E, nesse contexto cultural, aqui no Acre, a Academia Acreana de Letras é, possivelmente, a maior referência no mundo cultural do Estado, uma vez que seus membros, chamados “imortais”, traduzem o lastro cultural do povo. Sendo assim, uma Academia tem o condão de desabrochar aspirações, e de estimular o desenvolvimento da literatura, além de premiar os méritos dos seus mais destacados cultores das letras. Deve penetrar nas regiões do Estado e fazer florescer os gênios dos vales do rio Abunã, Acre, Purus, Juruá. Neste último faço reverência ao meu berço natal: Tarauacá.
Então, falar em Academia é pensar em livros, penetrar na noite dos tempos para encontrar auroras boreais. E, com esta intenção, tateando no desconhecido, pouco a pouco, descobrem-se os indícios primeiros da arte de pensar. O fluir da vida vai acumulando experiência e sabedoria no delta da maturidade, que passa a ser um bem comum, usufruído por todas as gerações e idades, constituindo-se, desse modo, em patrimônio da própria sociedade.
Na Academia Acreana de Letras, cada geração deixa um legado: Amanajós de Araújo, Paulo Bentes, Omar Sabino de Paula, Mauro Modesto e Clodomir Monteiro da Silva. Processo vagaroso, a exigir tempo para tomar corpo e se mostrar. Assemelha-se à formação do universo que, em movimento rotatório, vai condensando energia, gás e luz, até assumir a fosforescência das galáxias, em expansão contínua, onde brilha a centelha da criação.
Por isso tudo entendo que uma Academia deve espelhar a alma, retratar o espírito, expressar a gênese e as potencialidades de um povo. Guardiã zelosa da língua, o maior patrimônio nacional, a Academia Acreana de Letras deve corrigir desvios, depurar o idioma e preservar sua integridade expressional. Nada distingue mais um povo do outro que sua literatura. No Acre, cabe à AAL resguardar as fontes puras de onde brotam o sentir e o externar das gentes, trabalhá-las e difundi-las para criar a literatura própria, imprescindível de um país enquanto nação. Será nesta Academia que deverão se organizar as trilhas literárias da região e do Estado. Nós, deste sodalício, confreiras e confrades, somos os herdeiros do esplendor do conhecimento humano. Vamos assumir nosso papel, a sociedade nos convida a este dever.
Neste pretendido mandato, a AAL deverá estar presente nas mais diversas discussões sociais, políticas e de caráter comunitário, devendo ser representada em vários conselhos, em nível federal, estadual, municipal. Também deverá promover, periodicamente, debates sobre questões atuais ou problemas regionais, assim como incentivar a produção literária e cultural no Estado do Acre.
Deverá, esta Academia, encadear discussões de natureza diversa:
Ø O idioma pátrio e a literatura de expressão regional;
Ø Trabalhar as questões culturais por bacias hidrográficas, com a participação efetiva dos acadêmicos, para descortinar o potencial humano dessas bacias; o potencial literário; o potencial histórico; o potencial ecológico; o potencial econômico, enfim, tudo aquilo que espelhar a cultura regional.
Ø Deverá a Academia otimizar políticas, junto ao Governo do Acre, para organizar antologias dos movimentos literários, para dar a conhecer ao Acre e ao país os monumentos de expressão acreana, bem como:
Ø Incentivar e promover encontros culturais para sedimentar, sempre, a produção literária;
Ø Estimular os Acadêmicos para profícua atuação junto à sociedade, no sentido de promover oficinas:
·de textos;
·de crônicas;
·de Poesia;
·de Gêneros Literários.
Ø Deverá a AAL realizar encontros de confraternização no meio acadêmico, não somente para festejar a arte do encontro, mas também para conhecer as produções dos confrades e confreiras, no sentido de confeccionar Antologias e discutir estratégias para divulgação das produções dos acadêmicos.
Ø Deverá fazer Concursos literários para incentivar novos talentos. Criar os programas "A Escola vai à Academia e a Academia vai à escola", para que os estudantes conheçam os acadêmicos escritores, cronistas, poetas, historiadores, juristas, literatos, linguistas e demais profissionais.
Essas propostas reúnem um pedaço do grande “TECIDO DA CULTURA ACREANA” que iremos tecer, de forma harmônica e compartilhada, sodalício, entidades, governos e sociedade organizada.
Essas propostas justificam o título da Diretoria” TECIDO DA CULTURA ACREANA” e de todo sodalício. É como pensa Max Weber, que o ser humano é um animal amarrado em teias de significação que ele mesmo teceu. O estudo da cultura não deve ser experimental à procura de leis, mas interpretativo, à procura do significado (Geertz, 1989, p. 15). Assim, como tecedor da cultura, o sujeito caracteriza-se pela atividade; é (re)criador/construtor da estrutura teia que o prende. Está-se diante da própria ideia de complexus, isto é, o que é tecido em conjunto, como diz Morin, (2001, p. 20). Assim, ao tecer a cultura (teia), o sujeito é tecido em conjunto (tece-a ao tempo em que é tecido nela).
De tudo que aqui falo, reflito, manifesto, digo aos senhores, senhoras, ao sodalício da AAL, que poderão apertar minhas mãos e sentir que estou afinada com a arte, a cultura, a vida e o humanismo. E que deixaremos, nessa geração de imortais, imenso legado cultural e intelectual como lição àqueles que chegam depois.
Conclui-se com a célebre frase de John Kennedy: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão, com certeza, perder o futuro”. Iremos trabalhar para dignificar a Academia Acreana de Letras, aproximá-la dos escritores, poetas, cientistas e a comunidade do Acre e do mundo. Aí, então, como diz o hino acreano:
(...) ergueremos então destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil
MUITO OBRIGADA!