domingo, 15 de novembro de 2009

EDUCAÇÃO: A MAIOR PRIORIDADE NO MUNDO ATUAL


Vive-se num mundo onde se faz necessário, a cada dia, pessoas mais bem educadas. Contudo, os investimentos em educação não se voltam para cobrir essa necessidade. As verbas destinadas à educação ainda são minúsculas ante a grandeza do seu significado. Depois, os educadores são aviltados pelos baixos salários que não lhes permitem, sequer, comprar livros. Nesse cenário de desprestígio, professor pode até ser surrado, em sala de aula, como aconteceu, recentemente, aqui em Rio Branco. Daí surge a pergunta: para que serve a educação? O questionamento não é para atacar ou subestimar o papel da educação para a formação das pessoas. Pelo contrário, é para valorizar esse setor tão carente. A educação deve ser a alavanca central do desenvolvimento, não só no sentido de maximização de recursos financeiros, mas como algo capaz de estimular as potencialidades das pessoas.
É um cansaço observar que para muitos governos o que importa em educação não é propriamente a qualidade ou a sua relevância para a vida das pessoas e para o desenvolvimento do país. É mais importante atender a interesses transitórios, ao invés de colocar recursos em projetos de longo prazo, que não geram dividendos políticos imediatos e não dão visibilidade para votos eleitorais. Não há convicção quanto ao valor estratégico dos investimentos em educação. Para muitos, dinheiro bem aplicado é o do pagamento das dívidas externa e interna, ou na construção de grandes obras como pontes, viadutos, estradas. Porém, essa lógica do atraso, a cada dia que passa, fragiliza-se diante de evidências e fatos que indicam o contrário.
Um estudo realizado pela UNESCO mostra uma relação positiva entre anos de escolaridade e taxa de crescimento de um país. Aponta que investimentos em capital humano, além de terem uma taxa de retorno privada elevada (entre 5% e 15% para cada ano adicional de escolaridade), têm, também, uma taxa de retorno social elevada, que pode atingir de três a quatro vezes as taxas de retorno privadas. Se a taxa de retorno social é mais elevada, o investimento público, em educação, está não apenas justificado, como também se eleva à condição de investimento prioritário, diante da situação social e educacional do país.
Portanto, a educação não é queima de dinheiro. É queima de ignorância. Cabe à UNESCO, como organização especializada das Nações Unidas, nas áreas de educação, ciência, cultura e comunicação, lembrar e insistir sempre: a educação se paga quando suas verbas são bem utilizadas. A educação dá frutos, não na safra do próximo outono, mas ao longo de muito tempo, abrindo os caminhos para os países saírem da pobreza e da periferia. Sem essa visão estadista não será possível romper o círculo que perpetua o atraso e a miséria humana.
Um dos principais pontos que diferencia um país desenvolvido, de primeiro mundo, de um país subdesenvolvido, de terceiro mundo, é o histórico de investimentos realizados em educação e em cultura. Esses investimentos são à base de toda e qualquer sociedade que espera obter sucesso no futuro. Por isso, os países europeus têm um índice de desenvolvimento humano muito maior do que se tem na América Latina. Isso resulta do investimento maciço que a Europa fez, no passado, em cultura e educação. Explica-se porque a Europa é considerada o berço das artes.
Conclui-se dizendo que o compromisso com a Educação é dever de todos, governo, políticos, educadores, sociedade. Esse conjunto irmanado poderá tirar o país do atraso em que está mergulhado, salvar a juventude atual que pouco respeito possui aos valores educacionais. Poderá, também, operar o milagre de salvar milhares de jovens da marginalidade. Educar pessoas é garantir o futuro da nação. Assim, se os planos são para um ano, cultivem-se arroz; se são para dez anos, cultivem-se árvores. Mas se os planos são para a vida de pessoas, daqui a cem anos, cultive-se educação.






3 comentários:

Silvana Alves de Oliveira disse...

Gostaria de trocar idéias sobre o tema educação.

Anthonyo Karllos disse...

Sou de Campina Grande PB! Quando escolhi ser professor tracei para minha vida um projeto de felicidade!! Hoje, dez anos depois, me sinto angustiado a maior parte do tempo... gostaria de mudar de área mas preciso trabalhar! Até aqui tudo que tentei profissionalmente foi em vão. Não importa quem tem capacidade, importa quem tem padrinhos...

Luísa Galvão Lessa disse...

Caro colega,
O caos está instalado!!! Segundo o Ministério da Educação, faltam 710 mil professores no país, 235 mil só no ensino médio. Já de quinta a oitava série o número dobra, vai para 475 mil. Com o aumento do número de jovens matriculados no Ensino Médio, o Brasil pode passar por um apagão de professores. A situação se agrava quando se analisa a situação dos cursos de licenciatura, nas universidades, que possuem as maiores taxas de evasão e a menor procura no vestibular.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC) sobre a educação básica indicam que são necessários 235 mil professores no ensino médio e 476 mil para as turmas de 5ª a 8ª série, totalizando 711 mil professores. Segundo o órgão, nos últimos anos, o número de professores formados nos cursos de licenciatura foi de 457 mil, gerando uma lacuna de cerca de 250 mil docentes. O estudo feito pelo INEP revela que o Brasil necessitaria de 55 mil professores de Física e o mesmo número de Química. Entre 1990 e 2001, apenas 7.216 professores graduaram-se em Física e 13.559 em Química. Os dados apontam que o magistério se tornou uma profissão em extinção.
O professor universitário, com doutorado e pós-doutorado, ganha R$5.500,00. Deveria ganhar por volta de 20.000,00. Um analista federal, com curso superior, sem nenhuma pós-graduação, ganha em torno de 8 a 12 mil. Um Fiscal de Rendas, com apenas o Curso Superior, ganha 16.000,00. Em Brasília, no Senado Federal, segundo dados do Correio Brasiliense, os auxiliares legislativos, como ascensoristas e motoristas — funções de nível fundamental — podem ter o teto da carreira estipulado em quase R$ 17 mil com as gratificações. Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata. Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército. É uma disparidade que não é possível compreender o bom-senso. Por isso tudo as universidades federais começaram o segundo semestre de 2010 com carência de, pelo menos, 800 professores efetivos na rede de ensino. Que país é esse?
Precisamos de uma revolução.
Att.
Profa. Luísa

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.