terça-feira, 3 de novembro de 2009

EDUCAR É PRECISO

A educação sempre se apresenta como o grande desafio para a humanidade. E não adianta mascarar o processo porque ele se reflete no cotidiano das famílias, das escolas, das pessoas com quem lidamos no dia a dia. Assim, algumas coisas precisam ficar bem claras, sempre. E repeti-las nunca é demasiado. Como sempre estive ligada ao campo educacional, sei o significado de educar, educar para a vida, educar para uma profissão, educar para o convívio social, educar para a cidadania.
Dessa forma, não se pode pensar em educação sem analisar o contexto social, político e econômico em que ela é gerada. Devido ao quadro de desigualdade, de heterogeneidade que caracteriza a sociedade brasileira, nossa educação é considerada uma das piores do mundo. Segundo o Projeto Pisa (Pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que avaliou alunos de 40 países, o Brasil ficou com 370 lugar em Leitura, 390 lugar em Ciências e 400 lugar em Matemática. A pesquisa também mostrou que 80% dos nossos estudantes está entre o nível de aprendizado insuficiente e péssimo.
Este é o resultado de um país onde a educação deixou de ser a prioridade, em detrimento a inúmeros interesses secundários, haja vista o orçamento destinado aos salários de quem educa. Sob este aspecto, precisamos pensar na formação e função do professor como “construtor” das bases de uma criança, não apenas pelo que ela é, mas também pelo que ela virá a ser para o mundo.
De outra parte, não se pode perder de vista que a tarefa de educar as crianças, os jovens, é da família. A escola é um poderoso coadjuvante, mas apenas um coadjuvante. É na família, com a experiência viva do empírico, que os valores importantes são firmados. E a didática familiar não é filosoficamente criada a partir de educadores famosos, tampouco se funda na esteira de elaborações dos doutores dos governos, responsáveis pelos programas oficiais de ensino.
Assim, compreende-se que a educação na família se faz pelas coisas que são ditas, mas mais vivamente pelas coisas que são feitas. Já se disse que “as palavras convencem, o exemplo arrasta”. A vivência do cotidiano da casa, os hábitos das pessoas que circundam os jovens, sua forma de agir e reagir aos acontecimentos da vida, tudo isso forma uma influente rede de informações que tendem a se enraizar naquele ser em formação.
O imortal Paulo Freire, no clássico livro Pedagogia do Oprimido, afirma que “não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. É justamente na ação-reflexão do cotidiano, em que vida se desenrola e vai-se indo entre afazeres e trabalho, que ocorre a apreensão dos valores pela criança, a partir da observação do comportamento dos adultos.
Finalizando, convido o amigo leitor, ou leitora, a olhar a sua volta e se perguntar o que os seus fazeres estão a ensinar aos filhos, aos jovens. Aliás, proponho uma nova ação-reflexão aos amigos, todos, de pegar aos filhos pelas mãos e andar vagarosamente pela praça mais próxima, pela beira do rio, a conversar com eles, mostrando como é a vida e o que é preciso fazer para melhorá-la. Usufrua deste vagar, pois é no “de-vagar” que a vida realmente acontece e a educação se consolida. E as palavras são as roupas dos pensamentos que, da mesma forma que uma pessoa, não devem ser apresentadas em farrapos, descompostas e sujas.

Um comentário:

Marina disse...

Olá, professora, eu adorei seu texto, acho-o atualíssimo e de grande capacidade de percepção do mundo real, da falência da Educação, dos maus salários dos prefessores, do pouco cuidado dos pais pelos filhos. Enfim, vejo que a senhora poderá dar muito ao Brasil como a grande educadora que é. Seus artigos são primorosos. Eu não deixo de acompanhar seu blogspot e sua coluna. Parabéns pelo talento que tem.
Marina

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.